23/12/2016

Só para quem goste da animais

A Assembleia da República aprovou hoje uma alteração ao Código Civil (C.C.) que tenderá a atribuir um instituto intermédio entre pessoas e coisas (objetos), aos animais. Sem lhes ser naturalmente conferida uma personalidade jurídica, Cfr. art. 66.º do C.C., tornam-se aparentemente sujeitos susceptíveis de (algumas) relações jurídicas.
Por sua vez, chumbou a proposta de lei que pretendia alterar a lei de 2014 relativa aos maus tratos dos animais, que se diga, escora graves erros legislativos no que concerne à definição de «Animais de Companhia», Cfr. art. 389.º do Código Penal (C.P.), levando a sistemáticos arquivamentos de 90% dos processos.
Actualmente, entende o Art. 389.º do C.P., que exclusivamente sobre os «Animais de Companhia» se aplicará o crime de maus tratos consagrado no disposto do art. 387.º n.º1 do mesmo diploma. Existe actualmente uma recusa ideologicamente musculada em alargar a protecção contra maus tratos a outros animais que não os de companhia e/ou alterar o conceito destes.
A informação científica hoje disponível, não sustenta que um gato ou um cão sejam mais sencientes e tenham maior capacidade para experimentar dor e sofrimento do que um porco, um cavalo, um bovino ou um corvo. Mas nesta senda de raciocínio, onde ficavam as touradas? Um problema ideológico, como frisei.
Hoje aprovou-se uma alteração ao C.C., e agora em casos de divórcios, não mais poderei observar o cão ou o gato como o sofá ou a televisão, para efeitos de partilhas. Faz sentido.
Contudo, perdeu-me mais uma vez, a oportunidade de conformar a lei penal, na parte respeitante à protecção dos animais, com a Constituição, o que é insistir no erro e eternizar parte dos problemas, criados pela legislação vigente.
Por exemplo, é lamentável que nenhum dos dois projectos contemple os maus tratos psicológicos nem os danos à saúde. Repete-se assim o erro da legislação em vigor. O stress intenso e as deficientes condições de alojamento são responsáveis por patologias graves e comportamentos anómalos como a automutilação.
A punição do recurso a animais para práticas sexuais – que já é crime em países como a Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Holanda e Noruega – também não está prevista.
Mantêm-se impunes actos de violência contra animais na posse de humanos que não sejam de considerados «Animais de Companhia».

21/12/2016

Educação para a abstinência sexual nas escolas?

Quando era mais novo não apreciava especialmente a «fanfarra dos bombeiros». Achava a música uniforme e repetida. Contudo com o tempo ganhei alguma consideração não pela música, mas pelo facto de enquanto o Corpo de bombeiros desfilava pelas avenidas com o seu compasso musical tão próprio, significava então que não haviam incêndios por extinguir, pessoas por auxiliar, e isso tranquilizava-me o espirito de algum modo.

Nessa perspectiva, também me sinto pretensioso por viver num país onde os dilemas fracturantes deste são tão periféricos e estreitos que se permite que uma juventude partidária se possa debruçar sobre a «Educação para a abstinência sexual nas escolas».
Que orgulho sinto...

16/12/2016

Uma semana à Sporting

Depois dos já imensamente conhecidos «Quinze minutos à Benfica», eis que surge de rompante a nova patente que se regista como «Uma semana à Sporting».

1. Perde o Dérbi.
2. Perde a oportunidade de se tornar líder.
3. Fica a cinco pontos do líder.
4. Passa para terceiro lugar.
5. Vê o caso dos vouchers ser arquivado.
6. Perde com o Legia de Varsóvia e fica fora da Liga Europa.
7. Perde o recurso no Tribunal, e está obrigado a pagar mais 16,5 Milhões de Euros à Doyen.
8. Vê a suspensão de Luis Filipe Vieira como uma vitória, mas acaba revogada – Suspensivo.
9. Perde 4 campeonatos, sendo colocado no seu devido lugar, pela Federação Portuguesa de Futebol.
10. Entretanto o Bruno de Carvalho dá uma entrevista onde explica que todos os pontos acima descritos, são sempre culpa do mundo. Nunca do Sporting. É do árbitro, do clima, do piu-piu, do país que temos, do Benfica, das cartolinas atómicas de destruição maciça, dos outros... Nunca do Sporting.


Bom Natal a todos, por acreditarem!

14/12/2016

JÁ ME CANSA SÓ ACREDITAR NA HUMANIDADE QUANDO CAIEM AVIÕES

Há pessoas que porfiam em permanecer imundas. Sim, tenho percepção que a expressão é pesada, mas aquele não tão estreito e infeliz grupo de pessoas que se regozijam em observações ignóbeis com as notícias do estado de saúde do Dr. Mário Soares, mantém-me a teoria que ainda coabitamos por cá com Neanderthalensis.
Por muito que nos separem as ideologias distintas, nenhuma dessas nos obriga a desvincular da inteligência e humanidade. É só isso que falta. Humanidade.


Já me cansa só acreditar na humanidade quando caiem aviões.

13/12/2016

Explaining my depression to my mother - Sabrina Benaim

Mom, my depression is a shapeshifter
One day it's as small as a firefly in the palm of a bear
The next it's the bear
On those days I play dead until the bear leaves me alone
I call the bad days "the Dark Days"
Mom says try lighting candles
But when I see a candle I see the flicker of a flame
Sparks of a memory younger than noon
I am standing beside her open casket
It is the moment that I learn everyone I will ever come to know will someday die
Besides Mom, I'm not afraid of the dark, perhaps that's part of the problem
Mom says I thought the problem was that you can't get out of bed
I can't, anxiety holds me a hostage inside of my house inside of my head
Mom says where did anxiety come from
Anxiety is the cousin visiting from out of town that depression felt obligated to invite to the party
Mom, I am the party, only I'm a party I don't want to be at
Mom says why don't you try going to actual parties, see your friends
Sure I make plans, I make plans I don't want to go to
I make plans because I know I should want to go I know sometimes I would have wanted to go
It's just not that fun having fun when you don't want to have fun Mom
You see Mom each night Insomnia sweeps me up in his arms dips me in the kitchen in the small glow of the stove-light
Insomnia has this romantic way of making the moon feel like perfect company
Mom says try counting sheep
But my mind can only count reasons to stay awake
So I go for walks, but my stuttering kneecaps clank like silver spoons held in strong arms with loose wrists
They ring in my ears like clumsy church bells reminding me that I am sleepwalking on an ocean of happiness that I cannot
Baptize myself in
Mom says happy is a decision
But my happy is as hollow as a pin pricked egg
My happy is a high fever that will break
Mom says I am so good at making something out of nothing and then flat out asks me if I am afraid of dying
No Mom I am afraid of living
Mom I am lonely
I think I learned that when Dad left how to turn the anger into lonely the lonely into busy
So when I say I've been super busy lately I mean I've been falling asleep on the couch watching SportsCenter
To avoid confronting the empty side of my bed
But my depression always drags me back to my bed
Until my bones are forgotten fossils of a skeleton sunken city
My mouth a bone yard of teeth broken from biting down on themselves
The hollow auditorium of my chest swoons with the echoes of a heartbeat
But I am just a careless tourist here
I will never truly know where I have been
Mom still doesn't understand
Mom, can't you see
That neither can I


10/12/2016

Pode o Advogado representar-se a si mesmo, aquando da necessidade de se constituir assistente?

Entendo que a razão pela qual o legislador exige que o assistente seja representado por advogado reside, pois, na exigência de que a representação seja efectuada por pessoa legalmente habilitada no conhecimento do direito, capaz de assegurar eficazmente os interesses do representado.
Neste sentido, é igualmente importante destacar que do ponto de vista do elemento teleológico de interpretação do art. 70.º, n.º 1 do CPP, leva a justificar a exigência de representação por advogado pela necessidade de preparação técnica, de conhecimento do direito, o que no caso em concreto está, ou deveria estar salvaguardada.
Em suma, serei obrigado a posicionar-me de acordo com o voto vencido da Dr.ª Helena Moniz, entendendo não existir necessidade de constituição de mandatário no caso em apreço, com a prerrogativa de que o próprio entenda, estarem acautelados os princípios da isenção, e autonomia técnica.
Aplicar-se-ia por sua vez, como uma contingência a decidir pelo Assistente-Advogado, em detrimento de uma obrigação processual conforme o douto acórdão uniformiza.

05/12/2016

Obrigado - 30 anos

Amigos, na impossibilidade humana de retribuir individualmente a cada mensagem que me fizeram chegar, permitam-me esta espécie de agradecimento colectivo, que ainda assim, é absolutamente sentido e franco.
Estou imensamente grato por colorirem o meu dia com mensagens, e-mails, cartas, telefonemas, palavras, abraços, sorrisos. Todas as felicitações foram arrecadadas com um sorriso apinhado de vaidade por me escoltarem nesta jornada. Cá vos aguardo por mais trinta.
Fiquei sentido por não se lembrarem dos aviões. Próximo 4 de Dezembro… falta menos de um ano! Já sabem.
Obrigado a todos!
PS: Quem quiser uma fatia de bolo, é ir comprar. Naturalmente.








