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CrIvo de Almeida™

Por infeliz acordo em data para nunca mais lembrar, tive mesmo de acompanhar a Patrícia a uma grande superfície comercial para «fazer umas comprinhas», dizia ela com cara angelical, sobre o que seria camuflagem para 1259 facadas nas costas, e um banho de álcool de seguida.
Ir fazer compras com a namorada, é o equivalente à cera fria que nos arranca os pelos das pernas ou de uma borracha que se esfrega de baixo para cima nas patilhas. Pensando melhor, a cera e a borracha em união de esforços. É isso.
Entramos na primeira loja e, conheci um espaço oculto onde a anarquia domina o mundo, e a Patrícia desaparece do meu ângulo de visão em 0,03 segundos.
Misturou-se com os nativos daquele lugar assustador. E aquela gente não é normal. Assemelham-se a uma excursão de anões que se locomovem a uma velocidade frenética, passam por mim com cabeçadas nos cotovelos, nas costas e pisadelas, enquanto sem parar ou olhar para trás, algumas gritam (já ao longe) “desculpe!”.

Observo então, alguns bancos em forma de cubo, onde mais de 10 homens, desesperados definham. Alguns ressonam. Após levar uma literal ‘marrada pelas costas’ de um gnomo, escapo-me e sento-me num dos bancos. Foram 0,5 segundos de descanso até a Patrícia me ligar.
“Por favor! Vem à secção das echarpes. Rápido. Preciso de ti!”.

Antes de perguntar onde era a dita secção, fui ao Google ver o que era uma ‘echarpes’, mas a Internet é farrusca naqueles locais.
Sem tempo a perder, saltei do banco que nem cavaleiro preocupado com uma chamada em aflição da sua donzela, corri entre corredores, saltei por crianças que rebolavam no chão, mães que falavam gesticulando, e eu, sentia-me o “Hugo”, daquele programa da RTP, onde os concorrentes sem vida jogavam de casa, através das teclas do telefone.
Vi a Patrícia ao fundo, e desviei-me dos mais estranhos obstáculos, tendo chegado a passar de nível quando deslizei por baixo de um grupo de adolescentes tentavam uma selfie. Quando perto, quis saber qual a urgência, quem lhe tinha feito mal, o que lhe doía. 

“Amor, qual me fica melhor?”.
(…)
Para piorar, os danados dos lenços eram iguais! Assumi não ter jeito algum para moda.

Nas 279 horas seguintes, decidi dizer que tudo lhe ficava bem para tentar acelerar o processo, mas após ter visto a Patrícia transformar-se em mais de 200 vestidos e peças de roupa, ela escondeu-os entre prateleiras dizendo-me, “Ficam aqui para ver se há mais bonitos noutras lojas!”. 

Como?! 
Já se tinha teleportado para a Maximo Dutti.


O chão tremeu, as mãos suaram-me.
Fui peregrino em círculos de todas as lojas daquele Centro Comercial inacabável. Senti-me familiarizado com os manequins nas montras, e vi como olhavam para mim e pensavam “Pobre Ivo…”. Tentei discutir futebol com o boneco sem cabeça da Lion of Porches.
Arrastei-me feito mono atrás da Patrícia uma tarde inteira, superei a minha forma física, e hoje posso dizer que futebol e ginásio é para meninos de coro!


Pensar positivo Ivo. E pensei, “custa muito hoje, mas fica resolvido por uns belos tempos em que passarei o fim-de-semana (inteiro) de rabo alapado no meu sofá a ver a liga inglesa, espanhola, brasileira, das Honduras”. Qualquer uma é melhor! “Até espreito a Liga Portuguesa. Viva o Porto! – Estou por tudo!”

No fim do dia, sentados no silêncio do meu carro, olho a sorrir para a Patrícia, que nem “namorado que correspondeu a todas as necessidades e caprichos mesmo sem entender metade deles, etc., etc., etc….”, e ela olha-me com cara enfadada, e diz-me:
“Levaram-me aquele cinto que eu tanto queria! Em dois minutos, já foi! Há mesmo pessoas fanáticas com isto das compras! Temos de ir às Amoreiras!”.
Eu, incrédulo, “Mas Patrícia…”
“Vai pela segunda circular, senão apanhas trânsito e demoramos imenso”.


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Na impossibilidade de explicar a razão do meu amor por ti, sobra-me a vida para te fazer entender o que jamais serei capaz de explicar. Não desistindo de o fazer, é certo que só saberás no fim, no último segundo, no folgo final, no cair do pano.
Não é o primeiro Natal que passo afastado de ti, mas cada dia mais custa esta distância. São insignificantes quilómetros de muitas saudades, de falta, de aperto. Cerceado desta minha determinação de te abraçar, decotado, incluso deste vazio, sem ti.

