O paradigma da justiça em Portugal alterava-se assim que o bastonário da ordem dos advogados fosse algum dia ministro da justiça.
1 – Os passarinhos gritariam de alegria;
2- Os juízes jamais poderiam exercer o seu poder brutal sobre os cidadãos;
3- Só poderia ser um dia juiz, quem fosse eleito através do voto popular e, aí sim, imbuído do poder divino, que só o povo pode conceder pelo voto, poderia exercer o seu poder;
4- Sim, porque para o Bastonário da Ordem dos Advogados, os juizes têm poder, não têm deveres;
5- E então, o juiz teria de se candidatar em listas organizadas, prometendo fazer a melhor justiça;
6 – Distribuindo cartazes e autocolantes pelas ruas da comarca;
7 – Só assim o povo conheceria e respeitaria o juiz;
8 – Certamente, tanto melhor justiça faria o novo juiz, quanto o ajudassem a alcançar tão poderoso cargo;
9 – Numa genorisidade que o juiz iria, com generosidade, distribuir aos apoiantes;
10 – Os que tiveram o desplante de apoiar outros para juizes, teriam de passar a ter alguma cautela extra com a sua vida;
11 – Mas que paraíso seria a justiça no novo mundo do Bastonário da OA;
12 – O mundo da justiça do Bastonário da OA precisa de si para ministro;
13 – E os passarinhos gritariam de alegria...
Autch.
Não há droga para isto. Comentava hoje com a minha mãe a caminho de casa, que não obstante a cada pessoa ter as suas próprias manias, feitios, e personalidades, teria de existir algo caracteristicamente comum entre as mulheres. (Não sei se teria mesmo, mas reunia toda a piada para mim que assim fosse). Aquele aspecto que independentemente do estado, local ou momento, todas elas partilhassem. O imperativo, que não conseguissem de forma alguma fugir. Depois de pensar, avancei bravo e orgulhoso com a sentença. As mulheres não sabem aceitar um “não estou interessado” de um rapaz. É oficial. Ele é o melhor do mundo, até dizer “Não obrigado”. Depois disso, ora, depois disso, passa a ser arrogante, convencido, prepotente e até manipulador. Passa a ser conversa fresca entre as amigas, onde se pode pejorar aquele patife que se deve achar. 'Nem foi capaz de olhar para mim! Tem o rei na barriga o pobre coitado'.
Foi pois, nesta quase dissertação que explicava o novo sentido que a palavra 'ressabiamento' me fazia, agora muito mais lógico. Quando no fim, tirei os olhos da estada e olhei para a mãe-silêncio, que respondeu; «Não são as mulheres, são as crianças».
É isso. Seis palavras, e fui calado até casa.
Os portugueses têm uma habilidade especial para transformar uma boa ideia numa grande trapalhada. Em teoria, a limitação de mandatos para os presidentes das Câmaras Municipais é uma óptima ideia.
Garante a necessária rotatividade nos presidentes dos municípios para combater uma das tendências da democracia nacional no pós-25 de Abril - o nascimento dos dinossauros autárquicos.
Pelo País surgiram vários casos dos presidentes que se confundiam com as câmaras que geriam. Alguns com mérito pelo trabalho que apresentaram. Mas muitos beneficiaram do enviesamento do sistema. Com a desertificação económica e social do interior, as câmaras, as empresas municipais e as instituições sociais ligadas às autarquias transformaram-se nos maiores centros de emprego do concelho. Por isto, tornou-se fácil para os políticos mais habilidosos eternizarem-se no lugar através do controlo dos caciques locais. Noutras autarquias, surgiram as relações perigosas entre a câmara e empresários, com negócios pouco claros.
