25/12/2014

Patrícia Henriques

Na impossibilidade de explicar a razão do meu amor por ti, sobra-me a vida para te fazer entender o que jamais serei capaz de explicar. Não desistindo de o fazer, é certo que só saberás no fim, no último segundo, no folgo final, no cair do pano.
Não é o primeiro Natal que passo afastado de ti, mas cada dia mais custa esta distância. São insignificantes quilómetros de muitas saudades, de falta, de aperto. Cerceado desta minha determinação de te abraçar, decotado, incluso deste vazio, sem ti.

Nesta época de luz, amor e família, quero muito salientar-me no teu coração, evidenciar-me na tua vida, porque afinal se é de família que se trata, é da tua que quero fazer parte, criando todos os dias um pouco mais a nossa. Queria deixar que te (re)lembres de uma razão para te amar, e se assim é, o resto da minha vida não chegaria. Daqui a 50 anos estaria eu curvado à luz de vela, escrevinhando mais uma linha dos mil blocos com o sorriso de quem recorda a música mais bela, a imagem mais bonita, a dança mais viciante. E eras tu. Nascer-me-ias dos dedos por me transbordares da imaginação, ultrapassarias o vocabulário conexo, e daria por mim a inventar palavras para te desenhar na escrita irrepetível.

Amo quando te vejo a dormir, alheada do mundo, enroscada em 4 ou 5 cobertores que roubas só para ti, deixando-me meio destapado. Depois acordas a meio da noite, verificas esse teu jeito, tapas-me enquanto eu finjo que durmo, para tu, passado trinta segundos me abraçares por já estar a tiritar de frio. Depois vem esse abraço, abraço-lar, abraço-amor, abraço-abraço. Com esse aperto fico pronto para dançar no gelo, mergulhar nos polos, e rir-me da neve. Com esse abraço devolves-me a casa, a família e os meus peluches preferidos. Com essa pressão à minha volta, vivo o mundo, conheço as leis, e a fundamental é entrelaçar os meus dedos nos teus. És minha.

Amo quando acordo de manhã para ir trabalhar, sento-me de fato bonito e gravata aprumada na cama ao teu lado, passo os dedos pelo teu cabelo e digo que te amo enquanto dormes, fazendo-te deambular entre o sono e a vida, e sopita sem abrir os olhos, condescendes e correspondes o amor que te presto, somente abanando a cabeça afirmativamente. Como adoro a tua letargia matutina que quase faz começar audiências sem mim. Fascinado com mil serpentes ali fico, até o relógio me bradar que estou atrasado. Sorrio, afastando-me sem te apartar de mim. Não há melhor dia, que aquele que se inicia sabendo que termina em ti.

Amo quando acordas ao meu lado. Quando acordas com cabelos que parecem lisos mas terminam revoltados, ondulando de forma perfeita às curvas dos meus olhos. Foram feitos para os meus dedos os cruzarem, descobrindo mil caminhos de ternura, descobrindo-nos.

Amo esses teus olhos rasgados, vivos. Olhos que riem, e fazem sorrir o meu espirito. Olhos sempre prontos a deplorar pelas injustiças, por tantas tristezas, por inumeráveis alegrias. Olhos singulares, puros. Teus. Meus. Tens o olhar de me fazer estancar a ventilação, de me mimosear com a serenidade. Petrifico nos teus olhos, e por lá ficaria o resto da vida, atentando a cada ‘pormenor-pormaior’, principiando nas sobrancelhas vigorosas, findando no minudente sinal ocular abaixo da retina direita. Olhos de cristal, aspiro preleccionar o meu destino neles, viagens, gargalhadas, choros e até memórias.

Amo esse teu sorriso. Sorriso de maravilhas, desenhado a pincel de óleo capaz de fazer disparar o meu. Perdi a conta ao número de vezes que me perdi nele, me encontrei e sonhei acordado. Se usufruísse de desenhar o teu semblante, não teria arte suficiente para o retractar a forma perfeita como aos meus olhos ele se apresenta.

