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CrIvo de Almeida™

Muitos políticos são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a praticar a honestidade.
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Li 3 dos 4 livros que Maria Vieira lançou, e certo é que não revejo nas suas obras importância, conhecimento, mestria na escrita, pensamento astuto, ou qualquer outra virtude passível de se mencionar como virtude. Afinal, lançar livros onde se narram férias com o marido e um cão, não é de todo a minha saga de eleição. Contudo, não é por isso que antipatizo a nossa ilustre Maria Vieira. Apreciando ou não a sua obra, resisto-me de opinar pejorativamente a algo atinente à sua autora, salvaguardando o respeito que todo e cada um de nós, merece. No máximo, reprovo a obra.

Apreciei por horas a fio o trabalho de Diego Maradona. E com isto, não significa que aprove todas as suas condutas e opiniões na sua vida pública e pessoal. Parece-me simples.

Mas no que aos factos concerne, encetou pelo Diogo Morgado, passando agora para a Mãe do Cristiano Ronaldo, Dolores Aveiro. Maria Vieira, bem ao estilo do Dr. Mario Soares, perde todos os dias incalculáveis oportunidades de se retirar de cena nas boas estimas, como alguém de respeito na sociedade portuguesa, e afinal, agora com a adiantar da idade, deixa-se levar pela frustração cobiçosa de quem observa do sofá, os que fazem sucesso através de um mérito e valor, que não mais lhe é atribuído. Há pessoas que não lidam bem quando os aplausos terminam.

Infelizmente são poucos os Portugueses que levam o nome do nosso retângulo aos quatro cantos do mundo por bons motivos, e Maria Vieira inicialmente, debruçou-se a criticar Diogo Morgado, e desta vez, a Mãe de Cristiano Ronaldo. Daniela Ruah, José Mourinho, entre outros, tomem cuidado, porque pézinho em ramo verde, e ganham ingresso VIP e directo para o perfil do Facebook da nossa Maria.

Certo é, que Maria Vieira enquanto cidadã livre, de bons costumes, e num país democrático, tem ao seu alcance, a crónica, o comentário, o parecer ou a apreciação, que lhe permitem, como a qualquer um de nós, tecer opiniões relativamente a alguma situação, estado as figuras públicas como é natural, numa condição de maior escrutínio.

Contudo, a liberdade de expressão, convém ser musculadamente diferenciada de ‘Liberdade de excreção’. Excreção Ivo? No comentário da amiga Maria Vieira encontramos :

“Esta mulher vale o seu peso em ouro e, pesada como ela é, calcula-se que o seu peso dê para alimentar muitas famílias...”

Quando assim é, entramos por sua vez, no âmbito da deselegância no trato, de instrumentalização de princípios, valores, banalizando o facto de também Maria Vieira ser uma figura pública, acarinhada por muitos Portugueses, que neste momento, não se revêm nesta hiperactividade, porventura resultante de uma crise de idade avançada.

Ajudem a nossa ‘Parrachita’ por favor.




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'Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que p…ra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar!
Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado!
O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!
A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade!
Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!!
O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha!
Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol'.

Jô Soares
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Em sede de consciência social há um grande declive em Portugal, quando em comparação com outros países de Europa. Confunde-se constantemente a Justiça com a violência. Tanto é, que é vulgar não haver reacção contra o crime, mas inúmeras contra a pena.
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São as atitudes que ratificam as teorias, e muitas vezes comprovam ou não um curriculum extenso. As segundas sem as primeiras, não aproveitam de mérito.

Se essa [mudança mundial/social] é corolário de carência de humildade, esquecimento da educação, e banalização do respeito, saltando princípios e valores, errou. Não é forte mudança, é 'triste decadência'.
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O Brasil tem reivindicações diárias que ajuízam o Mundial de Futebol carrasco de inúmeras injustiças económicas ao país.

A dar força a essas reclamações, aparece Scolari, Júlio César, Maicon, Ramirez, Dante, Hulk, Fred, Oscar, Marcelo, que vão ao jogo e não pagam sequer bilhete.

Assim, não há economia que relute, nem boca que se omita.

Querem ver o jogo, pagam bilhete como os outros, ora!



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A quem priva comigo, e me escutou inúmeras vezes dizer 'Este mundo é uma ervilha', esqueçam lá isso!

Afinal existe humanidade a anos-luz de distância.
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Merecidamente as portas do Panteão se abrem, para que agora se brote aquela índole de recordação, como uma pertença ou partilha, que não se esfuma com os sinais desagregadores da morte.

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

Obrigado.
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Quando era mais novinho adorava ir com os meus pais à Portugália. Ir à Portugália significava à data, uma parafernália de sensações e prazeres, especialmente ao nível da degustação. Isto tudo porque não estava ao alcance de qualquer outra casa de pasto, oferecer aquele molho amarelo, de mistura de leite com mostarda. Era a ‘chicha’ de uma vazia sagrada, certamente proveniente de príncipe bovino, que tinha crescido só para me agradar em Algés, precisamente antes do passeio a Belém.

Hoje de passagem pelo Campo Pequeno, os olhinhos piscaram no placard luminoso da ‘Portugália ao balcão’ – ao balcão? Mas que conversa é esta? – e atentaram-se a lançar-me aos sabores de infância.

A infância esgotou-se na memória. De salto da inovação para a modernidade, lá aparece também a Portugália a oferecer menus, bebidas pequenas, médias e grandes, e no fim, juro que tive receio que me perguntassem se ia desejar brinquedo e uma caixinha de cartão para montar em casa.

Portugália virou um fast food – not so fast, not so food – para fazer frente à restauração de centro comercial.



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Foi durante um Sushi de esmero que me coloquei em posição de vos dizer a todos:

- Jorge Jesus não continua no Benfica!

Por ser verdade, já conta com alguns trabalhos desta vez ligados à sétima arte.
Assombroso.


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Quando o Governo critica os Juízes do Tribunal Constitucional, parece-me claro que, ainda que não saibam, as recensões são dirigidas à Constituição da República Portuguesa, e não ao Juízes propriamente.

Ao que parece, este executivo, acompanhado de diversos comentadores ‘sociais-democratas imparciais’, apontam uma Constituição impreparada para o Euro, visto esta ter sido criada na sémita do escudo. É um argumento interessante de facto, não fosse outro, um pormenor de importância ‘mínima’.

Acontece que os vários OE e medidas avulsas que foram chumbadas pelo TC, incidem com especial nodosidade no Art. 13º, ou seja, o nosso já cógnito ‘Princípio da Igualdade’. Neste sentido, ainda que aceitando sem de modo conceder, temos hoje uma Constituição preparada para o Escudo, e certo é que foi corolário de um Principio de Protecção Constitucional, desta vez consagrado nos Direitos e Deveres Fundamentais, que justamente, não deu provimento as propostas apresentadas.
Em primeira instância, não se atende a que o princípio da igualdade seja então consequência de uma Lei Fundamental preparada para uma moeda actualmente inexistente, e desse modo, para o caso em apreço, exclui-se a deformação da lei fundamental para julgar moções de unidades monetárias diferenciadas das existentes em 1976.

Ainda que se afigure suplementar qualquer apropriação da Constituição no sentido de assistir uma alomorfia social e económica, não revejo que essa apatia, tenha sido então, conclusão das inconstitucionalidades promulgadas.
Por outro lado e assim sendo, aos legisladores hiperactivos, relembrem-me por favor, da existência de uma Constituição de algum país, democrático, ou dito como tal, que careça deste Principio da igualdade. É que não me recordo de alguma que não conserve este, ou preceito de núcleo idêntico.

Salvo casos expressamente consignados na lei, as decisões políticas devem ser subservientes à Constituição da República, nunca conservando esta o ónus de se flexibilizar às resoluções do executivo.

Para qualquer inversão, pasme-se, nós temos políticos profissionais, e poucos ou nenhuns, Profissionais na política.


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Um ano é uma data que muito embora seja razão de celebração, eu prefiro contar os dias passados, festejando a história do dia em que desligamos a máquina ao medo. As histórias bonitas começam sempre assim, com pequenos nadas insuspeitos, e afinal vêm a transformar-se no que para mim se revela no quebrar de amarras, cadeados e eu, que nem prisioneiro de Shawshank, por tua permissão me solto ao vento num sonho sem trela, onde posso voar, correr, e no fim descansar no teu colo.

O teu colo, é verdade. Não sei se já te contei, mas esse meu colo, é o tálamo da serenidade, harmonia das músicas que só tocam com notas perfeitas, o meu Debussy privativo criado só por nós, que sem Cd’s nem Ipod’s, construo assim as viagens onde somente está sintonizada a delicadeza da carícia, onde permite à lua descer e balançar, no típico som do teu abraço, na singular sentença do teu beijo. De sentença em sentença, não há acórdão recorrível para quando brincar com as palavras se torna extemporâneo sempre que os meus olhos cruzam os teus. E por lá permaneço, linda falua que lá vem lá vem, de algodão doce e fadas pequeninas, volto de novo a ser menino de chupa-chupa e calções, de ingenuidade primitiva de quem vive a sorrir. Assim sou eu, em ti.

Ao longo de um ano, libertaste-me eternamente sem saber. Revogaste á minha condenação sempre que os meus dedos agentes infiltrados nos teus cabelos procuravam revelar o que de vocabulário não possuo, sempre que a minha pele se ria ao teu toque, sem saber em que rota disparar toda a força procriada numa brusca escolha de enlaçar o teu rosto no meu peito. Ar para quê.

