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CrIvo de Almeida™




Tinha dito a mim mesmo que havendo inúmeros capas negras a usar da sua experiência [essa sim, útil], explicando ao mais desconfiado dos ignorantes o que é a Praxe, não iria também eu, passar por essa situação.

Ora foi precisamente por ignorância, que me vi com a necessidade de deixar umas palavras relativas à celeuma patética que se erige em torno das praxes, e especialmente às infelizes afirmações que acabei de ouvir de um tão popular Miguel de Sousa Tavares. Lamentavelmente doloroso.

Em primeiro lugar, não posso deixar de lamentar o triste desfecho dos cinco cidadãos, e assim envio as maiores condolências às famílias.

E de seguida, [para não fugir ao tema], umas das tragédias desta ‘Odisseia Praia do Meco’, é achar-se que o problema é a Praxe.

Não se deve gerar um pensamento fundamentalista a favor ou contra as Praxes, muito menos discuti-lo de forma exaltada, debaixo de uma tragédia.
Sou péssimo para ensinar, tenho consciência disso, mas posso tentar.

Para os menos informados, todo o ritual aplicado nas praxes, assim como a própria etnografia das vestimentas (vulgo trajes), têm os seus conceitos, que diga-se, nobres. Debaixo de um traje e capa negra, vive a justiça do princípio da não discriminação, afinal a sua criação em Coimbra, ensina-nos que entre trajados, não existem classes subordinadas, dissemelhanças de cultura, distinção de país, ou mesmo desníveis financeiros. Todos são iguais.

Relativamente aos rituais utilizados, sempre visionados por órgãos hierarquicamente superiores, [Directores de Praxe, Director de Curso, Tribunal de Praxes, Associação de estudantes], têm a seu cargo entre outras responsabilidades, promover uma verdadeira integração na comunidade académica assim como recusar acolhimento ou apoios a acções que põem objectivamente em causa a liberdade e a dignidade humana.

Ingenuamente julguei ser esta matéria assente, mas como aparentemente não é, eu repito;

‘As práticas de humilhação e de agressão física e psicológica com carácter fascista’ [Dr. Mariano Gago], não são Praxes. O ‘Bullying institucionalizado’ [Dr. Marinho e Pinto], não são Praxes. O exercício masturbatorio de um poder, não são Praxes.

Os excessos podem porventura ocorrer nas Praxes, assim como acontecem na nossa vida, no entanto aquele (não tão pequeno) grupo de pessoas, que ao estilo de Miguel de Sousa Tavares, Pacheco Pereira, entre os demais, têm atacado desmesuradamente as Praxes académicas, apontando-as como sendo directamente responsáveis pelo desaparecimento dos cinco jovens na Praia do Meco, estão a entrar no semelhante e ignóbil raciocínio de criticar os homens ou mulheres no seu género, porque um dia alguém traiu.
O conceito de «Praxes», «Homens» ou «Mulheres», são absolutamente distintos de «Praxes abusivas», «Homens infiéis», e «Mulheres adúlteras».

Por fim, julgo inteiramente assombrosa esta capacidade que os fundamentalistas tapados de um peso ideológico, apinhados de ignorância quanto ao tema, caracterizam erroneamente as Praxes á luz dos últimos acontecimentos mediáticos; quando ainda este ano, despontaram ‘Praxes solidarias’, em que ofereceram alimentos a famílias carenciadas, pintou-se igrejas em mau estado, melhorou-se prédios danificados, e benfeitorias a bairros problemáticos são tão somente banalizadas. Esta hipocrisia é extrema e desnecessária.

Um Caloiro, um Pato, um Doutor, um Veterano, um Director de Curso, um Dirigente associativo, um estudante, um cidadão, eu, Ivo Almeida.

PS: Quanto á responsabilidade jurídico-criminal, relembro que nem provado está que o cenário seja resultante de alguma Praxe, para não dizer especificamente que todos maiores, estavam no local voluntariamente.
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É um facto que já Pessoa dizia «existir no silêncio a mais profunda sabedoria».
Não posso deixar de concordar a fundo com o nosso distinto Português.
 
Todavia, o que mais espécie me faz, é que esta só é uma realidade tão evidente, em razão da mais profunda ignorância, se manifestar tantas vezes no maior dos palratórios confiantes de certeza.
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Eu sei quem levou anos a responsabilizar juízes enquanto classe, e agora cessante, apela ao bom entendimento destes, pois descobriu nesta nova perspectiva, que [afinal] todos são imprescindíveis à administração da boa justiça em Portugal.
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Hoje o dia ficou marcado como um dos mais negros na casa da Democracia.

Não fosse este, resultado premonitório de um cavernoso futuro nos quadros do PSD, e até poderia ser quase espirituoso. Mas não é. Nada disso.

Hoje só existiu um partido político a votar, e mesmo esse, votou dividido e quebradiço.
Quando exclusivamente um partido vota uma proposta de referendo, e para isso é obrigado á disciplina de voto, e isto só pode ter uma interpretação simples; - Não existe assentimento no parlamento quanto à pasta na mesa.

Esse facto, quer se queira ou não, borra toda uma competência/legitimidade só por si.
Emerge assim, um referendo oportunista, assente na prognosticada vontade de um povo, que na realidade, apenas circunscreve o referendo a um utensílio dilatório. Um plano artificial.

Em súmula, apareceu oposição, vislumbrou-se votos contra o próprio parceiro de coligação [CDS], deu-se a demissão de uma vice-presidente [PSD], emergiram inúmeros votos «against heart», e por fim, ocorreram inúmeras declarações de voto por parte de deputados do PSD e CDS, no mínimo humilhantes para a Assembleia da República.
No mínimo, extraordinário.

Louvores para este esboço de referendo, que felizmente nunca o será.
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Peço previamente as minhas desculpas aos castos, mas este meu lado de espectador inveteradamente romântico não se me autoriza de abordar o tema na perspectiva mais conforme [Da nação].

Desculpem, mas um Presidente Francês a fugir aos media [ainda que mal] em cima de uma mota, para se ir juntar em segredo com a sua apaixonada; torna-se assim um chavão imperativo para qualquer livro ou filme no dia de São Valentim.

James Cameron, mãos à obra nisso, por favor.
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Manuel Forjaz foi gestor, inaugurou a moda do empreendedorismo, teve empresas, faliu, é professor e orador de excelência. Aos 50 anos, usa a forma enérgica como sempre viveu também para lutar contra a doença que o afecta há cinco - um cancro no pulmão. Expôs-se sem medo, tem uma página no Facebook onde dá conselhos, faz palestras e vai lançar um livro este ano, na Leya. E, sobretudo, continua a viver.

