março 31, 2016

«A dúvida é o primeiro passo para o conhecimento» René Descartes

Faria hoje 456 anos de vida. Foi para mim, o edificador do racionalismo moderno, no dia em que defendeu a tese de que «A dúvida é o primeiro passo para o conhecimento».
René Descartes foi acima de tudo o mais, um Guerreiro na subsistência do legado intelectual deixado por Aristóteles que à data, o Clero tentava ostensivamente disseminar.
Mesmo vivendo numa época de descomunais batalhas religiosas, Descartes com a sua sapiência, conservou uma visão clara sobre a perspectiva, o olhar, e a tradição. Conspecção essa que se sustentou, mantém e, manter-se-á inteiramente intemporal como só os colossais Génios sabem germinar.



março 30, 2016

Elegância

Não confio em elegância de exibição. A autêntica, ajusta-se pela discrição, do mesmo modo que da virtude, espera-se o silêncio.


março 29, 2016

Recordar o 1.º ano de Direito

A necessidade jurídica da criação do termo “Bom pai de família”, que nos acompanha até 2016, é tão romântico que hoje, cai no trôpego.
Não era suficiente aclamar o dever de zelo, o cuidado, a responsabilidade. «Bom pai de família» é uma preciosidade, só que entretanto o homem já foi à lua.

março 28, 2016

Portugal vive de lugares comuns

Lugares-comuns são uma espécie de outlets da inteligência onde, por preços muito fáceis, se compram imitações do pensamento.

Exemplo 1.º: «Portugal - País Pequeno e Periférico»
Que ninguém diga que eu vivo longe porque, na verdade, estou perto do meu vizinho, e se alguma vez a minha casa se tornar significativa, o centro passará por onde eu moro.


Exemplo 2.º: «Não há fumo sem fogo».
Este é o lugar comum que mais me indigna. É o princípio da presunção da inocência, substituído pela presunção da culpabilidade. É bom que se diga bem alto: há, (muitas vezes), fumo sem fogo, sobretudo quando grassa a calúnia, a inveja e a mediocridade.


Exemplo 3: «Duas cabeças pensam melhor que uma».
É falso, notoriamente falso. Quando duas cabeças se juntam, há uma que pensa melhor que a outra (embora, por vezes, se possam complementar). Quando Einstein emigrou para os EUA foi editado na Alemanha um livro intitulado «Cem cientistas contra Einstein». Resposta do visado: «porquê cem? Se estou errado, bastava um!» ou, como dizia o General Paton ao seu Estado-Maior: «se nesta sala todos pensam como eu, então, alguém não está a pensar!».


Exemplo 4.º : «Lá fora...» (referindo-se ao estrangeiro).
A este aplico o último post que escrevi.


Exemplo 5.º: «Vem nos livros...»
Mas quais livros Deus meu! Escritos por quem? Mas será que as pessoas não percebem que a autoridade de um livro é apenas de quem o escreveu, naturalmente uma pessoa que, como qualquer outra, tem os seus «bias», erros, enviesamentos? (uma variante muito utilizada pelos médicos é: «Eles» dizem). Em oposição, o reitor de Harvard, no discurso de encerramento do curso de Medicina começou da seguinte forma: «metade do que vos ensinámos é mentira...não sei qual é essa metade!»


Exemplo 6.º: «Ele(a) tem muita experiência...»
Lembro-me sempre do meu Pai, que gostava de citar Pascal: «Experiência não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece...»
para acrescentar da sua própria lavra: «olha o burro, toda a vida à volta da nora... pergunta-lhe o que é uma circunferência!»


Exemplo 7.º: «É o País que temos...»
Habitualmente acompanhado de um movimento de ombros e sobrancelhas que parece querer dizer: nada a fazer, país de idiotas, incúria de irresponsáveis. Este é um País de suplentes, em que poucos parecem querer entrar no campo, e os que ficam sentados, não reconhecem que é a sua equipa que está a perder. Como gostaria de ouvir alguém responder: Este é o País que somos!


Exemplo 8.º: «Da maneira que falaste, perdeste a razão!»
Não, idiotas, não a perdi, (se a tinha), porque se a razão me assiste, bem posso ser malcriado, arrogante, snob, insuportável, desprezível ou colérico, que mantenho como minha a coerência do argumento, independentemente dos decibéis com que a expresso.