O homem sincero

Quando entrou no bar fez-lhe sinal para se sentar na mesa junto da janela. Com trepidez, ela sentou-se com olhar de quem apela «cuidado não me magoes!». Dele só podia sair aquela franqueza mais perniciosa, capaz de britar o gelo dos pólos.
«Sabes – começou - o que me desvia de ti não é medo de querer que fiques. É o receio de querer que vás ficando. Eu sou futilmente sensível à beleza do teu corpo, da tua face e tu… bem, tu és bela como a Adrianne Palicki. Houve em tempos uma rápida aflição que pensei ser saudade, mas não passava da pedinchice de um corpo em carência, de mera leviandade hormonal.
Repara, tu és puramente um refrão de uma música de três acordes. Dó-Sol-Fá, e que dó me dá. Desculpa… Vejo-te um solilóquio, um livro de três mil páginas que renuncio a leitura ao fim do segundo capítulo. Tem dias que vou ao terceiro, mas nunca me prende o conto. Tenta não me odiar. És uma boa alma, mas só me apetece ter-te para puro prazer da vista e do toque, como uma escultura ou um quadro, que contemplamos e rectificamos da perspectiva que nos almeja. Deste teu quadro, nunca descubro traços novos, independentemente da perspectiva adoptada.
A tua conversa é enfadonha como a senha 86 da segurança social às 15 horas. És uma ida às finanças.
O sexo é bom, e às vezes mediano - o que é bem pior do que ser mau, porque a ser, geraríamos algo novo. Descoberta fantástica que nos riamos noite fora. Nada.
Se eu tencionasse mesmo, mesmo muito, dar-te-ia a aprender um mundo novo, apresentava-te a minha cabeça «superhipersónica».
Confundir-te-ia, banzada, com as minhas reviravoltas intelectuais, as exasperantes aparentes antinomias e a superfluidade comovedora.
Acredita, perder-te-ias no meu labirinto interior, de tantas revindas que te deixaria tonta e disparatada, inábil de hábitos e obrigada a resistências imprevisíveis. Mas não quero.
Sabes Porquê? Pelo que mais se destaca no espaço amoroso: não entendes as minhas piadas».

30/11/2016

Um retrato cansado

Quando estacionei o carro escutava o som do vento a enlaçar as arestas externas deste. Um sibilo desprazível e prenunciador de uma corrida de sofrimento até à porta do Tribunal.
Já cá fora – meia-volta que nem militar experimentado - em direcção do tribunal, e sou bloqueado por uma face repisada de rugas octogenárias vincadas, de mão estirada, molhada da chuva, a pedir uma “ajudinha”, com voz moradora numa alma esgotada dos anos, do tempo, do mundo.
Depois da “ajudinha”, agradeceu e abandonou-me ancorado no chão. Lapidificado a vê-la afastar-se na direcção do Rio Sado, combatendo estoicamente contra um vento que insistia a inventar-lhe novas fortunas e solavancos. A debilidade essa, já nem ligava à chuva.
Há dias que o nosso corpo de gigante se encaixa num frasquinho de dor. Hoje vim para casa de tubo de ensaio. Acanhado.

27/11/2016

REGRAS - COMO SE COMPORTAR NO FACEBOOK?!

Só não vos peço para fechar os olhos, porque estão a ler. Tornava-se mais complexo. Contudo se conseguirem…

Suponham que estão a caminhar na avenida central da vossa cidade. Atravessam centenas de pessoas por hora, quando senão, reparam que alguém no passeio oposto, se veste de forma totalmente diversa daquela que vocês apreciam.

- Pergunto-me, berram para esse indivíduo a expor-lhe o quanto mal se veste, o quanto inadequada está no padrão, julgando-a na vida pela roupa que carrega no corpo?

1. Se a tua resposta foi positiva, podes concluir a leitura por aqui, mover o ponteiro do rato ali no lado superior direito onde diz «Amigos», e seleccionem a opção «Remover amizade».
2. Farei um tutorial para auxiliar os oligofrénicos.
3. Se não sabes o que é um «Oligofrénico», pesquisa no Google.
4. Se não sabes o que é um «Tutorial», aplica o ponto 1.
5. Se fores o Trump, estás excluído dos pontos 1 a 4. (Eu gosto de me rir!)

A mim afigurar-se que no Facebook e demais redes sociais, aplicar-se-á o mesmo critério.
Atestamos qualquer conteúdo que achamos um perfeito absurdo. Uma asneirada. Um terrorismo intelectual descomunal. Designem como quiserem. Quando damos por nós, a Maria Leal é candidata a P.R. e o João Benedito a Presidente do Sporting… Comentar?

1. Se estiverem de acordo, comentem, gostem, adorem, partilhem!
2. Se não estiverem de acordo, estejam simplesmente quietos. Deixem-se de armar em juízes de execução de penas. São esses os ditames do respeito.
3. Os pontos 1 e 2 não se aplicam se for um post do Donald Trump. Partilhem directamente no meu mural. (Eu gosto de me rir!)

Mais a sério malta fantástica.
Vamos relembrar que atrás de cada ecrã habitam pessoas e não simples fotos de perfil. Esse ecrã não pode nem deve ser véu de impunidade lógica, que nos consente a comentar sempre que não estamos de acordo. ~
Se cada um de nós fosse assim na vida, a realidade é que não a tínhamos! Reparem que 98% das vezes, ninguém vos perguntou coisa alguma, certo?
Inteligentemente saudável seria mesmo respeitar a opinião diversa, sem a necessidade de patentearmos a nossa discórdia. Muito menos sem educação. O julgamento que não deve existir, a ter lugar, é realizado em silêncio – de preferência com um sorriso de esgar.
Concluindo,
O meu Facebook é a minha casa, não a vossa. Surjam por bem e bebemos juntos. Caso contrário, eu sou um democrata, mas o meu Facebook não é uma democracia.

Ps: Sempre que copiem um texto de alguém, identifiquem essa pessoa. Vamos lá saber viver em CiberSociedade.

RADICALISMO DO AMOR

Foram semanas dedáleas e as informações transpunham-se diariamente, sem que eu tivesse tempo algum para esconjurar os nervos.
Agora que as querelas jurídicas me permitiram inspirar um pouco mais fundo, dei com os olhos postos no escrito da Sr.ª Assunção Cristas onde registava a resposta ao «radicalismo do populismo, com o radicalismo do amor».
Não é sequer necessário ser católico, para compreender que «Radicalismo do amor» é uma expressão trivial na esfera católica, que porventura fará todo o sentido a nível espiritual e religioso, mas dissipa-se totalmente de nexo a nível político.
O «radicalismo do amor» pode até ser um delineamento místico altamente apreciável a nível particular, mas ele não é um plano político que a líder de um partido deva aduzir a toda a sociedade. E nada tem a ver com ilogismo ou falta de audácia em preconizar as convicções religiosas de cada um – relaciona-se com a distinção, excessivamente valiosa para ser desconsiderada, entre o plano político e o plano religioso. A separação entre a igreja e a política é retemperante, e o CDS ainda é um partido político. Associar, é puramente terrorismo ideológico.
Amor é uma palavra politicamente inútil.

19/11/2016

Portugal - dos pequeninos...

Há leituras que por serem tão fastidiosas me exaltam dores de cabeça. Há leituras que por serem tão extensas me instigam sofrimento nos olhos. Com esta realidade, queixo-me da alma. Adultera-me o espírito.


Podem não acreditar, mas está aqui - O Trump explicado para os meninos desatentos.

15/11/2016

Esta noite

Esta noite trajas pela casa com uma camisa de homem, branca. Larga. Uns sete números acima da tua dimensão. O tamanho certo.
Esta noite colocas aqueles saltos, para ficarmos numa só medida. Selecciona a música, porque a dança, o homem conduz.

09/11/2016

EVERY COUNTRY HAS THE PRESIDENT IT DESSERVES!