Normalmente, as pessoas que têm cancro escondem. O Manuel, pelo contrário, decidiu expor-se. Tem uma página no Facebook, dá palestras e está a preparar um livro, O Meu Cancro. Porquê?
-A razão principal deve ter sido alguém, um dia, ter-me feito chegar uma pergunta. Ou a Jaqueline ter pedido para falar comigo por causa de uma amiga que tinha cancro e eu começar a aperceber-me dos medos, dúvidas, incapacidades das pessoas de gerir e viver com a doença. Parece que desenhei uma maneira de viver com a doença que é contável, replicável e aceitável para a maioria das pessoas... A maior parte das pessoas tem uma visão disto, ainda no século XVI... Pensam que as quimioterapias são em salas fechadas e que nos injetam um líquidos pretos. A primeira quimioterapia, das mais de sessenta que já levo, foi má. Mas foi muito melhor do que estava à espera. Comecei a aperceber-me de que havia um conjunto de mitos e desconhecimentos que assustavam as pessoas e faziam do cancro uma coisa pior do que aquilo que ele é.
Então foi causa dos outros?
- Justifiquei-me a mim próprio com «se eu contar tudo, as pessoas não fazem perguntas». Não estou para que a minha vida seja um conjunto de conversas sobre cancro. Não quero sair ao café e o senhor Régio me venha perguntar pelo meu cancro. Não quero ir dar uma aula e um aluno meu me pergunte: «Então, como está o cancro?» Se eu contar tudo, as pessoas já não têm perguntas para me fazer e eu posso seguir com a minha vida.
Se as pessoas souberem é mais provável que lhe façam perguntas...
- Não, porque eu escrevo tudo. Não ficam com dúvidas. A primeira coisa que começo por dizer é: vamos cá esclarecer uma coisa; primeiro, vais morrer. Tens isso bem claro? A boa notícia é que vamos todos morrer. Depois não vais morrer amanhã. Pode ser bom ou pode ser mau. Às vezes é preferível um ataque cardíaco, que nos acabe com o sofrimento, do que estar anos na batalha. Eu, que sou um lutador, que adoro a batalha tanto como vencer ou perder, prefiro estar na luta. Uma das coisas mais estúpidas que as pessoas fazem, a mais cretina, que não fazem por maldade mas por solidariedade, é falarem de pessoas que morreram. É uma declaração de amor, de simpatia. Porque é que isto é uma estupidez? Porque todos os dias, em algum momento do dia, lembramo-nos de que não vamos durar tanto tempo. Quando ouvimos uma música que ouvimos quando os nossos filhos nasceram, quando lemos um livro que lemos aos 18 anos. Se isto está presente, não preciso que me relembrem todos os dias. A primeira coisa que escrevi foram as dez coisas que nunca se deve dizer, em circunstância alguma, a alguém que tem cancro.
Essas regras que escreveu no Facebook, que efeito tiveram?
- No dia seguinte, recebi qualquer coisa como mil mensagens. Apercebi-me de repente da importância do que andava a fazer, de como podia mudar a vida das pessoas. Foi um espanto. O meu Facebook tinha 500 pessoas e agora vai a caminho das 20 mil, cerca de mais cem por dia. Qualquer coisa que eu escreva é vista por dez mil pessoas. Depois, começou-se a organizar almoços. As pessoas juntavam-se para ajudar alguém. Lembro-me que alguém me disse ter uma amiga que havia feito uma mastetomia, estava a fazer quimioterapia, não queria sair de casa, estava careca, deprimida. Fui almoçar com ela e, dois dias depois, tirou o lenço da cabeça. Começou a ir para a praia às sete da manhã, que é quando os quimioterapêuticos podem apanhar sol. Começou a sair à noite, a divertir-se. A vida dela mudou completamente.
A sua também...
- Sim. Esse sentido de utilidade coletiva é uma coisa boa. Tornou-se avassalador? Ou foi pensando no que estava a fazer?
- Nunca pensei. Nunca fui estratégico em relação ao assunto. Passo facilmente de estados racionais para emocionais. E quando estou triste, protejo-me, escrevendo menos. A maior parte dos meus seguidores já leem o meu silêncio, sabem que quando estou quatro ou cinco dias sem escrever é porque fiz uma quimio. Ou vou ter de fazer uma operação ou estou à espera de um resultado. E lá recebo umas mensagens em privado: «Vai correr tudo bem» ou «Vou rezar por ti.»
Abrir-se assim também é uma forma de lidar com a doença?
- Sim, é. Porque me obriga a pensar nos assuntos.
Sempre foi racional desde o início...
- Isso não foi sempre assim. Cometi os mesmos erros de todas as pessoas. Quando se tem cancro, só há uma regra: procurar o melhor médico do mundo. Não fiz isso. Quem nos apanha o cancro é o médico que fica dono de nós. E entregamo-nos, fragilizados. Temos urgência na solução. Se alguém nos diz que nos vai tratar... Há outro erro: a cirurgia, somos tarados para operar. Os cirurgiões adoram cortar. Primeiro porque adoram cortar e, depois, porque ganham dinheiro. Eu nem sabia quem era o dono da minha doença, se o cirurgião, o oncologista ou o pneumologista. Dúvida que, aliás, permanece na maior parte das cabeças. Aconteceu-me ir a consultas em hospitais e falar cinco minutos com um e cinco minutos com outro e, muitas vezes, eles não tinham falado entre eles. A minha estratégia foi um processo de aprendizagem. Demorei um ano e cinco meses a ir ao melhor médico do mundo do cancro do pulmão. Devia ter ido logo em março de 2010. Fui ao dr. Rafael Rosal, o melhor, em Barcelona. A consulta custa 600 euros, em vez dos 90 de cá. Mas vale a pena pedir dinheiro emprestado. O meu livro vai servir muito para que as pessoas possam evitar as minhas asneiras.
É um otimista ou um pragmático?
- Toda a minha vida fui assim. Não me preocupo com coisas que não controlo, mas sim em atuar sobre as coisas que eu controlo. Na doença foi exatamente a mesma coisa. Em vez de me andar a preocupar com a deterioração do estado de saúde, a perda do fôlego, com o «não vais viver tanto tempo», a minha preocupação sempre foi saber onde está o tratamento, qual é a próxima linha, quem é o melhor médico, como minimizar os efeitos secundários, vou trabalhar ou não. Completamente pragmático, como continuo a ser. A maneira como geri e como encarei a doença tem tudo que ver com a maneira como sou e vivo.
Está sempre à procura do mais novo tratamento?
- Porque é que se procuram os tratamentos alternativos? Para se ter, sobretudo, esperança. Quando se chega ao fim das linhas terapêuticas que nos dão nos hospitais, temos de ter algo a que nos agarrar. Estas novas linhas terapêuticas experimentais acrescentam-nos esperança. E a esperança é o que nos faz não morrer. No dia em que a perdermos, fechamo-nos na cama e esperamos tranquilamente com morfina pela morte.
A família não se incomoda por estar tão exposto?
- Detestam. Os dois filhos e a minha mulher, que não está no Facebook. Os meus filhos estão pouquíssimo... Provavelmente preferiam que eu não falasse tanto. Ao mesmo tempo, sabem que me faz bem. Acho que percebem perfeitamente o valor que eu trago às pessoas que me leem. Têm algum orgulho nisso.
O que é que o cancro mudou na sua vida?
- Três coisas principais. A primeira é a demonstração dos afetos, que se torna muito fácil. O «amo-te» o «gosto muito de ti», o «fazes-me falta». Todos temos isto dentro de nós e gostaríamos de dizer mais vezes, mas esta nossa maneira introspetiva, lusitana, de guardarmos tudo para dentro, de viver com úlceras... Somos ensinados a esconder a emoções e a não demonstrar os sentimentos. O cancro é libertador em relação a isso. Essa foi talvez a mudança qualitativa mais importante. A segunda mudança é todas as decisões serem tomadas mais rapidamente. Sérias ou jocosas, importantes ou não, envolvendo outros ou não. Não que seja menos ponderado, mas porque acho que a irreversibilidade ou as consequências das mesmas têm, hoje, menos impacto. Na certeza da morte, todas as decisões têm consequências pouco relevantes.
Não se pôs a gastar dinheiro sem parar...
- Não, não. E porque a minha vida foi um bucket list, nem sequer cheguei a fazê-la.
O que é que isso quer dizer?
- Nunca precisei de fazer uma lista das coisas que gostava de fazer antes de morrer, porque já as tinha feito todas. Quis dar uma volta ao mundo, dei. Quis dar uma volta à Europa, dei. Quis um Ferrari, saltar das pontes, de aviões, ir ao fundo do oceano Pacífico. Tudo o que era para fazer, fiz. No fim, quando era para fazer a lista, não restava nada. Vivi sempre a vida sabendo que ela me poderia trazer surpresas e acabar de repente. Sempre vivi como se não fosse viver para sempre, ao contrário da maioria das pessoas que vivem despreocupadas. Foi uma regra para mim. Por exemplo, não queria morrer sem dançar hip hop. Toda a vida tive vergonha de dançar nas discotecas e sempre achei que os portugueses dançam mal, uns básicos. Na minha festa dos 50 anos fiz uma coreografia para a minha mulher com o Blurred Lines, depois de 12 aulas de hora e meia aqui em casa, com dois professores.
A sua vida determinou a forma como olha para o cancro? Ou seja, pacifica-se por essa sensação de que não deixou nada por fazer?
- Julgo que não. Numa certa altura na minha vida fazia-me falta o outro. Sentia que tinha uma vida privilegiada, que eventualmente não me tinha esforçado assim tanto para conseguir aquilo que tinha, que não tinha o mérito pelo conforto que tinha conseguido. Portanto, preocupei-me com projetos sociais. Lancei os Pais Protetores em África, fiz de padrinho na Ameixoeira, lancei o projeto Pé de Fé, lancei o projeto de bolsas africanas - há três ou quatros miúdos que se estão a doutorar, ao fim de dez anos com o dinheiro que arranjei. São as contas todas, acho que estou contente com o meu trabalho.
Até que ponto o seu quotidiano é determinado pela luta contra o cancro?
- Faz cinco anos e meio que tenho cancro. Não alterei nada na minha vida. Quer dizer, alterei por questões práticas. Se tenho uma vacina ou um PET, não posso ir a Espanha ver uma exposição. Mas vou no dia seguinte. Não deixo que a doença chateie a minha vida. O meu mote é exatamente o contrário: posso morrer de cancro, mas o cancro nunca me matará. No dia a dia, não deixo que o cancro me toque. Se tenho dores, tomo compridos. Continuo a trabalhar, a dar aulas, a viajar, com vida social. Há dias difíceis, pós-químio, em que não consigo levantar-me, dias em que a dor me desfoca a concentração. A questão da dor é sempre algo muito importante. A maior parte das pessoas não sabe que estou doente.
Tem visto exemplos do contrário?
- A maior parte. O cancro passa a ser uma atividade diária, nos seus pensamentos, nas escolhas, na maneira como se vestem, no que fazem. O cancro não é um assunto dos meus dias. Ainda ontem tinha uma conferência para fazer nos Salesianos. Estavam 400 miúdos. Foi organizada pela filha de uma amiga. Às 08h00 estava a entrar no bloco operatório e às 15h00 estava nos Salesianos. Deu, consegui falar. Não ia adiar, de maneira nenhuma. Não sou nenhum campeão, muitas vezes não consigo fazer que o corpo reaja, estou cansado. Sair da cama é difícil. Tenho de lutar contra todas aquelas coisas com que o cancro quer fechar-me dentro de casa. Amanhã estou doido para ir à praia, quero tomar um banho no mar e apanhar sol.