Por todo esse trilho, ensinaste-me que a dor é soalho imperfeito com farpas de sentido único, que todo e cada um de nós deve atravessar tantas vezes descalço. Conheci mais. Instrui-me que não é só a robustez, a resiliência ou mesmo a pertinácia que nos faz marchar. É a esperança. Esperança de um fim com grandeza, esperança do fim contigo. Obrigado por teres esperado por mim, obrigado.

E hoje, nesta minha circunstância de livre, és mélica dádiva corrompida de embriaguez, porquanto, mais asas me brindas, mais amarrado estou. Tendo a ser em anos, o encarcerado mais antigo do mundo, e se assim for, equitativamente o homem mais feliz de todas as ocasiões.

Obrigado
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Há um dia atrás coloquei no meu mural a imagem do massacre sangrento que é infligido aos touros, com o simples objectivo da diversão do homem, onde por sua vez, e com a mesma, se retirava correntemente a minha posição quanto ao tema.

Depressa e bem, surgiram comentários de pessoas que se reviam na revolta por mim encetada, e outros, também sempre bem recebidos, de pessoas que defendem a tourada como uma tradição, arte, e tudo o que de benéfico para o país daí poderá advir.

De facto, porventura limitação minha, mas não consigo observar as touradas como uma forma de cultura. Se alguma cultura e tradição é provocar dor a qualquer que seja o animal, que gosto ou agrade poderá ter essa arte? Não vale a pena frisar para se colocarem na pelo dos animais, porque quem o faz, certamente não o concebeu sequer. Aparentemente, não é sozinho que penso desta forma. As pessoas lutam pelos seus direitos diariamente, e eu, sou da opinião que os animais também têm os seus direitos. São então os grupos de defesa dos direitos dos animais que lutam para que as touradas acabem, pois estes acham, assim como eu, este acto, um acto de crueldade e insensibilidade. Em Portugal, já foram proibidas as touradas por quatro autarquias. Dever-se-ia seguir o exemplo.
Uma sociedade justa não deve admitir procedimentos eticamente reprováveis (mesmo que se sustenham na suposta tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais. É horrível ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional. A sustentar a tourada no argumento da tradição, andaríamos hoje a lutar com leões em arenas de gladiadores.

Neste ponto, gostaria agora, responder naturalmente a todo a cada comentário válido que por aqui foi deixado.
Primeiro, pareceu-me absolutamente claro que abordando a minha posição relativamente às touradas, mais especificamente à actividade de maltratar um animal, não estava com ela a dizer ao mundo, que tudo o resto era perfeito, e que porque há fome em África, então já não fez sentido prestar a minha posição. Nada disso. Apesar de ser contra as touradas, pelo menos na forma como são, não significa que seja a favor do aborto, contra o casamento homossexual ou a favor da eutanásia. Nada. Isto porque quando nos predispomos a abordar um tema, devemos fazê-lo com a certeza da capacidade de não nos perder-mos em temas que para o momento, nada têm a ver com ele. É o caso do abordo. É um não-argumento contra ou a favor das touradas.
De seguida, vou de alguma forma defender-me da ‘demagogia’ do meu post, na certeza porém que não faz parte do meu estilo, a pessoalização dos assuntos, muito menos tudo o que seja para lá da justa medida da elegância no trato. Desse modo, aproveito para dizer que sou Português, vivo em Portugal, e a única coisa que ainda não entendi, é como algumas pessoas alegam a lei como proibição dos touros de morte, ignorando que a prática reiterada passa precisamente por violação desse mesmo normativo, em várias zonas do país. Ignorar esse facto, utilizando-o como ‘atenuante’ para o que se inflige aos animais, é no mínimo preocupante. Eu se um dia não cumprir a lei, os tribunais punem-me. As touradas quando não cumprem a lei, diz-nos o passado recente que o tribunal cria exepções, onde a mesma não se aplica em determinadas terras. Para não falar que não é só a morte que dói. Estou até convencido que a morte do touro, à altura que acontece, acaba por ser o que melhor lhe podia sobrevir, tal não são as atrocidades que lhe vem a promover. Vamos então ser sérios.
É também tema de importância os argumento de que os touros não são massacrados, em virtude de que espetar o ferro numa zona em específico, não se reflecte em dor para o animal. É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes, e desse resultado, solicito desde já qualquer pessoa a demonstrar-me um único artigo científico, que caminhe no sentido de que o animal não sente dor nos seus ferimentos. Até lá, é tão mais fácil assinalar que não dói nos outros, não custa naquele, deixai-me divertir.

Não consigo concordar que são então os toureiros e todos os que trabalham para a materialização deste auto de fé, os únicos que realmente valorizam e promovem o touro enquanto animal. Senão vejamos. ‘O touro que só existe porque há hábitos como este?’ Os Pandas e outros animais que correm risco de extinção nunca serviram para as touradas e continuam a existir. Porquê? Porque humanos se preocupam com eles. Para não falar, serem hoje criados animais de raça específica para a tourada, o que assim sendo, faz cair por terra o argumento da prevenção à extinção do touro. Ainda que não, e de qualquer forma com certeza de que os aficionados que tanto dizem “amar” os Touros, se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada. Afinal, amam-nos. Agora, é o massacre do animal, disfarçado de ‘arte’ que soluciona esse problema? Não creio. Arte e cultura de facto, é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado arte ou cultura.

Não devo pedir desculpa por ter uma opinião diferente das demais, mas se assim facilitar, eu faço-o.

Peço desculpa por achar a tauromaquia uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais.

Desculpa por sentir que só os motivos económicos ganham na luta de ódio que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.

Desculpa igualmente por verificar que em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis, mas não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.

Finalmente desculpa, porque tenho para mim, que a violência é a negação da inteligência.
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É com alguma satisfação que vejo finalmente o grande amigo, António Costa, dar um passo para o que era inevitável. Não obstante a cores partidárias, António José Seguro consegue não ser fantástico em nada. É apático na política, do mesmo modo que impassível em momentos que se exigia uma vitória mais folgada. Não agrada nem aos socialistas, pelo que o seu possível afastamento causa compreensível temor a uma direita que vê a susceptibilidade de sair um elo mais fraco, dando lugar a um político de peso.
Chamem a ‘facada de Costa’, o ‘beijo de judas’. Mas a realidade é esta, um partido como o Socialista, terá sempre de ter um S.G muito mais activo, e credível.
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Preciso urgentemente que me indiciem ao meu país. O Presidente da República que se chegue a mim, e nos apresente por exemplo. Ivo, este é Portugal. Portugal, este é o Ivo.

Não é que eu já não o saiba, mas por esquecimento ou distracção, não tenho acompanhado estas novas vagas desta sapiência desmesurada.

Dou por mim a ligar a televisão, ver um homem andar fugido durante 34 dias por ter tentado matar quatro pessoas. A idade já não era a melhor, e ‘só’ assassinou duas. Problemas de vista, mira torta, o que seja. Problemas.

É finalmente capturado e à saída do carro para o tribunal é ovacionado(?) por largo número de pessoas.

Podem dizer [os cautos] que os aplausos foram para a Polícia que o capturou. Certo, alguns aplausos com certeza, mas notório foi, que a maior ovação, acontece quando o Sr. Baltazar sai da viatura. Dirigem-se irrefutavelmente a ele. Porém, é só a minha opinião, e o relato que o CM conseguiu do local.

Tenho para mim, que a população, incorporou naquele procedimento um recalcamento notório que tem vindo a existir, contra o ‘sistema’. De alguma forma, aquele ‘Palito’, fez-lhes frente. Não tanto à polícia, mas ao sistema.

É esse o sentimento por detrás dos aplausos. Esse e parvoíce aguda.

Estou incomodado, mas não surpreso. Relembro-me que não há muito tempo, se montou um cordão humano, de solidariedade, para com um rapaz Português que assassinou um Carlos Castro em Nova Iorque. Nobre, não foi? Quase chorei.

É impressionante a veia novelesca, romântica, quase trôpega, que faz com que este nosso povo tenha uma incompabilidade absoluta de se colocar ‘do outro lado da barricada’.

Porque do outro lado do Herói, e nas costas do bom Renato, vive a dor de uma família e amigos que perderam duas pessoas que amam. Que irrecuperavelmente não ultrapassarão a dor da morte injusta de quem, no fim de contas, é aplaudido e/ou homenageado.