NOTA: Antes de delinear alguma opinião pacóvia, permitam-me salvaguardar que 90% das observações que tenho lido nas redes sociais, são de pessoas que não assentem nem coabitam com a democracia.
Podemos aprovar ou não o resultado, mas não devemos descurar, nem tentar inverter o que foi um processo de sufrágio democrático.
A democracia não existe só para socorrer os «nossos ideais de justiça». É global. Labora para um “bem” público. Comum.
______
Bem, ainda ontem adormeci em 2016, e hoje acordo em 1933.
Estranho, porque continuo com a barba por fazer.
Meus caros, sejamos pragmáticos. Todos os dias saímos à rua e cruzamo-nos com imensos homo-neanthertalensis. Acéfalos. Até lhes oferecemos os «Bons dias!». A dissemelhança é que este é Presidente dos EUA.
Para vos asserenar as almas, tenho para mim que “Donald Trump Presidente”, não será o Trump que nos ‘animou’ durante amplos meses de campanha eleitoral, o que não deixa de ser deplorável, todavia díspar.
Aflige-me mais a assimilação que o povo americano, fez das palavras de Trump. Donald Trump durante a correria à Casa Branca, conseguiu através dos seus discursos epidérmicos desprender os demónios da ignorância, do populismo e da intolerância. Quando se exaltam junto de um povo carente de informação, esgotado de um sistema, bastante tempo demora até se retornar a colocar «a caixa dentro do armário».
Discursos tenebrosamente apelativos, ao ponto do Klu klux klan rever os seus ideais radicais neles, e conferir o seu aplauso ao candidato.
Prevejo tempos conturbados no que respeita à paz social nos EUA.
Acredito que o povo americano não votou para eleger Donald Trump, mas antes por um clamor de rebelião contra o sistema institucionalizado nos EUA, praticamente desde a Segunda Guerra Mundial. Sem a minúscula noção dos efeitos e consequências que daí advém. É certo.
Já agora, é igualmente genuíno que um país desenvolvido, não representa que nele habite uma sociedade politicamente desenvolvida.
O sistema político, assim como a justiça são o caos nos EUA. Aplicar-se-iam a um 4.º mundo por inventar.
Não se acolhe um Presidente dos EUA com o perfil de Trump – Estrela de Reality shows - como não se admite que a “melhor” candidata à Casa Branca fosse Hillary Clinton. Uma nulidade, igualmente perigosa.
Every country has the President it desserves.

06/11/2016

A febre do Sr. Ministro

Ouvindo a questão, ele observou-lhe os olhos com algum desdém.
Era naturalmente perceptível que com a chegada do Vinho do Porto ao estômago, pouco implicava quem ele era, de onde vinha, ou o que fazia.
Ele era o que ela quisesse, ele fazia o que ela deixasse. Eram pouco significativas as muitas línguas que poderia saber falar, afinal, já só procurava descobrir a dela nos escondidos ângulos do pescoço. Nada valiam as inúmeras formações com aprofundados doutoramentos, quando nenhuma ciência lhe dilucidava o fogo daquela febre. Febre do toque, avidez do fôlego.
Foi o indicador a pressionar-lhe os lábios que a sustaram de persistir nas questões desnecessárias. Por sua vez entendida, ela sorriu e beijou-lhe o indicador com delicadeza, mesma antes de o provar.
O Sr. Ministro tinha então descoberto, antipirético quimérico para descender aquele estado febril.

02/11/2016

E tu, sabes abastecer o teu carro?

São imensuráveis as aulas sobre o código da estrada, outras tantas respeitantes à condução, mas colocar combustível na viatura que é vital, ninguém ensina. Ao menos que no fim alguém soubesse fazer rotundas de duas ou três faixas. Mas nem falar disso é favorável.

Por alienígena que vos possa parecer, provoca-me mais aversão os «inaptos do abastecimento», do que propriamente a loirinha com os dentes de fora que deixa o Yaris a Diesel ir a baixo cinco vezes antes de arrancar. Isto numa descida.

Para tentar ser mais célere, fino e afoito, o senhor condutor parou a viatura do lado errado do posto de abastecimento, e então andava em disputa frenética com a mangueira retesada a tentar ladear o carro, para o conseguir abastecer. Assisti em primeira fila a uma casta rara de bombeiro careca, desfardado, que a lutar, estava a ser picado por 17 abelhas.

Se ele podia chegar o automóvel à frente para que a mangueira alcança-se o depósito? Podia pois. Mas por ser homem de barba rija, preferiu abrir as portas traseiras, e fazer passar a pistola e devida mangueira, por dentro do carro.
Se conseguiu abastecer? Naturalmente que não, mas valeu bastante a pena ver o espectáculo. Estive bastante próximo de pela primeira vez, contemplar um homem enforcar-se numa mangueira de abastecimento, sozinho. Ninguém o ajudou e ele sozinho, ia-se mesmo falecendo por três vezes. Nem nos escuteiros eu aprendi a fazer aquele laço. Resistiu por pouco e, resolveu então chegar o automóvel um pouco à frente. Do alto do seu metro e meio, empurrou o carro (para não gastar combustível certamente) e a mangueira já se tornava eficaz naquele depósito vazio.

Ao fim de (mais) 7 minutos o automóvel estava atestado, e a pistola fazia “cliques” por todos os lados. Mas homem que é homem não se detém ao primeiro “clique”, e insiste mais um pouco. Insiste só até o depósito de cheio que estava, esguichar combustível em jorro, ao ponto do Sr. Bombeiro ficar com os sapatinhos todos molhados e odoríficos.

Com isto já iam 25 minutos de espera e, fosse eu fumador, arremessava-lhe uma beata ao pézinhos, só para exteriorizar o meu desagrado atinente aos «inaptos do abastecimento».

26/10/2016

«DIFAMAÇÃO» - O CRIME SEM JUSTIÇA

Os Tribunais são órgãos soberanos que administram a justiça em nome do povo. Já a justiça, é tálamo entre uma sociedade desabrigada e o restauro dos seus direitos. Quando se busca a justiça, mais do que paridade, procura-se um contrabalanço de direitos injustamente transgredidos. É a voz de ordem que regala o equilíbrio. Contudo, a justiça não consegue responder a todos os crimes. Não é capaz de oferecer o equilíbrio esperado, e isso verifica-se na «Difamação».

Quer judicial ou socialmente, não há pena ou sanção eficiente no contrabalanço de direitos injustamente transgredidos. O bom-nome, a imagem, a honra, a dignidade, et cetera.
Quando o agente que executa a maledicência de uma opinião, juízo de valor errado, é confrontado com esse flagício - responsabilizando-se - podemos afirmar que do ponto de vista da vítima/difamado se fez justiça quando a nível pessoal? Estará ou não este, ainda privado da sua paz social? Sim, porque manifestamente essa não se transforma.

O dístico perdurará ancorado como um barco encalhado na terra, independentemente de perdões, arrependimentos, indemnizações e várias sanções de qualquer índole. Nem a pena capital seria solução, porque não existe forma de justiça. Somente reposição moral.
Do mesmo modo que uma notícia sensacionalista vale muito mais que um Acórdão judicial, habitamos num mundo de cidadãos onde a verbosidade impaciente não domina o alcance tenebroso que uma apreciação caluniosa pode ter.
Não há justiça, para a difamação.

09/10/2016

Estou em choque, e custa-me a dizer isto, mas desta vez coloco-me ao lado do Partido C…. Calma. Respira Ivo.
Aqui vai. - Com o programa “Revive”, coloco-me ao lado do Partido Comunista. Já disse! Feito. Adeus, boa noite.


NOTA: O programa “Revive”, é um programa governamental em que os Ministérios da Economia, da Cultura e das Finanças, permitirão a concessão a privados em 30 concursos públicos para o desenvolvimento de projectos turísticos de 30 imóveis do Estado sem utilização. Degradados.
Em primeiro lugar é importante salientar que eu não tenho nada contra o programa. Aliás, compreendo que o Estado não detenha capacidade financeira para a manutenção dos Museus nacionais, e que se propende a convocar as iniciativas privadas, contudo, eu sou um tanto sentimental no que respeita à história do meu país.
Absolvam-me desta mariquice. Um dia faço-me homem e isto passa-me.
Inicialmente os imóveis a concurso serão o Forte de Peniche, Forte do Guincho, Castelo de Vila Nova de Cerveira, Mosteiro de Santa Clara a Nova, entre outros.
Quanto ao Forte de Peniche, acima de fazer peculiar sentido para o Partido Comunista Português, a realidade é que também o deveria fazer para qualquer Democrata.
Eu não tenho a certeza que as pessoas saibam para que serviu o Forte no tempo do Estado-Novo, mas a Wikipédia actualmente já não é vergonha para ninguém, e eu sou deplorável para ensinar. Vamos lá, sempre é melhor que o Love on Top.
Até porque pelo andar da situação, a Wikipédia será a única forma de se informarem sobre a história do Forte de Peniche. Quando este se transverter uma belíssima residencial, de luxo concerteza, poucos historicistas permanecerão lá para as vossas dúvidas mais legítimas. É um palpite.
Na verdade este é um futuro muito presente no nosso passado.
Assistimos ao mesmo na Rua António Maria Cardoso, com a Ex sede da PIDE (Wikipédia para os distraídos!), onde me evidenciava ser um local por excelência de homenagem e culto aos muitos que resistiram ao Estado-Novo, todavia, não temos sido definitivamente um país com o cuidado de preservar a memória.
O edifício da Pide já é um empreendimento de luxo, aproxima-se a pousada do Forte de Peniche, e aguardo impaciente pelo SPA do Tarrafal.
Estamos a criar gerações de jovens sem memória, estamos a criar gente sem história. Quando a memória e a história não se encontram, encontram-se os cataclismos sociais.