Por tudo isto, todas as medidas que promovam a transparência na política devem ser aplaudidas. A legislação que define a limitação de mandatos foi aprovada em 2005, durante o primeiro Governo de Sócrates e teve a concordância dos dois maiores partidos: PS e PSD. Tudo parecia seguir no caminho correcto, até que teve de ser aplicada pela primeira vez. Então surgiu a habilidade nacional. Muitos dinossauros autárquicos decidiram aproveitar um vazio da lei para tentar contorná-la. Dão um passo ao lado e candidatam-se a uma câmara vizinha e, desta forma, eternizam-se.
Todos percebemos esta finta à lei menos os maiores partidos políticos que decidiram meter a cabeça na areia. PSD, PS e CDS podiam ter feito uma simples alteração à lei no Parlamento e esclareciam todas as dúvidas, acabando com a barafunda. Preferiram o caos. Com a miopia de quem faz tudo para garantir mais uma câmara e mais uns lugares, avançaram com candidaturas que claramente pisam o risco. Fernando Seara em Lisboa e Menezes no Porto são os exemplos mais óbvios no PSD, mas também há casos no PCP. Agora os tribunais dizem que a candidatura de Seara em Lisboa não poderá avançar. O PSD, em vez de acatar a decisão, insiste e diz que tem outra interpretação da lei. Uma legislação que vai no caminho certo - a moralização da vida política - acaba a ser discutida nos tribunais. É por isto que o fosso entre os portugueses e os partidos políticos é cada vez maior.
É difícil respeitar uma classe política que transmite o pior dos sinais: quer o poder a todo custo, mesmo que para isso tenha de fintar a lei. Esta crise económica, política e social devia servir para mudanças que vão para além do sistema produtivo e da redução das dívidas. Devia servir para uma mudança radical nas políticas e nos políticos. Pelos vistos, os partidos não aprendem.
A Relação confirmou uma decisão do Tribunal Cível de Lisboa que não autorizava a candidatura de Fernando Seara a Lisboa, devido à lei de limitação de mandatos, uma vez que já tinha cumprido três mandatos na autarquia de Sintra, e o que Fernando Seara faz? Apresentou hoje a sua candidatura á Câmara de Lisboa.
Se isto é desrespeitar uma decisão proferida por um órgão de soberania que administra a justiça em nome do povo? Pode ser.
Se isto vindo de uma social-DEMOCRATA ganha nova dimensão, visto desrespeitar directamente o estado de direito e por sua vez a democracia? Sim, é verdade.
Se o Ivo está admirado por isso? De forma nenhuma. Seara, que nem bom seguidor das ideologias/filosofias do actual governo, também ele pode não respeitar uma decisão de um tribunal. É um direito que em uniformização de jurisprudência nunca lhe será negado certamente. Seja uma decisão do Constitucional, da Relação ou até Primeira Instância.
O importante é ser coerente, e de tudo o mais, Seara está a ser.
Isto de discutir o amor é absolutamente fantástico. Como é isso possível?
O amor é demasiado importante para ser discutido.
Ainda assim, há cada vez um maior número de pessoas que tendem a ter conversas sérias sobre o amor. Todos sabem falar do amor, e fazem-no de uma forma absolutamente improvável de estarem errados.
Já sei que existem por aí uns seres geneticamente superiores a mim, e dizem assim: “Amo-a muito, mas sei ver as coisas Ivo”. Ultrapassa-me por completo!
O descontrolo é tanto, que me atrevo a dizer que ou bem que se ama, ou bem que se sabe ver as coisas. Eu não sei ver coisas nenhuma, até porque se é para ser adulto e ponderado, dedico-me á agropecuária. O amor não é para isso gente.
Não procuro nada, mas no dia em que tropeçar em alguém, espero que seja “uma alguém” descontrolada. Não é tanto o tropeção dos programas complexos a dois, os dias de música, beijos e sonhos. Nem mesmo o pôr-do-sol a cantar para eles, ou aquelas fotografias fantásticas nos quatro cantos do mundo. É somente todo e cada gesto que involuntariamente os dois eram um. A banalidade da mão dada enquanto ele a conduz á noite, ou a festa na cara doce e meiga para não a acordar a meio do sono.