Peço um minuto de barulho, para estas mentalidades.
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Estava aprontado para comentar sobre a recente disposição do Primeiro Ministro para abordar a proposta, anteriormente lançada, relativa ao aumento do salário mínimo.
Ora, se verdade é que da esquerda à direita todos estão finalmente de acordo com a medida, ia eu, que nem ‘Advogado do Diabo’, versar sobre os problemas que esse aumento de salário levanta, no que diz respeito, por exemplo, à taxa de desemprego. Mas nada feito!
A meio do meu jantar, oiço José Sócrates, apelidar arguciosamente José Rodrigues dos Santos de ‘Burro’, e ‘Papagaio’. Procurei de imediato o botão vermelho na esperança que a minha cadeira rodasse para a Televisão. [vide, The Voice]
Hoje fica em suspenso mas não extinto, o comentário acerca do salário mínimo, tal não é o regozijo que nutro, com este espaço que a RTP criou na tentativa de tramar António José Seguro. Muito bom.
Nunca mais é domingo à noite. Bolas!
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O vulgar é muitas pessoas acordarem ao toque. Outras, com o timbre de quem as chama, ou então, até mesmo com os ruídos que lhes varre o sonho e desabotoam os olhos.
Acordar ao teu lado, é por sua vez, o acordar pela tenuidade do aroma. Afinal, e descobri, que a fragrância pode acordar-me.
Acordar a teu lado, é o aconchego inigualável das torradas quentes, um dia que se estreou num Sábado, e os relógios param só para mim.
Só. Porque o restante é acordar sozinho.
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Pequeno filho de pais separados, de conversa em solavancos, exorcizava fantasmas com gigantes negros, e os seus botões, esses, sussurravam aos vidros da Starbucks, que aquela conversa era segredo só deles.
O pai, de cabelo diminuto, pardacento mas bem-parecido, afundava-se na alta definição do seu Iphone, como se deslocar os olhos daquele ecrã fosse heresia, olhar o mundo sacrilégio, e ouvir o filho, perca de tempo.
O petiz, de nariz enfiado no 'Frappuccino de chocolate', aprendia a solidão no meio do mundo, entendia que gostar nem sempre é doce, e se aquilo é o amor, teria preferido antes uma bebida quente.
Aliás, com o cruzar dos anos, adivinho-lhe tendência a enjoar o chocolate.
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Em dia de tempestade, nada mais posso fazer, senão ensinar-te a sorrir à chuva. Paga-me com o teu sorriso, terás o meu coração em troco. Que esse vendaval seja na ternura, e desse modo, aceito o teu alerta vermelho, estado de sítio, ou outros desesperantes pedidos de auxílio, como meus.
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É inegável a proactividade que a Exma. Ministra da Justiça, Dra. Paula Teixeira da Cruz trouxe ao panorama judicial. Contudo, permanece questionável se toda essa hiperactividade reformadora, se espelha numa maior eficiência para a justiça.

Em nome da celeridade processual, e sempre esta, alterou-se, o Prazo de prescrição dos processos.

Acontece que segundo a nova proposta de lei, as contraordenações aproximam-se agora à vigente lei penal, onde o prazo de prescrição suspende sempre que existe uma condenação em primeira instância.

Certo é, que de há muito tempo até então, se carece de uma medida capaz de colmatar as lacunas das prescrições em processos que se encontram estagnados em razão de manobras processuais dilatórias. No entanto deixa-me a pensar que,

1. Se esta proposta responde com plenitude à problemática da prescrição de processos após uma primeira condenação, não sei se trará o mesmo beneficio relativamente á celeridade processual. Questiono-me até que ponto as prescrições não seriam de certo modo, uma «pressão» para que os tribunais se apressassem, na tentativa de decidir a tempo oportuno.

2. Partindo do princípio do meu primeiro ponto, não obstante a que possivelmente os processos ainda que não prescrevam, se atrasem, indaga-se até que ponto aqueles que se arrastam após primeira instância e por sua vez, o tempo para que o recurso seja apreciado se estenda, diligenciem uma exposição pública ainda mais perdurável, sem se saber publicamente, de uma decisão que transite em julgado, e/ou que possa provir um recurso interposto para suprir ilegalidades ou discordância do acórdão em primeira instância. A condenação social, tão criticada por mim, poderá potenciar-se aqui, num registo violador do princípio da Presunção de inocência.

Pessoalmente, e após ler a proposta, não lhe chamaria uma «alteração dos prazos», todavia, talvez uma alteração legal que incide sob os prazos de prescrição, suspendendo-os. Terminologias, entenda-se.

O que é mesmo fundamental, banalizando-se terminologias e semânticas, é repor a credibilidade da justiça aos Portugueses. Não discuto a importância da prescrição dos processos que deixam impunes diversos Réus e Arguidos, que é determinante.
Mas mais que nunca, e especialmente após ter sida declarada a inconstitucionalidade do art.º 381. do CPP, as medidas reformadoras, sem transgredir as garantias de defesa, devem seguir no sentido de uma maior celeridade processual.
Por sua vez, sempre que assim não seja possível, canalize-se então as atenções para que nenhuma outra proposta seja susceptível de intensificar a morosidade processual. Se não podemos ganhar, em última instância preocupemo-nos em não perder. É isto.

Quando se diz “ [que] à mulher de César não basta ser, tem de parecer”, não significa que se somente ‘parecer’, não seja necessário ‘ser’. Também o é.
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Foi com singular pesar que acordei hoje com a notícia do falecimento do Doutor José Medeiros Ferreira.

É ainda susceptível do meu mais profundo lamento, o conceito de oportunidade de uns acéfalos militantes, aproveitaram-se da plataforma ‘Wikipédia’ para denegrir a imagem, enegrecer a dignidade, e especialmente, desrespeitar a dor de familiares, amigos e admiradores da vida, obras, e pessoa, que foi o Doutor José Medeiros Ferreira.

As divergências de opinião, ideias e conceitos tornam-nos úteis, e de certa forma produtivos. Contudo, e não obstante, devem essas divergências de opiniões, ideologias políticas, cores politicas, ser balizadas/mitigadas pelo bom senso. A esse bom senso, tenho hábito de lhe chamar princípios, valores e referências.

Caro Lavoisier, claro que te questiono, «(…) Nada se perde, tudo se transforma (…)?»

Era bom era.
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Congratulo-me com esta harmonização das leis relativas aos direitos e garantias do consumidor, dando efectividade às directivas europeias, e aproximando os estados-membros com uma legislação mais justa e equilibrada.

Esperemos que esta, sirva também de mote, para a necessária alteração às cláusulas contratuais de fidelização vigentes pela ANACOM, em minha opinião, são em primeira instância dissonantes das regras plasmadas na nossa Constituição, e não obstante, retratam uma permissão indisciplinada da limitação à liberdade contractual do consumidor.

Contudo, saudosista me subscrevo,

"No meu tempo, não era nada assim".
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Desconfio solenemente que é amor profundo.
Afinal, enamoramo-nos não só por uma capa, ou algumas folhas, nem mesmo por uma bonita combinação de 23 letras.
Mais grave e penetrante que isso, apaixonamo-nos por tudo o mais que elas dizem, pensam e sussurram. Pelo que nos ensinam, e oferecem. Apaixonamo-nos por um interior, porque é esse o mais sublime.
Lá está, quando eu me apaixono pelo interior, não é somente paixão. É feitiço, é amor.
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O Tribunal Constitucional, arbitrou Inconstitucional o projecto de lei que almejava o referendo público concernente á Co-Adopção e Adopção por casais do mesmo sexo.
É neste ponto cronológico, que está demonstrado o que compreendo por inversão colossal das mais relevantes entidades governativas, judiciais, e políticas.

1. Não se remete para fiscalização constitucional, matérias relativas á consciência da sociedade.
2. Ainda que de outra forma se entenda, a matéria em causa aborda Direitos, Liberdades e Garantias dos cidadãos, o que desde logo não me parece susceptível de ser referendada.
3. Este Projecto de Lei foi sucumbir às mãos dos ilustres Doutos Juízes do Tribunal Constitucional, mas antes disso, deveria ter sido solucionado na Assembleia da República, ou por incompetência desta, pelo Presidente da República.
4. Sendo o Tribunal Constitucional o órgão de soberania que encerrou a odisseia da adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo, erguem-se (novamente) as vozes ciosas de uma reforma constitucional, desta vez com o fundamento da vigente ser um texto retrogrado, e que não acompanha as metamorfoses da sociedade.
5. A resolução conseguiu agradar a quase todos. Para os que estão contra, a inconstitucionalidade faz todo o sentido por razões ideológicas. Para os que estão a favor, se o referendo se realiza-se, ganharia por larga margem o «não», logo, actualmente ainda não é um ‘não assunto’.
6. Não há sexto ponto, mas mal fiz «Enter» ele apareceu.
7. É tudo.
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Já não jornadeava pelo Twitter há imenso tempo. Não é ‘a minha rede social de eleição’, mas depois disto, acho que o cânone modificou-se. Após a ver o Programa Prós&Contras na RTP, vou encontrar isto.

                       

Louvores para a RTP, e o seu serviço público, que solicitam a pessoas como Fernanda Câncio para a sua participação. Multifacetada, os despautérios não se esgotaram no pequeno ecrã, estendendo-se simultaneamente [Em directo] a estiradas como;

- “olha esta diz que há praxes entre jornalistas. sinto-me excluída”; 


- “esta miuda é q deve ter bebido uns belos shots d absinto”;


- “nao ha paciencia para este vera cruz”, entre muitos outros.
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Tinha dito a mim mesmo que havendo inúmeros capas negras a usar da sua experiência [essa sim, útil], explicando ao mais desconfiado dos ignorantes o que é a Praxe, não iria também eu, passar por essa situação.

Ora foi precisamente por ignorância, que me vi com a necessidade de deixar umas palavras relativas à celeuma patética que se erige em torno das praxes, e especialmente às infelizes afirmações que acabei de ouvir de um tão popular Miguel de Sousa Tavares. Lamentavelmente doloroso.

Em primeiro lugar, não posso deixar de lamentar o triste desfecho dos cinco cidadãos, e assim envio as maiores condolências às famílias.

E de seguida, [para não fugir ao tema], umas das tragédias desta ‘Odisseia Praia do Meco’, é achar-se que o problema é a Praxe.

Não se deve gerar um pensamento fundamentalista a favor ou contra as Praxes, muito menos discuti-lo de forma exaltada, debaixo de uma tragédia.
Sou péssimo para ensinar, tenho consciência disso, mas posso tentar.

Para os menos informados, todo o ritual aplicado nas praxes, assim como a própria etnografia das vestimentas (vulgo trajes), têm os seus conceitos, que diga-se, nobres. Debaixo de um traje e capa negra, vive a justiça do princípio da não discriminação, afinal a sua criação em Coimbra, ensina-nos que entre trajados, não existem classes subordinadas, dissemelhanças de cultura, distinção de país, ou mesmo desníveis financeiros. Todos são iguais.