Num jantar, ouvi uma vez esta tirada, bem digna de um certo personagem queirosiano.
«Portugal, é um País que não estimula o raciocínio!».
Como tem razão, meu caro Conselheiro.




março 27, 2016

Portugal é infantil, mas vivemos orgulhosos disso

Parecia-me suficiente este título, mas se me solicitam para o aprofundar, tornando a ideia mais clara, tudo bem.
- Portugal pode ser o «barquinho à vela» que a destreza da tripulação não permite que vá ao fundo, contudo só navega para onde o vento o leva. E vivemos orgulhosos disso.
Vivemos com a pedagogia iniciática da gesta dos descobrimentos naqueles malfadados testes da primária, e interrogo-me, e depois? E depois afigura-se redutor. Temos gente fantástica, desde que a unidade de medida do nosso valor e grandeza seja o número de prémios ganhos internacionalmente. É isto.
Em súmula, nas mais variadas matérias de fundo, assumimos o nosso mérito pela apreciação que os estrangeiros (seja lá que classe é essa) têm de nós. E vivemos orgulhosos disso.
Entretanto ocorre-me que o Prémio Liderança Transatlântica, a Grande Cruz da Lituânia, e a Medalha de Honra da Cidade de Nicósia, foram todos prémios concedidos ao Sr. Durão Barroso.
O Sr. Durão Barroso está apinhado de prémios estrangeiros, e é quando senão, atestamos que afinal, auferir prémios lá fora, não me aparenta ser um sinal de algo assim tão relevante.
Perdoem-me a memória, é que não me recordo do Sr. Durão Barroso ser rigorosamente fantástico.
Mas claro, vivemos orgulhosos disso.




março 23, 2016

Saudade

Saudade,
Querer a luz de uma janela que não abre.
Adormecer um sono ausente de verdade.
É estar liberto sem liberdade.
Viver um tempo com outra idade.
É ver o fim sem que ele acabe.
Saudade,
É pisar um solo que foi manhã e agora é tarde.
É viver um fogo lento que não arde.
Estar inteiro pela metade.
Viver metade, sem ser cobarde.
É ser poeta...
Saudade,
É estar em pé.
Querer um mundo que não é mas que uma sombra.
É ser capaz de ver a paz onde se esconde.
Amar de longe, estando tão perto.
Amor que dói por ser tão verdadeiro.
Saudade,
É dizer a quem se ama que se guarde.
Descer ao fundo sem sentir que que o fundo acabe.
É ser contente sem felicidade.
Ter a certeza do que não se sabe.
É ter razão sem sentir vaidade.


Pedro Abrunhosa & Duquende



março 16, 2016

Lula de mel, na justiça brasileira

Para os mais distraídos, desta vez ratificou-se: Dilma Roussef acabou politicamente.
A provável anuência de Lula da Silva, hoje como Ministro de Dilma, beneficiando assim de uma imunidade política que lhe obsta à detenção é, a evidência tácita que o Brasil não está, nunca esteve, e sem mutações de fundo não estará, preparado para ser um “Estado de Direito”.
Não há cores nem partidos. Não pode haver. Quando as instituições são coordenadas ao préstimo individual de políticos, assistimos em poltrona a nada mais que o demolir o conceito de política como instrumento de serviço público.

Repito-me por indispensabilidade e relevo:
- Os governantes com problemas verosímeis com a justiça, devem renunciar de imediato aos seus cargos. Não se coloca em causa o princípio da sua presunção de inocência, mas não é suportável que tornem um governo refém de uma investigação judicial.

A falta de sensatez política de chamar um Ex-Presidente a Ministro, presenteando-o com uma imunidade política que há muito deveria ter sido esmiuçada e legislada convenientemente, excede qualquer limite. Em análise, belisca o sistema democrático brasileiro.



março 15, 2016

Marcelo Rebelo de Sousa, o "Quase Feminista"

