Srª. Maria João Pires,
Estou certo que milhares são as pessoas revoltadas com os últimos governos, sejam eles de uma ou outra cor.
Srª. Maria João Pires,
Tenho para mim que se alargam clamores coléricos a toda hora, sempre que da casa da democracia brotam medidas que fazem a luz da esperança Portuguesa desmaiar, ou colocam o alento no amanhã a soro.
Srª. Maria João Pires,
No entanto, não se deve confundir o governo de um país, com uma pátria. Não se pode misturar medidas de um executivo, com cores de uma bandeira.
Srª. Maria João Pires,
A revolta, ainda que perfeitamente compreensível, deve ser canalizada para o problema, e esse não é o Portugal.
Srª. Maria João Pires,
Com o merecido respeito, virar costas a um país, uma pátria, a Portugal, é mandar fora a nossa história.
Srª. Maria João Pires,
Lamento imenso que ao longo dos seus 69 anos, não se tenha apercebido que Portugal é tão mais que uma fronteira, é um país, é uma bandeira e uma língua, é uma alma.
Srª Maria João Pires,
Assimile de uma vez, que ser Português não é para quem quer, antes para quem pode e tem orgulho de o ser.
Srª. Maria João Pires,
É certo que mantenho o meu desamor a incontáveis conjunturas actuais em Portugal.
- Da alta iliteracia.
- De tantos de nós sermos carentes na leitura, na escrita sem erros.
- De não nos conseguirmos governar.
- De sermos uns mandriões «cá dentro» e uns operários desejados lá fora.
- Tenho alguma vergonha dos nossos políticos sem concepções nem programas, mas expeditos no ataque e no insulto pessoal.
- Desaprovo na preguiça dominante em cada um.
Srª. Maria João Pires,
Não é pelas dificuldades de um país que se renegam as origens, e com a devida vénia Srª. Maria João Pires, só faz mesmo falta a Portugal quem tem alcance para ser Português.
Srª. Maria João Pires,
Pelo que, após a sua declaração ao jornalista, lhe desejo os maiores sucessos, longe e olvidada, por um país que nunca o mereceu.
Sabe,
Falta cumprir-se Portugal. E eu quero fazer parte activa quando acontecer.

