Relativamente aos rituais utilizados, sempre visionados por órgãos hierarquicamente superiores, [Directores de Praxe, Director de Curso, Tribunal de Praxes, Associação de estudantes], têm a seu cargo entre outras responsabilidades, promover uma verdadeira integração na comunidade académica assim como recusar acolhimento ou apoios a acções que põem objectivamente em causa a liberdade e a dignidade humana.

Ingenuamente julguei ser esta matéria assente, mas como aparentemente não é, eu repito;

‘As práticas de humilhação e de agressão física e psicológica com carácter fascista’ [Dr. Mariano Gago], não são Praxes. O ‘Bullying institucionalizado’ [Dr. Marinho e Pinto], não são Praxes. O exercício masturbatorio de um poder, não são Praxes.

Os excessos podem porventura ocorrer nas Praxes, assim como acontecem na nossa vida, no entanto aquele (não tão pequeno) grupo de pessoas, que ao estilo de Miguel de Sousa Tavares, Pacheco Pereira, entre os demais, têm atacado desmesuradamente as Praxes académicas, apontando-as como sendo directamente responsáveis pelo desaparecimento dos cinco jovens na Praia do Meco, estão a entrar no semelhante e ignóbil raciocínio de criticar os homens ou mulheres no seu género, porque um dia alguém traiu.
O conceito de «Praxes», «Homens» ou «Mulheres», são absolutamente distintos de «Praxes abusivas», «Homens infiéis», e «Mulheres adúlteras».

Por fim, julgo inteiramente assombrosa esta capacidade que os fundamentalistas tapados de um peso ideológico, apinhados de ignorância quanto ao tema, caracterizam erroneamente as Praxes á luz dos últimos acontecimentos mediáticos; quando ainda este ano, despontaram ‘Praxes solidarias’, em que ofereceram alimentos a famílias carenciadas, pintou-se igrejas em mau estado, melhorou-se prédios danificados, e benfeitorias a bairros problemáticos são tão somente banalizadas. Esta hipocrisia é extrema e desnecessária.

Um Caloiro, um Pato, um Doutor, um Veterano, um Director de Curso, um Dirigente associativo, um estudante, um cidadão, eu, Ivo Almeida.

PS: Quanto á responsabilidade jurídico-criminal, relembro que nem provado está que o cenário seja resultante de alguma Praxe, para não dizer especificamente que todos maiores, estavam no local voluntariamente.
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É um facto que já Pessoa dizia «existir no silêncio a mais profunda sabedoria».
Não posso deixar de concordar a fundo com o nosso distinto Português.
 
Todavia, o que mais espécie me faz, é que esta só é uma realidade tão evidente, em razão da mais profunda ignorância, se manifestar tantas vezes no maior dos palratórios confiantes de certeza.
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Eu sei quem levou anos a responsabilizar juízes enquanto classe, e agora cessante, apela ao bom entendimento destes, pois descobriu nesta nova perspectiva, que [afinal] todos são imprescindíveis à administração da boa justiça em Portugal.
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Hoje o dia ficou marcado como um dos mais negros na casa da Democracia.

Não fosse este, resultado premonitório de um cavernoso futuro nos quadros do PSD, e até poderia ser quase espirituoso. Mas não é. Nada disso.

Hoje só existiu um partido político a votar, e mesmo esse, votou dividido e quebradiço.
Quando exclusivamente um partido vota uma proposta de referendo, e para isso é obrigado á disciplina de voto, e isto só pode ter uma interpretação simples; - Não existe assentimento no parlamento quanto à pasta na mesa.

Esse facto, quer se queira ou não, borra toda uma competência/legitimidade só por si.
Emerge assim, um referendo oportunista, assente na prognosticada vontade de um povo, que na realidade, apenas circunscreve o referendo a um utensílio dilatório. Um plano artificial.

Em súmula, apareceu oposição, vislumbrou-se votos contra o próprio parceiro de coligação [CDS], deu-se a demissão de uma vice-presidente [PSD], emergiram inúmeros votos «against heart», e por fim, ocorreram inúmeras declarações de voto por parte de deputados do PSD e CDS, no mínimo humilhantes para a Assembleia da República.
No mínimo, extraordinário.

Louvores para este esboço de referendo, que felizmente nunca o será.
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Peço previamente as minhas desculpas aos castos, mas este meu lado de espectador inveteradamente romântico não se me autoriza de abordar o tema na perspectiva mais conforme [Da nação].

Desculpem, mas um Presidente Francês a fugir aos media [ainda que mal] em cima de uma mota, para se ir juntar em segredo com a sua apaixonada; torna-se assim um chavão imperativo para qualquer livro ou filme no dia de São Valentim.

James Cameron, mãos à obra nisso, por favor.
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Manuel Forjaz foi gestor, inaugurou a moda do empreendedorismo, teve empresas, faliu, é professor e orador de excelência. Aos 50 anos, usa a forma enérgica como sempre viveu também para lutar contra a doença que o afecta há cinco - um cancro no pulmão. Expôs-se sem medo, tem uma página no Facebook onde dá conselhos, faz palestras e vai lançar um livro este ano, na Leya. E, sobretudo, continua a viver.