Este meu malicioso automatismo de delinear perfis com uma antecedência tal que roça a demagogia, ainda vai acabar comigo…
Desde início, disse que Marcelo Rebelo de Sousa partia nesta odisseia com a colossal bonificação de ser sucessor de Cavaco Silva. Todavia, tem o seu elo mais fraco: - O de ser um decisor medíocre.
Um formidável comentador, temerário assistente, porém, fraco juiz.
Até então, Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente de República tenta agradar a Deus e ao Demónio.
Replica tudo em concisas e perspicazes deduções e, imediatamente todo o seu inverso.
Tenho firmeza na lufada de ar necessário que Marcelo nos presenteará no pós-Cavaco, contudo, ele terá de ser Presidente da República, tomando decisões pragmáticas.
Por ora, e no início, muitos cairão no erro de confundir as respostas empáticas, com ponderação e equilíbrio, mas quando os jogos amigáveis se volverem profissionais, exigir-lhe-ão que seja um Presidente com decisão.
Há temas estruturantes em que o “Nim” não será uma atitude.



março 14, 2016

Nicolau Breyner

Vimos partir um ícone maior da representação em Portugal. Nicolau Breyner, acima de actor, era um artista. Mais que a representação, Nicolau Breyner ficará para sempre associado à caixinha dos sonhos que nos habituamos a ter em nossa casa, por onde de vez em quando, ele descia para nos visitar em inúmeras noites após o jantar, e bebia café connosco.


março 12, 2016

Recusada liberdade condicional por não assumir culpa

Ninguém é condenado a uma pena de prisão efectiva, como represália, ou punição pelo mal que perpetrou. As penas, com as suas várias molduras penais, têm as suas finalidades muito próprias de retratar o cidadão para a sociedade. Reintegrá-lo. Outra das suas finalidades assenta naturalmente, na perspectiva da prevenção.
Nesta exacta medida, e respondendo às inúmeras questões colocadas hoje a respeito de um determinado processo, em que a Juíza pela segunda vez recusa a liberdade condicional do recluso, afigura-se, entre outras, uma conclusão simplista.

1. No processo penal para a condenação se aplicar, impõe-se a certeza absoluta da prática do crime. Dizendo isto, significa que não são bastantes os indícios, os prenúncios ou apenas livres vaticínios. É indispensável uma certeza inabalável, de que determinada conduta tipificada como crime, foi praticada por uma exacta pessoa com um nexo causal de efeito específico, consciente das suas acções.

2. Assumindo a veracidade do número anterior, aquando do pedido de liberdade condicional ao tribunal, o recluso não assumindo a culpa, automaticamente está a delimitar uma impossibilidade. A sua reabilitação para a sociedade. Não existe retratamento sem assunção de culpa.



março 11, 2016

(Scorpions) Rudolf Shenker‬ na Universidade Autónoma de Lisboa

Celebram-se por ora anos, de uns dos projectos que mais gosto e orgulho me deu em participar.

A Associação Académica da UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA (Académica Autónoma), com o impulso apaixonado do seu grande presidente Nuno Nabais, a sempre simpática Arlinda Mestre, restante direcção e demais associados, brindamos a Família Ualense, com o que para muitos parecia ser um propósito de complexo alcance.

Assim, hoje vive a certeza que com esforço, dedicação, e crença, se edificam infindas memórias capazes de subsistir aos tempos e, nos deixam orgulhosos por uma vida.







março 10, 2016

Quero viver nos dez minutos de Snooze!

O meu nome é Ivo de Almeida, e sou Snoozeahólic.
Posso dormir onze horas num dia que momento algum suplantará o prazer, que aqueles dez minutos em que (no meio de vernáculo deleitante), carrego no botão de Snooze do meu telemóvel, e me afundo na cama mais dez minutos.
Mas atenção. Não são uns dez minutos triviais. São no mínimo, o pináculo da qualidade de vida. É uma versão moderna do Jardim do Éden que surge com música ambiente a oferecer-me Sultans of Swing matutino.
Mas droga para quê? Nos dez minutos de Snooze o deleite é tal, que dou por mim a vulgarizar o fim-de-semana, onde me posso levantar ao meio-dia. Mas não. Não tem o mesmo sabor… Permitam-me viver a vida em pequenos dez minutos repetidos!