Está frio.
- Está ótimo. O cancro tende a fechar as pessoas no seu casulo de proteção, para não terem de falar, para poderem chorar, descansar. E eu tento manter todas as minhas rotinas.
Isso dá-lhe mais energia?
- Menos energia não dá, mas às vezes sinto que exagero. Já me recomendaram o descanso. No outro dia, estava cansado e deitei-me às 17h30 da tarde de sábado e estive a dormir até segunda-feira de manhã.
Qual é hoje o seu nível de esperança?
- Em Fevereiro, óptimo. Em maio, a doença estava praticamente residual. Em Agosto, voltou tudo outra vez. Em Agosto de 2012, calcularia uma fortíssima probabilidade de não chegar ao fim de 2013. Agora vieram os resultados e é muito provável que chegue ao fim deste ano. O que os exames nos dão é isso, tempo.
O que é que o tempo representa para si? A possibilidade de uma cura?
- Não. Representa que estou de férias. Até ao próximo PET não estou preocupado, não vivo todos os dias com a quase certeza de que vou morrer no ano que vem. Agora o que está a funcionar são as dendítricas, o bruxo onde fui no Brasil? Não sei. Mas de qualquer maneira é melhor do que não estar a funcionar.
Como é que os médicos reagem consigo?
- Os médicos adoram-me. Porque sou muito científico, descrevo as situações todas. Mando-lhes as últimas investigações. Faço testes e análises além do que me pedem e dou-lhes informação que não têm. Não sou aquele paciente a quem eles têm de dar um "tapinha" nas costas. Sou um paciente que os anima. Tenho a clara sensação de que eles passaram um dia lixado, ter de dizer às pessoas que vão morrer. De repente chego e sou uma lufada de ar.
Nunca se zangou com nenhum?
- Zangar não, mas tive momentos de insatisfação com alguns médicos. Todas as pessoas pensam que se tornam um caso especial. Ora, na realidade, a medicina são 74 protocolos e 37 regras. Eu esperaria, quando vou a uma consulta de médico, que ele tivesse olhado para os meus exames, tivesse conferenciado com o colega, estudado casos semelhantes, ver o que existe de novas terapias, tivesse falado com o ex-colega da universidade de Columbia, que é um oncologista famoso. E nada. «Aumentou três centímetros. Protocolo 26, 27. Adeus, obrigada. Até daqui a dois meses.» O que se passa, de facto, é que nós não somos especiais. E eu não estava à espera. Estava à espera de ser tratado como um cliente. Somos sempre o paciente 1140922 - é o meu número do IPO.
O que é que aprendeu sobre o Sistema Nacional de Saúde (SNS)?
- Pergunta difícil. Tive vários contactos com vários hospitais. A situação atual está a provocar uma séria limitação no acesso aos meios que os médicos precisam para combater as doenças e prolongar a vida. Muitos médicos estão perante a opção de terem de dar medicamentos a um paciente não dando a outro, porque os orçamentos são limitados. No geral, o nosso SNS é muito bom, embora não conheça outros. É particularmente bom para doenças muito graves e mau para doenças do dia a dia. O staff é de uma qualidade muito impressionante. São de um carinho, de uma humanidade. Os médicos são escassos e têm meios escassos. São extraordinários, na imagem do hospital de campanha do Vietname, com poucos meios a fazer autênticos milagres.
Nesse caos quem se safa melhor é quem tem mais educação, mais meios?
- Somos todos tratados de forma igual. No IPO não há favores, as salas de químio são as mais democráticas que existem, não há camas de luxo, não há mordomias.
Mas depois, quando vai a Barcelona ou a Colónia em busca do último tratamento... aí já interessa os meios que se tem.
- Aí, sim. Mando todo o meu histórico médico com o relatório traduzido para inglês e à minha volta estão seis médicos. Todos leram o processo, falaram com os melhores do mundo. Eu só paguei uma consulta, continuo a ter consultas quase todos os meses. Cada vez que tenho resultados, mando. Em Portugal, teria sido mais lenta a descoberta da terapia ajustada a mim, fazem-se poucos testes genéticos. Dois, porque representam a maioria dos cancros. Eu fiz três mil. E lá, entre o 2000 e o 2500, estava o meu RH2 mutado. O RH2 cá só tem cura para o cancro da mama. Nunca consegui ter acesso ao medicamento para me tratarem com ele, porque não está protocolado. Tive de fazer na Fundação Champalimaud e pagar. Uma fortuna. Tive de pedir dinheiro aos meus amigos, vendi tudo o que tinha. Um tratamento que na Índia custa 600 euros, cá custa seis mil.
Porquê?
- Porque as farmacêuticas fazem uma coisa chamada discriminação monopolista de preços. Tabelam pelo que o consumidor está disposto a pagar vezes o número de utilizadores que lhes maximiza a receita. Não é preço fixo. E eu não posso importar o medicamento, estou proibido. Peço ao Infarmed autorização e não me dão. E o próprio Governo, que podia poupar aqui, não importa. Porque eu acho que está nas mãos dos laboratórios, a quem o Estado deve milhões.
Tem fé?
- A minha fé é absoluta, plástica, material. Deixa-me dormir tranquilo todos os dias - rezo todos os dias. Vou à missa e confesso-me. Li São Tomás de Aquino, Descartes e o Pierre de Chardin, que racionalizaram a existência de Deus. Mas não é por aí. Eu sento-me com Jesus Cristo à noite, na minha cama, e conversamos um com o outro. A fé dá-me duas coisas...Uma absoluta ausência do medo da morte e a certeza absoluta da vida eterna. Isso dá muita paz. Resolve uma parte muito importante do meu problema.
Como foi passar a morte do seu irmão, estando já doente com o mesmo cancro?
- Foi muito difícil. Ele tinha menos meios do que eu. E era um fumador intenso: três ou quatro maços de cigarro por dia, desde os 12 anos. Mas o fim dele foi muito difícil, muito trágico. Foi acompanhado pela minha mãe, pelas minhas irmãs e por mim. Teve em mim um impacto tremendo de que tento não lembrar. E quero ter a certeza de que o que aconteceu ao meu irmão não me vai acontecer. Já tomei um conjunto de garantias. Assim não vou morrer.
Qual era o seu sonho de infância?
- Queria ser o homem mais rico do mundo. Aos 4 ou 5 anos transformei-me num homem de negócios quando comecei a pedir livros de quadradinhos usados aos meus amigos para vendê-los na rua. Em Moçambique, na António Mendes, em frente à cooperativa dos criadores de gado. O meu pai ficava absolutamente maravilhado com a minha capacidade em ganhar dinheiro.
O que é que o seu pai fazia?
- Era advogado, era Director contencioso do PNUD. Portanto, sempre construiu a ideia em mim de que eu podia ser um grande empresário. E, de facto, ser o homem mais rico do mundo. Mas nunca consegui ter amor suficiente ao dinheiro para fazer dele a prioridade principal da minha vida. E se não se gostar muito de dinheiro, nunca se vai ser o homem mais rico do mundo.
Como é que Moçambique o marcou?
- Marcou sobretudo a maneira como depois eduquei os meus filhos. Os meus pais delegavam, concediam-nos uma autonomia impensável para os dias de hoje. O primeiro foi o único dia da vida em que a minha mãe me levou à escola. Moçambique deu-me um modo de viver a liberdade e um modo de sentirmos a responsabilidade. Vivíamos felizes, na rua, sem pai autoritário, independentes dos nossos pais. Eu tinha seis anos, saía de casa na Rua António Mendes, ia até ao estádio ver a luta livre sozinho. Tinha 5 ou 6 anos. Atravessava as barreiras do Liceu Salazar, diziam que era uma zona perigosa, com criminosos e terroristas. Íamos à boleia, eu com o Chico Zé, até à Costa do Sol - 15 quilómetros para apanhar amêijoas no mar. Deu-me essa autonomia de dizer: sobrevivo em qualquer circunstância e sobre qualquer adversidade, em qualquer meio.
Com que idade veio para Portugal?
- Com 11 anos.
Isso manteve-se?
- A família desmaterializa-se um pouco. O pai num lado, a mãe noutro. Um irmão para cada casa. Tinha 16 anos quando chumbei o primeiro ano da Católica e cheguei ao meu pai e disse-lhe: «Vou emigrar.» Saí daqui à boleia e fiz 3600 quilómetros até Itália sem um tostão no bolso, a comer fruta podre, a dormir debaixo dos camiões, a roubar uvas nas vindimas e trabalhei... em todos os países europeus. Portanto, nunca tenho fome, nunca tenho sede, nunca tenho sono. O meu corpo, até recentemente, funcionava de acordo com as minhas conveniências (se calhar foi este o custo).
Sempre tinha sido bom aluno. Porque chumbou na faculdade?
- Sempre fui o melhor na primária, no secundário, fiz o 9.º ano com nove cincos. Eu era um miúdo de casa; quando vim de Moçambique para Portugal, fiquei com os meus avós, em Coimbra. Era tímido e inibido. Em Lourenço Marques tinha apenas dois amigos, o Chico Zé, que era branco, e o Benjamim, preto. Lia os livros do meu pai, Tolstói, a coleção Argonauta, a coleção Vampiro, que chegavam todas as quintas-feiras. Em Portugal, a minha vida era ler e jogar xadrez. Não tinha amigos, não tinha namoradas. A casa do meu avô, que era uma autoridade do regime, era enorme, gelada. Viemos em 1974, logo a seguir ao 25 de Abril, antes da independência. Fechei-me ainda mais em casa. A ouvir música. Cheguei à letra cê da enciclopédia brasileira. Era um chato, não lia o Júlio Verme sem um mapa ao lado. Fiz o liceu em Coimbra sem nenhum amigo. Ninguém. Os meus avós eram um bocadinho queques e quando eu tinha um ou outro amigo eles olhavam com um ar de curiosidade - «Quem é o pai deste teu amigo?» «É de uma mercearia.» «Ahh...» E isso não ajudava. Aos 16 anos entrei na Católica, para o ano zero. E o Borges Macedo expulsou--me da primeira aula, porque o meu colega do lado, um espanhol, estava com uma caneta na boca. De repente, vimo-nos os dois no hall, apresentámo-nos. Era sexta-feira. Ele perguntou-me o que eu ia fazer. Eu não percebi. Ele disse que havia uma discoteca nova em Cascais, a Jet7. Entrei na discoteca e bebi dois gins tónicos, canhões, cheio de álcool. E dei por mim às três da manhã a dançar Lou Reed. E a falar com pessoas. Umas miúdas vieram falar comigo. Aconteceu tudo. E, depois, comecei a bronzear--me, a usar umas T-shirts.
A quantas aulas foi a seguir?
- A nenhuma. Fiz um curso sem ir às aulas. Quantidades incomensuráveis de gajas, de álcool, todas as drogas. E oito anos para fazer um curso. Durante esses dez anos andei a viajar pela Europa toda. Depois, um dia, morreu a minha colega que na faculdade me pagava as propinas - continuava inscrito. Cheguei à Católica e as coisas que ia fazer, que era beber cerveja e jogar cartas... não havia ninguém para as fazer. Fui ter com o padre João Seabra, meu amigo, e pedi-lhe que me deixasse fazer 12 cadeiras nos últimos dois anos. Se eu falhasse alguma vez, ele tirar-me-ia a exceção. Pronto, fiz 20 cadeiras em seis anos e 24 em dois.