Normalmente, as pessoas que têm cancro escondem. O Manuel, pelo contrário, decidiu expor-se. Tem uma página no Facebook, dá palestras e está a preparar um livro, O Meu Cancro. Porquê?
-A razão principal deve ter sido alguém, um dia, ter-me feito chegar uma pergunta. Ou a Jaqueline ter pedido para falar comigo por causa de uma amiga que tinha cancro e eu começar a aperceber-me dos medos, dúvidas, incapacidades das pessoas de gerir e viver com a doença. Parece que desenhei uma maneira de viver com a doença que é contável, replicável e aceitável para a maioria das pessoas... A maior parte das pessoas tem uma visão disto, ainda no século XVI... Pensam que as quimioterapias são em salas fechadas e que nos injetam um líquidos pretos. A primeira quimioterapia, das mais de sessenta que já levo, foi má. Mas foi muito melhor do que estava à espera. Comecei a aperceber-me de que havia um conjunto de mitos e desconhecimentos que assustavam as pessoas e faziam do cancro uma coisa pior do que aquilo que ele é.
Então foi causa dos outros?
- Justifiquei-me a mim próprio com «se eu contar tudo, as pessoas não fazem perguntas». Não estou para que a minha vida seja um conjunto de conversas sobre cancro. Não quero sair ao café e o senhor Régio me venha perguntar pelo meu cancro. Não quero ir dar uma aula e um aluno meu me pergunte: «Então, como está o cancro?» Se eu contar tudo, as pessoas já não têm perguntas para me fazer e eu posso seguir com a minha vida.
Se as pessoas souberem é mais provável que lhe façam perguntas...
- Não, porque eu escrevo tudo. Não ficam com dúvidas. A primeira coisa que começo por dizer é: vamos cá esclarecer uma coisa; primeiro, vais morrer. Tens isso bem claro? A boa notícia é que vamos todos morrer. Depois não vais morrer amanhã. Pode ser bom ou pode ser mau. Às vezes é preferível um ataque cardíaco, que nos acabe com o sofrimento, do que estar anos na batalha. Eu, que sou um lutador, que adoro a batalha tanto como vencer ou perder, prefiro estar na luta. Uma das coisas mais estúpidas que as pessoas fazem, a mais cretina, que não fazem por maldade mas por solidariedade, é falarem de pessoas que morreram. É uma declaração de amor, de simpatia. Porque é que isto é uma estupidez? Porque todos os dias, em algum momento do dia, lembramo-nos de que não vamos durar tanto tempo. Quando ouvimos uma música que ouvimos quando os nossos filhos nasceram, quando lemos um livro que lemos aos 18 anos. Se isto está presente, não preciso que me relembrem todos os dias. A primeira coisa que escrevi foram as dez coisas que nunca se deve dizer, em circunstância alguma, a alguém que tem cancro.
Essas regras que escreveu no Facebook, que efeito tiveram?
- No dia seguinte, recebi qualquer coisa como mil mensagens. Apercebi-me de repente da importância do que andava a fazer, de como podia mudar a vida das pessoas. Foi um espanto. O meu Facebook tinha 500 pessoas e agora vai a caminho das 20 mil, cerca de mais cem por dia. Qualquer coisa que eu escreva é vista por dez mil pessoas. Depois, começou-se a organizar almoços. As pessoas juntavam-se para ajudar alguém. Lembro-me que alguém me disse ter uma amiga que havia feito uma mastetomia, estava a fazer quimioterapia, não queria sair de casa, estava careca, deprimida. Fui almoçar com ela e, dois dias depois, tirou o lenço da cabeça. Começou a ir para a praia às sete da manhã, que é quando os quimioterapêuticos podem apanhar sol. Começou a sair à noite, a divertir-se. A vida dela mudou completamente.
A sua também...
- Sim. Esse sentido de utilidade coletiva é uma coisa boa. Tornou-se avassalador? Ou foi pensando no que estava a fazer?
- Nunca pensei. Nunca fui estratégico em relação ao assunto. Passo facilmente de estados racionais para emocionais. E quando estou triste, protejo-me, escrevendo menos. A maior parte dos meus seguidores já leem o meu silêncio, sabem que quando estou quatro ou cinco dias sem escrever é porque fiz uma quimio. Ou vou ter de fazer uma operação ou estou à espera de um resultado. E lá recebo umas mensagens em privado: «Vai correr tudo bem» ou «Vou rezar por ti.»
Abrir-se assim também é uma forma de lidar com a doença?
- Sim, é. Porque me obriga a pensar nos assuntos.
Sempre foi racional desde o início...
- Isso não foi sempre assim. Cometi os mesmos erros de todas as pessoas. Quando se tem cancro, só há uma regra: procurar o melhor médico do mundo. Não fiz isso. Quem nos apanha o cancro é o médico que fica dono de nós. E entregamo-nos, fragilizados. Temos urgência na solução. Se alguém nos diz que nos vai tratar... Há outro erro: a cirurgia, somos tarados para operar. Os cirurgiões adoram cortar. Primeiro porque adoram cortar e, depois, porque ganham dinheiro. Eu nem sabia quem era o dono da minha doença, se o cirurgião, o oncologista ou o pneumologista. Dúvida que, aliás, permanece na maior parte das cabeças. Aconteceu-me ir a consultas em hospitais e falar cinco minutos com um e cinco minutos com outro e, muitas vezes, eles não tinham falado entre eles. A minha estratégia foi um processo de aprendizagem. Demorei um ano e cinco meses a ir ao melhor médico do mundo do cancro do pulmão. Devia ter ido logo em março de 2010. Fui ao dr. Rafael Rosal, o melhor, em Barcelona. A consulta custa 600 euros, em vez dos 90 de cá. Mas vale a pena pedir dinheiro emprestado. O meu livro vai servir muito para que as pessoas possam evitar as minhas asneiras.
É um otimista ou um pragmático?
- Toda a minha vida fui assim. Não me preocupo com coisas que não controlo, mas sim em atuar sobre as coisas que eu controlo. Na doença foi exatamente a mesma coisa. Em vez de me andar a preocupar com a deterioração do estado de saúde, a perda do fôlego, com o «não vais viver tanto tempo», a minha preocupação sempre foi saber onde está o tratamento, qual é a próxima linha, quem é o melhor médico, como minimizar os efeitos secundários, vou trabalhar ou não. Completamente pragmático, como continuo a ser. A maneira como geri e como encarei a doença tem tudo que ver com a maneira como sou e vivo.
Está sempre à procura do mais novo tratamento?
- Porque é que se procuram os tratamentos alternativos? Para se ter, sobretudo, esperança. Quando se chega ao fim das linhas terapêuticas que nos dão nos hospitais, temos de ter algo a que nos agarrar. Estas novas linhas terapêuticas experimentais acrescentam-nos esperança. E a esperança é o que nos faz não morrer. No dia em que a perdermos, fechamo-nos na cama e esperamos tranquilamente com morfina pela morte.
A família não se incomoda por estar tão exposto?
- Detestam. Os dois filhos e a minha mulher, que não está no Facebook. Os meus filhos estão pouquíssimo... Provavelmente preferiam que eu não falasse tanto. Ao mesmo tempo, sabem que me faz bem. Acho que percebem perfeitamente o valor que eu trago às pessoas que me leem. Têm algum orgulho nisso.
O que é que o cancro mudou na sua vida?
- Três coisas principais. A primeira é a demonstração dos afetos, que se torna muito fácil. O «amo-te» o «gosto muito de ti», o «fazes-me falta». Todos temos isto dentro de nós e gostaríamos de dizer mais vezes, mas esta nossa maneira introspetiva, lusitana, de guardarmos tudo para dentro, de viver com úlceras... Somos ensinados a esconder a emoções e a não demonstrar os sentimentos. O cancro é libertador em relação a isso. Essa foi talvez a mudança qualitativa mais importante. A segunda mudança é todas as decisões serem tomadas mais rapidamente. Sérias ou jocosas, importantes ou não, envolvendo outros ou não. Não que seja menos ponderado, mas porque acho que a irreversibilidade ou as consequências das mesmas têm, hoje, menos impacto. Na certeza da morte, todas as decisões têm consequências pouco relevantes.
Não se pôs a gastar dinheiro sem parar...
- Não, não. E porque a minha vida foi um bucket list, nem sequer cheguei a fazê-la.
O que é que isso quer dizer?
- Nunca precisei de fazer uma lista das coisas que gostava de fazer antes de morrer, porque já as tinha feito todas. Quis dar uma volta ao mundo, dei. Quis dar uma volta à Europa, dei. Quis um Ferrari, saltar das pontes, de aviões, ir ao fundo do oceano Pacífico. Tudo o que era para fazer, fiz. No fim, quando era para fazer a lista, não restava nada. Vivi sempre a vida sabendo que ela me poderia trazer surpresas e acabar de repente. Sempre vivi como se não fosse viver para sempre, ao contrário da maioria das pessoas que vivem despreocupadas. Foi uma regra para mim. Por exemplo, não queria morrer sem dançar hip hop. Toda a vida tive vergonha de dançar nas discotecas e sempre achei que os portugueses dançam mal, uns básicos. Na minha festa dos 50 anos fiz uma coreografia para a minha mulher com o Blurred Lines, depois de 12 aulas de hora e meia aqui em casa, com dois professores.
A sua vida determinou a forma como olha para o cancro? Ou seja, pacifica-se por essa sensação de que não deixou nada por fazer?
- Julgo que não. Numa certa altura na minha vida fazia-me falta o outro. Sentia que tinha uma vida privilegiada, que eventualmente não me tinha esforçado assim tanto para conseguir aquilo que tinha, que não tinha o mérito pelo conforto que tinha conseguido. Portanto, preocupei-me com projetos sociais. Lancei os Pais Protetores em África, fiz de padrinho na Ameixoeira, lancei o projeto Pé de Fé, lancei o projeto de bolsas africanas - há três ou quatros miúdos que se estão a doutorar, ao fim de dez anos com o dinheiro que arranjei. São as contas todas, acho que estou contente com o meu trabalho.
Até que ponto o seu quotidiano é determinado pela luta contra o cancro?
- Faz cinco anos e meio que tenho cancro. Não alterei nada na minha vida. Quer dizer, alterei por questões práticas. Se tenho uma vacina ou um PET, não posso ir a Espanha ver uma exposição. Mas vou no dia seguinte. Não deixo que a doença chateie a minha vida. O meu mote é exatamente o contrário: posso morrer de cancro, mas o cancro nunca me matará. No dia a dia, não deixo que o cancro me toque. Se tenho dores, tomo compridos. Continuo a trabalhar, a dar aulas, a viajar, com vida social. Há dias difíceis, pós-químio, em que não consigo levantar-me, dias em que a dor me desfoca a concentração. A questão da dor é sempre algo muito importante. A maior parte das pessoas não sabe que estou doente.
Tem visto exemplos do contrário?
- A maior parte. O cancro passa a ser uma atividade diária, nos seus pensamentos, nas escolhas, na maneira como se vestem, no que fazem. O cancro não é um assunto dos meus dias. Ainda ontem tinha uma conferência para fazer nos Salesianos. Estavam 400 miúdos. Foi organizada pela filha de uma amiga. Às 08h00 estava a entrar no bloco operatório e às 15h00 estava nos Salesianos. Deu, consegui falar. Não ia adiar, de maneira nenhuma. Não sou nenhum campeão, muitas vezes não consigo fazer que o corpo reaja, estou cansado. Sair da cama é difícil. Tenho de lutar contra todas aquelas coisas com que o cancro quer fechar-me dentro de casa. Amanhã estou doido para ir à praia, quero tomar um banho no mar e apanhar sol.