30/09/2016

O mito das estações do ano

O que é que o rapto de uma criança, tem a ver com as estações do ano?
Bem, os Gregos explicam as estações do ano através de um curioso mito, amplamente propagado por todas as civilizações na época.
E Deusa Deméter, que era a «Deusa da Terra», verifica que a sua filha Perséfone tinha desaparecido. Apercebe-se entretanto, que Perséfone tinha sido raptada por Hades.
Hades é para já duas coisas. - O «Deus do Submundo do inferno e os mortos» e é também a forma como alguns dirigentes desportivos conjugam o verbo haver.
Felizmente que neste mito Grego, é só o Deus do Submundo, o que me facilita em boa parte.
Posto isto, Deméter vai ter com Zeus, e exige que este obrigue Hades a devolver-lhe a sua filha.
Como Zeus é irmão de Hades e não se quer meter nos entretenimentos do maninho, prefere não fazer nada. Assim fica.
Com este gravíssimo conflito de interesses familiar, a Deusa Deméter amua de beicinho e braços cruzados, e recusa-se a fazer crescer planta alguma. A Terra começa a mirrar. Nada floresce. Era o caos.
Por esta altura, Zeus determina o impasse com um compromisso. Seis meses Perséfone ficaria com a mãe, e nos restantes seis, com Hades.
É então por isso que nós temos uma terra que durante seis meses tudo floresce, e nos outros seis, está aparentemente mais triste.

28/09/2016

Dizem que partiste há dois anos

Dizem que partiste há dois anos, mas comento que foram todos aldrabados.
Ainda ontem eram quatro e meia da manhã e me cobriste com o lençol que eu sempre insisto em dormir por cima. Deste pelo meu frio, pulaste dessa tua ausência e, ficaste a olhar para mim.
Tem sido difícil não puder resmungar contigo também.
Têm sido dois anos de piscinas sem pé. De alto mar sem bóias que flutuem. Dias do meu corpo de gigante a residir num pequeno frasco de compota. Dóis-me e não sei mencionar onde. Explicar?
- Mas Sr. Doutor, eu juro que me dói!
Ele não entende Avó. Ele não sabe de uma dor que não sente.
A tua saída viola-me o sangue, violenta-me o espirito. Subtrai-me o sorriso e desenraíza-me a carne.
Olha para ti. Mal sabias ler e deste-me a maior lição de todas. Sem te pedir ou desejar, dedicaste-me o livro do sofrimento. Quando o terminei, Amo-te cada vez mais.
Diz-me tu, mas que lição é esta?
Promete que vais aparecendo…
Amo-te*

22/09/2016

Meta dos 100.000 Leitores?!

A sociedade está perdida!
Conto de Falhas é o equivalente literário a - Um Fedelho discreto com dez anos, que só cospe chupetas e lança pérfido odor das fraldas.

 No fim, é visitado por 100.000 indivíduos respeitáveis – que com estes hábitos de leitura, não vão a lado nenhum.

 OBRIGADO!

21/09/2016

JÁ LI O LIVRO PROIBIDO – E O AUTOR É INSANO!

Todos nós já escrevemos algo demais. Algo que posteriormente apagámos. «Espera que aqui passei os limites. Vou corrigir, antes que me corrijam». O Arquitecto António José Saraiva, nunca apagou nada. É um incontinente editorial.
Criatura sórdida e director do Jornal Sol, que decidiu editar um livro onde escarnece de forma imunda, repugnante e infeliz, a vida privada de 42 figuras públicas portuguesas. Trata-se então, de uma devassa gratuita da intimidade, sem outro objectivo que não o de penetrar, ferir e lucrar com toda essa tabidez que habita no córtex frontal deste prodígio.

São relatadas conversas privadas e pormenores íntimos destas personalidades portuguesas. Revelações sobre orientação sexual, infertilidade, ódios de estimação, intrigas, insultos e jogos de bastidores. O pináculo desta ingerência no respeito e boa imagem, é o relato de uma conversa privada com uma pessoa que já faleceu, acerca da vida sexual de uma figura pública. Bingo na javardeira.
A selecção das pessoas visadas pelos desconchavos de António José Saraiva, destapa um recalcamento profundo com uma retaliação notória, porque naturalmente, existem muitas outras figuras relacionadas entre partidos, cores, agremiações e obediências, que passam incólumes a todo este vexame desprezível.
Para apresentação de sebenta devassa da vida privada dos muitos visados, foi convidado o Ex Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.
Contemplar Pedro Passos Coelho a apresentar uma obra(?) desta natureza acerca de gente que lhe é contígua, deixa-me a ponderar que ou o apresentava, ou o próprio era visado no livro.
Se não foi possível impedi-lo, ao menos que sirva de malicioso exemplo. É que quando não há vergonha, não há remédio.
Ora aqui está um texto que provavelmente o deveria ter apagado antes de o publicar.

18/09/2016

AS DESCULPAS QUE NÃO SE PEDEM, SENÃO EM TRIBUNAL

Assistimos em primeira fila ao desmantelamento da Democracia.
Juízes de Instrução Criminal que não têm a capacidade de se distanciar dos arguidos. Comunicação social que se constitui Assistente num processo com o exclusivo proveito em transgredir o seu segredo nas bárbaras manchetes de pasquins rasteiros. Anuência colectiva na violação de todos os prazos consagrados na lei processual.

É tão absolutamente perverso como real, o impacto que a comunicação social irresponsável e subordinada a uma agenda económica e ideológica, tem na justiça.
É absolutamente perverso o impacto que a promiscuidade de alguns agentes da justiça de proeminência com a comunicação social leviana, têm na justiça.

Não é democraticamente razoável a postura que o Correio da Manhã tem vindo a fruir ao longo de vários processos mediáticos.
Desprestigiando a Justiça. A Democracia. Os Órgãos de soberania. Inclusive, a separação de poderes.
As desculpas não são bastantes, quando o impacto é de uma proporção avassaladora. É de um crime que falamos. – Não carecemos de revisões constitucionais, ou reformas penais. Essencialmente, urge que se cumpram as que existem.

O Correio da Manhã não se limita a assumir o erro de uma notícia falsa, (que sem pudor algum a publicou em primeira página) como identifica o mentor de tal afirmação - O Exmo. Sr. Procurador Rosário Teixeira.
Se dúvidas existiam relativamente à origem das fugas no Segredo de Justiça, só alguém muito patego ou fanático ainda repousa na ignorância.

As proporções deste ataque reiterado à Democracia, já não permite que se imiscuam personalidades como a Ministra da Justiça, a Procuradora Geral da República, o Primeiro-ministro, e inclusive o Presidente da República.
Sim Professor Marcelo, há-de chegar o momento em que o porte de encantar a este mundo e ao outro, tem de terminar.
O desmantelamento da Democracia, é um desses momentos.

16/09/2016

14/09/2016

Envergonhado deste meu Benfica - Talisca

Aceito que o atleta Talisca tenha sido filmado a jogar futsal com os amigos em Sobral de Monte Agraço. Uma delas no dia anterior ao jogo com o F.C.Porto - jogo esse que seria decisivo para o título - violando assim normas e critérios exigidos a atletas profissionais federados, e o regulamento interno do clube.
Compreendo que tenha dado uma entrevista na Turquia a dizer que a saída do Benfica é resultado do seu estilo de vida desadequado com a profissão de atleta profissional.
Admito a sua entrevista a um órgão de comunicação social Português que o seu comportamento desajustado foi resultado da tenra idade e que estava hoje (na altura) ciente disso…
Agora…
Não posso aceitar que o Benfica permita que um jogador que ganha € 500,00 por mês, a recibos verdes, fique sem dinheiro para comprar fraldas à sua filha de seis dias. É desumano.
Vamos unir-nos contra o trabalho precário! Ajudem o Talisca!
#AjudaOTalisca

12/09/2016

Acabaram as férias


Infelizmente, acabaram as férias.
Em zapping pela televisão da sala apanho: «Não leio porque faz mal aos olhos».
Foi um tal de Nuno - casa dos segredos 6. Futura personagem com página de figura pública pelo Facebook.

 TVI não falha nos castings.

