Só quem sai do país é que nota o quanto é absolutamente fantástica esta capacidade que o Português tem de menosprezar todo o facto ou artefacto de índole nacional, em detrimento de qualquer outro país. Até pode ser o Butão.
Em primeiro lugar, os portugueses falam dos escândalos nacionais como se Portugal fosse o único país do mundo com corruptos. A pátria adora falar assim: "isto cá é uma vergonha; se fosse lá fora eles iam ver como era!". Este "lá fora" é uma entidade mítica, uma entidade civilizada que aparece em oposição ao incivilizado "cá dentro". Na mente portuguesa, o mundo divide-se assim em duas esferas: nós, as bestas lusitanas, versus eles, os estrangeiros perfeitos. Por outras palavras, temos um excepcionalismo mui especial. O excepcionalismo americano, por exemplo, acha que o seu "cá dentro" (EUA) vai salvar o "lá fora". Para o excepcionalismo francês, o "lá fora" é um sítio obscuro à espera da luz francesa. Portugal é o absoluto contrário desta inclinação. Nós temos um excepcionalismo invertido: para o português, Portugal é a única distopia corrupta do mundo, e os restantes países são altivas Camelots.
Existe realmente muito por onde limar em Portugal, muitos pequenos grandes pormenores que ao se alterarem, fariam toda uma diferença; mas pouca gente ainda entendeu, que grande parte dessa mudança passa também por muitas mentalidades que por cá se fazem ouvir. Se não gostarmos de nós, se não potenciarmos o que é nosso, se não tivermos em nós cimentado que somos muito mais que isto, é certo que ninguém nos vai olhar com ternura e dizer ‘Ai que flôr tão bonita no meio deste ferro-velho’.
Em primeiro lugar, os portugueses falam dos escândalos nacionais como se Portugal fosse o único país do mundo com corruptos. A pátria adora falar assim: "isto cá é uma vergonha; se fosse lá fora eles iam ver como era!". Este "lá fora" é uma entidade mítica, uma entidade civilizada que aparece em oposição ao incivilizado "cá dentro". Na mente portuguesa, o mundo divide-se assim em duas esferas: nós, as bestas lusitanas, versus eles, os estrangeiros perfeitos. Por outras palavras, temos um excepcionalismo mui especial. O excepcionalismo americano, por exemplo, acha que o seu "cá dentro" (EUA) vai salvar o "lá fora". Para o excepcionalismo francês, o "lá fora" é um sítio obscuro à espera da luz francesa. Portugal é o absoluto contrário desta inclinação. Nós temos um excepcionalismo invertido: para o português, Portugal é a única distopia corrupta do mundo, e os restantes países são altivas Camelots.
Existe realmente muito por onde limar em Portugal, muitos pequenos grandes pormenores que ao se alterarem, fariam toda uma diferença; mas pouca gente ainda entendeu, que grande parte dessa mudança passa também por muitas mentalidades que por cá se fazem ouvir. Se não gostarmos de nós, se não potenciarmos o que é nosso, se não tivermos em nós cimentado que somos muito mais que isto, é certo que ninguém nos vai olhar com ternura e dizer ‘Ai que flôr tão bonita no meio deste ferro-velho’.