Foi o primeiro ponto de viragem da sua vida.
- O primeiro foi a viagem. O segundo foi acabar o curso. O terceiro foi casar-me e ter filhos. O quarto foi ser despedido, deixar de ser um gestor de topo brilhante. E o quinto foi o cancro.
Quando foi despedido?
- Quando estava em A Capital. Era do dr. Balsemão. Eu tinha 33 anos, tinha chegado ao topo... Tinha vindo da Bertrand e fui o primeiro gestor de topo do grupo. Eu fui o primeiro a ganhar dez mil euros por mês, em 1997. Mas não percebi a luta política que era um jornal. Eu dizia que não à diretora, a Helena Sanches Osório, e ela ligava para o Balsemão. E o Balsemão dizia: "Dr. Forjaz, temos de ver isto, é uma coisa muito importante." E eu, maçarico, assinava. Depois quando chegava ao Conselho de Administração levava porrada. E eu tinha dobrado as tiragens. A Capital chegou a ser maior do que o Público e o DN. Tinha dobrado a publicidade, passado para um milhão de euros. Uma revolução, uma grande equipa comercial. Tínhamos feito coisas malucas: os primeiros fascículos sobre sexo, o primeiro jornal a dar um telemóvel com cupões. Mas acabei por ser trucidado na corrida. Depois, como tinha bom nome, ainda me surgiram hipóteses de trabalho. Mas essa é uma altura em que tenho duas hipóteses: regresso ou mudo de vida.
Porque é que resolveu mudar de vida?
- Um dia entro na sala e chega-se um filho meu, banhinho tomado, pijama de flanela, e pede-me ajuda para os deveres. «O pai está tão cansado, não podemos fazer isso noutro dia?» Ele vai-se embora triste e eu comecei a pensar que isto não fazia sentido. Ganhava fortunas, mas a coisa mais importante para mim, o que me faz mais feliz, é o tempo que passo com os meus filhos. E não quero um dia olhar para trás, e pensar que a vida dos meus filhos passou-me ao lado. Talvez tenho sido uma epifania.
À luz do que lhe está a acontecer agora, isso muda muita coisa?
- Foi a decisão mais correta da minha vida. Os meus filhos saíram de casa aos 17 e 18 anos e eu vivi uma vida que ninguém viveu, que ninguém teve o luxo de viver, estavam todos a trabalhar. A trabalhar para chegar ao topo. Estava toda a gente a correr para os corredores, a tirar fotocópias e a fazer powerpoints. Eu estava com os meus filhos a dar uma volta à Europa, nos parques de diversão, no jardim zoológico, no futebol. Fui dar uma volta ao mundo. Brincámos, divertimo-nos, jogámos bowling, xadrez. Fomos a praias, a piscinas, fizemos tudo o que havia por fazer. Eu fui o pai deles. Hoje não tenho nada. Tenho uma moto e está avariada, mas digo-lhe uma coisa, tenho 15 anos vividos com os meus filhos. Fui com eles aos médicos, aos hospitais, fui com eles inscreverem-se no Sporting. Tivemos uma vida abençoada.
Como entra no empreendedorismo?
- Depois do meu despedimento d"A Capital, o dr. Balsemão persegue-me. Eu estava só. Ele garantia que ninguém falava comigo. Como estava sozinho e sou empresário, um dia vejo uma coisa chamada Associação Nacional de Jovens Empresários. E inscrevo-me. Vou lá e pedem-me para falar. E eu não era um grande falador - sou um orador tardio, forçado. E há 25 anos que dou aulas. A conversa correu bem, porque toquei no tema da liberdade. A metáfora do pequeno-almoço do Belmiro. Fazer as pessoas pensar que o pequeno-almoço do Belmiro era igual ao meu. Então para que é que ele quer 1,6 biliões de dólares? Para comprar a sua liberdade, para poder dizer o que quisesse. Noventa e cinto por cento das coisas de empreendedorismo que aconteceram em Portugal são da responsabilidade da Susana Olípio e do José Fontes, da ANJE. Eles pediram-me para ser formador. Começo a conhecer os alunos. Um deles era o João Carreira, da Critical Software. No segundo ano, era o Raul Sérgio, da Crioestaminal, e o Nuno Gomes, da EasyBus. No terceiro, Pedro Sinovas, que vende drones. O Rui Sanches, da Vitaminas & Companhia. E fui conhecendo estes novos empreendedores.
Não está farto desta conversa do empreendedorismo?
- Tenho muita pena. Acho que os poderes públicos têm toda a culpa. Basicamente tentou-se desenvolver à força um país e empreendedores, sobretudo nas novas tecnologias. E acho que exagerámos na priorização das tecnologias. Temos de estimular as empresas que aproveitam as nossas vantagens comparativas. Os produtos que podem fazer a diferença, que não são patenteáveis. Uma enzima qualquer pessoa patenteia, agora para o queijo da serra teria de se patentear a relva, a ovelha, o estrume, a inclinação do solo... Ando há 15 anos a falar de queijo da serra. A primeira vez que falei de Portugal-mercearia gourmet foi há dez anos, numa conferência no Porto. O empreendedorismo não aparece porque alguém tem uma ideia gira e vai ficar rico. É preciso perceber as tendências. E os empreendedores portugueses não se juntam. Em São Paulo, existem 700 empresas portuguesas, 700 empresários. 700 escritórios, 700 advogados, 700 rendas, 700 mulheres da limpeza, 700 seguros... O que significa um desperdício de recursos que se torna completamente não competitivo. A Espanha, por exemplo, tem um modelo baseado na sede de um banco e um conjunto de empresas utilizam os serviços partilhados.
Porque fez o mestrado em Estudos Africanos?
- Porque quero morrer em África. É uma paixão. De andar descalço, comer a fruta com as mãos, gostar de corpos, daquela transparência, do niilismo, de que Deus está em todas as coisas. A minha tese era comparada entre o perfil do empreendedor de moçambicano e o português. Conhecia o português, estudei o moçambicano. Não gostaria de morrer sem discutir a minha tese de mestrado. Mas já fiz tantas coisas. Andava sempre na internet à procura de formações que fossem baratas. Uma semana em qualquer universidade de topo europeia custa entre sete a dez mil euros. Uma semana de empreendedorismo social no INSEAD custa 500 euros. Uma semana de liderança com os professores de topo da Harvard, 700 euros. Passei a vida à procura de borlas. Fiz 40 cursos diferentes, conferências. Entretanto, comecei a dar aulas. No ISCTE. Uma pós-graduação no Porto. Lancei uma pós-graduação com os meus conteúdos em personal branding no ISLA. E há três anos que dou aulas nos mestrados da Nova. Depois, fui fazendo loucuras. Montei um Congresso Mundial de Social Entrepreneurship em Cascais. Um Instituto de Empreendedorismo Social que hoje emprega 21 pessoas, que está presente em quatro países. E já começamos com boot camps em Moçambique e faremos também em Angola. Fiz o Tedex O"Porto. Parti do zero. Não tinha um tostão. Uma semana depois tinha seis mil inscrições. Há dois anos foi o maior TEDx do mundo, maior do que o de Rio de Janeiro. A minha vida tem sido sempre assim, correr riscos.
E agora?
- Agora tenho de ganhar dinheiro. Preciso muito. Não para comprar nada, mas por causa da minha saúde. A minha saúde custa muito dinheiro, não tenho fontes de rendimento.
Precisa de quanto por mês?
- Preciso de cerca de seis mil euros. É o preço de uma dose e preciso de uma a cada mês. Até agora, pedi dinheiro emprestado, junto dos meus amigos. E estou a organizar uma espécie de uma escola Manuel Forjaz e vou organizar cursos de formação muito vocacionados para as urgências atuais, como arranjar trabalho. Escrever um currículo, procurar trabalho, enviar o currículo, marcação de entrevista, postura na entrevista, criação das ideias, seleção das ideias, financiamento, marketing. Módulos todos meus construídos com base na minha reputação. Cada módulo é muito barato, vai custar entre 10 e 15 euros. Se as pessoas comprarem os dez módulos do curso têm 10 por cento de desconto. Na primeira experiência que fiz tive quase 800 alunos. Tenho um parceiro que está, gratuitamente, a desenvolver a plataforma. E é com isto que eu espero ganhar algum dinheiro.
Quem são os seus gurus?
- O primeiro de todos foi o Belmiro de Azevedo. Porque em Portugal há empresários que pegaram em fábricas de margarina e tornaram aquilo em gigantes, mas já tinham fábricas de margarina. O Belmiro era filho da dona Odete e do senhor Silva. É tudo dele. E ele preza os valores da família, que manteve unida. Ele nunca subiu aos lobbies dos partidos. Manteve sempre a sua liberdade e independência. Não como genial, mas como empresário português, uma boa prova de que trabalho honrado tudo vence. Com audácia, pegar numa empresa que faz contraplacados e decidir lançar supermercados. Acho-o o líder português a apreciar.
Este é o país onde quer que os seus filhos passem a vida deles?
- Não. Este é o melhor país do mundo para se viver a partir dos 45-50 anos, quando acabamos a curva de aprendizagem e precisamos de um bom espaço para viver. A segurança, o clima, o património, a praia, a qualidade gastronómica, o verbo, a poesia, os jornais, as cidades maravilhosas. Conheço 110 países. Não conheço uma cidade tão boa para viver como Lisboa, a partir dos 45-50 anos. Durante a curva de experiência e aprendizagem acho que o mundo tem um conjunto de outras aprendizagens e experiências que Portugal não pode proporcionar. Por ser pequeno em vários níveis: na população, na mentalidade, na ambição, no orgulho.
Falta-lhe fazer alguma coisa?
- Gostava muito de ter contactado com o Mandela. Há 20 anos mexi mundos e fundos, todos os contactos possíveis. Fui à África do Sul, bater-lhe à porta, mas não consegui. Isso fica por fazer. Adorava saber tocar viola, já três ou quatro vezes comecei. Provavelmente, não acabarei a tese de mestrado e vou avançar para uma de doutoramento. Esse é um ponto importante. Vou lançar agora um livro sobre um cancro e, depois, outro sobre histórias de pessoas que fizeram coisas extraordinárias e que não são conhecidas. Gostava de ter um programa de televisão. Gostava de ser orador global, acho que já não vou lá. Já sou orador há tempo suficiente para eles me terem descoberto e convidado. Gostava de ter feito uma grande obra de arte. O processo da escrita foi interessante - comecei por escrever mal e estou a tentar construir melhor o meu português. No essencial, acho que sim, que tive a sorte... O meu filho licenciou-se agora. O mais novo vai licenciar-se em junho. Considero a minha obra feita. Infelizmente, não acertei em tudo. Não acertei, por exemplo, na Ideiateca. Durante 15 anos que paguei salários, gerei riqueza, outras empresas, outros empregos fora da minha empresa. Não acabou bem. Aliás, ainda não acabou. Está entregue a uma advogada.
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Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa


