Não sei o que mais brilhava. Se esses olhos azuis cor do pacifico nos filmes, ou a saliva a escorrer nos cantos da boca de sorriso descontrolado. ‘Artur concentra-te’, disseram-te quando olhaste para mim perdendo-te nos passos. Olhaste para os pés, para confirmar se ainda lá estavam, e então depois retomaste a marcha lenta e dolorosa. Observar-te na luta diária, fez-me desejar que pudesses responder a todas as pessoas que te chamavam ‘coitadinho’, todas aquelas que desistem, todas aquelas que julgam ter problemas, todas aquelas que choram a sua má sorte na vida, todas elas, elas que gritam desenfreadas no trânsito que ‘O dia não lhes está a correr bem’. Nada respondeste, não podias ou não querias, mas não o fizeste. Passaram 20 minutos, e voltavas tu resistente de 5 metros de chão, a demonstrar essa tua luta contra o piso que fugia. Desta vez notei que respondias a todas e a cada uma pessoa. Por quem passavas, olhavas nos olhos de sorriso descontrolado. A mensagem surgiu-me distorcida mas tornando-se clara aos poucos, cantando que ainda era tão cedo para querer parar. A cada um de nós, escreveste na planície que queres parar mas não assim, explicaste que a luz que todos víamos partia de ti, e que um dia de chuva pode bem ser mil estradas de vidro, bonitas e únicas como nunca outras. Deixaste como ponto final, “O mundo não compreende mais do que está á superfície”. Afinal, respondeste mesmo.
A esperteza
Há 52 minutos