Não quero esbarrar na politicamente correcta, ou a diplomática do amor. Preciso de alguém com medo, alguém com medo de me perder, na precisa medida do meu terror ao adeus.
1- São hoje os tempos em que se dispara as responsabilidades do estado do país para todo o lado e mais algum. O importante é que desapareça, se for para longe tanto melhor.
2- Um banqueiro disse ontem á noite, pomposo, solene e pesaroso, que "andámos muitos anos a viver acima das nossas possibilidades" (José Maria Ricciardi a Mário Crespo). Como se os bancos não tivessem sido os primeiros a impingir crédito fácil para ganharem, como ganharam, muitos milhares de milhões. Antes tinha metido os pés pelas mãos a não explicar por que motivo traz dinheiro do BCE a 0,5 por cento e o empresta a 7 por cento, como disse o Presidente da República. Depois, negou qualquer conflito de interesses no facto de o BES assessorar a venda da TAP, tendo vendido a sua companhia aérea falida -a Portugália - à mesma TAP. Por fim, achou perfeitamente natural - como não? - que o Governo tenha contratado para assessorar a venda dos CTT um banco (o J.P.Morgan) que, ainda há poucas semanas, queria levar a tribunal por causa dos famigerados swaps. Há entrevistas a banqueiros que deviam ter bolinha vermelha.
3- O governo proibiu os organismos de pagar os subsídios de férias em Junho em razão de não existir fundos para tal. Ressurgiram-se inúmeras vozes a protestar que é absolutamente necessário deste modo, falar no total desrespeito por uma decisão do Tribunal Constitucional, e por inerência imperativa, no afastamento deste executivo do que é a democracia e o estado de direito. É certo que o governo não disse que não pagaria, mas antes que não o faria no prazo acordado também pelo Tribunal Constitucional. Quando/se eu não respeitar um acórdão de um tribunal no relativamente ao prazo, qual me obrigue a pagar uma indemnização, incorro imediatamente numa violação do disposto em sentença, onde por sinal existem imediatamente mecanismos que disparam para me forçar ao cumprimento da mesma. É isto.
4- Por fim, se hoje a marcha de BENFICA ganhar, é certo que vou festejar para o Marquês de Pombal. Que me perdoem, mas tenho este recalcamento de alguns meses, em festejar um título na rotunda mais conhecida de Lisboa. Compreendam!
O mínimo que se pode dizer é que Barack Obama é um político integro como há poucos, e aqui está a prova de que as suas campanhas políticas foram absolutamente geradas na sua indiscutível sinceridade.
- Quando Barack Obama prometeu que ouviria todos os americanos, eu nunca pensei que fosse literalmente, e muito menos que a senda de vigilância se arrastaria ao resto do mundo.
- Até as estatísticas comprovam esta digna realidade. Quando o próprio atirou que tem feito de tudo para despistar os escândalos de toda a índole, 53% dos americanos disseram estar de acordo com o trabalho que Obama vem a fazer. Os outros 47% estão certamente a ser auditados.
Portanto xadrez deve ser isto. Xadrez sem escrúpulos claro. Mas alguém esperava que relativamente á proposta de greve pelos sindicatos, fossem estes de uma vez por todas pensar nos alunos como objecto primordial na defesa dos seus interesses? Claro. Tanto quanto o Ministro da Educação e da Ciência deixou ontem em tom de alerta, a possibilidade de avançar com uma requisição civil para garantir a realização dos exames de Português. Faz sentido! Até porque acho que assim estão reunidas todas as condições necessárias para os alunos realizarem as suas provas livres de pressões, verdade?
Isto de causídico até que é giro. No direito da família em sede divórcios litigiosos é que vemos amor pela acção, quando os filhos se transformam constantemente em armas de garantia e arremesso para o outro cônjuge Se nestes casos deviam ser os filhos a entidade por excelência a ser protegida? Pois, secalhar deviam. Então e os alunos no caso da greve? Pois, pensem lá nisso.