10/09/2016

Entrevista ao Juiz Carlos Alexandre

Soube na Terça-Feira que o Juiz Carlos Alexandre iria conceder uma entrevista à Sic, e depressa indaguei - mas porquê? Fui imediatamente sustido por curiosos de plateia, abonando que «quem não deve, não teme». Isso.
Para mim, em cada português povoa um pequeno Alberto Caeiro, e todos querem «ver como uns danados».
Pois bem.
Um Juiz não deve vir a público elucidar que ninguém o deve temer, rematando que, inicialmente não compreende que tenha ‘Poder’, mas que pasme-se! - Em inquieta cabriola já o tinha, e afirmou que poderia ser perigoso utilizá-lo para o mal.
A justiça não se unifica ou pratica nas televisões do país, do mesmo modo que um Juiz não deve, pese embora possa – em casos que a lei assim permitir - manifestar-se publicamente sobre casos que tem ou teve em mãos, tentado asseverar a sua rectidão, isenção e dignidade.
Ontem, o Juiz Carlos Alexandre pese embora não acoste ao caso em apreço, como tão bem os estatutos dos magistrados plasmam, não deve retrucar «Não tenho dinheiro ou contas bancárias em nome de amigos». Tratou-se de uma clara sugestão ao arguido da Operação Marquês. E se me comentam que não há alusão alguma, repito. Não deveria o Juiz Carlos Alexandre, ainda que sob o seu «super-véu» de rectidão e idoneidade colocar-se nessa posição, especialmente consciente - que deve ser - do impacto de cada palavra terá nos sequiosos populistas de sofá. Não, não foi inocente.
Na sociedade que hoje vivemos, atendemos a uma espécie de comunicação social que tem manifesto interesse em mirar através das fechaduras, e amalgamam tudo isso com Liberdade. Aliás, invocam-na para tentar legitimar o seu comportamento que é de génese económica. Não outra. Pior que essa política de refutação à concorrência mediática, sou eu a observar pessoas interessadas a escancarar a sua porta, para se expôr publicamente. O Juiz Carlos Alexandre com quinhão industrial de despretensão não estima que na sociedade o apelidem de «Super-Juiz», e depois vem outorgar uma entrevista à Sic.
Das inúmeras questões colocadas pela jornalista, que só a candura em pessoa não verificava o prévio ensaio das mesmas, não ouvi pronúncia alguma acerca da anuência ou posição do Conselho Superior de Magistratura quanto à entrevista que Carlos Alexandre deu. - Veremos se a entrevista não oferecerá queixa conta o Juiz Carlos Alexandre.
Eu estou interdito de me « (…) pronunciar publicamente, na imprensa ou noutros meios de comunicação social, sobre questões profissionais pendentes».
O Carlos Alexandre detém uma prerrogativa especial que lhe permite fintar a abordagem ao caso em concreto e de seguida confeccionar afirmações que consintam assemelhações e afinidades com casos pendentes, por sinal, que os detém em mãos?
Permita-me tratá-lo por Carlos. Foi quem eu escutei ontem. O cidadão Carlos Alexandre numa espécie de entrevista, que jamais deveria ter sucedido.
O Juiz Carlos Alexandre não sei, mas o cidadão Carlos, por falar em Kant e obediências, esse é o ‘Lagarto’ da Opus Dei. Aquele que não pode ficar na cama depois de despertar.
Eu detesto os virtuosos. Desconfio solenemente dos fariseus. Sou cheio de defeitos, e sempre gostei dos homens com defeitos. Não acredito nos virtuosos em causa própria.

25/08/2016

É que no fim são os princípios, são os valores

A comunicação em sociedade é rigorosamente isso. Opiniões. A divergência faz parte de uma saudável troca de pontos de vista acerca de temas actuais da nossa sociedade. Infelizmente o que se repara em muitos momentos é a existência de discursivos que julgam dever transverter a discordância de opiniões em questões pessoais, com afirmações desesperadas e graves. São questões que diminuem o debate. Tiram-lhe elevação, tiram-lhe categoria. O ataque pessoal é o brasão dos cobardes. A arma daqueles que não se conseguem suplantar de outra forma.
A Democracia é o reino do compromisso e, da tolerância. É preciso honrar quem tem opiniões divergentes da nossa. Acontece que há pessoas, com cargos superiores aos próprios, que o utilizam como trampolim de uma desmedida difusão mediática dos despautérios que brotam, e crêem que vale tudo. Não. Nunca vale tudo.
É que no fim são os princípios, são os valores.

24/08/2016

Imunidade não significa impunidade

Se por um lado, e ainda que necessária, é absolutamente ridículo este sistema de imunidades e inviolabilidades sustentado em Portugal pela convenção de Viena.
A imunidade diplomática faz todo o sentido. Contudo, ainda que estendida aos respectivos familiares, esta prerrogativa não pode ser interpretada como uma desresponsabilização e protecção, ao estilo de ‘redoma de intocabilidade’ pelas condutas criminosas que praticam - Nem foi esse o seu objectivo em 1963.
É igualmente verdade que Portugal é o país mais fértil em julgamentos sumários, sem prova, sem diligências. Somos mestres como «julgadores de ouvido».
Mas libertando-me um pouco da diplomacia e lei, entre nós, bem sabemos que um caso semelhante cometido pelo filho do embaixador português no Iraque, e decepavam-lhe as mãos antes que este pudesse exibir o passaporte diplomático.
Atenção.

19/08/2016

O meu desajuste social - Feche os olhos, chegou ao seu destino

Oh Álvaro, se tu não és nada, eu então muito menos sou. Provavelmente nunca serei, nem posso querer ser. À parte isso, tenho em mim muitos dos defeitos do mundo.
Sou mediano em mim. Morno como a sopa dos velhos. Médio como a rotina. O meu ar condicionado não se transpõe do dois e meio, e não tenho intropatia para os 'flirts' das discotecas chiques, independentemente da capital europeia em que se inaugurem. «Ser César para ser César» e eu, mando César à merda.
Ainda não foi engendrado Anti-histamínico capaz, que me desate desta alergia repulsiva a locais apinhados de pessoas que todas juntas tenham um Q.I. do Love On Top.
É esta a minha ineptidão social. Arrogantemente me avoco um amputado que sofre em cada palratório de café as dores que essa excisão me regamboleia. Vivo com o meu GPS interno danificado. Ele só conhece uma morada - Longe. Obriga frequentemente a bateria e instruções, mas ninguém as sabe inserir.
«Feche os olhos, chegou ao seu destino», diz-me.
Faço a cara n.º 72 de quem se agrada e finge compreender tanto desconchavo, mas dou um pulo quando me assusto ao berro do indivíduo na bomba de combustível com um fato de treino do Benfica, aberto e a ostentar os pêlos já brancos, no peito. Não articulo aquela língua, e agora já sou burro velho. Não aprendo da mesma forma que não se pode compelir um surdo a ouvir.
Depois vem a desonra da sensatez perante a potência e celeridade de alastramento do disparate. É a injustiça social no seu expoente. É um Vaivém especial Kamikaze que aborta a missão no meu lóbulo frontal. Despenha-se e nem a caixa negra se aproveita do que escuto. Era matéria para mais sete Dissertações e nove Teses.
Talvez seja isso mesmo. «Feche os olhos, chegou ao seu destino».

16/08/2016

Fotografia e a lei

Afinal posso fotografar pessoas na rua, ou não?

Para os amantes de fotografia, especialmente os de rua, deverão estar cientes da lei Portuguesa, pois parece que estamos sempre a tocar no seu limite.
O principal dilema jurídico da fotografia é, evidentemente, o seu potencial conflito do direito à imagem, com o direito à reserva da vida privada. Há, naturalmente, uma colisão entre o direito à imagem e outros direitos, como o de informar ou – o que mais de perto nos concerne – o direito à criação artística.


Artigo 79.º (Direito à imagem)
1. O retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o consentimento dela; depois da morte da pessoa retratada, a autorização compete às pessoas designadas no n.º 2 do artigo 71.º, segundo a ordem nela indicada.


2. Não é necessário o consentimento da pessoa retratada quando assim o justifiquem a sua notoriedade, o cargo que desempenhe, exigências de polícia ou de justiça, finalidades científicas, didácticas ou culturais, ou quando a reprodução da imagem vier enquadrada na de lugares públicos, ou na de factos de interesse público ou que hajam decorrido publicamente.


3. O retrato não pode, porém, ser reproduzido, exposto ou lançado no comércio, se do facto resultar prejuízo para a honra, reputação ou simples decoro da pessoa retratada.


