30/11/2015

Fernando Pessoa

Faz hoje 80 anos que partiu o eterno Fernando Pessoa .:

"Ó tocadora de harpa, se eu beijasse
Teu gesto, sem beijar as tuas mãos!,
E, beijando-o, descesse pelos desvãos
Do sonho, até que enfim eu o encontrasse
Tornado Puro Gesto, gesto-face
Da medalha sinistra — reis cristãos
Ajoelhando, inimigos e irmãos,
Quando processional o andor passasse!...
Teu gesto que arrepanha e se extasia...
O teu gesto completo, lua fria
Subindo, e em baixo, negros, os juncais...
Caverna em estalactites o teu gesto...
Não poder eu prendê-lo, fazer mais
Que vê-lo e que perdê-lo!... E o sonho é o resto...
"


Mantém-se perpétuo na alma de todos nós, deixando-nos a sua Arte-Real .:



29/11/2015

SR. LIDER, SEJA MELHOR QUE NÓS

Estamos a amamentar um mundo indesejável. Os nossos apetites têm vindo a obliterar todo e qualquer valor imprescindível a uma sociedade fraterna. As nossas elites embriagam-nos com elocuções inflamadas, que nos concebem sôfregos do prazer. Terroristas dos nossos gozos. Discursos galvanizadores têm-se destapado como o perigo dos últimos 50 anos.
- O desporto transformou-se no lugar onde o despautério e ofensas pessoais são toleráveis demonstrações de vigor.
- Na política, sub-roga-se o interesse nacional ao oportunismo e habilidades vantajosas, soltando um incomensurável espaço para o revanchismo crónico.
- Mesmo a religião, propaga hoje um requintado efeito bélico, dilacerante para a nobreza do conceito.
Carecemos urgentemente de líderes que saibam apartar-se da atitude dos liderados.
Basta do líder que clama de veias dilaceradas o nome de um clube, partido, ou herói, porque hoje temos ânsia de uma elite que acima de proteger as suas cores, considere germinar consensos.
Não por si, por nós. Por todos.

24/11/2015

Constança Urbano de Sousa

Deixo em exclusivo uma nota de congratulação à nomeação da Professora Doutora Constança Urbano de Sousa.
Foi Co-Orientadora da minha Dissertação de Mestrado, e abandona a Direcção do Departamento de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa, para nos representar como Ministra da Administração Interna do XXI Governo da República.
Sai da mui nobre Universidade Autónoma de Lisboa, mas deixa-nos a convicção que a todos nos trará orgulho e admiração.
Obrigado.


20/11/2015

Governo de iniciativa presidencial - Cavaco Silva

«Desde 1982, com a revisão constitucional, os governos deixaram de responder politicamente perante o presidente da República. Ora, se um governo que passa na Assembleia, partindo da hipótese que passa na Assembleia, não responde perante o presidente da República - e só responde perante a Assembleia da República - então não fazem qualquer sentido governos de iniciativa presidencial».

Aníbal Cavaco Silva, Julho de 2013

19/11/2015

Religião

Quando pratico o bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em
consideração as condições do mundo.
Esta é a minha religião.



18/11/2015

Indisponibilidade de disparo

Para as relações resultarem, mais do que amor é necessário disponibilidade para amar. 
Há momentos da nossa vida em que necessitamos de que seja alguém a dar o tiro de partida por muitas armas carregadas que possuamos. Estamos tristes e magoados. Na verdade, estamos pela primeira vez impedidos de oferecer o que queremos dar. Queremos, mas simplesmente não conseguimos, porque dói. Dói muito. Imenso.
Todos esses momentos são superáveis quando encontramos alguém disposto a dar o tiro por nós. Alguém a antecipar-se à nossa dor e dizer, «hoje sou eu e estou aqui por ti». É bom.
Mas por sua vez, torna-se particularmente complexo quando o nosso melhor guerreiro precisa do mesmo que nós. Então aí, aguarda que do outro lado se dispare com força bastante para nos libertar. Produz-se uma indisponibilidade de disparo. Um beco de apatia, onde ambos querem mas ninguém faz. Ninguém pode, aliás.

14/11/2015

Vergonha da humanidade em Paris

Hoje em Paris, atacou-se a humanidade.
Nunca se fará justiça.
Perpetuarão-se incólumes todos os ataques cobardes praticados e, tentar que a justiça os emende, tornar-se-ia num desempenho absolutamente egoísta.