Nesta época de luz, amor e família, quero muito salientar-me no teu coração, evidenciar-me na tua vida, porque afinal se é de família que se trata, é da tua que quero fazer parte, criando todos os dias um pouco mais a nossa. Queria deixar que te (re)lembres de uma razão para te amar, e se assim é, o resto da minha vida não chegaria. Daqui a 50 anos estaria eu curvado à luz de vela, escrevinhando mais uma linha dos mil blocos com o sorriso de quem recorda a música mais bela, a imagem mais bonita, a dança mais viciante. E eras tu. Nascer-me-ias dos dedos por me transbordares da imaginação, ultrapassarias o vocabulário conexo, e daria por mim a inventar palavras para te desenhar na escrita irrepetível.

Amo quando te vejo a dormir, alheada do mundo, enroscada em 4 ou 5 cobertores que roubas só para ti, deixando-me meio destapado. Depois acordas a meio da noite, verificas esse teu jeito, tapas-me enquanto eu finjo que durmo, para tu, passado trinta segundos me abraçares por já estar a tiritar de frio. Depois vem esse abraço, abraço-lar, abraço-amor, abraço-abraço. Com esse aperto fico pronto para dançar no gelo, mergulhar nos polos, e rir-me da neve. Com esse abraço devolves-me a casa, a família e os meus peluches preferidos. Com essa pressão à minha volta, vivo o mundo, conheço as leis, e a fundamental é entrelaçar os meus dedos nos teus. És minha.

Amo quando acordo de manhã para ir trabalhar, sento-me de fato bonito e gravata aprumada na cama ao teu lado, passo os dedos pelo teu cabelo e digo que te amo enquanto dormes, fazendo-te deambular entre o sono e a vida, e sopita sem abrir os olhos, condescendes e correspondes o amor que te presto, somente abanando a cabeça afirmativamente. Como adoro a tua letargia matutina que quase faz começar audiências sem mim. Fascinado com mil serpentes ali fico, até o relógio me bradar que estou atrasado. Sorrio, afastando-me sem te apartar de mim. Não há melhor dia, que aquele que se inicia sabendo que termina em ti.

Amo quando acordas ao meu lado. Quando acordas com cabelos que parecem lisos mas terminam revoltados, ondulando de forma perfeita às curvas dos meus olhos. Foram feitos para os meus dedos os cruzarem, descobrindo mil caminhos de ternura, descobrindo-nos.

Amo esses teus olhos rasgados, vivos. Olhos que riem, e fazem sorrir o meu espirito. Olhos sempre prontos a deplorar pelas injustiças, por tantas tristezas, por inumeráveis alegrias. Olhos singulares, puros. Teus. Meus. Tens o olhar de me fazer estancar a ventilação, de me mimosear com a serenidade. Petrifico nos teus olhos, e por lá ficaria o resto da vida, atentando a cada ‘pormenor-pormaior’, principiando nas sobrancelhas vigorosas, findando no minudente sinal ocular abaixo da retina direita. Olhos de cristal, aspiro preleccionar o meu destino neles, viagens, gargalhadas, choros e até memórias.

Amo esse teu sorriso. Sorriso de maravilhas, desenhado a pincel de óleo capaz de fazer disparar o meu. Perdi a conta ao número de vezes que me perdi nele, me encontrei e sonhei acordado. Se usufruísse de desenhar o teu semblante, não teria arte suficiente para o retractar a forma perfeita como aos meus olhos ele se apresenta.

Verdade é que uma vida não chegaria para evidenciar o quanto assisto em ti, o quanto és, o quanto tens. Tenho em mim uma pessoa complicada, tu não és uma pessoa absolutamente fácil, porém, e aparte disso, és a pessoa mais fantástica que alguma vez conheci. Quero tornar-te consciente, hoje e sempre, que mesmo no centro das nossas arrelias, continuo a amar-te como fosse hoje o nosso primeiro dia, mesmo em torno dos teus ciúmes inexoráveis, continuas a destacar-te como a melhor, procedes como a minha princesa de histórias encantadas, que leio, releio-o vezes em conta sem planear cerrar o livro, ou encerrar capítulos. Especialmente ao inverso, acalento escrever inúmeras linhas deste nosso conto mágico, misturando a minha com a tua caligrafia, formando e gerando ‘flores que vamos regar’ por toda a vida, e na memória.

Contigo, basta-me existir para ser o homem mais feliz, o mais afortunado da pessoa maravilhosa que conheci, o maior felizardo deste meu destino, o significado de valer a fundo todas as minhas causas. És essa razão, obrigado.

Na impossibilidade de explicar a razão do meu amor por ti, sobra-me a vida para te fazer entender o que jamais serei capaz de explicar. Não desistindo de o fazer, é certo que só saberás no fim, no último segundo, no folgo final, no cair do pano.

Amo-te



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.: Timeo hominem unius libri :. Ridendo castigat mores :. Ne quid nimis .:

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