Para o jantar me cair mal, nada melhor que a abertura do telejornal da RTP. Como primeira notícia ouvi o relato de um cidadão da Nazaré que só come uma vez por dia, e toma banho de água fria, porque não tem disponibilidade financeira para pagar nem alimentos, nem gás. A segunda notícia tratou de apresentar uma pequena reportagem, onde mostra ao país a entrega de Kits para idosos em risco. Entende-se então por idosos em risco, os que já não têm dinheiro para se alimentar. (Já nem se fala de medicamentos).
Este não é de todo uma publicação politica, é de bom senso. Mudem a táctica, técnica ou estratégia. Por mim, façam o pino! Agora a decadência a que este nosso Portugal chegou, já ultrapassou todos os limites aceitáveis. A honra e dignidade das pessoas é algo violado constantemente. Não quero prender-me em ideologias políticas, partidos ou ódios de estimação, porque o que falo aqui é bem mais nobre que tudo isso. Há uma enorme carência de valores hierárquicos relativo ás importâncias no mundo. Não se pode politizar o que transcende a vida social, passando para a esfera da vida humana. Urge que entendam a diferença entre temas importantes, e temas fundamentais.
A liberdade politico-governamental executiva, também tem os seus limites.
Se Portugal quando aboliu a pena capital se aclamou democrático e desenvolvido, deixar cidadãos passar fome, é então crime nesta ordem de ideias.
Ponham homens no poder, porque quem admite isto, de humano nada tem. Chega!
Time heals all hounds, mas não sei se será realmente assim. Consigo ter opinião contrária.
O mais proveitoso no meio de tudo isto, não é tanto a passagem do tempo curar as feridas, mas antes a dor que sentimos, prevenir que as evitemos. Não o faz com um composto social nobre, porque julgo que o medo não deveria levar alguém a parar ou avançar; mas de facto, é esse mesmo medo o responsável por uma posição menos proactiva na busca das nossas vontades e desejos. É essa dor que de noite nos ameaça aos ouvidos do quanto perigoso se torna, caso não paremos a tempo. E se lhe damos ouvidos!
Em tempos de outrora, essa era uma das vozinha desprezíveis, inúteis que só nos faziam parar de viver. Aliás, nessa altura nem importava os arranhões com que lá chegávamos e os receios ou duvidas eram só uma ventania mais forte, que nem me importunava. Nos dias de hoje, tudo mudou. Vendeu-se o carro e comprou-se a mota. Agora as quedas doem na falta de 4 paredes, e aparece a voz da minha mãe em luzinha vermelha a dizer “Tem cuidado que agora os para-choques são as pernas”. É mesmo.
Se “Time heals all hounds”, “the pain teach you how to dodge/run away them”.
