agosto 19, 2016

O meu desajuste social - Feche os olhos, chegou ao seu destino

Oh Álvaro, se tu não és nada, eu então muito menos sou. Provavelmente nunca serei, nem posso querer ser. À parte isso, tenho em mim muitos dos defeitos do mundo.
Sou mediano em mim. Morno como a sopa dos velhos. Médio como a rotina. O meu ar condicionado não se transpõe do dois e meio, e não tenho intropatia para os 'flirts' das discotecas chiques, independentemente da capital europeia em que se inaugurem. «Ser César para ser César» e eu, mando César à merda.
Ainda não foi engendrado Anti-histamínico capaz, que me desate desta alergia repulsiva a locais apinhados de pessoas que todas juntas tenham um Q.I. do Love On Top.
É esta a minha ineptidão social. Arrogantemente me avoco um amputado que sofre em cada palratório de café as dores que essa excisão me regamboleia. Vivo com o meu GPS interno danificado. Ele só conhece uma morada - Longe. Obriga frequentemente a bateria e instruções, mas ninguém as sabe inserir.
«Feche os olhos, chegou ao seu destino», diz-me.
Faço a cara n.º 72 de quem se agrada e finge compreender tanto desconchavo, mas dou um pulo quando me assusto ao berro do indivíduo na bomba de combustível com um fato de treino do Benfica, aberto e a ostentar os pêlos já brancos, no peito. Não articulo aquela língua, e agora já sou burro velho. Não aprendo da mesma forma que não se pode compelir um surdo a ouvir.
Depois vem a desonra da sensatez perante a potência e celeridade de alastramento do disparate. É a injustiça social no seu expoente. É um Vaivém especial Kamikaze que aborta a missão no meu lóbulo frontal. Despenha-se e nem a caixa negra se aproveita do que escuto. Era matéria para mais sete Dissertações e nove Teses.
Talvez seja isso mesmo. «Feche os olhos, chegou ao seu destino».