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CrIvo de Almeida™

Hoje apetece-me a escrita básica. Básica daquela que só falo do óbvio, do que todo o mundo sabe. A complexidade ficou no arroz de marisco de hoje, e soube tão bem.
Não é necessário ser-se um génio para notar que o que a sociedade oferece em abundância, é precisamente nessa abundância que existe a procura. É nestes pontos que me sinto, inadaptado. Sou um amputado emocional, Freak, Snob, força nos nomes. É tudo isso, certamente.
Devem tomar cuidado para não perder tempo comigo. Sou um saco de maus hábitos, de costumes. Por várias razões diga-se. O contacto comigo pode sair ínutil, na medida em que não sou um corpo que foi encontrado á noite, nem sequer uma boca que procura/precisa de ser beijada por uma outra qualquer. Não, afinem os filtros, apontem melhor, eu não sou esse rapaz. Esse estado de necessidade faz-me olhar o mundo como banal. Vê bem então, eu não preciso do teu dinheiro, nem mesmo do teu carro, nada disso me faz falta, como se de falta falasse. Na verdade, talvez eu, até fosse precisar dos teus braços, das tuas mãos para um cafuné, ou até do teu colo para me deitar. Talvez fosse precisar porventura, do teu concelho para quando eu tiver dúvidas sobre o que fazer comigo.
Não faço intenção de te pedir nada, ou cobrar aquilo que sei que não poderás dar. Seria estranho. Mas agora que falo, se nisto de estar próximo, existe ou cria em algum sentido a legitimidade e competência de poder pedir algo; bem, se assim for, eu peço. Arrisco-me, vá.
Peço que quando estiveres comigo, que sejas tu. Tu de corpo e alma. Ás vezes mais alma, outras mais corpo, mas o que não podes, é aparecer pela metade. Isso não seria justo para nenhum de nós.
Não tenho maturidade para falsas promessas, mas podes tentar, porque a ilusão terei de ser somente eu a criar, normalmente de olhos fechados. Faz sentido? E não, não estou á venda, nem quero saber onde tu moras, basta que tu saibas o caminho da minha casa. Muito menos quero saber o que fazes ou quanto tu ganhas, porque o essencial é saber se ganhas o dia, quando estás comigo.

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"Dor é apenas dor, não lhe podemos dar tanta importância senão ela fica"