Assinado: Um Snoozeahólic pouco anónimo.



março 09, 2016

Marcelo Rebelo de Sousa com um azar de outro mundo

Conhecem aquela sensação de organizar a festa de aniversário, convidar a universidade em peso, e no próprio dia ás 19 horas reparar que nessa precisa noite, naquela maldita hora, há Lady’s night na melhor discoteca de Lisboa? É com as melhores bailarinas, com a melhor música, com as melhores miúdas, e com os rapazes do ginásio. Não se paga entrada, e todo o mundo é Guest List…
Hoje Cavaco Silva arruinou a festa de Marcelo Rebelo de Sousa, organizando uma festa 10 vezes mais apelativa a todos os portugueses.
A festa de “Boas vindas”, será amplamente suplantada pela euforia desmedida da festa do “Adeus a Cavaco”.
Estamos satisfeitos com Marcelo? É possível. Mas deliciosamente fulgurantes com o comboio que fará Cavaco viajar para longe de Belém.



Conhecer Aníbal Cavaco Silva (em 20 factos e 20 pontos)

Enquanto cidadão, sinto-me no preceito de soltar uma «nota de despedida» a este nosso Presidente da República, o Sr. Aníbal Cavaco Silva.
Gostaria inicialmente de salvaguardar que para conhecer bem Cavaco Silva, teremos de nos distanciar da narrativa apática que o próprio tantos anos reiterou, dando a compreender à nação que nada teve a ver com a situação calamitosa em que este nosso Portugal chegou.
Mais, quem o escutou pessoalmente como eu, poderia de forma leviana, alvitrar que atentou em infindos momentos alguém que podia ser/ter efectivamente a solução para um trilho distinto daquele até aqui se escoltou. Nada mais falso.

Fica a questão necessária;
Teve Cavaco Silva responsabilidade na situação a que Portugal se acercou? Existe essa relação? Nexo Causal?

Posto isto, deixo um “curriculum sem saudade” que este nosso Presidente da República se esqueceu.

- Cavaco Silva foi Ministro das Finanças entre 1980 e 1981 no governo da Aliança Democrática.
- Foi Primeiro-Ministro de Portugal entre 1985 e 1995, o que perfaz 10 anos, tornando-o assim:
- Na pessoa que mais tempo esteve no comando do Governo neste país desde o 25 de Abril.
- Foi presidente da República desde 2005 até hoje.
- Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro modificou drasticamente as práticas na economia, nomeadamente reduzindo o intervencionismo do Estado, atribuindo um papel mais relevante à iniciativa privada e aos mecanismos de mercado.


- Foi Cavaco Silva quem desferiu o primeiro assalto sobre o ensino “tendencialmente gratuito”, conforme a nossa Constituição que o mesmo jurou cumprir e fazer cumprir.

- Foi Cavaco Silva o progenitor do célebre “Job for the boys” com a concepção de milhares de “jobs” para os “boys” do PPD/PSD e amigos.
- Acrescentando que inseriu outros milhares de “boys” a recibos verdes no aparelho do Estado.


- Foi na “constância da sua sombra” que principiou a destruição do aparelho produtivo português. Em troca dos subsídios diários vindos da então CEE, iniciou a aniquilação das Pescas, da Agricultura e de alguns sectores da Indústria. EM suma, o aniquilamento dos nossos recursos e capacidades.

- Durante essa época, entravam em Portugal muitos milhões de Euros diariamente como fundos estruturais da CEE. Recordamo-nos todos do quase castiço popular do termo “Tempo das vacas gordas”. Interrogo, como foram aplicados esses fundos?
- O que se investiu na saúde? E na educação? E na formação profissional?
- Que reforma se fez na agricultura? O que foi feito para o desenvolvimento industrial?

Teríamos uma resposta inteligível unicamente estudando os mercados nacionais, mas continuemos.
Terão esses fundos sido sobriamente dissipado sem rigor nem fiscalização?

- Os habitantes do Vale do Ave, minimamente atentos, sabem como muitos milhões vindos da CEE foram subtraídos com a conivência do governo de Cavaco Silva.

- Recordo-me que na época, o concelho de Felgueiras era o local em Portugal com mais Ferrari’s por metro quadrado. Todavia, quando findaram os subsídios da CEE, onde estava a modernização e o investimento das empresas?
Nos carros topo de gama? Seria nas casas de praia em Esposende? Ofir?

- Indago agora, Torres Couto com o seu vencimento durante o Governo de Cavaco Silva.
- Porque teve Torres Couto de ir a tribunal legitimar o desaparecimento de milhões de escudos (na altura) de subsídios para formação profissional.