Está frio.
- Está ótimo. O cancro tende a fechar as pessoas no seu casulo de proteção, para não terem de falar, para poderem chorar, descansar. E eu tento manter todas as minhas rotinas.
Isso dá-lhe mais energia?
- Menos energia não dá, mas às vezes sinto que exagero. Já me recomendaram o descanso. No outro dia, estava cansado e deitei-me às 17h30 da tarde de sábado e estive a dormir até segunda-feira de manhã.
Qual é hoje o seu nível de esperança?
- Em Fevereiro, óptimo. Em maio, a doença estava praticamente residual. Em Agosto, voltou tudo outra vez. Em Agosto de 2012, calcularia uma fortíssima probabilidade de não chegar ao fim de 2013. Agora vieram os resultados e é muito provável que chegue ao fim deste ano. O que os exames nos dão é isso, tempo.
O que é que o tempo representa para si? A possibilidade de uma cura?
- Não. Representa que estou de férias. Até ao próximo PET não estou preocupado, não vivo todos os dias com a quase certeza de que vou morrer no ano que vem. Agora o que está a funcionar são as dendítricas, o bruxo onde fui no Brasil? Não sei. Mas de qualquer maneira é melhor do que não estar a funcionar.
Como é que os médicos reagem consigo?
- Os médicos adoram-me. Porque sou muito científico, descrevo as situações todas. Mando-lhes as últimas investigações. Faço testes e análises além do que me pedem e dou-lhes informação que não têm. Não sou aquele paciente a quem eles têm de dar um "tapinha" nas costas. Sou um paciente que os anima. Tenho a clara sensação de que eles passaram um dia lixado, ter de dizer às pessoas que vão morrer. De repente chego e sou uma lufada de ar.
Nunca se zangou com nenhum?
- Zangar não, mas tive momentos de insatisfação com alguns médicos. Todas as pessoas pensam que se tornam um caso especial. Ora, na realidade, a medicina são 74 protocolos e 37 regras. Eu esperaria, quando vou a uma consulta de médico, que ele tivesse olhado para os meus exames, tivesse conferenciado com o colega, estudado casos semelhantes, ver o que existe de novas terapias, tivesse falado com o ex-colega da universidade de Columbia, que é um oncologista famoso. E nada. «Aumentou três centímetros. Protocolo 26, 27. Adeus, obrigada. Até daqui a dois meses.» O que se passa, de facto, é que nós não somos especiais. E eu não estava à espera. Estava à espera de ser tratado como um cliente. Somos sempre o paciente 1140922 - é o meu número do IPO.
O que é que aprendeu sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS)?
- Pergunta difícil. Tive vários contactos com vários hospitais. A situação atual está a provocar uma séria limitação no acesso aos meios que os médicos precisam para combater as doenças e prolongar a vida. Muitos médicos estão perante a opção de terem de dar medicamentos a um paciente não dando a outro, porque os orçamentos são limitados. No geral, o nosso SNS é muito bom, embora não conheça outros. É particularmente bom para doenças muito graves e mau para doenças do dia a dia. O staff é de uma qualidade muito impressionante. São de um carinho, de uma humanidade. Os médicos são escassos e têm meios escassos. São extraordinários, na imagem do hospital de campanha do Vietname, com poucos meios a fazer autênticos milagres.
Nesse caos quem se safa melhor é quem tem mais educação, mais meios?
- Somos todos tratados de forma igual. No IPO não há favores, as salas de químio são as mais democráticas que existem, não há camas de luxo, não há mordomias.
Mas depois, quando vai a Barcelona ou a Colónia em busca do último tratamento... aí já interessa os meios que se tem.
- Aí, sim. Mando todo o meu histórico médico com o relatório traduzido para inglês e à minha volta estão seis médicos. Todos leram o processo, falaram com os melhores do mundo. Eu só paguei uma consulta, continuo a ter consultas quase todos os meses. Cada vez que tenho resultados, mando. Em Portugal, teria sido mais lenta a descoberta da terapia ajustada a mim, fazem-se poucos testes genéticos. Dois, porque representam a maioria dos cancros. Eu fiz três mil. E lá, entre o 2000 e o 2500, estava o meu RH2 mutado. O RH2 cá só tem cura para o cancro da mama. Nunca consegui ter acesso ao medicamento para me tratarem com ele, porque não está protocolado. Tive de fazer na Fundação Champalimaud e pagar. Uma fortuna. Tive de pedir dinheiro aos meus amigos, vendi tudo o que tinha. Um tratamento que na Índia custa 600 euros, cá custa seis mil.
Porquê?
- Porque as farmacêuticas fazem uma coisa chamada discriminação monopolista de preços. Tabelam pelo que o consumidor está disposto a pagar vezes o número de utilizadores que lhes maximiza a receita. Não é preço fixo. E eu não posso importar o medicamento, estou proibido. Peço ao Infarmed autorização e não me dão. E o próprio Governo, que podia poupar aqui, não importa. Porque eu acho que está nas mãos dos laboratórios, a quem o Estado deve milhões.
Tem fé?
- A minha fé é absoluta, plástica, material. Deixa-me dormir tranquilo todos os dias - rezo todos os dias. Vou à missa e confesso-me. Li São Tomás de Aquino, Descartes e o Pierre de Chardin, que racionalizaram a existência de Deus. Mas não é por aí. Eu sento-me com Jesus Cristo à noite, na minha cama, e conversamos um com o outro. A fé dá-me duas coisas...Uma absoluta ausência do medo da morte e a certeza absoluta da vida eterna. Isso dá muita paz. Resolve uma parte muito importante do meu problema.
Como foi passar a morte do seu irmão, estando já doente com o mesmo cancro?
- Foi muito difícil. Ele tinha menos meios do que eu. E era um fumador intenso: três ou quatro maços de cigarro por dia, desde os 12 anos. Mas o fim dele foi muito difícil, muito trágico. Foi acompanhado pela minha mãe, pelas minhas irmãs e por mim. Teve em mim um impacto tremendo de que tento não lembrar. E quero ter a certeza de que o que aconteceu ao meu irmão não me vai acontecer. Já tomei um conjunto de garantias. Assim não vou morrer.
Qual era o seu sonho de infância?
- Queria ser o homem mais rico do mundo. Aos 4 ou 5 anos transformei-me num homem de negócios quando comecei a pedir livros de quadradinhos usados aos meus amigos para vendê-los na rua. Em Moçambique, na António Mendes, em frente à cooperativa dos criadores de gado. O meu pai ficava absolutamente maravilhado com a minha capacidade em ganhar dinheiro.
O que é que o seu pai fazia?
- Era advogado, era Director contencioso do PNUD. Portanto, sempre construiu a ideia em mim de que eu podia ser um grande empresário. E, de facto, ser o homem mais rico do mundo. Mas nunca consegui ter amor suficiente ao dinheiro para fazer dele a prioridade principal da minha vida. E se não se gostar muito de dinheiro, nunca se vai ser o homem mais rico do mundo.
Como é que Moçambique o marcou?
- Marcou sobretudo a maneira como depois eduquei os meus filhos. Os meus pais delegavam, concediam-nos uma autonomia impensável para os dias de hoje. O primeiro foi o único dia da vida em que a minha mãe me levou à escola. Moçambique deu-me um modo de viver a liberdade e um modo de sentirmos a responsabilidade. Vivíamos felizes, na rua, sem pai autoritário, independentes dos nossos pais. Eu tinha seis anos, saía de casa na Rua António Mendes, ia até ao estádio ver a luta livre sozinho. Tinha 5 ou 6 anos. Atravessava as barreiras do Liceu Salazar, diziam que era uma zona perigosa, com criminosos e terroristas. Íamos à boleia, eu com o Chico Zé, até à Costa do Sol - 15 quilómetros para apanhar amêijoas no mar. Deu-me essa autonomia de dizer: sobrevivo em qualquer circunstância e sobre qualquer adversidade, em qualquer meio.
Com que idade veio para Portugal?
- Com 11 anos.
Isso manteve-se?
- A família desmaterializa-se um pouco. O pai num lado, a mãe noutro. Um irmão para cada casa. Tinha 16 anos quando chumbei o primeiro ano da Católica e cheguei ao meu pai e disse-lhe: «Vou emigrar.» Saí daqui à boleia e fiz 3600 quilómetros até Itália sem um tostão no bolso, a comer fruta podre, a dormir debaixo dos camiões, a roubar uvas nas vindimas e trabalhei... em todos os países europeus. Portanto, nunca tenho fome, nunca tenho sede, nunca tenho sono. O meu corpo, até recentemente, funcionava de acordo com as minhas conveniências (se calhar foi este o custo).
Sempre tinha sido bom aluno. Porque chumbou na faculdade?
- Sempre fui o melhor na primária, no secundário, fiz o 9.º ano com nove cincos. Eu era um miúdo de casa; quando vim de Moçambique para Portugal, fiquei com os meus avós, em Coimbra. Era tímido e inibido. Em Lourenço Marques tinha apenas dois amigos, o Chico Zé, que era branco, e o Benjamim, preto. Lia os livros do meu pai, Tolstói, a coleção Argonauta, a coleção Vampiro, que chegavam todas as quintas-feiras. Em Portugal, a minha vida era ler e jogar xadrez. Não tinha amigos, não tinha namoradas. A casa do meu avô, que era uma autoridade do regime, era enorme, gelada. Viemos em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril, antes da independência. Fechei-me ainda mais em casa. A ouvir música. Cheguei à letra cê da enciclopédia brasileira. Era um chato, não lia o Júlio Verme sem um mapa ao lado. Fiz o liceu em Coimbra sem nenhum amigo. Ninguém. Os meus avós eram um bocadinho queques e quando eu tinha um ou outro amigo eles olhavam com um ar de curiosidade - «Quem é o pai deste teu amigo?» «É de uma mercearia.» «Ahh...» E isso não ajudava. Aos 16 anos entrei na Católica, para o ano zero. E o Borges Macedo expulsou--me da primeira aula, porque o meu colega do lado, um espanhol, estava com uma caneta na boca. De repente, vimo-nos os dois no hall, apresentámo-nos. Era sexta-feira. Ele perguntou-me o que eu ia fazer. Eu não percebi. Ele disse que havia uma discoteca nova em Cascais, a Jet7. Entrei na discoteca e bebi dois gins tónicos, canhões, cheio de álcool. E dei por mim às três da manhã a dançar Lou Reed. E a falar com pessoas. Umas miúdas vieram falar comigo. Aconteceu tudo. E, depois, comecei a bronzear--me, a usar umas T-shirts.
A quantas aulas foi a seguir?
- A nenhuma. Fiz um curso sem ir às aulas. Quantidades incomensuráveis de gajas, de álcool, todas as drogas. E oito anos para fazer um curso. Durante esses dez anos andei a viajar pela Europa toda. Depois, um dia, morreu a minha colega que na faculdade me pagava as propinas - continuava inscrito. Cheguei à Católica e as coisas que ia fazer, que era beber cerveja e jogar cartas... não havia ninguém para as fazer. Fui ter com o padre João Seabra, meu amigo, e pedi-lhe que me deixasse fazer 12 cadeiras nos últimos dois anos. Se eu falhasse alguma vez, ele tirar-me-ia a exceção. Pronto, fiz 20 cadeiras em seis anos e 24 em dois.