“Quando a lei emprega a expressão «retrato», está claramente a prever a imagem fotográfica de uma pessoa em concreto, sendo o objetivo do fotógrafo retratar exactamente essa pessoa, e não o que a rodeia. Na fotografia de rua não é nada disto que acontece, porque as pessoas não são retratadas: elas caem no enquadramento, pelo que se aplica a exceção prevista no n.º 2 do preceito legal do artigo 79.º do Código Civil.
A fotografia de pessoas, dentro das condições previstas no artigo 79.º, n.º 2, do Código Civil, em locais públicos, é livre e não depende de autorização ou consentimento das pessoas fotografadas. A pessoa fotografada não tem, ao contrário do que alguns erroneamente pensam, direito a exigir que o fotógrafo apague a fotografia ou, no caso da fotografia analógica, lhe entregue o rolo.
O único limite é a divulgação das imagens em condições ofensivas, como se prevê no n.º 3. Aquele que se sentir ofendido com a divulgação pública da sua imagem “retrato” tem o direito de ser ressarcido do prejuízo que essa publicidade causar ao seu bom nome e reputação (n.º 3). Não podemos fotografar pessoas de tal forma que a fotografia afete a sua reputação, ou mesmo o simples decoro da pessoa fotografada. Há também que ser criterioso: se o que se pretende é fotografar uma pessoa em particular, ela pode ser fotografada – dentro de certas condições, como a de não ofender a honra, reputação ou simples decoro –, mas o retrato não pode ser exposto, publicado ou lançado no comércio sem o seu consentimento.
Contudo, porque estou razoavelmente atento à produção de alguns amadores, parece-me bom que estes tenham consciência de que podem a estar a incorrer em violação dos direitos de personalidade alheios quando se dedicam ao péssimo hábito de fotografar pessoas a quem a praga do politicamente correto colou o apodo de «sem abrigo».
Não é pelo facto de serem mendigos e dormirem ao relento que estas pessoas perdem os seus direitos de personalidade. É necessário muito saber – e, sobretudo, muito sentir – para fotografar estas pessoas sem as explorar e sem as diminuir.”
O que está aqui apresentado é uma explicação simples da lei mas como é óbvio deverão ter cautelas e muito bom senso para evitarem possíveis problemas.

Luisão, o Eterno Capitão

Confesso que ainda estou a assimilar a notícia, porém mais importante que os meus estados de alma, é a necessidade de evidenciar os excelsos 14 anos de dedicação, orgulho, liderança e Benfica.
Serás em mim o nosso eterno capitão, e nós, os teus débeis credores desta dívida impagável de gratidão, por tudo o que foste connosco.
Luisão, Obrigado.


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Veira, agora para ti… É bom que tenhas uns bons euros para mostrar aos adeptos. Caso não, há espíritos mais importantes e necessários que o dinheiro.
Atenção aos tiros nos pés.



12/08/2016

.: O meu eterno aprendiz .:

.: Aquele que crê possuir a verdade não se preocupa em procurá-la, da mesma forma que o justo satisfeito com a sua virtude negligencia o seu aperfeiçoamento moral.
A intuição dirige-se aos espíritos inquietos, àqueles que não se satisfazem com aquilo que puderam aprender.
Aquele que adere a um intangível credo religioso, filosófico, científico ou político comete um erro em dirigir-se à porta do Templo: aí só poderá comportar-se como um intruso.
A vocação iniciática encontra-se no seio desses vagabundos espirituais que erram na noite após terem desertado da sua escola ou igreja por lá não terem encontrado a verdadeira Luz. .:

10/08/2016

Ajudar a Madeira

Os últimos acontecimentos na nossa Ilha da Madeira aparentam ser isolados de um filme aterrador, onde a dor, angústia e aflição são ingredientes assoladores que culminam até então com a morte de quatro cidadãos, em incalculáveis cenários arrasadores.
É o momento de passar das palavras à acção.
É momento de nos munirmos de um espirito de solidariedade e fraternidade.


Cáritas ajuda a Madeira - 0035 0697 0059 7240130 28, da CGD

03/08/2016

Quintino Aires e a televisão nacional

A Tv nacional poderia lançar em corporação com a Ordem dos Psicólogos, «Workshops de incompetência profissional».
Na selecção de comentadores nas mais variadas áreas, a Tv nacional tem sido rigorosa na escolha do desprestígio e da pudicícia.
Quintino Aires é, a manifestação irascível de como uma aposta débil, expõe de forma funesta um infindo número de Psicólogos que não querem, podem, nem logram ser observados sob o escrutínio da apreciação pública, à luz dos despautérios de Quintino.
As responsabilidades incidem igualmente sob alçada da Ordem dos Psicólogos, na pessoa do seu bastonário, o Dr. Telmo Mourinho Baptista.
Um Bastonário que atenta em directo Quintino dizer, (e cito):
- «Fazer sexo com animais aumenta a ligação entre o ser humano e a natureza. Pelo que está claro que não devemos considerar a zoofilia uma perversão, mais sim uma celebração das nossas origens. No fundo somos todos animais» - e mantém fastigiosa a sua indolência em relação ao tema, não é mais um espectador que lamuria, mas antes um cúmplice adjunto que se compromete de imediato.
Medina Carreira, José Gomes Ferreira, Quintino Aires, e mais 50 pessoas que se aferrolham numa casa colorida da Venda-do-Pinheiro com camaras indigitadas ao focinho dos anencéfalos, e uma apresentadora que treina Bullying em directo, estão absolutamente a mais na paisagem televisiva nacional.
Ou precisavam de estar.

28/07/2016

TÁCTICA DO JORGE JESUS APLICADA À POLÍTICA

Pela primeira vez em alguns anos encontramos um executivo a arraigar posição à gestão orçamental imposta por Bruxelas.
A subserviência de outrora foi hoje humilhada com o recuo de Bruxelas.
António Costa disse ontem que processaria Bruxelas caso deliberassem multas a Portugal, nem que fossem de € 0,50.
A Direita, tantas vezes na pessoa de Pedro Passos Coelho, desceu do alto da sua revolta, com uma mochila de frustração às costas e vociferava a cada objectiva de luzinha vermelha: «As sanções vêm aí e a culpa é do actual governo porque nos está a conduzir para o desastre e o anterior governo não tem nada a ver com isto!»
Hoje acordamos com esta boa notícia, e já fui ouvir o discurso do PSD: «As sanções não foram aplicadas porque os resultados do nosso governo foram fantásticos e agora o novo governo tem de ter cuidado para não estragar tudo!».
Gosto de política na proporcional constante do quando odeio politiquice. Isto é politiquice. Desonestidade intelectual, disciplina de pensamento carente de bom senso.

11/07/2016

Portugal Campeão Europeu!

«CONTRE L'ALLEMAGNE OU CONTRE LA FRANCE ILS AURONT AUCUNE CHANCE»

Salut Gerôme Rothen! Ça va? Et alors? Voulez vous dire quelque chose aux Portugais?
Qu'entendais tu exactement par "aucune chance" ?
Pauvre merde que tu est tu na jamais rien gagner!!
«A 18 ANS, RENATO SANCHES SACRÉ MEILLEUR JEUNE DE LA COMPETITION»
Perdon! «Pas de vision de jeu»?? Lui ou toi?
Ça doit grave te faire chier d avoir perdu à la maison contre " l'équipe la plus pourrie"
FRANCE? Trés facile!!
SOU PORTUGUÊS, SOU CAMPEÃO!!!!

08/07/2016

DURÃO BARROSO TORNA-SE «CHERNE-MAN» DA GOLDMAN SACHS

A direita porventura, dirá que é um lugar que prestigia Portugal, para mim nada mais reflecte que o paradigma europeu actual.
É de uma carestia de vergonha a toda a escala, descredibilizando ainda mais o quimérico projecto europeu. É gritante a promiscuidade entre as instituições Europeias e as financeiras.
Ultrapassando a vergonha europeia, só a míngua de dignidade de Durão Barroso. Depois de atraiçoar o seu melhor amigo, debanda-se para Bruxelas e torna-se um dos maiores mistagogos da guerra no Iraque. Como Presidente da Comissão Europeia, deixou-a de rastos. Coloca o seu filho com uma licenciatura em Relações Internacionais, no Banco de Portugal, sem concurso público, nem admissões regularizadas confirme a lei assim impõe ao comum dos mortais.
Eu sempre ouvi a minha avó dizer que «Os meninos bons vão para o céu, já os maus para a Goldeman Sachs. A cadeira de sonho para qualquer Vale e Azevedo.
Resumindo, já dizia o pensador: «É preciso roubar muito, para se levar uma vida honesta».

29/06/2016

Tudo menos Justiça

Pode ser condenação, mas não aceito que lhe chamem Justiça.
Enquanto na aplicação da pena se descorar o «princípio da proporcionalidade» aquando crimes de injúria, difamação, devassa da vida privada, praticado por meios de comunicação social, estaremos a transpor a mensagem que vale a pena o crime.
Pelo menos enquanto o proveito monetário das capas de jornais falaciosas e dos títulos fraudulentos, se sobrepuserem abissalmente ao valor das multas aplicadas.

