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Não precisamos de Feministas. Antes Humanistas.

O feminismo enquanto conceito social, traduz um agrupado de afluências políticas, sociais, ideologias e filosofias que detêm como objetivo comum: Direitos equânimes, e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais. Este é um trilho que tem sido palmilhado desde o século XIX, onde os seus valores indagaram incidir não exclusivamente numa perspectiva cultural e social, mas cumulativamente legal, como não poderia deixar de ocorrer. É exemplo do direito à propriedade, direito de contrato e o direito ao voto. Existiu igualmente um debruçar de esforços necessários nos direitos da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, o direito ao aborto e direitos reprodutivos (Incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade). Similarmente à proteção das mulheres contra a violência doméstica, ao assédio sexual e violações. Ainda pelos direitos laborais, abarcando a licença de maternidade e salários equiparados a ambos os géneros. Em suma, todas as outras formas de discriminação aquando se observando/comparando com o género masculino. De modo algum se pode atentar os objectivos a que o movimento se predispõe a fazer transmutar e, julga-los inadequados. Pelo seu oposto, trazem uma maior equidade, equilíbrio e dignidade a uma sociedade capaz e evoluída.
Conceito literal de “Feminista”
Porque das palavras vive o homem, e essa é a sua maior droga, numa perspectiva mais literalista, observa-se perigoso o conceito de “Movimento feminista”, na exacta medida em que se pode extrair o que se apresenta como uma vocação machista, preconizada por mulheres.
Pese embora assim não se entenda do “Movimento feminista”, a palavra “Feminista”, certo é que enceta em si uma conotação de revindicação de direitos exclusivos das mulheres, operando desse modo uma própria discriminação social de género. A real carência de colocar em carácter de paridade os direitos e deveres das mulheres, não obstante ao infeliz desnivelamento social existente ao longo de imensos anos, seria razoável que o movimento cognominado de “Feminista”, fosse por sua vez, mais “Humanista”.
As diferenças de géneros existem?
Vivemos cada vez mais a incomensurável arduidade de observar as diferenças entre homens e mulheres, quer por incapacidade percepcionada, ou porque o conceito de igualdade deturpado, não permite que se alvitre essas diversidades. Procura-se hoje uma igualdade a todo o montante, quando o mais concebível seria perseguir a Justiça. «Perguntar-se-á, se a igualdade não será pedra basilar da Justiça». Não obrigatoriamente. Essas distinções são a resolução de alguns enigmas sociais que ainda hoje pernoitam nas mais variadas informações que nos acercam. Fala-nos o Art. 13.º da Constituição da República Portuguesa, sobre o “Princípio da Igualdade”. Esta é uma igualdade absoluta no que diz respeito à lei, e aplicação do direito. Contudo, é de vital relevância acautelar que ser igual perante a lei, significa que a lei deve tratar por igual a todos os cidadãos, o que é manifestamente díspar de que, em si, todos os cidadãos sejam iguais. Aqui chegados, utiliza-se o bordão jurídico que nos transmite que “O Princípio da igualdade trata todos os casos idênticos de forma idêntica e, todos os dissemelhantes de forma dissemelhante”. Aqui habita a real diferença entre igualdade e justiça. Num exemplo de duas perspectivas relacionadas, compreende-se de forma mais prática a dissemelhança entre Igualdade e Justiça. O exemplo da visibilidade em razão da altura:


1. Dois rapazes querem observar o prado atrás de um muro com dois metros de altura. Um deles tem 1.90m e o outro 1.70m. São-lhes concedidas duas caixas de 20 cm de altura, colocam-se em cima destas, procurando ver o prado. Só um deles vê.


2. Dois rapazes querem observar o prado atrás de um muro com dois metros de altura. Um deles tem 1.90m e o outro 1.70m. Ao primeiro é-lhe concedido uma caixa de 20 cm e coloca-se em cima dela. Ao segundo é-lhe oferecida uma caixa de 40 cm, que se coloca em cima dela.


O primeiro exemplo, chama-se Igualdade. Igualdade na forma directa, e conteúdo. Igualdade objectiva na ferramenta oferecida, porém, não se verteu em «Oportunidade idêntica».
O segundo padrão revela uma participação específica para a pessoa em concreto e não meramente para a circunstância, o que deriva numa «Oportunidade semelhante». A isto chama-se Justiça.
Hoje é com facilidade que através da ciência base, ao encalço de qualquer cidadão, são claras as diferenças genéticas de género. Contudo, não tão fácil é assentir que essas diferenças possam merecer um tratamento diferenciado, porque se arroga que essa distinção, se traduz em desigualdade. Não tem, nem deve ser assim. Acima de igualdade objectiva, percorra-se o caminho da justiça, onde então haverá igualdade de género no trabalho, na política, na justiça e nas demais áreas sociais.
Conclusão
Infelizmente vivemos numa sociedade em que ambos os géneros têm os direitos manchados, simplesmente por terem nascido mulheres ou homens. Eu defendo os direitos e valores do ser humano na exacta medida das suas diferenças e, não os direitos de mulheres ou de homens em regime de comparação. Naturalmente que me revejo na íntegra dos valores exaltados pelo Movimento feminista - não poderia ser de outro modo, todavia não sou capaz de me intitular “Feminista” ou “Machista”.
Sou absolutamente, Humanista.

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