Foi o primeiro ponto de viragem da sua vida.
- O primeiro foi a viagem. O segundo foi acabar o curso. O terceiro foi casar-me e ter filhos. O quarto foi ser despedido, deixar de ser um gestor de topo brilhante. E o quinto foi o cancro.
Quando foi despedido?
- Quando estava em A Capital. Era do dr. Balsemão. Eu tinha 33 anos, tinha chegado ao topo... Tinha vindo da Bertrand e fui o primeiro gestor de topo do grupo. Eu fui o primeiro a ganhar dez mil euros por mês, em 1997. Mas não percebi a luta política que era um jornal. Eu dizia que não à diretora, a Helena Sanches Osório, e ela ligava para o Balsemão. E o Balsemão dizia: "Dr. Forjaz, temos de ver isto, é uma coisa muito importante." E eu, maçarico, assinava. Depois quando chegava ao Conselho de Administração levava porrada. E eu tinha dobrado as tiragens. A Capital chegou a ser maior do que o Público e o DN. Tinha dobrado a publicidade, passado para um milhão de euros. Uma revolução, uma grande equipa comercial. Tínhamos feito coisas malucas: os primeiros fascículos sobre sexo, o primeiro jornal a dar um telemóvel com cupões. Mas acabei por ser trucidado na corrida. Depois, como tinha bom nome, ainda me surgiram hipóteses de trabalho. Mas essa é uma altura em que tenho duas hipóteses: regresso ou mudo de vida.
Porque é que resolveu mudar de vida?
- Um dia entro na sala e chega-se um filho meu, banhinho tomado, pijama de flanela, e pede-me ajuda para os deveres. «O pai está tão cansado, não podemos fazer isso noutro dia?» Ele vai-se embora triste e eu comecei a pensar que isto não fazia sentido. Ganhava fortunas, mas a coisa mais importante para mim, o que me faz mais feliz, é o tempo que passo com os meus filhos. E não quero um dia olhar para trás, e pensar que a vida dos meus filhos passou-me ao lado. Talvez tenho sido uma epifania.
À luz do que lhe está a acontecer agora, isso muda muita coisa?
- Foi a decisão mais correta da minha vida. Os meus filhos saíram de casa aos 17 e 18 anos e eu vivi uma vida que ninguém viveu, que ninguém teve o luxo de viver, estavam todos a trabalhar. A trabalhar para chegar ao topo. Estava toda a gente a correr para os corredores, a tirar fotocópias e a fazer powerpoints. Eu estava com os meus filhos a dar uma volta à Europa, nos parques de diversão, no jardim zoológico, no futebol. Fui dar uma volta ao mundo. Brincámos, divertimo-nos, jogámos bowling, xadrez. Fomos a praias, a piscinas, fizemos tudo o que havia por fazer. Eu fui o pai deles. Hoje não tenho nada. Tenho uma moto e está avariada, mas digo-lhe uma coisa, tenho 15 anos vividos com os meus filhos. Fui com eles aos médicos, aos hospitais, fui com eles inscreverem-se no Sporting. Tivemos uma vida abençoada.
Como entra no empreendedorismo?
- Depois do meu despedimento d"A Capital, o dr. Balsemão persegue-me. Eu estava só. Ele garantia que ninguém falava comigo. Como estava sozinho e sou empresário, um dia vejo uma coisa chamada Associação Nacional de Jovens Empresários. E inscrevo-me. Vou lá e pedem-me para falar. E eu não era um grande falador - sou um orador tardio, forçado. E há 25 anos que dou aulas. A conversa correu bem, porque toquei no tema da liberdade. A metáfora do pequeno-almoço do Belmiro. Fazer as pessoas pensar que o pequeno-almoço do Belmiro era igual ao meu. Então para que é que ele quer 1,6 biliões de dólares? Para comprar a sua liberdade, para poder dizer o que quisesse. Noventa e cinto por cento das coisas de empreendedorismo que aconteceram em Portugal são da responsabilidade da Susana Olípio e do José Fontes, da ANJE. Eles pediram-me para ser formador. Começo a conhecer os alunos. Um deles era o João Carreira, da Critical Software. No segundo ano, era o Raul Sérgio, da Crioestaminal, e o Nuno Gomes, da EasyBus. No terceiro, Pedro Sinovas, que vende drones. O Rui Sanches, da Vitaminas & Companhia. E fui conhecendo estes novos empreendedores.
Não está farto desta conversa do empreendedorismo?
- Tenho muita pena. Acho que os poderes públicos têm toda a culpa. Basicamente tentou-se desenvolver à força um país e empreendedores, sobretudo nas novas tecnologias. E acho que exagerámos na priorização das tecnologias. Temos de estimular as empresas que aproveitam as nossas vantagens comparativas. Os produtos que podem fazer a diferença, que não são patenteáveis. Uma enzima qualquer pessoa patenteia, agora para o queijo da serra teria de se patentear a relva, a ovelha, o estrume, a inclinação do solo... Ando há 15 anos a falar de queijo da serra. A primeira vez que falei de Portugal-mercearia gourmet foi há dez anos, numa conferência no Porto. O empreendedorismo não aparece porque alguém tem uma ideia gira e vai ficar rico. É preciso perceber as tendências. E os empreendedores portugueses não se juntam. Em São Paulo, existem 700 empresas portuguesas, 700 empresários. 700 escritórios, 700 advogados, 700 rendas, 700 mulheres da limpeza, 700 seguros... O que significa um desperdício de recursos que se torna completamente não competitivo. A Espanha, por exemplo, tem um modelo baseado na sede de um banco e um conjunto de empresas utilizam os serviços partilhados.
Porque fez o mestrado em Estudos Africanos?
- Porque quero morrer em África. É uma paixão. De andar descalço, comer a fruta com as mãos, gostar de corpos, daquela transparência, do niilismo, de que Deus está em todas as coisas. A minha tese era comparada entre o perfil do empreendedor de moçambicano e o português. Conhecia o português, estudei o moçambicano. Não gostaria de morrer sem discutir a minha tese de mestrado. Mas já fiz tantas coisas. Andava sempre na internet à procura de formações que fossem baratas. Uma semana em qualquer universidade de topo europeia custa entre sete a dez mil euros. Uma semana de empreendedorismo social no INSEAD custa 500 euros. Uma semana de liderança com os professores de topo da Harvard, 700 euros. Passei a vida à procura de borlas. Fiz 40 cursos diferentes, conferências. Entretanto, comecei a dar aulas. No ISCTE. Uma pós-graduação no Porto. Lancei uma pós-graduação com os meus conteúdos em personal branding no ISLA. E há três anos que dou aulas nos mestrados da Nova. Depois, fui fazendo loucuras. Montei um Congresso Mundial de Social Entrepreneurship em Cascais. Um Instituto de Empreendedorismo Social que hoje emprega 21 pessoas, que está presente em quatro países. E já começamos com boot camps em Moçambique e faremos também em Angola. Fiz o Tedex O"Porto. Parti do zero. Não tinha um tostão. Uma semana depois tinha seis mil inscrições. Há dois anos foi o maior TEDx do mundo, maior do que o de Rio de Janeiro. A minha vida tem sido sempre assim, correr riscos.
E agora?
- Agora tenho de ganhar dinheiro. Preciso muito. Não para comprar nada, mas por causa da minha saúde. A minha saúde custa muito dinheiro, não tenho fontes de rendimento.
Precisa de quanto por mês?
- Preciso de cerca de seis mil euros. É o preço de uma dose e preciso de uma a cada mês. Até agora, pedi dinheiro emprestado, junto dos meus amigos. E estou a organizar uma espécie de uma escola Manuel Forjaz e vou organizar cursos de formação muito vocacionados para as urgências atuais, como arranjar trabalho. Escrever um currículo, procurar trabalho, enviar o currículo, marcação de entrevista, postura na entrevista, criação das ideias, seleção das ideias, financiamento, marketing. Módulos todos meus construídos com base na minha reputação. Cada módulo é muito barato, vai custar entre 10 e 15 euros. Se as pessoas comprarem os dez módulos do curso têm 10 por cento de desconto. Na primeira experiência que fiz tive quase 800 alunos. Tenho um parceiro que está, gratuitamente, a desenvolver a plataforma. E é com isto que eu espero ganhar algum dinheiro.
Quem são os seus gurus?
- O primeiro de todos foi o Belmiro de Azevedo. Porque em Portugal há empresários que pegaram em fábricas de margarina e tornaram aquilo em gigantes, mas já tinham fábricas de margarina. O Belmiro era filho da dona Odete e do senhor Silva. É tudo dele. E ele preza os valores da família, que manteve unida. Ele nunca subiu aos lobbies dos partidos. Manteve sempre a sua liberdade e independência. Não como genial, mas como empresário português, uma boa prova de que trabalho honrado tudo vence. Com audácia, pegar numa empresa que faz contraplacados e decidir lançar supermercados. Acho-o o líder português a apreciar.
Este é o país onde quer que os seus filhos passem a vida deles?
- Não. Este é o melhor país do mundo para se viver a partir dos 45-50 anos, quando acabamos a curva de aprendizagem e precisamos de um bom espaço para viver. A segurança, o clima, o património, a praia, a qualidade gastronómica, o verbo, a poesia, os jornais, as cidades maravilhosas. Conheço 110 países. Não conheço uma cidade tão boa para viver como Lisboa, a partir dos 45-50 anos. Durante a curva de experiência e aprendizagem acho que o mundo tem um conjunto de outras aprendizagens e experiências que Portugal não pode proporcionar. Por ser pequeno em vários níveis: na população, na mentalidade, na ambição, no orgulho.
Falta-lhe fazer alguma coisa?
- Gostava muito de ter contactado com o Mandela. Há 20 anos mexi mundos e fundos, todos os contactos possíveis. Fui à África do Sul, bater-lhe à porta, mas não consegui. Isso fica por fazer. Adorava saber tocar viola, já três ou quatro vezes comecei. Provavelmente, não acabarei a tese de mestrado e vou avançar para uma de doutoramento. Esse é um ponto importante. Vou lançar agora um livro sobre um cancro e, depois, outro sobre histórias de pessoas que fizeram coisas extraordinárias e que não são conhecidas. Gostava de ter um programa de televisão. Gostava de ser orador global, acho que já não vou lá. Já sou orador há tempo suficiente para eles me terem descoberto e convidado. Gostava de ter feito uma grande obra de arte. O processo da escrita foi interessante - comecei por escrever mal e estou a tentar construir melhor o meu português. No essencial, acho que sim, que tive a sorte... O meu filho licenciou-se agora. O mais novo vai licenciar-se em junho. Considero a minha obra feita. Infelizmente, não acertei em tudo. Não acertei, por exemplo, na Ideiateca. Durante 15 anos que paguei salários, gerei riqueza, outras empresas, outros empregos fora da minha empresa. Não acabou bem. Aliás, ainda não acabou. Está entregue a uma advogada.
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Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa


