10/09/2016

Entrevista ao Juiz Carlos Alexandre

Soube na Terça-Feira que o Juiz Carlos Alexandre iria conceder uma entrevista à Sic, e depressa indaguei - mas porquê? Fui imediatamente sustido por curiosos de plateia, abonando que «quem não deve, não teme». Isso.
Para mim, em cada português povoa um pequeno Alberto Caeiro, e todos querem «ver como uns danados».
Pois bem.
Um Juiz não deve vir a público elucidar que ninguém o deve temer, rematando que, inicialmente não compreende que tenha ‘Poder’, mas que pasme-se! - Em inquieta cabriola já o tinha, e afirmou que poderia ser perigoso utilizá-lo para o mal.
A justiça não se unifica ou pratica nas televisões do país, do mesmo modo que um Juiz não deve, pese embora possa – em casos que a lei assim permitir - manifestar-se publicamente sobre casos que tem ou teve em mãos, tentado asseverar a sua rectidão, isenção e dignidade.
Ontem, o Juiz Carlos Alexandre pese embora não acoste ao caso em apreço, como tão bem os estatutos dos magistrados plasmam, não deve retrucar «Não tenho dinheiro ou contas bancárias em nome de amigos». Tratou-se de uma clara sugestão ao arguido da Operação Marquês. E se me comentam que não há alusão alguma, repito. Não deveria o Juiz Carlos Alexandre, ainda que sob o seu «super-véu» de rectidão e idoneidade colocar-se nessa posição, especialmente consciente - que deve ser - do impacto de cada palavra terá nos sequiosos populistas de sofá. Não, não foi inocente.
Na sociedade que hoje vivemos, atendemos a uma espécie de comunicação social que tem manifesto interesse em mirar através das fechaduras, e amalgamam tudo isso com Liberdade. Aliás, invocam-na para tentar legitimar o seu comportamento que é de génese económica. Não outra. Pior que essa política de refutação à concorrência mediática, sou eu a observar pessoas interessadas a escancarar a sua porta, para se expôr publicamente. O Juiz Carlos Alexandre com quinhão industrial de despretensão não estima que na sociedade o apelidem de «Super-Juiz», e depois vem outorgar uma entrevista à Sic.
Das inúmeras questões colocadas pela jornalista, que só a candura em pessoa não verificava o prévio ensaio das mesmas, não ouvi pronúncia alguma acerca da anuência ou posição do Conselho Superior de Magistratura quanto à entrevista que Carlos Alexandre deu. - Veremos se a entrevista não oferecerá queixa conta o Juiz Carlos Alexandre.
Eu estou interdito de me « (…) pronunciar publicamente, na imprensa ou noutros meios de comunicação social, sobre questões profissionais pendentes».
O Carlos Alexandre detém uma prerrogativa especial que lhe permite fintar a abordagem ao caso em concreto e de seguida confeccionar afirmações que consintam assemelhações e afinidades com casos pendentes, por sinal, que os detém em mãos?
Permita-me tratá-lo por Carlos. Foi quem eu escutei ontem. O cidadão Carlos Alexandre numa espécie de entrevista, que jamais deveria ter sucedido.
O Juiz Carlos Alexandre não sei, mas o cidadão Carlos, por falar em Kant e obediências, esse é o ‘Lagarto’ da Opus Dei. Aquele que não pode ficar na cama depois de despertar.
Eu detesto os virtuosos. Desconfio solenemente dos fariseus. Sou cheio de defeitos, e sempre gostei dos homens com defeitos. Não acredito nos virtuosos em causa própria.