A taxa de desemprego em Portugal está a cada minuto mais elevada, e atinge hoje os 17.5% das estatísticas que lhes dá jeito apresentar. (Sim jeito é a palavra certa, porque os desempregados não inscritos no CE não estão contabilizados, assim como os que estão hoje em formação/estágio -chamados POC'S - também passam ao lado desta estatística que tende a ser minimalista). O INE precisa mais que nunca de uma entidade independente para fiscalizar as estatísticas apresentadas e a proveniência dos seus resultados. Por sua vez esta entidade independente, necessitará de uma outra entidade independente para fiscalizar e zelar pela genuinidade dos resultados. Entidade esta, que obriga a uma outra entidade independente, com objectivo de... E por aí fora. Vamos ser sérios, pode ser? A mim ensinaram-me que mesmo no meio de todo o panorama negro, temos de nos esforçar por retirar uma experiência produtiva, e algo positivo de tamanha adversidade. É bom sentir que este governo trata de despedir trabalhadores como se não houvesse amanhã (e pela forma como andam a passar fome, não haverá para alguns deles em breve) mas pelo resultado, certamente que tem uma máquina moderna e só joga fora aqueles que eram incompetentes no seu trabalho. Ficam assim ao serviço os demais que passam no casting da máquina governamental e são profissionais exímios. Prova disso é o que vos apresento. Deliberou-se sentença condenatória de indemnização ao AA, e para cumprimento da mesma foi interposta acção executória com penhora de bens. Foi marcada data fixa da diligência e recebeu o tribunal o relatório do oficial de justiça (já sei porque os solicitadores de execução são pagos) onde consta por palavras rebuscadas o seguinte significado: «A penhora saiu frustrada em razão da executada não concordar com a mesma, e ainda ter alegado a esperança de entrar em acordo com a executante». Faz sentido? Não pois não. Vá lá ler novamente que eu espero aqui... Portanto, uma sentença proveniente de um tribunal competente que tem obrigatoriamente forma de titulo executivo; um oficial de justiça que o trabalho dele é penhorar; uma penhora que a função da mesma é garantir o pagamento da indemnização á executante... É isto? E ele no relatório abandona a penhora porque a executada não concorda. Alguém lhe explique o que é uma execução por favor! Bem, eu sinceramente só espero que o oficial de justiça não tenha incomodado muito a senhora com a visita. É que isto de aparecer sem ser convidado tem disto. Resumo, voltou o tribunal a ordenar a diligência, para o mesmo oficial de justiça. Desta vez se não levar bolinhos e rebuçados, ela ainda se zanga mais. Atenção! "Hoje não obrigado, não me dá jeito até porque o mais pequeno ainda não veio da escola e eu fico ralada quando assim é. Passe para a próxima" É que quase nem se nota o desemprego no país, com profissionais e exigência como estes não é? Que satisfação a minha, é assim que andamos.
Foi no dia 25 de Maio (sábado último) que tomei posse como delegado conselheiro da Federação Académica para a Informação e Representação Externa para o Ensino Superior particular e privado Português (FAIRe), que tem como principais objectivos representar os estudantes do ensino superior português a nível internacional (nomeadamente Europeu, através de SEU: European Students’ Union, sendo a única estrutura portuguesa a ela pertencente. Ainda a nível mediterrânico, através da MedNet: MEditerranean Network of Studentsm do qual é membro fundador), promover a internacionalização do associativismo estudantil e de apoiar os seus membros associados a nível formativo informático e técnico, contribuindo para que estes se tornem cada vez mais eficazes na sua acção. Actualmente a FAIRe representa 30 associações de estudantes provenientes de todos os subsistemas de ensino (Universitário público, politécnico público e politécnico público e particular e cooperativo) que, por sua vez representam 144.377 estudantes portugueses.
O ar só por si não é suficiente enquanto não me mate esta sede de ti. É rafeiro. Por falar em ar, no outro dia até comprei um barco á vela mais que bonito, mas não me deixaram comprar uma brisa de esperança. É verdade, as brisas não se compram, e adquirimos assim bens incompletos.
Dizem que se conquistam, mas nada disso é justo quando as ancoras se oferecem.
Já que gravitamos por linguagem náutica, e ao fim de todo este tempo sem vento, quando a tal brisa messiânica aparecer, muda-se o paradigma mas o resultado mantêm-se.
Aí direi, «De que vale o vento, para o marinheiro sem destino?»