- Talvez lhe possa perguntar: Como, Porquê e para quê, Cavaco Silva o obsequiou com esse dinheiro.

- Foi também o Primeiro-Ministro Cavaco Silva que em 1989 declinou conceder ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia, quando este já se encontrava bastante doente, uma pensão por “Serviços excepcionais e relevantes prestados ao país
(Isto, após do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República ter aprovado o parecer por unanimidade).

- Mas foi o mesmo primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1992, assinou os pedidos de reforma de 2 Inspectores da polícia PIDE/DGS. (António Augusto Bernardo, último e derradeiro chefe da polícia política em Cabo Verde, e Óscar Cardoso, um dos agentes que se barricaram na sede António Maria Cardoso e dispararam sobre a multidão que festejava a liberdade).

- Adivinhem, curiosamente, Cavaco Silva, premiou os 2 Inspectores da polícia PIDE/DGS com a mesma reforma que havia negado ao capitão de Abril Salgueiro Maia, ou seja: “Serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país".

- Cavaco Silva pertenceu aos “quadros da PIDE”.

- Recordo-me igualmente que Cavaco Silva e o seu amigo e ministro Dias Loureiro foram os responsáveis por um dos episódios mais repressivos da democracia portuguesa. Quando um movimento de cidadãos, formado de forma espontânea, se juntou na Ponte 25 de Abril, no afamado "buzinão" de bloqueio, em asseveração pelo aumento incomportável das portagens, Dias Loureiro com a concordância de Cavaco Silva, ordenou uma inadequada e desproporcional carga policial contra os manifestantes. Nessa carga policial “irracional”, foi disparado um tiro contra um jovem, que acabou por ficar tetraplégico.

- Foi esta a forma, eram assim a solução. Foi assim na ponte, foi assim com os mineiros da Marinha Grande, foi assim com os estudantes nas galerias do Parlamento.

- Foi ainda no Governo do Primeiro-Ministro Cavaco Silva, que o governo vetou a candidatura de José Saramago a um prémio literário europeu por considerar que o seu romance “O Evangelho segundo Jesus Cristo” era uma ofensiva ao património religioso nacional.
(Este veto, levou José Saramago a abandonar o país para se instalar em Lanzarote, na Espanha, onde viveu até morrer. Considerou Saramago, que não poderia viver num país com censura).

- Sempre se fez acompanhar e, movimentar manifestamente bem. Senão vejamos:

1. Oliveira e Costa - Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo Cavaquista entre 1985 e 1991. Ex-presidente do ilustre BPN.

2. Dias Loureiro - Ministro dos governos de Cavaco. Assuntos Parlamentares entre 1987 e 1991, Administração Interna entre 1991 e 1995. Associado aos crimes financeiros do BPN, com ligações ainda não desobscurecidas ao traficante de armas libanês, Abdul Rahman El-Assir, de quem é pessoal amigo.
Foi conselheiro de estado por nomeação directa de Cavaco Silva, função que ocupou com, até já não ser possível manter-se no lugar devido às pressões políticas e judiciais.

3. Ferreira do Amaral - Ministro dos governos de Cavaco. Comércio e Turismo, entre 1985 e 1990, Obras Públicas, Transportes e Comunicações entre 1990 e 1995. Foi nesta condição (ministro das obras públicas) que assinou os contratos de construção da Ponte Vasco da Gama com a Lusoponte, e a concessão (super-vantajosa para a Lusoponte, diga-se) de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa.
POR COICIDÊNCIA, Ferreira do Amaral é actualmente presidente do conselho de administração da Lusoponte.

4. Cavaco Silva deu a aprovação à lei que obriga o estado a suportar as campanhas eleitorais e os partidos políticos.

5. Cavaco Silva gastou 1,8 milhões na sua última campanha. "A candidatura de Cavaco Silva às eleições presidenciais de Janeiro gastou na campanha um total de 1,79 milhões de euros, menos de metade do limite legal máximo".

6. Cavaco Silva beneficiou da compra e venda de acções do BPN, que não estavam cotadas na bolsa. Foram transaccionadas pelo próprio presidente do banco. Lucrando Cavaco Silva, mais de 300 mil euros, com prejuízo para o banco.