A Liberdade, Igualdade e, a Fraternidade são valores da humanidade.




13/11/2015

Passos Coelho quer rever a Constituição

Foram 4 anos onustos do mais elevado vitupério ao Tribunal Constitucional, com a hiperactividade acéfala de quem desconhece a constituição e, por indissociabilidade a democracia.
Inúmeras propostas foram e nenhuma delas incidiu sobre uma revisão da Constituição, mas em odisseia de aflições, Passos demissionário grita em rebuliço e alarido: “Constituição é quando um homem quiser/precisa!”
O pânico do pesadelo da esquerda tornou-se o desespero da direita e, por ora, reflecte-se em cartazes imorais da JSD e, nesta atitude pirómana que revela que por ideologia sediciosa o poder legislativo pode viver subordinado ao partidário.
Errado meu caro Chávez.


Mais me aguça a curiosidade, que este PM demissionário tendo como comparsa de governo, a única deputada que leu e domina a Constituição da República Portuguesa, não o informar que há um adamastor no art. 286.º chamado “dois terços”.
Nota: Sr.ª deputada, única que leu e domina a Constituição da República Portuguesa, redima-se da insolência, mantenha-se persuadida da sua aparente sapiência, e familiarize o PR que se for incompatibilidade ideológica indigitar o único programa maioritário da AR a formar Governo, tem sempre o art. 131.º/1.
Com estilo, renuncia o cargo.
Disse(?)

10/11/2015

A memória é a consciência inserida no tempo

Em 1999, o PS ganhou as eleições e teve mais votos e mais deputados do que na eleição anterior, em 1995. Mas não conseguiu a maioria absoluta, ficando com 115 deputados. Perante isto, e sem dispor de qualquer maioria ou solução de governo alternativa, PSD apresenta uma moção de rejeição e tenta derrubar o governo.
Moção de rejeição N.º 2/VIII apresentada pelo PSD.

O Programa apresentado à Assembleia da República pelo XIV Governo Constitucional é, confessadamente, a simples reprodução do manifesto eleitoral com que o Partido Socialista se apresentou a eleições em 10 de Outubro último.
O seu conteúdo é, pois, em tudo idêntico àquilo contra o que o PSD, democrática e convictamente, se bateu durante a campanha eleitoral e que afinal não mereceu a adesão maioritária dos portugueses.
O PSD disputou as eleições combatendo os propósitos socialistas e apresentando propostas diferentes, que consubstanciavam claramente um governo e uma governação alternativa à governação socialista.

É precisamente em nome dessa clareza e da necessária transparência política de princípios e dos compromissos assumidos com o eleitorado, que o PSD afirma hoje a sua rejeição ao mesmíssimo programa político que ontem denunciou e combateu perante o País.
O programa socialista não era bom para Portugal antes das eleições e continua a ser mau nesta sua segunda edição, agora publicado pelo Governo.
Esse foi, também, o entendimento expresso pela maioria dos eleitores, pelo que competia ao Partido Socialista a procura de soluções que merecessem o apoio político que sozinho não obteve.
Não o ter feito é aos socialistas e apenas aos socialistas que naturalmente responsabiliza.

Nestes termos, ao abrigo do n.º 3 do artigo 192.º da Constituição e das normas regimentais competentes, o Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata propõe que seja rejeitado o Programa do Governo apresentado à Assembleia da República pelo XIV Governo Constitucional.
Palácio de São Bento, 3 de Novembro de 1999. O Presidente do Grupo Parlamentar do PSD, António d' Orey Capucho.

E hoje, das palavras de Jack Kerouac retiro:
«Vive a tua memória e assombra-te».



01/11/2015

Justiça restaurativa

O Estabelecimento Prisional do Linhó promoveu na semana passada uma sessão de “Justiça Restaurativa”.
Ou seja, o momento em que alguns reclusos (condenados por violência doméstica e roubo) se confrontam com as vítimas, no ensaio de compreenderem e suplantar o mal do crime.
Observei imensas lágrimas, alguns abraços e uma máxima evidenciou-se, “Qualquer homem é maior que o seu erro”.
Este tipo de iniciativas promovem um contributo essencial para a recuperação emocional das vítimas, ao mesmo tempo que se caminha para a recuperação social do recluso.
Seria positivo que todos os agentes da justiça notassem que a história do direito penal não finda no crime nem na condenação. Num estado de direito democrático, onde naturalmente não é solução a neutralização dos infractores, ressocializar é uma necessidade.