02/04/2015

Quando tudo vale, não existem mais vencedores.

O poder inutiliza o ser humano. Melhor, a persecução que se faz em prejuízo desse poder, decompõe o ser humano à sua raiz inválida. Controla-o, define-o, e coloca no mostruário do mundo o que cada um é hábil de fazer por tal perseguição desenfreada.
Seja por dinheiro, protagonismo, confiança, verifica-se de há anos até então, que se vende a alma ao diabo por exígua dose de alguma dessas buscas. É uma adição ao requinte de alibi perfeito, onde se transfere o perigo de overdose eminente para quem nunca procurou consumir. A política nacional é um reflexo e exemplo de excelência deste mesmo facto.
Quando tudo vale, não mais há vencedores.
A ambição própria levada ao extremo (o que sucede mais apressadamente do que parece), consegue ser das particularidades mais arrebatadoras do próprio humanismo, anatomizando a disposição social que se carece à comunidade.

Estava a ler ‘Shatterer of Worlds’, de P. Goodchild, onde se narra a reacção de Robert Oppenheimer, aquando comparada com a do Presidente Truman, no que concerne ao primeiro lançamento da bomba atómica.
Robert Oppenheimer na qualidade de cientista criador da Bomba Atómica, relatou com alguma minucia o que observou no primeiro teste executado, em estiradas diversas como, “(…) então, à medida que a nuvem de gás quente arrefecia e se tornava menos vermelha, via-se uma chama sem azul circundante, um clarão de ar ionizado… (…) Era um espetáculo terrível. Quem alguma vez presenceia uma explosão atómica, nunca mais a esquecerá. E tudo em silêncio absoluto, a detonação veio minutos depois, bastante forte. As pessoas tapavam os ouvidos, mas o ruído mantinha-se. As pessoas ficaram todas em silêncio”.
Quando questionado sobre a sua invenção, Oppenheimer respondeu, “I become death, the shatterer of worlds”, como que comprometendo-se com o desconsolo.

Por sua vez, e em sequência desta primeira experiência, o Presidente Trauman foi peremptório nas suas alegações; - “O que fizemos foi o maior acontecimento histórico da ciência organizada. Foi feito sob elevada pressão e sem falhanço. Gastámos 2 milhões de dólares no maior jogo científico existente até à data – e ganhámos!”.

Quando tudo vale, não existem mais vencedores.