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CrIvo de Almeida™

O ar só por si não é suficiente enquanto não me mate esta sede de ti. É rafeiro. Por falar em ar, no outro dia até comprei um barco á vela mais que bonito, mas não me deixaram comprar uma brisa de esperança. É verdade, as brisas não se compram, e adquirimos assim bens incompletos.
Dizem que se conquistam, mas nada disso é justo quando as ancoras se oferecem.
Já que gravitamos por linguagem náutica, e ao fim de todo este tempo sem vento, quando a tal brisa messiânica aparecer, muda-se o paradigma mas o resultado mantêm-se.
Aí direi, «De que vale o vento, para o marinheiro sem destino?»
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Hoje desenhei-te durante a noite. Lá estava eu semi-curvado á luz de uma lareira. Lareira das antigas, com chamas rugosas de tão gastas. De lápis a carvão, desenhava á luz de ondas que bailavam nas paredes, dançando a uma música só delas, lenta. Caprichei nos teus traços e feições, formas e contornos. Desenhei-te com minucia só para te poder apagar de seguida. De jeito atabalhoado para o desenho, tentava á pressa fazer-te nascer no maior dos mistérios sem produzir o mínimo som, não fosses tu acordar, e saltares da folha só para me abraçar. Não. Quando terminei, afastei-me da folha para te observar em conjunto, mas não parecias tu. Talvez nem fosses. Não te fiz renascer, nem me perguntaste como estou. Não me lançaste o teu olhar inquisitório, como quem observa a criança que fez asneira. A nada tive direito. Já em dança com as chamas, dobravas-te de dor, sangrando em cinza grafite, que te escorria que nem lágrimas pelo rosto de ninguém, desenhado. Podia jurar que a ouvia chorar em fogo, mas era malfadada ilusão, que de riso sádico se grisava com aquela dor. Afinal, esta noite eu não te fiz renascer.

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A tua ausência não tem fim, e se um dia me perguntarem por ti, mantem-se aquela resposta toda senhora de si, como quem ainda fala do que é seu. «Foi ali e já vem». «Demorou por causa do trânsito, mas não tarda aparece». Tem de haver razões para te odiar. Tem de haver forma de não te desculpar, para me desculpar, e areia suficiente para que nem cobarde, lá colocar a cabeça. Tem de existir maneira de me libertares deste fato três números abaixo do meu. Eu sou pequeno não o consigo despir, e ouvi dizer que “lá fora faz mais frio”. Como posso eu escolher desligar-te da máquina, quando é apenas a ciência que diz que não tens salvação possível. Quando são apenas os livros que dizem que transitou em julgado. Quando são apenas os sábios que me mostram que és feliz a dormir. Quando é apenas o mundo que diz basta!
Nada sabem! A ciência erra, os livros foram escritos por cientistas, os sábios também escrevem livros, e o mundo, esse não sabe quem eu sou. Eu sou aquele que se um dia me perguntarem por ti, vai responder, «Foi ali e já vem», «Demorou por causa do trânsito, mas não tarda aparece».


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.: Timeo hominem unius libri :. Ridendo castigat mores :. Ne quid nimis .:

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