25/06/2016

JÁ QUE SE BRINCA COM FOGO, TAMBÉM QUERO UM REFERENDO LÁ PARA CASA

Todas as revoluções não o são, até o primeiro afoito altear a mão da danação e, elevar a voz do «Basta!»
O Reino Unido sem saber, apresentou à Europa uma nova figura muito querida, porém esquecida, da nossa mais antiga democracia chamada «Referendo». Vem do antigo «Referendum». - Achei que ficava bem uma alusão ao latim, porque transparece cultura, e saber. Wikipédia é um mundo.
Certo é que dois dias volvidos do resultado deste, sinos ressoaram com eco no âmago da mais nobre soberania de cada estado, e hoje já são alguns, os candidatos a percutores desta via de pronúncia dos cidadãos.
O efeito dominó já se sente, e certo é que Holanda, Suécia, Itália, França, Turquia, já ponderaram este instrumento de Referendo, para que o povo de pronuncie acerca da permanência na U.E. Por sua vez, já o Reino Unido reuniu mais de 100.000 assinaturas, para se elaborar novo referendo, fundamentando que menos de 60% dos britânicos jogaram no Brexit.
Parece-me, que é a esta ideia de munir a população de poder, de decisão, de capacidade de mudar o país, do “rumo”. Inebria qualquer papalvo, diga-se.
Assim seja. Quanto a mim, há matérias em que os resultados do referendo não passariam de informativos, a vinculativos. A leitura popular esgota-se na restituição de uma cultura tão própria, dos costumes, e especialmente, no soltar amarras de uma Europa inquisidora. Todavia, escapa ao mais comum dos cidadãos, o impacto económico que esse patriotismo de afronta trará. E era espectável que escapa-se, repare-se. Chamamos em direito a «Teoria do homem médio», e provém do latim «Circum Stare». Repararam neste? Um génio este moço!
Por sua vez, já seria concebível um Primeiro-Ministro responsável, que não edificasse a sua total carreira política num teste de fogo, com a promessa de um tão tentador referendo. (Não sei se já disse, vem do antigo «Referendum»).
Sim, há um responsável por tudo isto que não é o povo. Chama-se, David Cameron.
Bem vistas as coisas, também eu quero um referendo lá por casa, a fim de se discutir a obrigatoriedade do silêncio enquanto o Ivo vê futebol na televisão. É muito aborrecido, as perguntas incipientes do «É contra quem?», «Somos os vermelhos?», «Temos de marcar em que baliza?». Por mim, referendo. Isso e massagens nos pés.
Referendo sobre massagens nos pés ao Ivo. É que vem do latim, «Pede Suspendisse»…

«Á mulher de César não basta ser, tem de parecer».

Nesta perversidade de interesses que a classe política nos tem vindo a amoldar, a apatia sentida numa notícia destas, rotula-nos como «acostumados» a esse costume. Então pouco a pouco, vive-se a descredibilidade munífica que se destapa nas paupérrimas percentagens de votantes em momentos de sufrágio. «É porque não vale a pena», então «é porque joga o Benfica», «é porque está calor», «ai, a praia sabe tão bem.» É por tudo, e tudo é descredibilidade. E tudo é vergonha. E tudo é inexistência de respeito. E tudo somo nós, marionetas, pacóvios e com bandeiras de Portugal na mão a criticar o Ronaldo.
É tudo, e isto não é nada.

20/06/2016

TRIBUNAL PROÍBE PAIS DE COLOCAR FOTOS DA FILHA NO FACEBOOK

Quando o tribunal não só julga, como educa.
Nunca a máxima «Discipline os seus filhos hoje, para não ter de chorar amanhã», se atesta tão palpavelmente como diariamente nos Tribunais. E os pais?
Os Tribunais como órgãos de soberania têm hoje á luz da escassez de princípios, valores e, equilíbrios sociais, uma dimensão pedagógica social que exacerba o conceito de justiça. Esta dimensão fixa-se inevitavelmente, na educação. Tal seria desnecessário caso existisse uma maior preocupação com a cidadania, e com o compromisso.
A escola tem um papel cardeal na contraversão destes teoremas, onde não abdicando da componente de conhecimento empírico, dever-se-ia pautar pela instigação à cidadania, ao respeito, e ao compromisso.
Isto para os Tribunais exercitarem como de direito - Justiça, envés de educação.
Não é ao poder judicial que incumbe ensinar a ser Pai ou Mãe.


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- Segundo o Tribunal da Relação de Évora, trata-se de uma obrigação dos pais, tão natural quanto a de garantir o sustento, a saúde e a educação dos filhos e o respeito pelos demais direitos designadamente o direito à imagem e à reserva da vida privada.
Os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes possam dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos que os pais estão obrigados a respeitar.
- Nesse sentido, o crescente perigo resultante da exposição da imagem dos jovens nas redes sociais, face à utilização dessas redes por muitos predadores sexuais e pedófilos, impõe que as crianças sejam dele protegidas, designadamente através da imposição aos pais do dever de se absterem de divulgar fotografias ou informações que permitam identificar os filhos nas redes sociais.

15/06/2016

Bruno de Carvalho e a sua gestão

Falsear é uma liberdade infeliz que cada um de nós tem. Saber fazê-lo é uma habilidade sagaz que só alguns usufruem. Todavia por detrás de uma embustice deve imperiosamente subsistir um senso de equilíbrio que lhe dê credibilidade.
Seria salomónico indagar que jogador do Sporting vale 80 M a pronto? Que clube estaria disposto a dar 80 M por um jogador do Sporting? Talvez. E quando se diz Sporting, estende-se a qualquer outro clube em Portugal. Contudo parecem-me questões, parcialmente inúteis.
É que nenhum jogador do Sporting tem uma cláusula de rescisão superior a 60 M.
Salvo raras exepções, não competiria ao Sporting decidir sobre um negócio desse volume.
Por outro lado, a questão que me parece não ser totalmente inútil, é até onde é capaz de ir a frustração e ousadia deste senhor, com uma conduta arruaceira de líder de claque*, mas que infelizmente para o Sporting, é presidente desta grande instituição.

08/06/2016

Sempre na lei, naturalmente sem vergonha

O Dr. Paulo Portas, após quatro irrevogáveis anos em que se patenteou como o arauto da diplomacia económica, aparece agora no topo de uma das mais soberanas empresas do panorama nacional. É um uso, já reiterado, e segue de encontro ao trilho de vários políticos portugueses. A última foi Maria Luis Albuquerque. De pronto se elevam em vozes de justificação inofensiva apontando a uns quantos decretos-lei, onde asseveram não existir ilegalidade alguma. Eu posso assegurar com manifesta acrimónia e precisão que é verdade, não existe incompabilidade legal alguma.
Da mesma forma que não existe vergonha.

06/06/2016

Conhecer, só pelos sentidos

Como dizia Fernando Pessoa, conhecer (Lisboa), só pelos sentidos.
«Todo o conhecimento vem dos ou pelos sentidos; porém não sabemos quantos são os sentidos (quantos sentidos há). Sentidos chamamos nós àqueles dispositivos da mente pelos quais toma conhecimento (recebe uma impressão de que qualquer coisa existe, e de que essa coisa apresenta determinado aspecto).
A razão, ou intelecto, nem percebe, nem cria; tão somente compara, e, por comparação, rectifica e elabora, os dados que os sentidos ministram. A razão, é, portanto, incompetente para determinar uma verdade, por isso que não pode determinar um facto, mas só compará-lo com outros.
Os dados de um sentido não podem ser ministrados a quem não possua esse sentido senão por analogia de dados. A essa exposição analógica chama-se um símbolo; e quando o símbolo é de sentido tido por superior para outro tido por inferior, chama-se revelação.
O facto de haver um problema não envolve que haja uma solução para ele. O facto de haver um mal não quer dizer que ele possa desaparecer. Não há solução satisfatória para nenhum problema social».

03/06/2016

Chumbaram ontem na A.R. os projectos que restringiam práticas tauromáquicas.