É fantástico o quanto apetitosa é a figura do Ivo mais a sua conta do Facebook. Começou por aparecer contas fictícias, fotografias ofensivas para caracterizar-me, e acabou (pensava eu) em 17 mensagens por dia a dizer que tinham tentado aceder á minha conta do Facebook, em vários pontos do país. Não acabou afinal. Hoje durante a tarde acederam á minha conta, colocaram textos, e falaram com 22 pessoas (Julgo eu), pelo chat do Facebook, fazendo-se passar por mim, e ofendendo as mesmas. O local de acesso á minha conta, segundo o email que recebi por parte da administração do Facebook, foi no Marquês de Pombal (Curiosamente). É oficial que não se deve deixar sessão alguma iniciada em computador algum, mesmo que seja num local que achamos ser só nosso, ou reservado a pessoas específicas. Parece que nem sempre é assim, e existem sempre seres pequenos nesta sociedade triste, que têm uma vida tal como são, insignificantes. Às pessoas que foram abordadas, penso já ter entrado em contacto com todas elas e pedido desculpas pelo incómodo, mas por aqui, reitero essas mesmas palavras de lamento pelo sucedido. Desculpem, e obrigado às quem me avisaram.
Tenho como hábito aproveitar (mesmo nos dramas) o que de melhor existe, ou o mínimo que se possa retirar, se assim preferirem. O que é certo, é que ao mesmo tempo que um atrasado mental navegava pelo meu Facebook, me alterava fotos, falava com contactos, colocava frases no meu perfil, retirei o desagrado (talvez normal) de um dos 5 textos que o anormal escreveu “Apesar de nunca terem jogado Monopólio, muitos judeus tiveram a Companhia do gás”. Os comentários diversos que lá apareceram, deram ainda de certa forma o pontapé de saída para um debate que me interessa muitíssimo, mesmo afinal, para além de não parecer meu, não ser realmente meu. Nem o texto, nem as fotos, nem as conversas no chat. Mas o debate interessante, passa directamente pelo tema dos limites do humor, o que achei fantástico. É óbvio que muitas pessoas sentem que não se deve fazer piadas a propósito de tudo, o que é precioso. Este grupo de pessoas, ainda que inconscientemente, acaba sempre por delimitar um conjunto de temas acerca dos quais não se tolera que se faça humor. Não sou humorista nem tenho especial piada alguma, mas arrisco-me a identificar Deus; Morte; Poder; Pátria; Religião; Clube de futebol; Sexo; Família; Partido político; Salazar, e a lista continua. Ao vasto conjunto de pessoas de considera que o humor tem os seus limites desenhados de forma intransponível, deixem-me recordar-vos as últimas palavras de Oscar Wilde, proferidas enquanto jazia no seu leito de morte. Limitou-se a olhar para o papel de parede com um padrão e cor de gosto duvidoso, e disse: “One of us has to go”. Uma graçola sobre papéis de parede? Antes do último suspiro? De facto. Isso chama-se sentido de humor. Tal como explica POSSENTI, o Sírio, o humor nem sempre é progressista. O que caracteriza o humor é muito provavelmente o facto de que ele permite dizer alguma coisa mais ou menos proibida, mas não necessariamente crítica, no sentido corrente. Isto é, revolucionária, contrária aos costumes arraigados e prejudiciais. O humor pode ser extremamente reaccionário, quando é absorvido por alguém de visão veiculadora de preconceitos, caso em que acaba sendo contrário a costumes que são de alguma forma, bons ou pelo menos razoáveis e civilizados, como os tendentes ao igualitarismo, sem dúvida melhores que os seus contrários.
A inquietação gerada por esta nova senda de humor, (Humor Negro - O humor negro é um sub-género do humor que utiliza situações consideradas por muitos como de mau gosto ou politicamente incorrectas, preconceitouso para fazer rir ou divertir o público menos susceptível, geralmente abordando etnias excessivamente vitimizadas pelo status quo ou por algum evento histórico que façam os outros grupos vê-los como supostas "vítimas" implicitamente), vem demonstrar que Portugal ainda tem muito do pensamento teológico do séc. XIV, e significa que todos gostam muito de rir, desde que seja do vizinho do lado. Todos nós apreciamos uma boa piada, mas alto lá se o político ouvir uma piada de políticos. O músico não gosta de piadas de música, os actores, e chegamos então às pessoas que identificam os assuntos proibidos, e então também não gostam. Não posso discordar por completo desta postura de não gostar de piadas, mas definitivamente não as divido pelo tema, mas antes pela sua oportunidade, ou sentido de oportunidade. Desconfio que antes de ousarmos rir de piada alheia, ou contar uma graçola que seja, deveríamos ter um sentido auto-critico/auto-jocoso, para então posteriormente não acontecer contar-mos uma piada sobre alguém, que quando esse alguém toca num assunto que coabita nos intocáveis, não levarmos a mal.