7. Oliveira Costa vendeu a Cavaco Silva e filha (Patrícia) 250 mil acções da SLN perdendo 1,10 euros em cada".

8. Cavaco Silva dispôs, apenas para a presidência, de um orçamento de 16 milhões de euros. Mais que o Rei de Espanha. Para o primeiro ano deste segundo mandato de Cavaco Silva estiveram disponíveis 16 milhões de euros. Em 1976, havia apenas 99 mil euros para gastar. Mesmo sem calcular com a inflação, em democracia, as despesas de Belém têm subido 18% por ano".

9. Presidência de Cavaco Silva custou 5 vezes mais que a casa Real espanhola, em valores absolutos e 18 vezes mais por habitante.

10. Cavaco Silva recebeu financiamentos da SLSN/BPN, para a sua campanha, 11 figuras ligadas à SLN entre os financiadores da campanha de Cavaco Silva a Belém em 2006. 130 mil Euros.

11. Cavaco Silva e o Pavilhão Atlântico.

12. A declaração de rendimentos de Cavaco Silva e de Maria Cavaco Silva, em 2010, entregue no Tribunal Constitucional, denuncia ganhos superiores a 999 mil euros, entre trabalho dependente, pensões, ajudas de custo, aplicações em bolsa, depósitos à ordem e a prazo, planos poupança reforma e ações.

13. Ganharam em média, 83 mil euros por mês.

14. O Ex Presidente da República e a sua esposa são ainda titulares de um plano de poupança reforma, no valor de 53 mil euros. Os investimentos do casal também são feitos em obrigações, com uma aplicação na Caixa Geral de Depósitos de 15 mil euros.

15. Cavaco Silva também é depositário de ações, em 10 empresas nacionais, com 101 960 ações.

16. Em 2010, Cavaco Silva reportou rendimentos de trabalho dependente que ascenderam a 138.942,02 euros.

17. Entre o fundo de pensões do Banco de Portugal e a reforma da Caixa Geral de Aposentações, Cavaco silva recebeu em 2010, € 141.519,56.

18. De acordo com a declaração entregue no Tribunal Constitucional, Cavaco Silva era, em 2010, titular de quatro contas à ordem, cujo valor total era de 41.417,16 euros, distribuídos da seguinte forma: BCP (16.881,65 euros); BPI (5543,24 euros); CGD (10.688,15 euros); Montepio Geral (6.304,12 euros).

19. Cavaco Silva surgia, em 2010, como titular de cinco depósitos a prazo: BCP (185.000,00 euros); BCP (175.000,00 euros); BPI (91.000,00 euros); BPI (141.000,00 euros); CGD (20.000,00 euros)

20. O Presidente da República é detentor de um plano de poupança reforma que, no final de 2010, tinha € 53.016,21.

21. Cavaco Silva reportou também uma aplicação em obrigações, constituída na CGD, que era de 15.000,00 euros.

22. O Presidente da República declarou ter 101.960 acções de 10 empresas portuguesas, incluindo da Jerónimo Martins e do BCP.

23. Em 2011, os aposentados que prestam serviço remunerado em serviços públicos ou ocupam cargos públicos, passaram a ter de optar entre receber o vencimento ou a pensão. Cavaco Silva optou pelas reformas, prescindindo assim do vencimento de 6523 euros que a lei atribui ao Chefe de Estado.

24. Cavaco Silva criou a lei que prevê verbas específicas para eleições. O Estado deu 70,5 milhões para financiar as três campanhas. O Orçamento do Estado para 2009 prevê 70,5 milhões de euros para as campanhas partidárias das três eleições que vão acontecer em 2009.

25. O Orçamento do Estado prevê ainda que os sete partidos com representação parlamentar (PS, PSD, CDS, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda) venham a receber, no total, 17,2 milhões de euros de subvenção anual. O valor atribuído a cada partido é dependente do número de votos que obteve nas últimas eleições legislativas.

26. Cavaco Silva, recusa-se a revelar as despesas.

27. A Presidência da República continua a não publicar os seus contratos e despesas detalhadas. No portal Base, por exemplo, não se encontra qualquer despesa de Belém.


28. No site da Presidência da República existia desde 2011 uma secção chamada Contratos que nunca teve qualquer informação. Este órgão de soberania chegou a garantir à TVI24 que a situação iria ser corrigida. Como a Presidência nunca mostrou interesse em partilhar essa informação, a secção foi agora apagada.