Verdade é que uma vida não chegaria para evidenciar o quanto assisto em ti, o quanto és, o quanto tens. Tenho em mim uma pessoa complicada, tu não és uma pessoa absolutamente fácil, porém, e aparte disso, és a pessoa mais fantástica que alguma vez conheci. Quero tornar-te consciente, hoje e sempre, que mesmo no centro das nossas arrelias, continuo a amar-te como fosse hoje o nosso primeiro dia, mesmo em torno dos teus ciúmes inexoráveis, continuas a destacar-te como a melhor, procedes como a minha princesa de histórias encantadas, que leio, releio-o vezes em conta sem planear cerrar o livro, ou encerrar capítulos. Especialmente ao inverso, acalento escrever inúmeras linhas deste nosso conto mágico, misturando a minha com a tua caligrafia, formando e gerando ‘flores que vamos regar’ por toda a vida, e na memória.

Contigo, basta-me existir para ser o homem mais feliz, o mais afortunado da pessoa maravilhosa que conheci, o maior felizardo deste meu destino, o significado de valer a fundo todas as minhas causas. És essa razão, obrigado.

Na impossibilidade de explicar a razão do meu amor por ti, sobra-me a vida para te fazer entender o que jamais serei capaz de explicar. Não desistindo de o fazer, é certo que só saberás no fim, no último segundo, no folgo final, no cair do pano.

Amo-te



22/12/2014

Marcelo Rebelo de Sousa

Uma tarde em Paris, enquanto Eduardo Lourenço apresentava uma conferência na delegação da Fundação Gulbenkian, proferiu sobre Marcelo Rebelo de Sousa, o que hoje observei incomensuravelmente no comentário de Domingo à noite.


“O Marcelo é uma figura que, desde há vários anos, está como que numa janela a fazer comentários sobre o país que passa na rua, lá em baixo, e, por vezes, nessa mesma rua passa também o próprio Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o qual, com naturalidade, ele também se pronuncia”.

Voltamos à imagem do imenso comentador, que quando na política, rebenta a bolha.




"THE INTERVIEW" - A VERGONHA DA SONY

É vergonhosa a posição da Sony.
Vergonhosa, porque revela a cobardia perante as ameaças, vergonhosa porque demonstra a irresponsabilidade de se abrir o precedente da opressão, da chantagem, da chantoeira.

É tudo isto e ao mesmo tempo, o maior marketing possível ao humano consumidor. É o jogo com os seus instintos. É privar o homem do que é pecado. Ora, o homem é pecador por natureza, curioso de raiz, e rebelde na bisbilhotice.

 A história demonstra-nos isso em saliente memória. O Líder religioso do Islão Ayatolla decretou pena de morte ao escritor Salman Rushdie, por considerar herege o seu livro “Os versículos Satânicos”. Resultado, foi best-seller, e o livro mais vendido da editora Viking. Salman Rushdie ainda hoje sob ameaça, continuou e continua a escrever, agregando milhões de leitores, milhões de vendas.

Passaram-se 35 anos, e pessoas como Salman Rushdie arriscam a vida para fazer notar a rainha das liberdades do ser humano, “A Liberdade de Expressão”.
Em pleno Século XXI, o homem vai à lua comprar terrenos, realizam-se transplantes a fetos, tiram-se fotos de Marte, enquanto isso, tantos não sabem o significado da palavra Liberdade.

Se é de lamentar a visão ditatorial de quem proíbe determinado conteúdo, é também Vergonhosa esta postura de vitimização em que a Sony Pictures se demandou, apontando o dedo aos grandes e fortes que são tiranos.

 É vergonhosa a posição da Sony.

10/12/2014

ESTE ORÇAMENTO DE ESTADO, É A ADMINISTRAÇÃO DE CAPITAL PÚBLICO PARA NEGÓCIO DOS PARTICULARES.