O texto que se segue foi por mim escrito há 2 anos, e a curiosidade de ainda se manter actual, significa para mim, uma estagnação primitiva das mentalidades sociais deste nosso país.
«Há um dia atrás coloquei no meu mural a imagem do massacre sangrento que é infligido aos touros, com o simples objectivo da diversão do homem, onde por sua vez, e com a mesma, se retirava correntemente a minha posição quanto ao tema.
Depressa e bem, surgiram comentários de pessoas que se reviam na revolta por mim encetada, e outros, também sempre bem recebidos, de pessoas que defendem a tourada como uma tradição, arte, e tudo o que de benéfico para o país daí poderá advir.
De facto, porventura limitação minha, mas não consigo observar as touradas como uma forma de cultura. Se alguma cultura e tradição é provocar dor a qualquer que seja o animal, que gosto ou agrado poderá ter essa arte? Não vale a pena frisar para se colocarem na pelo dos animais, porque quem o faz, certamente não o concebeu sequer. Aparentemente, não é sozinho que penso desta forma. As pessoas lutam pelos seus direitos diariamente, e eu, sou da opinião que os animais também têm os seus direitos. São então os grupos de defesa dos direitos dos animais que lutam para que as touradas acabem, pois estes acham, assim como eu, este acto, um acto de crueldade e insensibilidade. Em Portugal, já foram proibidas as touradas por quatro autarquias. Dever-se-ia seguir o exemplo.
Uma sociedade justa não deve admitir procedimentos eticamente reprováveis (mesmo que se sustenham na suposta tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais. É horrível ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional. A sustentar a tourada no argumento da tradição, andaríamos hoje a lutar com leões em arenas de gladiadores.
Neste ponto, gostaria agora, responder naturalmente a todo a cada comentário válido que por aqui foi deixado.
Primeiro, pareceu-me absolutamente claro que abordando a minha posição relativamente às touradas, mais especificamente à actividade de maltratar um animal, não estava com ela a dizer ao mundo, que tudo o resto era perfeito, e que porque há fome em África, então já não fez sentido prestar a minha posição. Nada disso. Apesar de ser contra as touradas, pelo menos na forma como são, não significa que seja a favor do aborto, contra o casamento homossexual ou a favor da eutanásia. Nada. Isto porque quando nos predispomos a abordar um tema, devemos fazê-lo com a certeza da capacidade de não nos perder-mos em temas que para o momento, nada têm a ver com ele. É o caso do abordo. É um não-argumento contra ou a favor das touradas.
De seguida, vou de alguma forma defender-me da ‘demagogia’ do meu post, na certeza porém que não faz parte do meu estilo, a pessoalização dos assuntos, muito menos tudo o que seja para lá da justa medida da elegância no trato.
Desse modo, aproveito para dizer que sou Português, vivo em Portugal, e a única coisa que ainda não entendi, é como algumas pessoas alegam a lei como proibição dos touros de morte, ignorando que a prática reiterada passa precisamente por violação desse mesmo normativo, em várias zonas do país.
Ignorar esse facto, utilizando-o como ‘atenuante’ para o que se inflige aos animais, é no mínimo preocupante. Eu se um dia não cumprir a lei, os tribunais punem-me. As touradas quando não cumprem a lei, diz-nos o passado recente que o tribunal cria exepções, onde a mesma não se aplica em determinadas terras.
Para não falar que não é só a morte que dói. Estou até convencido que a morte do touro, à altura que acontece, acaba por ser o que melhor lhe podia sobrevir, tal não são as atrocidades que lhe vem a promover. Vamos então ser sérios.
É também tema de importância os argumento de que os touros não são massacrados, em virtude de que espetar o ferro numa zona em específico, não se reflecte em dor para o animal. É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes, e desse resultado, solicito desde já qualquer pessoa a demonstrar-me um único artigo científico, que caminhe no sentido de que o animal não sente dor nos seus ferimentos.
Até lá, é tão mais fácil assinalar que não dói nos outros, não custa naquele, deixai-me divertir.
Não consigo concordar que são então os toureiros e todos os que trabalham para a materialização deste «auto de fé», os únicos que realmente valorizam e promovem o touro enquanto animal.
Senão vejamos. ‘O touro que só existe porque há hábitos como este?’ Os Pandas e outros animais que correm risco de extinção nunca serviram para as touradas e continuam a existir. Porquê? Porque humanos se preocupam com eles. Para não falar, serem hoje criados animais de raça específica para a tourada, o que assim sendo, faz cair por terra o argumento da prevenção à extinção do touro. Ainda que não, e de qualquer forma com certeza de que os aficionados que tanto dizem “amar” os Touros, se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada. Afinal, amam-nos. Agora, é o massacre do animal, disfarçado de ‘arte’ que soluciona esse problema? Não creio.
Arte e cultura de facto, é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado arte ou cultura.
Não devo pedir desculpa por ter uma opinião diferente das demais, mas se assim facilitar, eu faço-o.
Peço desculpa por achar a tauromaquia uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais.
Desculpa por sentir que só os motivos económicos ganham na luta de ódio que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.
Desculpa igualmente por verificar que em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis, mas não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.
Finalmente desculpa, porque tenho para mim, que a violência é a negação da inteligência».

02/06/2016

O máximo de 25 anos de prisão, será suficiente para a sociedade actual?

Não obstante ao aumento da criminalidade no país, a sociedade sente hoje, a gradual perversidade dos crimes praticados. Não é apenas o número, mas ligamos a televisão e, choca-nos a forma. Essa situação leva inúmeros juristas a debater se os vinte e cinco anos de pena máxima aplicados em Portugal, são uma resposta adaptada e proporcional aos crimes, hediondos que se perpetram.
Haverá necessidade de ser corrigir essa moldura penal máxima?


Afigurar-se-me que os limites máximos da moldura penal poderiam ser efectivamente revistos, alargando-os em determinadas circunstâncias, contudo não creio que seja essa a pedra de toque, ou que a resposta essencial passe por aí.
Não verificamos uma menor criminalidade em estados com pena capital, e/ou com molduras penais que em razão da aplicação diferenciada do cúmulo jurídico, são superiores à nossa.

Salvo melhor opinião, presumo que ampliando as ferramentas, de fiscalização, de investigação, de modo a que a probabilidade de se capturar o agente prevaricador aumente significativamente, tornar-se-ia um factor muito mais dissuasor da prática do crime, que propriamente a moldura penal posteriormente aplicada.

Quem se predetermina a cometer um facto ilícito, não é desencorajado pela dimensão da sanção que a sua conduta possa corresponder, mas antes estimulado pela probabilidade de não ser descoberto, tendo sucesso na sua conduta corruptora.

01/06/2016

José Cid e os Juízes das redes sociais

É preciso renunciar ao facilitismo de odiar.
Começo por dizer que não estou aqui a defender o José Cid, até porque naturalmente, reprovo acerrimamente tudo e o mais que ele disse. Contudo, permito-me dizer que os textos que vou lendo ripostando com ameaças, jargões insultuosos, vernáculo deselegante, é tudo aquilo que nenhum de nós necessitava neste momento. Como fantástica instrumentalização circunstancial que se cria, gera-se o discurso populista, tornando-se populoso de onde só germina raiva, vingança e desproporção.
É compreensível, mas apreciaria ter um país diferente.
Nenhum de nós fica empolgado quando enegrecem a nossa terra, a nossa natureza, o nosso país. Não aprecio especialmente quando me agregam ao deserto da Margem Sul, ou quando se afastam porque receiam que os vá assaltar.
Mas voltando ao caso ‘sub judice’, é o José Cid, recordam-se? Possui pelo menos três muralhas da china só dentro da própria cabeça. Fala de bananas e favas com chouriço. E sim já viu o mar, porque com asserções daquelas, é tudo o que tem na cabeça. Mas convenhamos(!) José Cid não tem propriamente o prestígio do Presidente da República que injuria uma zona do país; mas antes de um idoso que o avançar da idade lhe trás à já fraca memoria a frustração de momentos de preclaridade que ele não mais os alcança.
E com isso, sinto que estamos está a cair no facilitismo da vingança, do ódio, e desproporcionalmente em várias contestações ofensivas acima do razoável, despropositadas, tal como as afirmações do Cid.
Gente, olho por olho e o mundo acabava cego. Devíamos interromper tamanha magnanimidade para pensar um pouco, no quanto extremistas nos estamos a tornar atrás de um computador.
Repito, não estou a defender o José Cid. Mas quis deixar umas palavras ignorantes à míngua de calma e equilíbrio que temos assistido.
Diz o nosso povo na sua sabedoria popular, «Quem não sente, não é filho de boa gente». Vejamos. Se alguém nos maldiz, falado injuriosamente da nossa terra, das nossas gentes e nós como objecção o afrontamos, arrombamos a sua decência, ameaçamos de morte, bem… obviamente que ainda que estejamos a sentir imenso a dor das palavras, não nos estamos propriamente a revelar «filhos de boa gente», pois não?
O Cid retratou-se publicamente na RTP1 e posteriormente em chamada telefónica à SIC. Assumiu o erro. Não pediu desculpa de algumas músicas que escreveu está certo, mas por outro lado, diz ter feito um disparate que está profundamente arrependido.
Acumulando que a entrevista em que José Cid se deu há seis anos(!) Seis anos.
Há seis anos e mais umas fracciúnculas, a atriz brasileira Maitê Proença “xingou” abissalmente Portugal no programa Saia Justa do canal GNT, sempre aludindo à ignorância, e apedeutismo deste nosso povo.
Resultado, sem pedido de desculpas, veio lépida lançar o seu livro a Portugal, onde teve naturalmente, a cobertura mediática necessária à indulgente difusão do seu benefício.
Há gente tacanhos em todos os cantos, mas se devemos a alguém a nossa tolerância, que a exercitemos com os nossos.
O ódio e o rancor são a segregação em recipiente fechado de prolongadas impotências. Quem odeia deve ultrapassar por superioridade, renunciando ao facilitismo de odiar.