maio 26, 2016

José Rodrigues dos Santos - «O FASCISMO TEM ORIGEM NO MARXISMO»

A viajar para norte, parei numa estação de serviço e fui dar uma vista de olhos nos jornais do dia. Na capa de uma revista, José Rodrigues dos Santos dizia, «Como não há os livros que gostaria de ler, escrevo-os eu».
Não me aguentei e li a entrevista do “Pivot que pisca o olho”, para confirmar a declaração. Lá estava. Na íntegra, e nem uma vírgula a mais.


1. Há sensivelmente dois anos, travestiu uma entrevista num debate, onde violou 2546 princípios do código deontológico dos jornalistas, e pelo caminho, ainda findou apoucado humilhantemente em horário nobre por José Sócrates.


2. Após replicar arrogantemente no Facebook que era produto de uma formação jornalística superior, no museu dos coches, repetiu a heroicidade do desfaçamento ao louvar o assassínio de Manuel II, último Rei de Portugal.


3. Não saciado desta odisseia de despautérios, arremessa em directo uma estirada à la PNR, dizendo que «O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito - ou eleita - pelo PS», aquando o deputado do PS em questão era Alexandre Quintanilha - homossexual assumido, casado com o escritor Richard Zimler.


4. Li todos os livros de José Rodrigues dos Santos, e ainda aguardo pacientemente que alguma mente superior à minha, demonstre a este coração impenetrável um que seja afinal, um romance.


5. Tenho de destacar o «Anjo Branco», que principia com o nascimento de uma criança com a particularidade um deter um pénis enorme. Leva-nos por um capítulo inteiro a traçar o avantajado penduralho da criança, aquele portentoso órgão sexual e como as vizinhas o admiravam, todavia, no capítulo imediato revela. Ele (autor) é a criança. Pura classe.


6. Os últimos três livros que redigiu, que continuam a não ser romances, são mais desaforadamente apologias de uma paupérrima ideologia política de direita retrograda, retirados de um conceito anti-esquerdista primário.


7. Quando sentimos que nada mais José Rodrigues dos Santos poderia acrescentar a esta bula de contra indicações verbais, surge a máxima - «As pessoas não sabem, mas o Fascismo tem origem no Marxismo».


Outra vez ao lado.
Arguir que essa relação revela uma “origem” ideológica análoga, seria tão incongruente como considerar que por Mário Soares e Durão Barroso terem sido marxistas na sua juventude, o PS e o PSD partilham a mesma origem ideológica que o PCP. Extraordinário.
O antagonismo entre os seus defensores não precisa de muito mais ilustração do que os milhões de mortos, dos dois lados, na batalha de Estalinegrado.
É mais certo afirmar que Passos Coelho e António Costa repartem um conjunto de ideias sobre política (apesar das diferenças diariamente enunciadas) do que descobrir um tronco comum de pensamento entre Álvaro Cunhal e Oliveira Salazar.
Parece-me que José Rodrigues dos Santos tende a “colonizar mentalidades com o que escreve”, o que foi naturalmente fantástico para o Messias, mas torna-se desapropriado para alguém que teima em não se vincular à verdade no que diz, porque tem um ódio de estimação à esquerda.
É um discurso que não é só um erro, mas ainda, um perigo para a cultura democrática.
José Rodrigues dos Santos tem-se exposto como uma personagem absolutamente regular do mediatismo nacional.
Porque consegue ser um péssimo jornalista, um péssimo escritor, um péssimo historiador e, se lhe derem uns búzios para a mão, era menino para ser pisa-papéis no escritório do Bruxo de Fafe.
Jorge Jesus dar-lhe-ia uma abada a recitar Lusíadas. Péssimo.