Dra. Ana Paula Oliveira Sequeira
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Venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro, mas não vá no 1 de Maio pois está lá o país inteiro! ...
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Dói-me. Dói-me muito. E não sei onde. Dói-me quando olho para ti, quando te vejo já ao longe, de anel encarcerado entre os teus dedos tão monstruosamente pequeninos. Dói-me saber que só te volto a ver quando já for tarde, e quando a dor se cansar de tanto me cansar. Tenho as mãos suadas e o coração a transpirar de tanto dar voltas e revira-voltas.
Dava tudo para saber estancar o palmo e meio de rasgo que me fazes na carne, não para o fazer, mas só para saber como actuar em caso de extrema urgência, que de urgência já eu vivo.
Dói-me muito, mas não sei onde. Se agora mesmo entrasse nas portas cansadas de um qualquer hospital, ficaria dia e meio para explicar onde e o que me dói. E ainda assim, dia e meio depois, estaria exactamente no mesmo ponto da conversa. Estaria de frente para uma bata branca, curvado de dores, de soro a violar-me o braço e o sangue, e de coração semi-risonho, como uma criança que faz das suas e olha para o lado para que ninguém a veja. "Juro que me dói senhor doutor, juro-lhe." De que vale explicar uma dor a quem nunca a sentiu?
A dor que me causas passa os limites de cinco países juntos.
Apetece-me beber-te a conta-gotas.
Dói-me. Dói-me muito. E quando me disseres onde, vai doer-me muito mais.
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"Pior, ela não é feia... Ela é geneticamente foleira. A frase desperta-me da inércia de mais uma viagem a caminho de casa. Ao meu lado, duas produtoras de televisão ou algo parecido falam de outra pessoa. A conversa chega-me aos ouvidos entre-cortada, entre a poesia de Carlos Drumond de Andrade e os ruídos de fundo. Passa-me quase ao lado até que a expressão 'geneticamente foleira' me faz erguer o sobrolho de curiosidade. Confesso que me deixou deliciado. Não ouvia uma tão ridiculamente engraçada desde 'trolha enough'. Na altura, pouco mais que adolescente e trocava um piropo com um amigo meu, entre risadinhas tão parvas quanto cúmplices. Era adjectivo obrigatório sempre que um de nós, movidos pelo natural explosão de hormonas, conheciamos uma rapariga gira ou fisicamente apelativa, mas aquém das nossas exigências intelectuais. A 'trolha enough' tinha para nós um significado muito idêntico ao de hoje. Voltando ao epíteto 'genéticamente foleira', tanto quanto percebi, establece que os traços fisionómicos por exemplo, podem constituir um motivo de avaliação social. Segundo a interlocutora, há características que determinam se a pessoa é ou não 'genéticamente foleira', e dificilmente são contornadas pelo estatuto ou quaisquer outros adereços adquiridos. Não me vou apoderar da expressão, mas confesso com algun embaraço que me recordo dela para 'etiquetar' algumas figuras que conheço. É discutível, facciosa e até segregadora, mas simplifica muitas considerações. Uma vez ou outra, dou por mim a pensar nesta ou naquela pessoa bem sucedida, elegante e intelegente a quem falta um "je ne sais quoi". No caso de ausência de "je ne sais quoi", é o promenor que a faz ser 'genéticamente foleira'. Uma patetice, claro..."
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E há outras que são.
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Ela inclinou ligeiramente a cabeça para trás, e fitou-o nos olhos e o sorriso maroto evaporou-se-lhe da boca e o rosto perfeito tornou-se meigo e doce, tão langoroso e suave como a resposta que soprou num murmúrio ardente. "Olá".
Pela primeira vez tão perto um do outro, pôde ele cheirar-lhe o perfume de rosas e ela sentiu-lhe o cheiro a rapaz que já era homem. Os olhos de mel, fundiram-se com os castanhos dele, as respirações enlaçadas num único fôlego, os corações inflamados de ardor, ambos perscrutando o rosto do outro com a intensidade de quem sabe que encontrou o amor.
Incapaz de resistir, ele inclina-se devagar sobre ela. Foi apenas um movimento ligeiro, mas o suficiente para lhe tocar os lábios aveludados, primeiro ao de leve, como quem prova um doce, depois com sofreguidão, a gula tornada fome; eram pétalas açucaradas, gomos deliciosos que se abriam como uma flor diante do Sol. O dia fez ambos perderem-se para lá do horizonte, num paraíso de sensações e sentimentos, afogados um no outro, derretendo-se num amor incandescente. Era como se nada mais existisse no mundo; apenas havia o outro e aquele instante em que os lábios se colaram e os dois se fundiram num só.
O primeiro beijo.
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Estes sim, sempre foram para mim os povos irmãos.