Srª. Maria João Pires,
Estou certo que milhares são as pessoas revoltadas com os últimos governos, sejam eles de uma ou outra cor.

Srª. Maria João Pires,
Tenho para mim que se alargam clamores coléricos a toda hora, sempre que da casa da democracia brotam medidas que fazem a luz da esperança Portuguesa desmaiar, ou colocam o alento no amanhã a soro.

Srª. Maria João Pires,
No entanto, não se deve confundir o governo de um país, com uma pátria. Não se pode misturar medidas de um executivo, com cores de uma bandeira.

Srª. Maria João Pires,
A revolta, ainda que perfeitamente compreensível, deve ser canalizada para o problema, e esse não é o Portugal.

Srª. Maria João Pires,
Com o merecido respeito, virar costas a um país, uma pátria, a Portugal, é mandar fora a nossa história.

Srª. Maria João Pires,
Lamento imenso que ao longo dos seus 69 anos, não se tenha apercebido que Portugal é tão mais que uma fronteira, é um país, é uma bandeira e uma língua, é uma alma.

Srª Maria João Pires,
Assimile de uma vez, que ser Português não é para quem quer, antes para quem pode e tem orgulho de o ser.

Srª. Maria João Pires,
É certo que mantenho o meu desamor a incontáveis conjunturas actuais em Portugal.
- Da alta iliteracia.
- De tantos de nós sermos carentes na leitura, na escrita sem erros.
- De não nos conseguirmos governar.
- De sermos uns mandriões «cá dentro» e uns operários desejados lá fora.
- Tenho alguma vergonha dos nossos políticos sem concepções nem programas, mas expeditos no ataque e no insulto pessoal.
- Desaprovo na preguiça dominante em cada um.

Srª. Maria João Pires,
Não é pelas dificuldades de um país que se renegam as origens, e com a devida vénia Srª. Maria João Pires, só faz mesmo falta a Portugal quem tem alcance para ser Português.

Srª. Maria João Pires,
Pelo que, após a sua declaração ao jornalista, lhe desejo os maiores sucessos, longe e olvidada, por um país que nunca o mereceu.

Sabe,
Falta cumprir-se Portugal. E eu quero fazer parte activa quando acontecer.
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Pela primeira vez na minha vida, não me abrilhantou a criatividade, arte ou engenho para rabiscar o que em mim se sentia.

Quando no velório virei costas aos restos mortais do nosso Eusébio, trespassavam-me mil locuções, vocábulos, concepções, das mais bonitas odes á Saudade que o homem já viu. Apertei aquela totalidade criativa para que não fugisse, na temperatura certa para não estragar, e no fim, nada. Absolutamente nada.

Só hoje, [Jogo Benfica – Porto] ao olhar para o centro do campo no estádio da luz, se deu o altear de comoções, o pináculo do calafrio progénito do vastíssimo orgulho que sofro [Porque o orgulho eu sofro, não somente sinto] em ser Benfica.

Não tenho interesse em reiterar os rios de tinta espalhados no tema da morte de Eusébio, daí que escolho meramente sentir e rabiscar ao acaso. Ainda bem que vieram.

No dia 5 deste mês, Portugal, o Benfica e o Futebol, foram derrotados num jogo de árbitro funesto e regras desmerecidas.
Não só 3 pontos, mas perdeu-se um pouco de soberania, uma alma, e principalmente o testemunho de uma história.

Enquanto Português e Benfiquista, apelo que com o deparecimento deste nosso ídolo, brote aquela índole de recordação, como uma pertença ou partilha, que não se esfuma com os sinais desagregadores da morte.

Obrigado por tudo, Eusébio!

PS: Concernente ao jogo de hoje, o brado de toda uma mágoa, dor e tristeza soltou-se, e o Porto foi a vítima.
Jogaram 11 Eusébios, e assim, só o triunfo poderia ser o desfecho.
Uniu e fez-se uma equipa em volta de uma dor imensa, talvez um pouco tarde, com duas águias a abandonar o ninho. [Rodrigo, Matic].
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Terminando.

Divulgo a sentença do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa que julga improcedente o pedido de realização de um segundo sufrágio para a eleição do Bastonário e do Conselho Geral.
(http://www.oa.pt/upl/%7Bf96af950-5fc1-49bd-9824-293b181310df%7D.pdf )

Elina Fraga foi hoje empossada como nova Bastonária da Ordem dos Advogados, e encerra assim as discordâncias fortuitas de há vários meses.

Deste modo, apelo agora a uma forte união de todos os advogados, Direcção e demais órgãos, no objectivo de se hetero-agilizar uma simbiose competente de produzir efeitos benéficos, não só para a mui nobre classe dos advogados, como para a própria justiça sendo estes, elementos basilares na mesma.
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Na impossibilidade logística de agradecer todas as mensagens de Natal, deixo aqui o meu muito obrigado, assim como o desejo sentido de que este Natal tenha sido revitalizante de paz, tradição, e especialmente princípios nobres no coração de todos nós.

O (re)inicio de um pensamento livre, mas que este cresça verdadeiramente de uma liberdade útil. Uma reflexão mais vertida na sociedade e não tanto na pessoa-singular. Um pensamento como pessoa una, vai concentrar-se de alguma forma no seu engrandecimento e beneficio, enquanto porventura dever-se-ia focar na igualdade.

Igualdade como resposta. Igualdade, pois desta surge a justiça, impugnando as divergências culturais, financeiras e intelectuais. Igualdade para trazer o respeito social e humano.
Que este Natal seja realmente instigador de uma fraternidade influente para o equilíbrio social, especialmente nestes períodos mais rigorosos que atravessamos.:.

Obrigado a todos.
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Aquele (não tão pequeno) grupo de pessoas, que ao estilo de Mariano Gago, têm atacado desmesuradamente as Praxes académicas, apontando-as como sendo directamente responsáveis pelo desaparecimento dos cinco jovens na Praia do Meco, estão a entrar no semelhante e ignóbil raciocínio de criticar os homens ou mulheres no seu género, porque um dia alguém traiu.

O conceito de «Praxes», «Homens» ou «Mulheres», são absolutamente diferentes de «Praxes abusivas», «Homens infiéis», e «Mulheres adulteras».
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Os confrontos entre manifestantes e a polícia continuam incessantes em Kiev. Da forma renovada como sucedem, pode dizer-se tudo, menos que estes amotinados não estejam desassossegados com as direcções que o país toma.

De facto, só me ocorre uma motivação de extrema grandeza, que faça com que estes manifestantes protestem com violência a uma temperatura de 10 graus negativos. O Medo.

É de gente que sabe o que quer, e melhor, o que não quer.

É na minha perspectiva um apavoramento da ‘noite comunista’ que os Ucranianos têm vindo a espreitar. Desde logo, a convicção que o regime comunista deixou marcas profundas naquele país.

Digo isto, porque não me parece de todo bastante, o facto de estar pendente o pedido de adesão á UE, valorizando-se a acoplagem á Rússia.

É este um povo que testemunhou a democracia, e não mais quer abeirar-se sequer de quem, com repressão lha arrancou durante muitos anos, amontoando uma miséria geral, que exaltando inúmeras percas humanas.
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Foi com profundo pesar que recebi a notícia da morte de Nelson Mandela. O mundo deixou ontem ausentar-se um ‘profeta do tempo em que não haverá escravos nem indignos’. Lições de paz, liberdade e humanismo que nos deixaram, ficando a obra. Partiu ontem um prémio Nobel da Paz que considerava que o ódio se aprende, mas aprender o amor era sempre mais fácil.

Solto aqui as minhas sentidas condolências á família, e, quer se queira ou não, deixo-as similarmente e infelizmente, a uma humanidade que fica mais pobre.

--/--
Não podia falar do assunto ‘Mandela’, sem arrolar ao texto, o que Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República enviou a Jacob-Zuma. Vernaculamente, palratório de Presidentes.

Entre as inúmeras apreciações sentidas, e compaixões pesadas, Cavaco, ainda solta a sua colossal apreciação pelo legado deixado por Mandela. Vai mais distante, em repuxados vocábulos que preadivinham que o seu conceito de coragem, liberdade e humanismo, se perpetuem por gerações.
Ora, tudo isto pode revestir aspecto absolutamente exemplar, e até apropriado á situação pesarosa.

No entanto, em 1987 era o mesmo Cavaco Silva o Primeiro-ministro, quando votou contra uma resolução das Nações Unidas que tratava precisamente da libertação de Nelson Mandela então detido há 25 anos.
Hoje desfaz-se em lamúrias (hipócritas?) para a África do Sul.

Das possíveis considerações que a morte de um homem indulgente nos permite analisar, é sem dúvida a constante inclinação do Ser humano em valorar o homem-vivo de forma distinta do Homem-memória, ou do homem-obra. Sim, 80% das homenagens são pós-mortem.
Se me entendem, vou evitar a divulgação das minhas pinturas sem valor, sob risco de falecer contra vontade.
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«Talk sense to a fool and he'll say you're foolish»

Euripides
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Há dias que a minha troika privada se patenteia.

Lá vem ela com um prejuízo que como só ela sabe, sabota a posteridade breve, austeriza a dignidade, decência e o bom-nome.

A violência verbal é um comprimido muito forte, que se arremessa ao alvo, sem lembrar que os efeitos subalternos são muito mais nefastos que os primeiros.
Não somente por isto, embora também, é extraordinariamente incipiente travar uma discórdia onde empregamos todos as inferiores, vis e mais funestos recursos.
Incipiente porque a partir daí, não mais há triunfo.

Ambos os lados sofrem, ambos os lados retiram-se derrotados de mil e uma formas, ainda que não saibam.

Pratiquem o desarmamento interno. Significa este, absolvermo-nos de inúmeras comoções negativas, que exclusivamente redundam em impetuosidade na violência.

Para não se tatuar espinhos incessantes na alma, faço-o, e apelo a todos, que se desengatilhem internamente, e sejam um pouco mais felizes e fraternos.
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Deixem-se disso gente!

Imploro diariamente que uma luz desça á terra e subtraía ás infindas aptidões humanas, aquela capacidade que desponta em cada uma, quando ao não saber o que verbalizar, então refugiam-se em aforismos obtusos.