Srª. Maria João Pires,
Estou certo que milhares são as pessoas revoltadas com os últimos governos, sejam eles de uma ou outra cor.

Srª. Maria João Pires,
Tenho para mim que se alargam clamores coléricos a toda hora, sempre que da casa da democracia brotam medidas que fazem a luz da esperança Portuguesa desmaiar, ou colocam o alento no amanhã a soro.

Srª. Maria João Pires,
No entanto, não se deve confundir o governo de um país, com uma pátria. Não se pode misturar medidas de um executivo, com cores de uma bandeira.

Srª. Maria João Pires,
A revolta, ainda que perfeitamente compreensível, deve ser canalizada para o problema, e esse não é o Portugal.

Srª. Maria João Pires,
Com o merecido respeito, virar costas a um país, uma pátria, a Portugal, é mandar fora a nossa história.

Srª. Maria João Pires,
Lamento imenso que ao longo dos seus 69 anos, não se tenha apercebido que Portugal é tão mais que uma fronteira, é um país, é uma bandeira e uma língua, é uma alma.

Srª Maria João Pires,
Assimile de uma vez, que ser Português não é para quem quer, antes para quem pode e tem orgulho de o ser.

Srª. Maria João Pires,
É certo que mantenho o meu desamor a incontáveis conjunturas actuais em Portugal.
- Da alta iliteracia.
- De tantos de nós sermos carentes na leitura, na escrita sem erros.
- De não nos conseguirmos governar.
- De sermos uns mandriões «cá dentro» e uns operários desejados lá fora.
- Tenho alguma vergonha dos nossos políticos sem concepções nem programas, mas expeditos no ataque e no insulto pessoal.
- Desaprovo na preguiça dominante em cada um.

Srª. Maria João Pires,
Não é pelas dificuldades de um país que se renegam as origens, e com a devida vénia Srª. Maria João Pires, só faz mesmo falta a Portugal quem tem alcance para ser Português.

Srª. Maria João Pires,
Pelo que, após a sua declaração ao jornalista, lhe desejo os maiores sucessos, longe e olvidada, por um país que nunca o mereceu.

Sabe,
Falta cumprir-se Portugal. E eu quero fazer parte activa quando acontecer.
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Pela primeira vez na minha vida, não me abrilhantou a criatividade, arte ou engenho para rabiscar o que em mim se sentia.

Quando no velório virei costas aos restos mortais do nosso Eusébio, trespassavam-me mil locuções, vocábulos, concepções, das mais bonitas odes á Saudade que o homem já viu. Apertei aquela totalidade criativa para que não fugisse, na temperatura certa para não estragar, e no fim, nada. Absolutamente nada.

Só hoje, [Jogo Benfica – Porto] ao olhar para o centro do campo no estádio da luz, se deu o altear de comoções, o pináculo do calafrio progénito do vastíssimo orgulho que sofro [Porque o orgulho eu sofro, não somente sinto] em ser Benfica.

Não tenho interesse em reiterar os rios de tinta espalhados no tema da morte de Eusébio, daí que escolho meramente sentir e rabiscar ao acaso. Ainda bem que vieram.

No dia 5 deste mês, Portugal, o Benfica e o Futebol, foram derrotados num jogo de árbitro funesto e regras desmerecidas.
Não só 3 pontos, mas perdeu-se um pouco de soberania, uma alma, e principalmente o testemunho de uma história.

Enquanto Português e Benfiquista, apelo que com o deparecimento deste nosso ídolo, brote aquela índole de recordação, como uma pertença ou partilha, que não se esfuma com os sinais desagregadores da morte.

Obrigado por tudo, Eusébio!

PS: Concernente ao jogo de hoje, o brado de toda uma mágoa, dor e tristeza soltou-se, e o Porto foi a vítima.
Jogaram 11 Eusébios, e assim, só o triunfo poderia ser o desfecho.
Uniu e fez-se uma equipa em volta de uma dor imensa, talvez um pouco tarde, com duas águias a abandonar o ninho. [Rodrigo, Matic].
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Terminando.

Divulgo a sentença do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa que julga improcedente o pedido de realização de um segundo sufrágio para a eleição do Bastonário e do Conselho Geral.
(http://www.oa.pt/upl/%7Bf96af950-5fc1-49bd-9824-293b181310df%7D.pdf )

Elina Fraga foi hoje empossada como nova Bastonária da Ordem dos Advogados, e encerra assim as discordâncias fortuitas de há vários meses.

Deste modo, apelo agora a uma forte união de todos os advogados, Direcção e demais órgãos, no objectivo de se hetero-agilizar uma simbiose competente de produzir efeitos benéficos, não só para a mui nobre classe dos advogados, como para a própria justiça sendo estes, elementos basilares na mesma.
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Na impossibilidade logística de agradecer todas as mensagens de Natal, deixo aqui o meu muito obrigado, assim como o desejo sentido de que este Natal tenha sido revitalizante de paz, tradição, e especialmente princípios nobres no coração de todos nós.

O (re)inicio de um pensamento livre, mas que este cresça verdadeiramente de uma liberdade útil. Uma reflexão mais vertida na sociedade e não tanto na pessoa-singular. Um pensamento como pessoa una, vai concentrar-se de alguma forma no seu engrandecimento e beneficio, enquanto porventura dever-se-ia focar na igualdade.

Igualdade como resposta. Igualdade, pois desta surge a justiça, impugnando as divergências culturais, financeiras e intelectuais. Igualdade para trazer o respeito social e humano.
Que este Natal seja realmente instigador de uma fraternidade influente para o equilíbrio social, especialmente nestes períodos mais rigorosos que atravessamos.:.

Obrigado a todos.
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Aquele (não tão pequeno) grupo de pessoas, que ao estilo de Mariano Gago, têm atacado desmesuradamente as Praxes académicas, apontando-as como sendo directamente responsáveis pelo desaparecimento dos cinco jovens na Praia do Meco, estão a entrar no semelhante e ignóbil raciocínio de criticar os homens ou mulheres no seu género, porque um dia alguém traiu.

O conceito de «Praxes», «Homens» ou «Mulheres», são absolutamente diferentes de «Praxes abusivas», «Homens infiéis», e «Mulheres adulteras».
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Os confrontos entre manifestantes e a polícia continuam incessantes em Kiev. Da forma renovada como sucedem, pode dizer-se tudo, menos que estes amotinados não estejam desassossegados com as direcções que o país toma.

De facto, só me ocorre uma motivação de extrema grandeza, que faça com que estes manifestantes protestem com violência a uma temperatura de 10 graus negativos. O Medo.

É de gente que sabe o que quer, e melhor, o que não quer.

É na minha perspectiva um apavoramento da ‘noite comunista’ que os Ucranianos têm vindo a espreitar. Desde logo, a convicção que o regime comunista deixou marcas profundas naquele país.

Digo isto, porque não me parece de todo bastante, o facto de estar pendente o pedido de adesão á UE, valorizando-se a acoplagem á Rússia.

É este um povo que testemunhou a democracia, e não mais quer abeirar-se sequer de quem, com repressão lha arrancou durante muitos anos, amontoando uma miséria geral, que exaltando inúmeras percas humanas.
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Foi com profundo pesar que recebi a notícia da morte de Nelson Mandela. O mundo deixou ontem ausentar-se um ‘profeta do tempo em que não haverá escravos nem indignos’. Lições de paz, liberdade e humanismo que nos deixaram, ficando a obra. Partiu ontem um prémio Nobel da Paz que considerava que o ódio se aprende, mas aprender o amor era sempre mais fácil.

Solto aqui as minhas sentidas condolências á família, e, quer se queira ou não, deixo-as similarmente e infelizmente, a uma humanidade que fica mais pobre.

--/--
Não podia falar do assunto ‘Mandela’, sem arrolar ao texto, o que Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República enviou a Jacob-Zuma. Vernaculamente, palratório de Presidentes.

Entre as inúmeras apreciações sentidas, e compaixões pesadas, Cavaco, ainda solta a sua colossal apreciação pelo legado deixado por Mandela. Vai mais distante, em repuxados vocábulos que preadivinham que o seu conceito de coragem, liberdade e humanismo, se perpetuem por gerações.
Ora, tudo isto pode revestir aspecto absolutamente exemplar, e até apropriado á situação pesarosa.

No entanto, em 1987 era o mesmo Cavaco Silva o Primeiro-ministro, quando votou contra uma resolução das Nações Unidas que tratava precisamente da libertação de Nelson Mandela então detido há 25 anos.
Hoje desfaz-se em lamúrias (hipócritas?) para a África do Sul.

Das possíveis considerações que a morte de um homem indulgente nos permite analisar, é sem dúvida a constante inclinação do Ser humano em valorar o homem-vivo de forma distinta do Homem-memória, ou do homem-obra. Sim, 80% das homenagens são pós-mortem.
Se me entendem, vou evitar a divulgação das minhas pinturas sem valor, sob risco de falecer contra vontade.
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«Talk sense to a fool and he'll say you're foolish»

Euripides
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