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"Hoje em dia só tenho algum respeito pelas opiniões das pessoas muito mais novas do que eu. Parecem-me estar à minha frente. A vida revelou-lhes a sua última maravilha. Quanto aos velhos, contradigo-os sempre. É uma questão de princípio. Se lhe pedirmos opinião sobre uma coisa que aconteceu ontem, eles dão-nos solenemente as opiniões correntes em 1820, quando as pessoas usavam golas altas, acreditavam em tudo e não sabiam absolutamente nada." Oscar Wilde
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Talvez este nem seja muito comprido. Isto porque resta saber se realmente eu tenho muito para dizer. Talvez eu seja uma espécie de amputado espiritual. Não tenho propriamente um testemunho para dar, eu poderia falar de uma revelação que tive, no entanto uma «não-revelação», não existe. É o mesmo que eu falar do movimento de um braço que não tenho. A inexistência do braço, quase implica que eu nada tenha a dizer sobre ele. Não teria muita lógica, e seriam terrenos profundos para alguém como eu amputado. Eu tenho acompanhado com algum interesse, uma espécie de ressurgimento de movimento ateísta em Londres, e falo mesmo de algumas contribuições financeiras, por parte de um senhor chamado Richard Dawkins, que é um autor de best-sellers científicos, e todos juntos, elaboraram algo curioso, que diria profundamente secular; Um anúncio publicitário. Compraram espaços publicitários em autocarros da cidade inglesa, onde colaram a mensagem «Very likely there is on God, so stop worry and enjoy your life». Ora, de acordo com a larga maioria da publicidade, esta é claramente enganosa. Se Deus não existe, não nos preocuparmos e desfrutar da vida, torna-se uma opção difícil. Pessoalmente não tenho um código de valores que eu possa aderir, mais ou menos criticamente, está claro. Viver a vida sem preocupações é mais ou menos complicado, porque eu acredito que existe claramente a hipótese de que quando morrer; e julgo que isso vai acontecer um dia, ir precisamente para o mesmo sitio onde estava antes de ter nascido. Na verdade, isso é um assunto que me transtorna, como calculam.
Eu fui educado segundo uma católica praticante, indo á missa e mesmo as aulas de religião, e sou baptizado. Por onde passei, nunca notei grande força na tentativa de me converter, excepto claro, a tia da aldeia que só já falava em latim. Tenho dois pontos de vista distintos sobre a questão de não me tentarem converter. Ou porque eram pessoas sensíveis e tolerantes, respeitadoras da diferença; ou então, porque ao fim de tantos anos de convívio tiveram a ideia clara que eu não tinha salvação possível. Há uma possibilidade muito forte de ser a segunda.
Eu não tenho de ganhar o céu, e nessa perspectiva há comportamentos meus, que serei eu a ditá-los. Apesar de eu não ter um quadro de valores que me foi imposto, eu não acredito em Deus. Eu já escrevi sobre isto anteriormente, por exemplo, eu não acredito em Cristo mas acredito nos Cristãos. Isso já não é mau, certo? Eu acredito nas pessoas, e a minha relação com as pessoas é certamente próxima daquela que 'vocês' protocolaram como praticar o bem. Este 'vocês', parece que estou a falar com estrangeiros; mas bem vistas as situações até se pode entender que tempos pátrias diferentes.
Em resumo, e o que tentava passar maioritariamente, é que eu não sou um selvagem. Eu também tenho valores, podem não ser exactamente os que estão na Bíblia, mas eles estão cá. Por exemplo, um Ateu como eu, ter tão presente o valor do «Perdão». Como Ateu, onde irei eu buscar solução para o problema da «Morte»? Julgo que é essa a questão vital. Há um poema do Philiph Larkin que diz «A religião é uma estratégia para fingir que a morte não existe'. É mesmo isso que está em causa para mim, a questão da morte. Como disse há pouco, acredito que após a minha morte, eu volte precisamente para o local onde estava, antes de estar vivo. É curiosa esta diga-se «definição», porque ao longo da história, o Platão, na Apologia de Socrátes, quase que dá vontade de morrer com ele. Ele está a beber a Cicuta, e está a dizer aos companheiro, demonstrando algum regozijo, e a questionar, 'Há quanto tempo é que não dormem uma boa noite de sono?' O que Socrátes diz