27/11/2016

RADICALISMO DO AMOR

Foram semanas dedáleas e as informações transpunham-se diariamente, sem que eu tivesse tempo algum para esconjurar os nervos.
Agora que as querelas jurídicas me permitiram inspirar um pouco mais fundo, dei com os olhos postos no escrito da Sr.ª Assunção Cristas onde registava a resposta ao «radicalismo do populismo, com o radicalismo do amor».
Não é sequer necessário ser católico, para compreender que «Radicalismo do amor» é uma expressão trivial na esfera católica, que porventura fará todo o sentido a nível espiritual e religioso, mas dissipa-se totalmente de nexo a nível político.
O «radicalismo do amor» pode até ser um delineamento místico altamente apreciável a nível particular, mas ele não é um plano político que a líder de um partido deva aduzir a toda a sociedade. E nada tem a ver com ilogismo ou falta de audácia em preconizar as convicções religiosas de cada um – relaciona-se com a distinção, excessivamente valiosa para ser desconsiderada, entre o plano político e o plano religioso. A separação entre a igreja e a política é retemperante, e o CDS ainda é um partido político. Associar, é puramente terrorismo ideológico.
Amor é uma palavra politicamente inútil.