outubro 26, 2016

«DIFAMAÇÃO» - O CRIME SEM JUSTIÇA

Os Tribunais são órgãos soberanos que administram a justiça em nome do povo. Já a justiça, é tálamo entre uma sociedade desabrigada e o restauro dos seus direitos. Quando se busca a justiça, mais do que paridade, procura-se um contrabalanço de direitos injustamente transgredidos. É a voz de ordem que regala o equilíbrio. Contudo, a justiça não consegue responder a todos os crimes. Não é capaz de oferecer o equilíbrio esperado, e isso verifica-se na «Difamação».

Quer judicial ou socialmente, não há pena ou sanção eficiente no contrabalanço de direitos injustamente transgredidos. O bom-nome, a imagem, a honra, a dignidade, et cetera.
Quando o agente que executa a maledicência de uma opinião, juízo de valor errado, é confrontado com esse flagício - responsabilizando-se - podemos afirmar que do ponto de vista da vítima/difamado se fez justiça quando a nível pessoal? Estará ou não este, ainda privado da sua paz social? Sim, porque manifestamente essa não se transforma.

O dístico perdurará ancorado como um barco encalhado na terra, independentemente de perdões, arrependimentos, indemnizações e várias sanções de qualquer índole. Nem a pena capital seria solução, porque não existe forma de justiça. Somente reposição moral.
Do mesmo modo que uma notícia sensacionalista vale muito mais que um Acórdão judicial, habitamos num mundo de cidadãos onde a verbosidade impaciente não domina o alcance tenebroso que uma apreciação caluniosa pode ter.
Não há justiça, para a difamação.

outubro 09, 2016

Estou em choque, e custa-me a dizer isto, mas desta vez coloco-me ao lado do Partido C…. Calma. Respira Ivo.
Aqui vai. - Com o programa “Revive”, coloco-me ao lado do Partido Comunista. Já disse! Feito. Adeus, boa noite.


NOTA: O programa “Revive”, é um programa governamental em que os Ministérios da Economia, da Cultura e das Finanças, permitirão a concessão a privados em 30 concursos públicos para o desenvolvimento de projectos turísticos de 30 imóveis do Estado sem utilização. Degradados.
Em primeiro lugar é importante salientar que eu não tenho nada contra o programa. Aliás, compreendo que o Estado não detenha capacidade financeira para a manutenção dos Museus nacionais, e que se propende a convocar as iniciativas privadas, contudo, eu sou um tanto sentimental no que respeita à história do meu país.
Absolvam-me desta mariquice. Um dia faço-me homem e isto passa-me.
Inicialmente os imóveis a concurso serão o Forte de Peniche, Forte do Guincho, Castelo de Vila Nova de Cerveira, Mosteiro de Santa Clara a Nova, entre outros.
Quanto ao Forte de Peniche, acima de fazer peculiar sentido para o Partido Comunista Português, a realidade é que também o deveria fazer para qualquer Democrata.
Eu não tenho a certeza que as pessoas saibam para que serviu o Forte no tempo do Estado-Novo, mas a Wikipédia actualmente já não é vergonha para ninguém, e eu sou deplorável para ensinar. Vamos lá, sempre é melhor que o Love on Top.
Até porque pelo andar da situação, a Wikipédia será a única forma de se informarem sobre a história do Forte de Peniche. Quando este se transverter uma belíssima residencial, de luxo concerteza, poucos historicistas permanecerão lá para as vossas dúvidas mais legítimas. É um palpite.
Na verdade este é um futuro muito presente no nosso passado.
Assistimos ao mesmo na Rua António Maria Cardoso, com a Ex sede da PIDE (Wikipédia para os distraídos!), onde me evidenciava ser um local por excelência de homenagem e culto aos muitos que resistiram ao Estado-Novo, todavia, não temos sido definitivamente um país com o cuidado de preservar a memória.
O edifício da Pide já é um empreendimento de luxo, aproxima-se a pousada do Forte de Peniche, e aguardo impaciente pelo SPA do Tarrafal.
Estamos a criar gerações de jovens sem memória, estamos a criar gente sem história. Quando a memória e a história não se encontram, encontram-se os cataclismos sociais.