- “Às vezes é no meio da escuridão, que se vê melhor a luz”.
- “Às vezes é quando estamos no meio da multidão, que estamos realmente sozinhos”.

E a humanidade diz de urgente, “olha, bem visto!”.
Vamos lá tentar. Se alguém profere;

- “Às vezes é quando uma coisa mais parece uma coisa, que é o contrário dessa coisa!”

Não é uma grandiosa ajuda, nem mesmo um discurso brilhante. Às vezes é só parvo.
Só para que conste.
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Os tribunais, assim como todo o sistema judicial deve operar no sentido da descoberta da verdade material, respeitando por sua vez a verdade processual.

Não sei até que ponto conjunturas análogas a esta, podem ser reflexo de uma amplificação da Verdade Formal em prejuízo da Material no sentido em que, porventura, possa não verter uma justiça social efectiva.
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"Arquiva-se o processo na tentativa de desanuviar a tensão última entre o estado Português e Angolano".

Deste modo, é com este desventurado e desgostoso dedo, que aponto o corolário factual de uma indigente Magistratura, que se deixa invadir num presumível equilíbrio político, abandonando a sua idoneidade e função, na descoberta da verdade material, conforme os ditames jurídicos.
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Ainda me recordo da mescla de cheiros vindo dos incontáveis restaurantes castiços e de preços despretensiosos.

Aparecia o clamor do palhaço que esguichava água, e os dedos pegajosos de surripiar o algodão-doce do primo. Em seguida, lá voava eu para a lua como o maior dos astronautas, enquanto preservava o mundo vinte vezes ao lado do super-homem.

Não bastante, tinha ainda tempo de entrar em saloon de faroeste, e salvar a donzela mais formosa, das cordas que a amarravam.

Na dimensão dos sonhos, de universos encantados com majestades, dragões e princesas, tudo se tornava possível.
Os mais pequeninos, defrontavam os seus desassossegos entre gargalhadas, sorrisos e animação.

Era isto e muito mais, que impelia milhares de pessoas a divertirem-se neste espaço no centro de Lisboa.

Hoje com um frio depressivo, jazem inúmeras exultações dentro de quatro muros débeis de acabados. No centro de Lisboa, vive o Adamastor das memórias distantes, o antídoto da esperança.

Senhores governantes acreditem, nem só de números vive o homem.
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São absolutamente tormentosos os cenários que o tufão Haiyan debelou na sua passagem pela cidade de Tacloban. Avança-se com mais de 100.000 mortos, e 600 deslocados que não têm acesso a água ou alimento.

Fica na narrativa incompreendida litros de lágrimas por secar, milhares de corpos por honrar, e sofrimento do tamanho do mundo por parte dos desafortunados que já só vivem fisicamente.

É especialmente a estes últimos, que deixo o meu pesar e enternecido testemunho.

Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado, até que seja enfrentado.
Com esta máxima, creio na intelectualidade dos líderes mundiais, para o amparo premente a estes nossos, e dignos irmãos.

A todos eles, um abraço fraterno.
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O vulgar, é muitas pessoas acordarem ao toque. Outras com o timbre de quem as chama, ou então até mesmo com ruídos que lhes varrem o sonho e desabotoam os olhos.

Acordar ao teu lado, é nada menos que ser acordado pela tenuidade do aroma. Afinal, a fragrância pode acordar-me.

Acordar ao teu lado é o aconchego inigualável das torradas quentes, um dia que se estreou num sábado, e os relógios param só para mim.
Só. Porque o restante é acordar sozinho.
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«Se um dia for vedeta, quero sempre manter um pé na sarjeta».

Há vários intuitos que tornam imprescindível saber conservar distâncias. Seja por reserva pessoal, por conservação intelectual ou até por amor. Sim, o amor pode distanciar duas ou mais pessoas.

No entanto, a superior e mais difícil distância de todas, é aquela que nos afasta de nós próprios. Suspeito dizer que seja conjuntamente a mais proveitosa de se desenvolver.
É sobretudo em ápices de palmas, abraços, glórias e sucessos, que a distâncias de nós próprios faz ainda mais sentido.

A vizinhança de nós connosco, faz com que andemos constantemente a auto elogiarmo-nos, enaltecendo em arco de luzes pomposas. No seu extremo, não mais andamos; levitamos.

É o distanciamento entre cada um de nós e o produto dos nossos feitos, que consentem o lugar para a crítica essencial.

«Se um dia eu for vedeta, quero sempre manter um pé na sarjeta».
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É estupenda esta habilidade de se admirar um livro por tudo, menos o que lá vem escrito. Faz-me rejubilar esta capacidade que o Homem tem de se apaixonar por um quadro, do qual nunca viu as cores. Mas a paixão está lá!

Hoje enquanto eu almoçava de figura especialmente desentendida; - (não fosse a repulsa pelo que ouvia exteriorizar-se pelos olhos) - ostentava-se um cliente, dizendo que era o «José Mourinho a colocar azulejos nas paredes».

Alguém perdia tempo a dizer, “Não te deves gabar oh Zé!”; senão quando «o Zé» contrapõe lá do pináculo da sua sapiência;
- “Não me devo gabar? Olha o Mourinho! Ele gaba-se e todo o mundo se cala porque sabe que ele é bom! Mau é quem se gaba sem ser nada de jeito!”

Por mais que se estude áreas diversas, para mim o Homem continua a ser o objecto de estudo mais complexo e cativante.

Neste caso do José Mourinho por exemplo, há pessoas que são autênticos embaixadores de Portugal no estrangeiro, mas nem por isso devidamente agraciadas.

Parte das que gostam, admiram, apreciam, apoiam e protegem; existe ainda parcela que «Gosta do livro sem saber ler».

Concebam só o que sucedia, se fosse exequível trazer o Sr. Padre António Vieira, para dissecar o seu “Sermão de Santo António aos peixes”, sobre o qual este nos chamava de «criativos», pois a alegoria se dirigia realmente aos peixes e nunca aos homens.

Era o escarcéu! Mas admiração por tão bela escrita, certamente que se mantinha em cada um de nós, ainda que por razões quase adversas.
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Em tempos não muito idos, Pedro Passos Coelho solicitou participação do líder do maior partido da oposição, para um ‘governo de salvação nacional’ (ou espécie - interroguem o PR), que acabaria a ser governado com natureza tricéfala. (PSD, CDS e PS)

António José Seguro declinou a proposta de participar no governo sem sufrágio.

Soltou-se a repulsão imediata do PM e restante governo, com a posição de António José Seguro.

Será esta indignação efeito de amnésia grave, ou sou eu o mesquinho que tem o cisma de ter boa memória?
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É amargura rude aperceber-me que cada vez gosto menos do Português moderno.
Para claras compreensões, deixo aqui uma reacção da Igreja Católica ao Decreto-Lei de 20 de Abril de 1911. (que veio decretar a ‘Lei da separação’)

«Receava-se a dureza, veio a atrocidade; receava-se a sujeição, veio a tirania (…). O que contém o diploma? (…) Injustiça, espoliação, opressão, ludibrio (…). A Joeira de Satanaz(s) vai trabalhar (…) Senhor estou pronto para ir convosco ao cárcere e á morte.»
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Continuam a forçar-nos a olhar para as reformas e pensões, como um beneficio de solidariedade social., quando foi, é, e sempre será, um Direito dos contribuintes.
E agora com efeitos retroactivos?

Não se alterem conceitos, muito menos os efeitos directos dos mesmos.

Vergonha.
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Para qualquer Juiz, diligenciar em Oeiras deve ser o fastígio da preferência. Tudo é mais célere nesta comarca.

Em sede de «finalidade das penas», notem que em Oeiras acautelam a reinserção do agente na sociedade muito antes de o mesmo ser libertado.

É o sucesso na Justiça.
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A mentira é a meu ver, a suprema prova de deslealdade e inconfidência. Há gente moderna que tende a fazê-la coexistir com a amizade.

Ridículo.
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Mesmo após Pedro Passos Coelho em declarações oficiais ter vindo acolher uma «derrota estrondosa» para o PSD, ainda se insurgem laranjinhas revoltados, na vã tentativa de apaziguar a sua dor, arrastando o PS para uma análoga derrota. (PS derrotado?)

Verbalizam que é em pelo facto do PS ter perdido autarquias de alguma utilidade.

Bem, perder autarquias e ganhar autarquias, é trivial a todos os partidos, (desta vez) com a prerrogativa do BE que unicamente experimentou a primeira.

No entanto, parece-me ponderado que se considere vencedor de umas legislações autárquicas, o partido que chega ao fim das mesmas com o maior número de autarquias. Esse partido foi o PS.

Acrescento ainda, que no sentido dos resultados conquistados, torna-se incongruente identificar o PS como derrotado. Afinal, um partido que além de atingir o maior número de autarquias, regista também o seu melhor resultado de sempre, «derrotado» é grotesco.

Bem, 150 Câmaras, é exclusivamente o melhor resultado de qualquer partido em Portugal.

Derrotado?
Vamos lá tentar notar o mundo com olhos empenhados de quem se exime de toda essa limitação, que se chama facciosismo, fanatismo e intolerância.
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Sempre fui acérrimo patrocinador do compromisso de sufragar. O artigo 49º da Constituição da República Portuguesa, sempre me pareceu aprumadinho e pimpão.

É um dever cívico, e acima de todas as classificações, é a única forma de exercer o maior dos poderes que enquanto povo embargamos; «o de escolher e delimitar o nosso futuro».


Ainda que as opções de escolha sejam entre o meu e o péssimo, é de ressalvar que entre votos em branco, e estratégias de nos fazer ouvir enquanto cidadãos, o importante é fazer um voto activo.


De tantas pessoas, aquelas que não votam; pouco me diz a sua indignação. Pouco me diz a sua revolta pelo rumo do país, e pouco me diz a sua resistência ao sistema que o governo implementa. De facto, nada me diz tudo isso. 