no fundo, é que a idade á avançada, e está mais que preparado para um grande sono. É ainda curioso constatar que uns séculos mais tarde, o Hamlet, no seu solilóquio mais conhecido de todos, «A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca», que começa com «to be or not to be, that is the question, Whether 'tis nobler in the mind to suffer», é para quem sabe uma altura em que ele está a ponderar matar o tio, por causa da suposta maldade que ele lhe fez, e a peça é praticamente toda de Hamlet a ponderar o homicídio do tio, até que uma altura que ele quer matá-lo mas o tio está a rezar. Segundo Hamlet, matar alguém que está a rezar, é garantir-lhe o céu, e isso nunca poderia ser um castigo. Referente ao «ser ou não ser», Hamlet diz, que 'não ser', começa a ser uma questão apelativa, derivado então do famoso «Sono sem sonhos».
Ainda uns séculos mais tarde, há um livro também bastante conhecido, de Philip Roth nome «Everyman». Nesse livro, há também um homem que está a ponderar na questão da morte, e tal como Hamlet no cemitério, este homem também fala com o coveiro, e manifesta mais uma vez a definição do sono sem sonhos, mas ao contrário de Socrátes que se mostrava ansioso para a morte, este, séculos mais tarde, achou tudo bastante desinteressante. Isto significa que estamos nós ateus, novamente no mesmo ponto, que a morte é manifestamente um sono sem sonhos, e continuamos com um assolapado mau-perder em relação a isso.
Ainda assim há onde ir buscar algum conforto. Há um livro, chamado a Bíblia, e um livro especifico de nome «Eclesiastes». Isto agora vai ser muito polémico, e deveras absurdo, mas estou notoriamente convencido que quem escreveu o eclesiastes é um não-crente. A voz que fala no livro do eclesiastes é um senhor de nome Kruella, que é o pregador. E este pregador vai dizendo basicamente tudo aquilo em que eu acredito, tudo aquilo a que partilho a opinião. Num ponto, do livro, o Pregador diz-nos que tudo é vão. Não há justiça no sentido em que os bons e os maus, os ricos e os pobres. Diz-nos ainda que a toda a humanidade, acontece o tempo e o acaso. Ou seja, era uma óptima pessoa, morreu. Era uma péssima pessoa, morreu também. É basicamente isso que ele diz, embora que de uma outra forma. Está em original algo do género «Vapor of vapors, and futilitys of futilities, all is vanity and emptyness». Entende-se por tudo ser vão. Eu juntei uma enorme fortuna, morri. Ganhei muito conhecimento, morri. Fui bom para o meu semelhante, morri. Fui mau, morri também. A questão passa agora por, se Deus existir, não pode ser vão. Se Deus existir, isto não pode ser o vapor dos vapores, e isto tem um sentido, há uma repercussão para isso e um significado para a nossa existência aqui. No final, é também muito curioso, o Pregador diz, «por isso nada mais resta ao homem, que comer, beber e divertir-se».
Julgo conhecer relativamente bem, tanto o antigo testamento, como o novo, e a realidade é que existem situações que fogem á minha interpretação lógica. Sem querer identificar um 'Deus cruel', o episódio de Abraão, em consegue convencer Deus que em Sodoma há inocentes. Deus, acordou com a descoberta, dizendo que se houvesse dez inocentes, não queimaria Sodoma, que poupava Sodoma. É certo que só em Sodoma existiam centenas de crianças, logo inimputavéis de pecados contra-natura. Nada serviu, pois todas elas acabaram assim como inteira Sodoma num auto de fé em chamas devoradoras. Deixo ainda suspenso o episódio do castigo de Deus a Jóh, ás mãos de Satã.
Novas teorias, e praticamente ondas doutrinais colocam-se um pouco afastadas da bíblia, quando confrontadas com a ideia de que poucos são os crentes que a conhecem. No entanto, não quero deixar de relembrar, que o antigo e o novo testamento, são considerados os livros «Sacros», e nunca podem ser apenas vistos como um manual de interpretação simbólica, quando tanto da leitura que lá está é literalista. Existe sim, como uma força suprema e inteligente, não como descrito num livro que me atreveria a chamá-lo de 'quase-bélico', por razões obvias.
Eu não consigo acreditar no Deus da bíblia, mas não nego a existência de um ser superior, inteligente que á altura do nascimento do universo se emergiu. Embora não tenha sido logo identificado.

