abril 06, 2014

José Sócrates e José Rodrigues dos Santos



Estava aprontado para comentar sobre a recente disposição do Primeiro Ministro para abordar a proposta, anteriormente lançada, relativa ao aumento do salário mínimo.
Ora, se verdade é que da esquerda à direita todos estão finalmente de acordo com a medida, ia eu, que nem ‘Advogado do Diabo’, versar sobre os problemas que esse aumento de salário levanta, no que diz respeito, por exemplo, à taxa de desemprego. Mas nada feito!
A meio do meu jantar, oiço José Sócrates, apelidar arguciosamente José Rodrigues dos Santos de ‘Burro’, e ‘Papagaio’. Procurei de imediato o botão vermelho na esperança que a minha cadeira rodasse para a Televisão. [vide, The Voice]
Hoje fica em suspenso mas não extinto, o comentário acerca do salário mínimo, tal não é o regozijo que nutro, com este espaço que a RTP criou na tentativa de tramar António José Seguro. Muito bom.
Nunca mais é domingo à noite. Bolas!

abril 05, 2014

Acordar contigo

O vulgar é muitas pessoas acordarem ao toque. Outras, com o timbre de quem as chama, ou então, até mesmo com os ruídos que lhes varre o sonho e desabotoam os olhos.
Acordar ao teu lado, é por sua vez, o acordar pela tenuidade do aroma. Afinal, e descobri, que a fragrância pode acordar-me.
Acordar a teu lado, é o aconchego inigualável das torradas quentes, um dia que se estreou num Sábado, e os relógios param só para mim.
Só. Porque o restante é acordar sozinho.

abril 03, 2014

Frappuccino de chocolate

Pequeno filho de pais separados, de conversa em solavancos, exorcizava fantasmas com gigantes negros, e os seus botões, esses, sussurravam aos vidros da Starbucks, que aquela conversa era segredo só deles.
O pai, de cabelo diminuto, pardacento mas bem-parecido, afundava-se na alta definição do seu Iphone, como se deslocar os olhos daquele ecrã fosse heresia, olhar o mundo sacrilégio, e ouvir o filho, perca de tempo.
O petiz, de nariz enfiado no 'Frappuccino de chocolate', aprendia a solidão no meio do mundo, entendia que gostar nem sempre é doce, e se aquilo é o amor, teria preferido antes uma bebida quente.
Aliás, com o cruzar dos anos, adivinho-lhe tendência a enjoar o chocolate.