23/03/2015

Justiça popular

Não consigo deixar de ciladear o espirito existente na máxima incontornável “É mil vezes preferível absolver dez culpados, que condenar um só inocente”.
Deste modo, em situação de condenação, deve a asseveração do julgador ser formada por completo, indubitavelmente, não sendo bastante a mera desconfiança, ou a noção de que tudo tenha corrido de acordo com determinado nexo causal. Não é de todo satisfatório.


Reiteradamente comento que – Oxalá nos livrem da denominada justiça popular (que de justiça pouco tem), ainda que gostemos de ver filmes como ‘1900’, de Bernardo Bertolucci, ou do ‘Nome da Rosa’.


A justiça popular, normalmente anónima e tendenciosa, reacionária e vingativa, ecoa e faz-se apreciar através das várias formas de comunicação disponíveis, tendo por especial objectivo manipular e condicionar as decisões judiciais.
Jamais se deveria anuir que os jornalistas sejam os mais actuantes agentes políticos, cravando pé a uma ingerência a toda a prova, danificando o mais medular do Estado de Direito. Jornalistas, têm uma real e muito nobre missão. A de informar. Actualmente são associações partidárias.


A comunicação social, em geral, vem a fabricar Adamastores aos olhos do povo, afixando muitos desígnios pejorativos sobre ‘a justiça em Portugal’.
São os políticos, comentadores de serviço, e demais agentes que elucidam o povo no sentido económico do que é, ou não vendável.
Certo é que em ‘país de reality shows’, estranho seria reconhecer-se os méritos quase obrigacionais. A cusquice requer tão mais. A comunicação social presenteia. Casamento perfeito.


Essa comunicação decreta julgamentos e sentenças, costumadamente por via televisiva, parcialmente, e com base em entendimentos que nem sequer chegam a ser superficiais. Normalmente provêm de declarações dos ofendidos e dos juízos e latejos de pessoas que por ali também se encontram e nunca serão ouvidas em Audiência de Discussão e Julgamento, porque em bom rigor, nada sabem.