Reprovam tudo e todos, e olvidam que a sua insurreição deveria ter sido «sentida» no dia das eleições. Mas não. Optam o não-voto, agendando ulteriormente a sua luta por através manifestações, brados e insultos extemporâneos, onde já de pouco vale.
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Causa-me genuína agitação, os Portugueses não dedicarem efectivamente o seu voto ás pessoas que nos governam.

Ainda no Domingo Ângela Merkel ganhou as eleições, e nós nem votámos.

Viva a ‘Demo!’, que também é ‘Cracia!’.
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Certo é que, refutar a ignorância alheia, é cair numa igual ignorância, ou pior. A postura elegante é ignorar.

Por outro lado ignorá-la, é que nem refeição vegetariana. Tem (quase todos) os nutrientes necessários, mas jamais nos sentimos inteiramente saciados.

Certamente que isto se resolve com maturidade.

Aceitam-se sugestões.
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Ao meu lado loira, não obesa mas cheia, tinha o seu primeiro encontro de café com o mecânico, da sua irmã.

Vestida de ganga justa ás curvas, embora sóbria, prescindia toda a pro-actividade emocional para o sofisticado mecânico que de camisa branca, respigava distintos argumentos para a convencer da sua nobreza e distinção.


- «Podes não ter namorado, mas tens muitos pretendentes de certeza»


Em clara negação com a mente, ela retribuía negativamente ás investidas dele, – no esforço de o agradar pelo carácter puritano com que se fazia apresentar. E decerto agradava – 


Por outro lado, mesmo que sem pergunta, fazia este mecânico tema, o de enfatuar-se, discorrendo das mil e uma mulheres que o desejavam, e ele somente considerava a que estava á sua frente. Tudo isto, – no esforço de a agradar pelo carácter puritano com que se fazia apresentar. E decerto agradava –


Hoje, acho absolutamente ignóbil esta forma de aleitar, gerar, fazer nascer algo pelos caminhos surreais. Iniciar um caminho pela ostentação, falando do que não é, abordando o que nunca foi, para agradar ao que se pensa ser. Esquecer que somos todos susceptíveis a esta debandada (assustadora) de metamorfoses da sociedade, pelo que, dá-se o não tão raro acaso, de encarar-mos numa mesa de café, com alguém precisamente como nós. 


«Era uma vez, um embuste a criar paixão» Não é uma história de facto, mas infelizmente as crianças hão-de aprender.


Sim, hoje não se criam relações, antes empresas. As partes, somente comerciais de si próprios.
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Doutor, feche os livros e ria da ciência - Tire a gravata Doutor, e por uma vez, peço-lhe, cale os seus olhos.
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As Oréus estão ao rubro!!!
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Se dizem que na Internet, todos nós podemos ser o que quisermos, então porque razão tanta gente escolhe ser estúpida?
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Falamos de risco. Pequenina crescida de mortíferos ataques. Nível bélico superior ao químico, não há G20 que sossegue, ‘Obamas’ que reivindiquem, ou concertações que apazigúem esses ataques categóricos. 
De design aerodinâmico para distribuir sofrimento, saudades, saudades, mágoas e todas as outras que a ciência não classificou. 
Daquelas que fazem o estômago ir á boca e voltar ao sitio habitual. Tudo no mesmo fuso horário. 
Predadora eficaz, ali se reúne todos os apetrechos úteis ao disparo.

Nem vale a pena falar em camuflagem. Mestre da arte da discrição, de semblante brando, hábitos bem-nascidos, encanta de viola do lado canhoto, da mesma forma que dança aquele sinal do lado direito do coração.


O humano que invulgarmente dorme.
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Como nunca antes sucedera, aceitei o auxílio de uma amiga para a crónica mensal.
Tinha até á meia-noite, para fazê-la chegar á redacção, para posteriormente ser editada e publicada.
Mesmo de empenhos aglomerados em solidariedade, não foi possível a entrega em prazo útil.

Incapaz de ficar desgostoso com o decorrido, encontro-me por sua vez, orgulhoso do texto que me chegou para “eu alterar”.

Texto esse que ao invés de alterado, o reproduzo na integra, da forma que me chegou.

“A mudança é difícil, mas mais difícil ainda é quando se decide realmente fazer. No entanto é também a mudança mais necessária.
Quando é essencial tomar alguma decisão importante as pessoas deixam sempre para depois. Aliás o provérbio “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” não se aplica no povo Português, sendo mais “se podes fazer amanha porquê fazer hoje?”
Será o medo do desconhecido? O orgulho? A resistência? A ambivalência?
Num dia como tantos outros, esperando pela minha boleia começo a ouvir um grupo de jovens a falar sobre o peso. Cliché feminino.
Ao olhar, reparo que a jovem mais “cheiinha” está agarrada a uma tablete de chocolate, a comer com os olhos e empanturrar-se com a boca. “Vocês são tão magras e olhem para mim ”, frase que me ficou na cabeça. Repito agarrada a uma tablete de chocolate.
As amigas, pelo menos naquele momento, com uma pancadinha nas costas confortam a adolescente dizem “oh não digas isso, estás óptima”, olhando umas para as outras com um olhar que mostrava o oposto.
Querer mudar é fácil, aliás querer é fácil. Mas decerto nunca ninguém conseguiu algo apenas por teoria.
O primeiro passo para superar essas resistências é mudar a nossa forma de pensar sobre a mudança. Não nos vamos dando conta, como o medo de mudar vai ocupando tanto da nossa vida, começamos a tecer uma teia que aos poucos nos vai imobilizando. E muitas vezes falta discernimento e coragem para interromper esse ciclo vicioso.
Comece por mudar o pensamento, "Eu espero que as coisas mudem", para o pensamento, "A única forma de as coisas mudarem é quando eu mudo"


Patricia Henriques

Obrigado.
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Os olhos são inúteis sempre que a mente é cega. O contínuo e necessário aperfeiçoamento do carácter, é na sua boa forma, libertar a mente de tanto que o vicio a prende.

Só assim podemos todos nós chegar tanto quando possível, ao máximo do nosso potencial, e por sua vez auxiliar o próximo.'.
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Salvo o devido e merecido respeito por entendimento distinto,
é aqui que o Juiz deixa de ser julgador, e abraça a política.

“(…) entendo que tal limitação é apenas territorial e não funcional. Ou seja, apenas se aplica àquele concreto município e não a um outro.
Defender posição contrária é, antes de mais, uma menorização e perda de confiança no funcionamento das regras da democracia e do princípio democrático no sentido em que revela mesmo uma desconfiança perante a livre decisão dos eleitores nas urnas (…)”

Trecho retirado do ACÓRDÃO N.º 480/2013, do Tribunal Constitucional, relativo ao recurso de impugnação á candidatura de Luís Filipe Menezes á Câmara do Porto.
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Acrescento, estamos na presença do mais recente modelo sexy homo sapien otariens.

Palmas por favor!



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Luís Filipe Menezes, candidato do PSD á Câmara do Porto, assegurou agora um espectáculo musical com o artista Tony Carreira a encerrar a sua campanha.

Tony Carreira, aufere por cada espectáculo 45 mil euros. (como se pode verificar http://fama.sapo.pt/fotogaleria/tony-carreira-cobra-45-mil-euros )
O orçamento (que é público) de Luís Filipe Menezes, fixa 10 mil euros para espectáculos e actividades lúdicas.

É este um absoluto e fiel retrato da classe politica a mais no nosso país.
Enquanto existir flagrantemente politica de executivo, e politica para campanha, jamais o nome do país consistirá em primeiro lugar de considerações.

Com este cenário de gerência, é caso para comunicar que se era um «sonho de menino», este nosso Luís que ponha os pés na terra, seja íntegro em detrimento de político de campanha.

Com Luís Filipe Menezes no Porto, «Depois de ti mais nada».



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Principiou a liga Portuguesa de futebol 2013/2014. E principiou mal. Começou infortúnia a época no campo das arbitragens, e não apenas com equipas «grandes». 

Quem viu certas passagens do Guimarães – Olhanense não pode deixar de ficar eriçado com o que se possa passar entre pretendentes a lugares europeus, e candidatos à descida de divisão. 


O jogo mais notório desta berra que retira paixão ao futebol, foi entre o Vitória de Setúbal e o FCP. Paulo Fonseca, directamente arrolado (e bem) das juventudes desportivas por Pinto da Costa, ainda não compreendeu que cada penalti mal marcado a favor do FCP, cada golo ambíguo que o favoreça, só o acanha como treinador aos olhos de todos. O seu ataque a José Mota foi de quem não sabe ainda o seu papel. Com tempo vai lá. Ele é bom, e certamente de célere aprendizagem. 


O meu receio é que estes talentosos jovens treinadores, jogadores, e mesmo árbitros, gostem mesmo de futebol. Se assim for, estamos em actual condição de lhes anunciar um desgosto;


É que o futebol em Portugal está ligado ao negócio em série, descaracterizando-se (ou não). 


E em resultado de tudo este zoo, a paixão de cada um de nós em cuidados paliativos pouco eficazes.




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Já não é bastante preocuparmo-nos com o que se diz, devemos ter (também) em conta a ordem com que se faz.

É que se em primeira instância, além de se aportarem a temas distintos do que discorremos, ainda existe a limitação daqueles que somente retêm a parte final do que se ouviu.
Resultado, longa viagem para direcção divagada.

Limitação foi o que eu disse? Exacto, limitação.
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Todos os utilizadores opinaram relativamente á entrevista de Judite de Sousa (JDS), e eu nada. Para adversar, nesta luta desigual de milhões contra um(a), eu vou falar da parte mais indefesa.

Vou falar de nós. Acima de tudo, de falta de bom senso. 


Quanto á entrevista precisamente, não me vou expor sobre as palavras menos afortunadas, o deplorável conceito de oportunidade, ou mesmo á muita subjectividade que JDS se serviu na conversa.


Não impeditivo a todo esse tema, que não ouso debruçar-me tal a panóplia de verborreia por esse Facebook fora, é particularmente isto que me conferiu interesse;
https://www.facebook.com/juditedesousavergonha 


Do mais gracioso que por lá pude decifrar, foi (subtraio a linguagem mais vernácula) “Vaca”, “Demissão”, “Despedimento”, “Pior jornalista de sempre”, “A vergonha do jornalismo”, e por aí avante.
Tenho para mim que se fosse tudo em #‘hashtags’, JDS abria o telejornal em Santiago do Chile.