Então mas o capital financiado pela Tróica não tem de ser obrigatoriamente utilizado em remuneração de títulos da dívida pública e para empréstimos à banca?


A minha questão surge porque o governo alardeia a glória de cortar nos ‘gastos intermédios’, o que significa que irá então trinchar os trabalhadores para atingir o equivalente a 1% do PIB nacional, certamente para remunerar os títulos da dívida pública.


Agora acompanhem-me neste raciocínio não muito esforçado, mas salvo melhor e douta opinião, o Governo com esta demanda, está a transformar o capital vindo do serviço público, num serviço mercantil, subcontractualizando a privados esse mesmo serviço. Já tinha sido feito na saúde, mesmo parcialmente na educação, e agora, apontam-se as miras à segurança social.
Assim, despediu-se os trabalhadores da Segurança Social, mas ao mesmo tempo, procedeu à alteração da Lei de bases da economia social, permitindo que Fundações como Glubenkian, EDP, Francisco Manuel dos Santos, entre muitas outras, se vejam então capacitadas de ser equiparadas a uma instituição particular de solidariedade social, e como se não fosse suficiente, alterou ainda os Decreto-lei relativo às competências dessas inúmeras IPSS, permitindo-lhes assim não só o nobre cuidado de idosos e crianças, e passam a poder pagar prestações.


Numa leitura simples, este Orçamento de estado plasma que o que eram serviços públicos, defendidos e pagos por todos nós, serão entregues a instituições privadas que passam a fazer a gestão da pobreza, mas atenção, falamos aqui de uma administração de pobreza com lucro.
É impressionante que sempre que descem os gastos do estado, sobem na mesma proporção as subcontractações externas do mesmo a entidades privadas.


Não é combate à pobreza, é negócio. Não é buscar o melhor da humanidade, é usar-se da fragilidade desta. Lutar pelos oprimidos, tem sido definitivamente um bom negócio.
Não são profissionais na política, são políticos profissionais.




02/12/2014

Submarinos e ONG

     É isto que eu chamo um GOVERNO à la Harry Houdini.
     Como por magia, feitiço ou bruxaria, desaparecem documentos.


1. Do Centro Português para a Cooperação – Organização Não-Governamental criada pelo Dr. Pedro Passos Coelho.


2. Similarmente em sortilégio metafisico, desapareceram os projectos submetidos à aprovação governamental para efeitos de financiamento, por parte da organização sediada nas instalações da Tecnoforma, em Almada.


3. Do Ministério da Defesa, lá sucumbiram os documentos relativos aos negócios dos Submarinos.


4. Com os documentos do ponto anterior, ausentam-se particularmente os registos das posições que a antiga equipa ministerial do Dr. Paulo Portas assumiu na negociação.


     Eu prosseguia mas terei de ‘me desaparecer’. Tenho às 15:30 um julgamento de ‘Peculato’ no Tribunal Penal de Grande Instância de Hogwards.




29/11/2014

Prisão de José Sócrates

Fazemos um acordo, hoje eu falo de justiça e não de política.

Correram rios de tinta no que respeita à detenção do Eng. José Sócrates, e como se não fosse suficiente, intensificou-se quando o Exmo. Sr. Dr. Juiz Carlos Alexandre, aplicou como medida de coacção a prisão preventiva a este.
Não tenho por intenção, nem posso, pronunciar-me relativamente à culpabilidade dos sete crimes de que é indiciado, nem aceito que alguém o possa fazer em consciência de certeza, ou mesmo suposição. É esse um assunto encerrado.
Tentarei discorrer em primeira instância relativamente ao Segredo de Justiça, posteriormente à detenção. Finalmente, às medidas de coacção, com especial incidência na de Prisão Preventiva, dando uma breve conclusão a cada um dos institutos.

Do segredo de justiça.

