03/02/2015

Brincadeiras de crianças

Eu sou um ignorante. 
Não, não é falsa modéstia, ou psicologia invertida. Realidade. Ignorante no que diz respeito a tudo isto que sempre que posso vou escrevendo; desde observação política, comentário jurídico, análise social, ou outra alguma parvoíce, é inteiramente uma recreação de folia em mim, e nem um pouco mais sério que isso lograria ser.

Faço-o pelo imensurável deleite que me dá, faço-o em nome dos sorrisos que me despega a cada vocábulo que redijo, e leio-o. Uma, duas, sete vezes. Faço-o, porque gosto. Escrevo porque sim.
Sou o apaixonado pela música que não sabe ler pauta.


Dei por mim tantas vezes a desejar ser autor d’O elogio ao amor puro’ do Miguel Esteves Cardoso, possuir a inteligência de fazer com que as palavras nos bradem a mente quando as interpretamos em ‘Sinto muito’ de Nuno Lobo Antunes, ou a magia de Sofia Vieira n’O amor atrevido’. E claro, seria negligente não cobiçar materializar-me em Charlie Chaplin no assombroso ‘A vida é curta para ser insignificante’. Conheço as palavras de cor, e nunca as liguei daquele modo.


Mas não sou, mas não tenho, mas não possuo, mas não fiz.
Aparte disso Fernando, oh! Aparte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.