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A febre do Sr. Ministro

Ouvindo a questão, ele observou-lhe os olhos com algum desdém.
Era naturalmente perceptível que com a chegada do Vinho do Porto ao estômago, pouco implicava quem ele era, de onde vinha, ou o que fazia.
Ele era o que ela quisesse, ele fazia o que ela deixasse. Eram pouco significativas as muitas línguas que poderia saber falar, afinal, já só procurava descobrir a dela nos escondidos ângulos do pescoço. Nada valiam as inúmeras formações com aprofundados doutoramentos, quando nenhuma ciência lhe dilucidava o fogo daquela febre. Febre do toque, avidez do fôlego.
Foi o indicador a pressionar-lhe os lábios que a sustaram de persistir nas questões desnecessárias. Por sua vez entendida, ela sorriu e beijou-lhe o indicador com delicadeza, mesma antes de o provar.
O Sr. Ministro tinha então descoberto, antipirético quimérico para descender aquele estado febril.

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