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CrIvo de Almeida™

Na infeliz mas não inocente decisão de abordar a Justiça no próximo Prós e Contras, aguardo com solene reserva que a discussão verse sobre as questões realmente estruturais, alheando-se o mais possível da instrumentalização partidária.
Seriam inúmeros os temas em debate, como por exemplo:

1. O actual valor das custas judiciais desajustados à real economia do país,
2. A morosidade processual como factor preponderante da descredibilização da justiça junta das populações.
3. A alteração do mapa judiciário, distanciando os poucos tribunais que não encerraram das comunidades.
4. As condições físicas e logísticas dos tribunais eternamente temporários.
5. Falta de funcionários.
6. Os critérios do Apoio Judiciário, onde se promoveu a impossibilidade da “classe média”, de aceder aos tribunais.

Seriam estes os temas num programa útil, numa estação que respeita o interesse público.
Seriam.
Tudo o que daqui fugir ou focalizar-se, é nada menos que subserviência a uma campanha eleitoral.
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Prós&Contras próxima segunda-feira com o tema: “A independência da Justiça”.

Na vanguarda da Politização da justiça, e da Judicialização da Política, oferecem-nos por ora, como última hora, a «Partidarização do Serviço Público de Televisão!».
Absolutamente vergonhoso!


A RTP, como televisão pública tem (ou devia ter), por excelência, o dever da isenção.
É paga pelos contribuintes, e surge no período eleitoral com um debate de nítido interesse partidário.


Usar-se de uma estação pública como instrumento de campanha eleitoral é intelectualmente repelente.
Esta subordinação da estação, aos interesses partidários, ao actual poder político é uma desonestidade para com todos os portugueses, e desonra eticamente a jornalista que o apresenta, Fátima Campos Ferreira, irmã do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Campos Ferreira.


Há muito para falar quanto à justiça.
Foi tema, entre outros, que sucumbiram às querelas pessoais dos candidatos e não ouvi no debate mais aguardado de todos. Mas escolher uma formulação ignóbil, lançada pela propaganda de um partido, é absolutamente impudico.
- Uma vergonha esta Comissão Nacional de Eleições!
(Que como órgão independente, que funciona junto da Assembleia da República, deveria demarcar já a sua posição de forma clara e isenta).
- Uma vergonha esta RTP!
- Uma vergonha esta Democracia!
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Soltaram-se as feras às novas que dão certo o acordo entre José Sócrates e a RTP. De ultraje a traição social, todas as injúrias, calúnias e difamações são válidas para apelidar a medida da RTP. Já se perdoa os Reality Shows e as demais ferramentas vocacionadas ao público que existe no país; agora José Sócrates, foi o rebenta-a-bolha de já 20.000 cidadãos que trataram de assinar uma petição que se intitula de “Não queremos José Sócrates como comentador da RTP”, e fazem questão de alcançar as 40.000 assinaturas para que a mesma seja discutida em plenário da AR. As feras são tremendamente revoltadas, imaginam-se astutamente politizadas, e admitem que a acção a ter é esta. Pois bem, é de todo aquilo que chamo incompatibilidade lógica. Nesta assolapada senda de criar petições para que a AR as discuta, em conversa sobre o tema propus como signatário elaborar a “Petição contra os pêlos no peito”, e outra ainda que não ouso colocar o título, pois temo a passagem de brinquedos pré-escolares por estas paragens. Não obstante a ser um disparate esta dita “actividade política” em forma de petição, faria muito melhor a todos nós, que a “actividade politica” não fosse manifestamente resultante numa abstenção de 70% nas últimas eleições. Mas as feras escolhem demonstrar a sua politização em Petições, que porventura nos tempos que correm, como os nossos políticos pouco mais têm de fazer e pensar, vão colocar uma AR inteira a esmiuçar um comentador da RTP. Faz bastante sentido, até porque me parece que um país não pode crescer economicamente, sem discussões políticas desta magnitude. Muito bem.
Outro lado da eloquente petição pública, passa por tentar fazer entender que em regra as leis existem para regular uma sociedade. Neste sentido surgem as minhas reservas para com essa petição, sendo que seria mais institucional começarem por lançar o assunto junto daquilo que foi criado para o efeito. Se para beber água costumo ir ao frigorífico, porque hei-de eu lutar contra uma almofada por ela não me matar a sede? As boas noticias aqui, é que a almofada nunca me vai servir água, e por outro lado a ERC- (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), é a entidade competente e legitima para o efeito a que se querem propor, fazendo desta forma a actividade para a qual foi concebida. É astuto este espirito reivindicativo, politizando a vida de todos e mais alguns, mas só para que não se magoem nas investidas, vamos lá apontar para o sítio certo.

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