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Se um dia não houver luar,
vou à tua porta pedir a razão
Perguntar num beijo, pela luz que já não vejo,
pelos olhos a falar do coração

E se me disseres que o olhar
nunca foi o espelho da tua paixão,
Agradeço à lua, por trazer verdade tua,
fecho olhos, vou p’ra lá do teu clarão.

Seguirei no chão, pegadas já marcadas pela dor.
Sofrimento de alguém que provou do teu amor.
Ardo no caminho em saudades de te amar.
Faço dela um novo luar.

Assim, volto de novo aqui
Aos braços de um olhar
que enfrenta um enredo num desprezo par.
Ai, como me doí esse abraçar.

E mesmo assim, eu estou de novo aqui,
pronto a recomeçar.
Pronto p’ra partir e depois voltar,
Se um dia não houver luar.

Entenda-se por se encontrar na etiqueta 'Partilhas', todo e qualquer conteúdo ao qual estou a partilhar, proveniente de uma outra qualquer fonte. Contudo, é certo que a identificação dessa mesma origem seria o mais correcto para os autores receosos de um plágio.
Ora, este poema, estou certo que não é de quem mo fez chegar, contudo foi uma bela forma de me presentear com literatura muito agradável. Assim sendo, Valter, muito obrigado. Ao autor do poema, belo momento de inspiração, mas não sei quem seja.
Obrigado.
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Em viagem pela avenida da Liberdade, e somos pequeninos de novo. Mesmo os meus 190cm cabem dentro de um frasquinho, daqueles com tampa de metal. Milhares de sem-abrigo, cogitam em sonhos profundos, ou outros nem tanto, espalhados em assentos raivosos de tal uso por Lisboa. Com toda a gente a aterrar nas cidades, com cada um a ter a sua vida, feita de núcleos familiares ínfimos a quilómetros uns dos outros, com o egoísmo da vida própria e as amizades virtuais que raras vezes se traduzem em abraços verdadeiros, caímos facilmente na esparrilha da solidão, quando o amor passa a correr longe. A solidão é como naqueles filmes de terror: uma menina de totós que nos espera silenciosamente ao fundo do corredor, que nos dá sem sabermos porquê uma sensação esquisita, um arremedo de pânico mas que ao mesmo tempo nos atrai; uma estátua inocente que, quando se aproxima de nós, abre uma bocarra de dentes afiados que nos quer devorar inteira. Esta menina pode aparecer em qualquer idade, de repente, devagarinho, ao longe, agora mais perto, em cima de nós, agora. O problema é que não é um monstrinho zombie que se limita a refastelar-se com um dos nossos apêndices, como um braço sugado em modo de festim sanguinário numa cidade morta. Não, é um monstro que nos suga o cérebro por uma palhinha. Que nos suga a auto-estima, a alegria, a vontade, devagarinho, implacável e determinada. Que nos faz esquecer que um dia houve cumplicidade, um riso simultâneo por algo ridículo que mais ninguém viu, um fluído alheio do qual apenas nós não tivemos nojo. À solidão assiste uma precisão cirúrgica: como uma lobotomia, apaga-nos a memória e cola-se aos corpos sozinhos como cem por cento de humidade, como poeira nuclear ou o sal amargo depois de um dia de mar a mais. Talvez olhando-a de frente se aprenda qualquer coisa, não sei.
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'Um anjo quase demónio'... Uma expressão ouvida sem mesmo saber do que se tratava, num programa de rádio ou num anúncio de televisão.
Não importa.
Pensei em ti, mesmo mesmo instante! Não pelo mau sentido da expressão, mas pela mistura de sentimentos, de emoções...
Tu és isso mesmo, um anjo quase demónio.
Um anjo que me protege, que me guia, que me ilumina, um anjo que me acompanha e me segue para todo o lado, que está presente em cada movimento, cada passo dado.
Por outro lado, sinto que me rasgas a pele, que me corrompes a alma e roubas meu coração.
Levas o meu coração para um mundo que poderá parecer irreal aos olhos de muitos, mas verdadeiro e perfeito para nós.
És um anjo pelo que és, por todo o teu ser, por toda a tua pureza, sinceridade, bondade.
És um anjo com um coração do tamanho do mundo!
Depois, tornas-te como um ´anjo mau'... Quando te aproximas, me agarras, me puxas para ti... Controlas o meu corpo e cada movimento.
Propositado ou não, só tu sabes e consegues fazê-lo, só tu tens o dom, o poder de me fazer ser e querer ser ainda mais tua!
Possuis todo o meu ser com o teu amor...