Existe nos dias de hoje um ódio amordaçado em grande parte dos Portugueses, ensopados numa pujança e cólera demolidora na constante reacção de apontar os erros de alguém.


Provavelmente a situação do país, quiçá consequência de uma impotência generalizada que se vem sentindo, debilidade, fraqueza, mas o certo é que estes ‘tumultos virtuais’, são de um efeito funesto para o/a visada.
Mas do dano, quer-se lá saber.
Temos vindo a ficar de dia para dia sofisticados julgadores de outros que não nós, aprimorados justiceiros de sentença na ponta da língua, polidos donos de uma justiça viral. Sim, nasceu uma nova justiça, a viral.
Nasceu uma nova sentença, a social. Bem mais nefasta que a judicial, diga-se.


Em diversas situações, comportamo-nos como uns opressores, em que a revolta possível por sermos oprimidos por alguém maior, é oprimir aqueles que erram. 


Esta improficiência de lutar, redunda em reacções onde não mais interessa que impacto terá, exclusivamente sacia este ímpeto exacerbado de nos sentirmos “socialmente activos”. Impulso pobre.


Somos apressados, não muito mas demais. Excessivamente bruscos.
Rápidos a condenar, a estigmatizar, desaprovar, castigar. Somos punho fácil para bater.
Mestres do olvido, sábios na negligência.


Aboliu-se dos tribunais a pena capital por não se considerar adequada, justa, assertiva e democrática. Nas praças da nossa sociedade inquisitória praticam-se estas sanções calamitosas. Com o amigo, com o vizinho, com o conhecido, tantas vezes com a família.


A mim não me importa especificamente com quem, mas proporcionalmente são amplificadas e por sua vez exageradas.
Opiniões, pareceres e juízos são bons e recomenda-se, mas andemos com prudência e senso.
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Ainda sinto o cheiro a bafio e setin. O dia da minha morte era esperado com o desassossego de quem almejava e muito, os dias sequentes.

Morreriam comigo naquele dia todos os defeitos, imperfeições, vícios e passados inúteis. Era sucumbir agrilhoado aos preconceitos e ás superstições, aniquilando os laivos de uma sociedade infamante que se dissipavam.

Morri numa qualquer cidade da Europa, uma cidade antiga, daquelas com largos e praças apinhadas de narrativas históricas e reminiscências virtuosas.

Quando me conduziram pela mão, á minha última morada enquanto impuro, nem mais a venda me fazia não adivinhar os degraus comedidos. Em sua vez, quando me indagaram se estava atemorizado ou receoso, sorri como demente e redargui; “jamais convosco irmãos”.

Cessei depressa, feito obeso no gélido do xadrez. Desprezei-me e corri freneticamente para mim mesmo. Ao chegar, renasci. Ressurgi brotando pela primeira vez, contemplando pela primeira vez, cheirando pela primeira vez, sentindo pela primeira vez, e sendo, sim existindo finalmente.

Contemplar outras cores, renovado mundo. Adivinhar enxofre de aroma primário, água, sal e vida. Auscultar sabres que cortavam o ar, juntando-se no aço com centelhas, fagulhas e faíscas de ipiranga.

Quando nasci, o mundo acreditava por mim, com nova parentela, com novo afecto.

Afinal, livre.:.
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A palavra radicalismo é insana. Fogem dela, e ninguém aceita ter uma postura radical relativo a qualquer que seja o tema, embora muitas vezes a tenha. Ser radical soa a agir sem pensar, quiçá a reagir em detrimento de agir. Atitude pouco pensada, insensata, infantil. O que queiram chamar.

A nível político, chamam radicais aqueles cuja sua ideologia politico-partidária se coloca nos extremos quer da esquerda ou direita. Ficam lá nos píncaros, e de tão longe se colocarem talvez careçam de toque e sensibilidade para reconhecer os problemas reais. São opiniões.


Quanto a mim, o mais radical dos extremistas que pode dar á costa (ou o mais extremista dos radicais, escolham), não é aquele classificado em virtude do seu afastamento dos partidos centrais, mas antes o resultado da sua postura filantrópica enquanto cidadão.
Radicalista é para mim, aquele que independentemente de ideologia ou partido, não aceita democraticamente uma opinião contrária. Uma opinião diferente, uma visão antagónica.


É aquele que senão antes, ao aperceber-se que não move alguém para a sua causa, opta por “catalogar, rotular e empacotar" pejorativamente aquele que não partilhou da mesma opinião.
Obstar a essa diferente opinião classificando-a como menor, é directamente cercear a liberdade de cada um. Até que seja mesmo a liberdade de errar. É o maior radicalismo existente.

E são esses tantas vezes os maiores defensores da Democracia. Chamo-lhes então os democratas radicalistas (ou os radicalistas democratas. Também aceito).
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Quando existe uma alteração de fundo na lei, deve esta ter o seu tempo de adaptação necessário, para suprir ao máximo o impacto da mudança.

A ministra da Justiça, achou então sensato que uma alteração de fundo ao Código de processo civil, tenha somente dois meses de Vacatio Legis, quando mais de metade dele são em férias judiciais.

Mas não ficamos por aqui.

Hoje, a duas semanas da sua entrada em vigor, somos então presenteados com mais de 10 alterações ao Código de Processo Civil. ( https://dre.pt/pdf1sdip/2013/08/15400/0480204803.pdf )

Estes legisladores são absolutamente fenomenais.
Palmas.
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Andam a reduzir reformas como se elas fossem um previlégio do cidadão. Dinheiro ganho ao longo de anos de trabalho não pode ser um privilégio. É um direito.
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É absolutamente surreal as experiências que se vive na mais dissimulada das situações. Não é preciso procurar sequer.
Numa simples ida ao mecânico mudar dois pneus ao carro, não fazia ideia de assistir a uma primitiva dança de acasalamento, em primeira pessoa, e desta vez por humanos.

Quando ela surgiu no carro cinza metalizado, de imediato o mecânico a denotou, negligenciando o que fazia, fixou-a em todos os pontos excepto nos olhos. A moça de nome quase monarca, apercebendo-se, ignorou tal postura.

Carente de percepção mínima com tal figura, ao estilo de jurisprudência nacional, macho lusitano arisca que certamente seria, passou do olhar simples para o sorriso, com olhar malandro e galanteante proporcionava das melhores estiradas que ouvi, ao ritmo de “tu não tens um pingo de vergonha/como um homem sonha/ter alguém assim”.
Abruptamente crente de uma fé maior, “Ai meu Deus” ou mesmo qualificado de uma engenharia requintada com “Até a barraca abana”. No fundo, uma experiência que em duas palavras sensatas eu diria, «espalhou charme».

Era ele artista de uma película que me tornava ignorante a cada momento. As pipocas não eram doces, nem o filme o mesmo.
Pelo menos, a julgar por aquele andar gingão e olhar confiante de quem tinha conquistado o que a meus olhos, nunca tinha estado tão longe de acontecer.

Levanta-se o tema da procura e da oferta. Isto porque temo concluir que a julgar pela conduta de excessivo apuro de maneiras cativantes, já deve outrora ter tido os seus resultado (o que me assusta), caso não teria mudado a estratégia.

Zé-zé Camarinha, Ivo Almeida, e demais inadaptados dos tempos modernos, temos tanto a aprender.

Quanto a mim, começarei com aqueles calendários suspensos nas paredes da oficina, a lá «almanaque de bons costumes».
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Quando digo que o povo Português foi enganado por este governo em altura de eleições, exaltam-se as hostes, e respondem-me que neste sentido, todos os governos enganam o seu povo quando fazem uma campanha eleitoral diferenciada das atitudes que tomam quando no poder.
Não é disto que falo.

- Uma situação, é um grupo partidário não cumprir aquilo que prometeu em campanha eleitoral, que é infelizmente um Capitis deminutio de todos eles.
- Outra é tomar medidas que se prometeram especificamente não fazer. Foi o que este Governo fez, e isso já é burla, isso é enganar.

É desta pequena diferença que eu falo.
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Um com tempo habituo-me ao Pretérito perfeito composto, mas entretanto "aceitado", "juntado" e "matado", continua a fazer-me tamanha comichão no céu da boca.
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Zeca, afinal parece que ainda não há praças de gente madura.
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Entendo que uma decisão judicial, tem de salvaguardar o seu núcleo primordial que é decidir a questão jurídica que para o caso, saber se é ou não justificado o despedimento, em razão do trabalhador estar alcoolizado em serviço.

No entanto, é absolutamente compreensível que o Magistrado, além do núcleo essencial de questões que se levantam, entenda deixar algum comentário ou nota pessoal, mesmo que este não se prenda directamente á matéria do trabalho. É compreensível visto que cada Juiz ao escrever uma decisão, está a fazê-lo incorporando o seu próprio pensamento. Um comentário ou nota, não me parece desajustado, ser for ele adequado ou oportuno.
Muito embora, neste caso é notório que as afirmações foram infelizes, e desadequadas. ("Vamos convir que o trabalho não é agradável”(...)"Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”)

As afirmações terem sido infelizes e desadequadas não podem ou não devem ser, motivo de esquecimento relativamente ao primordial objectivo de uma questão judicial, que embora pouco sonante, foi cumprido.

1. Existiram no caso em apreço, meios de obtenção de prova nulos. A relação ao confirmar a sentença da primeira instância, reiterou por este acordada, que os resultados das análises ao sangue nunca poderiam ter sido usados pela entidade patronal sem autorização do trabalhador.

2. Ao contrário do que foi alegado pela entidade patronal, alegam ainda os juízes, que não existe na Greendays nenhuma norma que proíba o consumo de álcool em serviço. Por isso, no seu acórdão, os magistrados deixam um conselho à firma: que emita uma norma interna fixando o limite de álcool em 0,50 gramas por litro, “para evitar que os trabalhadores se despeçam todos em caso de tolerância zero”. Por muito absurdo que pareça, e sendo o processo civil um processo de partes, cabe ao Juiz(s) julgar de acordo com a (somente) matérias que as partes fazem chegar a tribunal.
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