Recordar é viver
Há 24 minutos
A comunicação em sociedade é rigorosamente isso. Opiniões. A divergência faz parte de uma saudável troca de pontos de vista acerca de temas actuais da nossa sociedade. Infelizmente o que se repara em muitos momentos é a existência de discursivos que julgam dever transverter a discordância de opiniões em questões pessoais, com afirmações desesperadas e graves. São questões que diminuem o debate. Tiram-lhe elevação, tiram-lhe categoria. O ataque pessoal é o brasão dos cobardes. A arma daqueles que não se conseguem suplantar de outra forma.
Se por um lado, e ainda que necessária, é absolutamente ridículo este sistema de imunidades e inviolabilidades sustentado em Portugal pela convenção de Viena.
Oh Álvaro, se tu não és nada, eu então muito menos sou. Provavelmente nunca serei, nem posso querer ser. À parte isso, tenho em mim muitos dos defeitos do mundo.
Afinal posso fotografar pessoas na rua, ou não?
.: Aquele que crê possuir a verdade não se preocupa em procurá-la, da mesma forma que o justo satisfeito com a sua virtude negligencia o seu aperfeiçoamento moral.
Os últimos acontecimentos na nossa Ilha da Madeira aparentam ser isolados de um filme aterrador, onde a dor, angústia e aflição são ingredientes assoladores que culminam até então com a morte de quatro cidadãos, em incalculáveis cenários arrasadores.
Pela primeira vez em alguns anos encontramos um executivo a arraigar posição à gestão orçamental imposta por Bruxelas.
«CONTRE L'ALLEMAGNE OU CONTRE LA FRANCE ILS AURONT AUCUNE CHANCE»
A direita porventura, dirá que é um lugar que prestigia Portugal, para mim nada mais reflecte que o paradigma europeu actual.
Todas as revoluções não o são, até o primeiro afoito altear a mão da danação e, elevar a voz do «Basta!»
Nesta perversidade de interesses que a classe política nos tem vindo a amoldar, a apatia sentida numa notícia destas, rotula-nos como «acostumados» a esse costume. Então pouco a pouco, vive-se a descredibilidade munífica que se destapa nas paupérrimas percentagens de votantes em momentos de sufrágio. «É porque não vale a pena», então «é porque joga o Benfica», «é porque está calor», «ai, a praia sabe tão bem.» É por tudo, e tudo é descredibilidade. E tudo é vergonha. E tudo é inexistência de respeito. E tudo somo nós, marionetas, pacóvios e com bandeiras de Portugal na mão a criticar o Ronaldo.
Falsear é uma liberdade infeliz que cada um de nós tem. Saber fazê-lo é uma habilidade sagaz que só alguns usufruem. Todavia por detrás de uma embustice deve imperiosamente subsistir um senso de equilíbrio que lhe dê credibilidade.
O texto que se segue foi por mim escrito há 2 anos, e a curiosidade de ainda se manter actual, significa para mim, uma estagnação primitiva das mentalidades sociais deste nosso país.
A viajar para norte, parei numa estação de serviço e fui dar uma vista de olhos nos jornais do dia. Na capa de uma revista, José Rodrigues dos Santos dizia, «Como não há os livros que gostaria de ler, escrevo-os eu».