Meu coração pertence-te...
Minha alma é tua...

Cátia Antunes
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A pensar em como me entristece que algumas pessoas inscrevam as suas relações no caderno do «deve», «haver» e «o que há-de vir», e não no da amizade e afinidade. Esquecem-se que há outras que fazem o mesmo, pelo que acabando-se o interesse, abre-se a porta para a sua saída. Ou seja, são «amigos» a termo!
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Qual bonito? Bonito era eu adolescente curvado sobre o candeeiro a intentar um romance com a caneta obrigada a sulcos curva contra-curva naqueles papéis que a minha mãe trazia do serviço.
Bonito era eu ficar com o anelar amolgado (sim, pego a caneta como nenhum outro trôpego) por aquelas BIC de que me vingava quando roía as tampas até sangrar a gengiva.
Quando não calhava os lábios borrados de tinta por fazer pastilha da carga.
E trincar o plástico já agora, até se partir.
Bonito era eu querer dedicar poemas e não ter quem me pudesse desprezar com a verosimilhança de ensejo falhado, tão falhado era o ensejo de tentar.
Bonito é também o cansaço, o tornear os poemas para não ter como ser dedicado, não ter como se iniciar artes de quem tudo sofre e suporta, falaciosas sem querer e mesmo querendo, já se sabe, tão acabado é o apelo da modorra, como resolução antecipada, como atalho narrativo, como restolho do que quis, como restolho do que não sabe merecer, como restolho de gente em modo de querer muito.
Vejam lá para o que eu estava guardado.
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Estar casado uma eternidade e ser-se feliz a maior parte do tempo só resulta quando, por um raro acaso astral, duas almas gémeas se encontram, e essa é uma probabilidade que implica uma fila interminável de zeros à direita. A maior parte das vezes ao princípio ama-se, depois aguenta-se e vai-se indo, pelos filhos, pela economia comum, pela companhia, pelo status quo, pelo carinho, até pelo ódio (sim, o ódio pode unir duas pessoas). Mas o mundo dos divorciados, com aquela sua allure de sacanagem e de liberdade, com as suas infinitas possibilidades de escolha múltipla e de descarte fácil, pode ser igualmente merdoso, se não pior. Aos quarentas, conhecer outra pessoa com um propósito definido é algo constrangedor, mesmo que se pretenda uma mera amizade (o que quase nunca acontece). Porque nada é natural na aparente novidade que é o outro. Os separados (que acham sempre que não têm tempo a perder) precisam de saber de imediato aquilo com que contam para poderem agir de acordo com as suas necessidades. Para tanto, montam um personagem com que visam, de acordo com o fim que é a satisfação dessas mesmas necessidades, agradar ao outro. A carente quer tentar perceber se há hipótese de a companhia para jantar lhe pôr um dia um anel no dedo; o desapegado quer saber se pode sair da cama no dia seguinte sem deixar número de telefone nem marca no colchão; o solitário contra vontade procura uma família alternativa que substitua a que perdeu; a recém divorciada que se sente subitamente livre quer estudar todas as oportunidades que se lhe apresentam, sem necessariamente ter que as experimentar. Vão-se conhecendo, aqui e ali e vão-se medindo, de alto a baixo, tentando ultrapassar barreiras como se numa corrida de obstáculos. Transformam-se temporariamente naquilo que acham que o outro gostaria que eles fossem. Iludem e fingem, riem e olham-se de lado. E eu, que sempre tive a teoria de que no fundo vamos sempre procurando a mesma pessoa, uma e outra vez, ou seja: ou uma igualzinha à que foi a mais importante para nós ou o exacto oposto dela, não gosto desta duplicidade de sinais própria dos descasados, nem do esforço ensaiado da primeira impressão e, muito menos, do desespero da sedução empacotada para consumo imediato. Toda a bagagem afectiva que transportamos connosco (as memórias que nos mordiscam, os lados negros que enxotamos), empurramo-la com os pés para debaixo da mesa do restaurante cool e muito in onde, com ferocidade, nos tentamos impressionar mutuamente e brindamos ao futuro. Os chãos das mesas dos restaurantes cool e muito in onde homens e mulheres inventam alegres familiaridades, estão cheios de bagagem mútua que se amontoa como num daqueles carrinhos que serpenteiam pelos aeroportos, prontos a encherem o porão dos aviões. Depois acaba tudo de talão na mão nos perdidos e achados. Invariavelmente, mais perdidos do que achados.
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Todas as pessoas de peso na sociedade têm de elaborar uma mensagem de Natal e publicá-la.
Ora, sem desprimor dos demais, eu optei por elaborar já a minha, de forma a despachar desde já, mais uma árdua tarefa, desta digna condição de ser o IVO ALMEIDA
Sem mais assunto, a mensagem:

'Venho por este pequeno meio informar, que já me encontro apto e disponível para aceitar os presentes de aniversário, (04.12) assim como os de Natal, ambos referentes ao ano de 2010.
Em matéria prática mais informo que se mantenha a calma nesta altura de azáfama,, e que se evite principalmente correrias e mesmo algumas filas no acto das entregas.
Como ser condescêndente que procuro ser, abro mais uma vez o meu coração, e sem pudor informo que aceito dinheiro vivo, cheques, passagens aéreas, perfume (Valentino), roupas de marca, telemóveis topo de gama, entre muitas outras ofertas de valor. Não esquecer como factor importante, tudo da melhor qualidade.
Muito Obrigado e feliz NATAL.
Do tímido amigo;

Dr. Ivo Almeida'
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Estava eu a ver um dos meus programas favoritos, o "No Reservations" do Anthony Bourdain, quando me apercebi de que, a cada cinco minutos, aparecia um aviso para que os pais tivessem cautela com o visionamento do programa por parte das crianças, não me recordo agora da exacta expressão em inglês. Fiquei intrigado, uma vez que se trata de um inofensivo programa de viagens e de culinária, em que ele anda pelo mundo fora, com a mulher e a filha (pelo que percebi), de casa em casa, de quinta em quinta, e de festa local em festa local, a provar as especialidades de cada zona. Neste caso estava em Itália, a deliciar-se com umas comidas divinais, numa paisagem de sonho. Depois percebi porquê. Sendo um programa inicialmente dirigido à sociedade norte-americana (presumo), na qual as crianças pensam que os animais saem das fábricas directamente para os seus pratos, higiénica e inocuamente, o acto de esfolar um coelho ou de cortar um borrego em pedaços pode ser uma verdade maior do que aquela que eles conseguem suportar. O princípio pode ser chocante: uma das miúdas da quinta onde eles estavam, acariciava um coelho amoroso no colo enquanto todos comiam coelho guisado. E a conversa evoluiu naturalmente para o facto de só cozinharem animais que eles próprios haviam criado, e que aquele coelhinho também iria eventualmente parar à panela. A "promiscuidade" entre animais e as pessoas que os vão comer é ali inevitável. Isto, para uma criança norte-americana (excepto, imagino, as criadas no campo), impressiona: a ideia de se comer o animal de estimação, e a consciência de que afinal a comida não aparece como que por magia enlatada e empacotada nos supermercados, coberta de gravy para que nem se perceba o que é, mas que, quando comemos um animal, este já passou por um processo violento e ancestral (mais ou menos mecanizado) em que algo ou alguém teve de o matar, esfolar, eviscerar, etc. Às vezes, é nestas pequenas coisas como um aviso a cada cinco minutos, que nos apercebemos de que, apesar de tudo, e da tendência que existe para uma uniformização cultural a nível global que passa também pelo que se come, ainda existem algumas diferenças entre os EUA e velha Europa.
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Com espanto de quem descobre o sabor a Donut's pela primeira vez, apresso-me a testemunhar o nascimento de um novo e grande espaço oculto:

Ubis societas ibi jus

Tratem diso, gentinha leitora.

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