Cavaco Silva, não outro, é dono e senhor da famosa frase: “Nunca tenho dúvidas e raramente me engano”.

E mais outra frase, também mais recente: “Para ser mais honesto do que eu tem de nascer duas vezes”.




março 07, 2016

Reportagem da SIC sobre a Eutanásia

Disse precedentemente que o tema Eutanásia, quer pela sua complexidade técnica, quer por se consubstanciar num Direito individuai, não deve ser susceptível de referendo.
Após ver a reportagem que a SIC passou logo após o Jornal da noite, e a avaliar pelo aglomerado de despropósitos que em dose industrial por ali se foi exposto, cada vez tenho mais essa certeza.
A comunidade portuguesa não está de modo algum preparada, talvez nem devesse estar, para resolver a favor ou contra o direito à Eutanásia. Por outro lado, a questão é uma falácia. Tecnicamente, um falso dilema. Genuinamente, não se poderá responder unicamente, “sim” ou “não”, a uma questão desta natureza, amplitude e particularmente com inúmeras especificidades.




Brincar ao imortal

O lado bom de não saber quando a vida acaba, não saber se estarei aqui na próxima primavera, é eu poder brincar ao imortal neste momento, e sem culpa alguma.


março 04, 2016

Vim só dizer-te que fracassaste

Hoje fui ter contigo e disse-te só para tu ouvires, "fracassaste…"
Fracassaste quando tentaste ser o meu passado. Tu não és passado. Não consegues ser. Tentaste bastante, mas não és. Não és passado nem nunca serás. Sabes, tu és presente. Tu és esperança. És hoje e amanhã. És o dia após dia e, cada dia ainda és mais um pouco. És oferta, dádiva e amor. Oh, e se és amor! És amor do princípio ao fim, e o fim ainda está tão demorado, sabias? És reflexo, e figurão do meu mundo. Do meu pequeno mundo, neste corpo gigante. És. És uma metade que se abotoou ao meu inteiro. És um espectro que se alastrou em mim primeiro.
Podes viver nas minhas palavras, no meu frio, na solidão, no meu choro, na minha dor, no meu chão, na minha carteira, no meu nome e, até na minha mão.
Mas fracassaste. Tentaste ser passado, e isso não!
Parabéns.



março 02, 2016

"Ainda te vou fazer muita falta"


A velha e ferrugenta bengala creme parecia moderna à força das rugas que a apertavam, e assim, tentava sondar mais meio palmo de chão que teimava em fintar-lhe o corpo.
De coração em esforço, arquejante como outrora perto assisti, balançava da esquerda à direita, onde os cabelos brancos de tantos anos, ao vento iam acusando os solavancos, arrítmicos a cada passo tentado.
Estóica de inúmeras viagens sem tempo, foi perjurada sob a calçada declivosa de Lisboa, e então, em plena Avenida Dom. João XXI, a bengala não tacteou a pequena falha de pedras porque as cataratas não consentiram, esta soltou-se da mão que a fixava, e lançou-se ao chão abandonando-a e traçando-lhe o mesmo infeliz destino.
Que nem portageiro em fuga terminei-lhe a viagem inevitável, agarrando-a. Senti-lhe a fragilidade no corpo, o pânico nos ossos, a afastamento no olhar.
- Obrigado filho, agora é que lá ia eu.
- Tem de ter cuidado, respondi.
- Obrigado. Sabes, fazes-me lembrar o meu neto.
Silêncio. Sorri.
- Quer lhe telefonar? – Mostrei o telemóvel.
Os olhos bem encetados decaíram ao chão, soltou-se do meu braço individualizando-se, como que a sacudir-se da queda que não deu. Inspirou fundo e contestou sem me fitar.
- Não, ele está a trabalhar. Ele não pode. Está a trabalhar. Obrigado, sim?
Acondicionei o telefone no bolso interior do casaco e disse;
- Ele gosta muito de si.
- Como? – Perguntou admirada.
- Dizia que o seu neto, ele gosta muito de si.
Ergueu novamente os olhos brilhantes de entusiasmo, projectou o sorriso mais genuíno da rua, e interrogou-me;
- Tens a certeza?
- Tenho a certeza. Absoluta.