04/08/2015

Pedro Proença, Presidente da Liga de Futebol Profissional

Absolvido, não é Inocente.

Não posso, nem concordo com a eleição de Pedro Proença Oliveira Alves Garcia, para Presidente da Liga de Futebol Profissional.

Bem ao jeito de Lance Armstrong, atrás fica uma carreira repleta de prestígio, vénias, galardões, finais de Campeonatos Europeus, Ligas dos Campeões, e aplausos. Alguns vitupérios próprios de uma profissão que ajuíza, mas no seu cúmulo, uma referência portuguesa da arbitragem no mundo do futebol.

Contudo, e porque os atentos não devem ser desmemoriados dos seus valores, em meados de 2003, no âmbito do processo ‘Apito Dourado’, precedentemente de uma final da Supertaça, a Polícia Judiciária interceptou uma escuta telefónica onde o Sr. Pinto de Sousa, na altura Presidente da Comissão de Arbitragem, e o Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto.
Na escuta interceptada, Pinto de Sousa assegurava o seu acordo com o Presidente do F.C.Porto, nomeando Pedro Proença para arbitrar o jogo, estando este último já instruído para “Não expulsar ninguém”.

Em virtude do art. 187.º do C.P.Penal, no que respeita à admissibilidade das escutas telefónicas, as mesmas não puderam ser validadas como prova. Muitos foram os requisitos não obedecidos na investigação, entre eles a autorização das mesmas por parte do Juiz de Instrução Criminal.

Se eu acredito na ingenuidade da Polícia Judiciária que importunamente não foi cautelosa nas escutas que fez?
- Não.

Se penso que o Tribunal diligenciou correctamente quando não acolheu as escutas telefónicas, considerando-as nulas?
- Sem dúvida.

Como agente activo da justiça, não posso desejar que a verdade material seja ilimitada.


Porém como cidadão e adepto, não posso concordar com a eleição para Presidente da Liga de Futebol Profissional, de alguém que é conhecimento do domínio público ter feito parte, complandescente, de uma total promiscuidade, denegrindo a credibilidade do futebol português, além-fronteiras.