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CrIvo de Almeida™

Pela primeira vez em alguns anos encontramos um executivo a arraigar posição à gestão orçamental imposta por Bruxelas.
A subserviência de outrora foi hoje humilhada com o recuo de Bruxelas.
António Costa disse ontem que processaria Bruxelas caso deliberassem multas a Portugal, nem que fossem de € 0,50.
A Direita, tantas vezes na pessoa de Pedro Passos Coelho, desceu do alto da sua revolta, com uma mochila de frustração às costas e vociferava a cada objectiva de luzinha vermelha: «As sanções vêm aí e a culpa é do actual governo porque nos está a conduzir para o desastre e o anterior governo não tem nada a ver com isto!»
Hoje acordamos com esta boa notícia, e já fui ouvir o discurso do PSD: «As sanções não foram aplicadas porque os resultados do nosso governo foram fantásticos e agora o novo governo tem de ter cuidado para não estragar tudo!».
Gosto de política na proporcional constante do quando odeio politiquice. Isto é politiquice. Desonestidade intelectual, disciplina de pensamento carente de bom senso.
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É natural dizer-se que António Costa é um político que fica aquém do discurso entusiasta de tantos outros. É legítimo julgarem-no ineficaz por tal facto, porém, quem pensava que António Costa era igual a outros do passado, está equivocado.
Há um mérito absoluto que lhe deve ser entregue. António Costa é um homem de consensos. Fê-lo internamente, e destacou-se repetidamente nas negociações internacionais.
António Costa conseguiu de uma só retesada cumprir as suas promessas eleitorais, honrando compromissos europeus. Pela primeira vez, diga-se.
Quem do alto da sua sapiência sectária bramava-se a pulmões plenos que não existia alternativa. Ainda há curtas semanas se traçava a obrigatória devolução da sobretaxa. Desacertaram profundamente.
Podem concordar, discordar, contudo, não é intelectualmente honesto ignorar que este orçamento é diferente. Repõe rendimentos, luta contra as desigualdades sociais, é inovador, é anti - austeridade e pró- futuro.
É dissemelhante taxar a gasolina, os bancos, o IMI dos imóveis (dos bancos), o tabaco, do que os baixos rendimentos dos portugueses. É esta a enorme diferença para com o Governo anterior.
António Costa demonstrou finalmente que não existe mais um Governo submisso. Que não pensa em ir além da Troika. Existe até então, um Governo que se pode discutir a forma, mas jamais o empenho na construção de um futuro assente num novo paradigma para a sua comunidade.
Aprovado este orçamento, António Costa acabou com o aluno subserviente.
E pasmem-se os comentadores do infortúnio, o Governo não caiu? A coligação não se desfez? A comissão Europeia aceitou o orçamento?
Os Deuses estão absolutamente loucos!



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Preciso iniciar esta nota dizendo que a decisão do Presidente da República era espectável e, quanto a mim, sensata e legítima! Em democracia governa quem ganha as eleições. Contudo, a comunicação é no mínimo insólita.  O conteúdo assertivo de hoje dissipou-se, no ruído da forma como o fez. Ouvimos novamente, um dirigente partidário e não um Presidente da República.

- A fundamentação que o Presidente da República utilizou, revelou a sua já ratificada tendenciosidade, omitindo que ‘tradição’ pode ser lei Civil, porém, jamais Constitucional. Nem pode ser invocada para resolver uma situação nova.
- Deveria ter aberto a sua justificação, recordando-se do valor da palavra. Valor da palavra quando expressou apenas indigitar um Primeiro-Ministro com maioria parlamentar. Era perfeitamente contornável, mas não se ouviu.


- O Presidente da República pode definir quais são os partidos na governação, porém, jamais com o fundamento de serem antí-europeístas. Catalogou-os, e deixou passar uma imagem perigosa – que BE e PCP, em razão da sua ideologia política, não têm os mesmos direitos democráticos do que os outros partidos – (Democraticamente) anulou a existência de dois partidos.


- Neste sentido interrogo, quando é que Cavaco vai recomendar a ilegalização do PC e do BE? Postura perigosa Sr. Presidente.

- Recordo-me do CDS ser um partido antí-europeísta. Neste caso o Presidente da República já credenciou a fidelidade da sua conversão?


- Por fim e no que à Lei diz respeito, falhou!
O Exmo. Sr. Presidente da República jamais deveria abalroar o art. 187.º n.º 1 da C.R.P., interpretando-o como obrigacional na indigitação que acabara de promover. Não é. Está claro na letra da lei que “Ter em conta os resultados” não significa “em consequência dos resultados”. O que modifica substancialmente a interpretação inadequada que fez.


- Caro Presidente da República era “proibido” dar a entender um impedimento ou incumbência emergente do Art. 187.º n.º 1 da C.R.P., porque manifestamente não existe. E porque o P.R. deveria acima de tudo, dominar a Constituição. Esse tema pedia o seu silêncio. Optou por evidenciá-lo, quanto a mim, erroneamente.
(Para não falar que existiu em 1982 um proposta de alteração à redacção do artigo, que concluiu chumbada).


- Aparenta-se notória a decisão de apresentar na A.R. uma moção de rejeição por parte da CDU. Deveria imperar o sentido de estado, e mais que nunca, a sagacidade.
Astúcia ao ponto de se produzir anuências com a coligação, serenar as hostes com algum eleitorado, unificar o partido, e o PS ficará assim, em condições de ser o último garante da austeridade em Portugal.


Na política não se ganha pelo vigor do ataque, mas pelo momento certo de o lançar. Não é agora.


Que o bastião da mudança seja a necessidade social e, jamais a vingança.



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.: Timeo hominem unius libri :. Ridendo castigat mores :. Ne quid nimis .:

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