A semana passada, o carro que conduzia explodiu e ardeu em telheiras. Tínhamos saído do McDonalds, compramos uns cheesburguers, e lá sucedeu o infeliz acidente. Saímos do carro e assistimos ás chamas a consumirem-no. Das inúmeras palavras e imagens que me passavam pela mente naquele momento específico, abri a boca para dizer o seguinte: “Agora os hambúrgueres vão arrefecer, deixa passar o fogo, dás um calorzinho ali no capot”. Por outro lado, quando o telefonista do reboque me questionou por telefone de que cor era o carro, respondi “Depende, portanto temos branquinho de meio para trás, e pretinho de meio para a frente”. Não pretendo desta forma identificar-me com a piada que este cobarde colocou no meu perfil, até porque sou sincero em dizer que não tenho especial apreço por elaborar humor negro, ou vernáculo. Consumo todos eles, adoro ler Bocage, mas é simplesmente uma questão de estilo, e sem dúvida que nenhum destes é o meu, se é que tenho algum para o humor. A realidade, é que este era um tema recorrente, que é abordado por milhares de humoristas, e eu sempre tive a vontade de expressar opinião sobre o mesmo, mas nunca o pretexto suficiente para o fazer.
Sem gostar especialmente de humor negro, talvez me inclua (ainda que com reservas) no grupo de pessoas que pensa ser admissível fazer humor a propósito de todos os temas, discordando do “respeitinho” porque "disto não se deve falar". Talvez não deva, mas se assim for, que o filtro seja o sentido de oportunidade, e não o tema em si. Tenho de facto alguma resistência á frase “Não se brinca com coisas sérias”. Saliento que as coisas ditas sérias são também elas susceptíveis do olhar do humor, visto que com coisas não sérias, não faz muito sentido brincar, porque –elas já são a brincar. Segundo, e a mais importante, porque entendo que uma das virtudes do humor, é precisamente retirar peso às coisas sérias. Torná-las mais leves, mais fáceis de entender e muitas vezes suportar. Quando assim é, tornam-se mais humanas.
Isto de discutir o amor é absolutamente fantástico. Como é isso possível?
O amor é demasiado importante para ser discutido. Ainda assim, há cada vez um maior número de pessoas que tendem a ter conversas sérias sobre o amor. Todos sabem falar do amor, e fazem-no de uma forma absolutamente improvável de estarem errados. Já sei que existem por aí uns seres geneticamente superiores a mim, e dizem assim: “Amo-a muito, mas sei ver as coisas Ivo”. Ultrapassa-me por completo!
O descontrolo é tanto, que me atrevo a dizer que ou bem que se ama, ou bem que se sabe ver as coisas. Eu não sei ver coisas nenhuma, até porque se é para ser adulto e ponderado, dedico-me á agropecuária. O amor não é para isso gente.
Não procuro nada, mas no dia em que tropeçar em alguém, espero que seja “uma alguém” descontrolada. Não é tanto o tropeção dos programas complexos a dois, os dias de música, beijos e sonhos. Nem mesmo o pôr-do-sol a cantar para eles, ou aquelas fotografias fantásticas nos quatro cantos do mundo. É somente todo e cada gesto que involuntariamente os dois eram um. A banalidade da mão dada enquanto ele a conduz á noite, ou a festa na cara doce e meiga para não a acordar a meio do sono.
Não quero esbarrar na politicamente correcta, ou a diplomática do amor. Preciso de alguém com medo, alguém com medo de me perder, na precisa medida do meu terror ao adeus.