Se existe assunto que me preocupa, é a persistente violação do Segredo de Justiça, como corolário essencial de um Estado de Direito Democrático.
É colossal a odisseia concebida em torno das legitimidades de dois princípios legais que aparentemente colidem, o Segredo de Justiça, e a Liberdade de imprensa. Não creio que seja de facto um conflito, nem legal qualquer ingerência no núcleo de cada um deles. Vejamos.

O Segredo de Justiça, consagrado no art. 86.º do Código de Processo Penal vigente, vincula em qualquer processo até ao seu levantamento a partir da decisão instrutória, os sujeitos processuais deste (sejam assistentes, ou arguidos), assim como qualquer pessoa que tiver contacto com o processo, ou com conhecimento deste. A sua violação, não é somente uma opção criticável, pois constitui um Crime.

Por outro lado, Constitucionalmente consagrada, está a Liberdade de Imprensa, que implica a liberdade de expressão e criação dos jornalistas, e o direito destes ao acesso às fontes de informação e à protecção da independência e do sigilo profissionais.
Contudo, se este direito é conferido pela Constituição aos jornalistas, é obrigatoriamente com reserva de legislador, pelo que para conhecermos o seu conteúdo, devemos procura-los nos preceitos da lei. (Cfr. Lei de imprensa, Estatuto do jornalista, e no Código de Processo Penal)

Encontramos deste modo, limites Constitucionais e processuais à Liberdade de Imprensa, para que, respeitando-os, não colidam com o Segredo de Justiça. Dessa leitura, retira-se que existe o limite necessário para garantir o Direito ao bom nome, à reserva da intimidade e da vida privada, à imagem, à palavra, e especialmente, o Direito a defender a ordem democrática, sendo todos estes, aquando violados, punidos em forma de ‘Crime através da imprensa’, no número 1) do art. 31.º da Lei 2/1999.

Concluindo, retirando-se da letra da lei, e não obstante a melhor entendimento, não podem os Órgãos de comunicação social: 


A. Produzir peças processuais ou documentos incorporados no processo até à sentença da 1.ª instância.
B. Transmitir, registar imagens, ou fazer tomadas de som relativas à prática de qualquer acto processual.

Entre outros, que para o efeito são desnecessários trazer à colação.
Deste modo, para o caso em apreço, coloca-se a questão da presença de meios de comunicação sociais no aeroporto, ainda antes do Eng.º José Sócrates ter sequer embarcado de Charles de Gaulle, Paris.

1. Seria expectável que a investigação seguisse também, neste sentido, de forma a apurar responsabilidades.

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Da detenção.
Ao contrário de muitas vozes que se levantaram ultimamente reiterando que a detenção ao Eng.º José Sócrates é ilegal, tenho a dizer que não concordo.
Concordo por sua vez, em dizer que em senso comum, não parecem estar reunidos os pressupostos necessários para que a mesma tenha ocorrido daquele modo, sendo legal.
A detenção existe segundo a Lei processual penal, em flagrante delito, e fora de flagrante delito.
Para o caso em apreço, torna-se necessário identificar a presente detenção como sendo fora de flagrante delito, ficando porém, a meu entender, um acúleo de dúvida relativamente ao entendimento que os órgãos de polícia criminal fizeram, no que respeita ao número 3) do artº. 256.º do Código de Processo penal. «É flagrante delito (…) em caso de crime permanente, o estado de flagrante delito só persiste, enquanto se mantiverem sinais que mostrem claramente que o crime está a ser cometido e o agente nele a participar».

Qualquer das formas, aceitando sem nunca conceder, identificá-lo-ia como sendo fora de flagrante delito, e deste modo, tornar-se-ia complicado identificar o preenchimento dos requisitos necessários a tal, como consagra claramente o art.º 257º, com uma remissão ao 204º.

A. Quando houver fundadas razões para considerar que o visado se não apresentaria voluntariamente perante autoridade judiciária no prazo que lhe fosse fixado;
B. Quando se verifique, em concreto, alguma das situações previstas no artigo 204.º, que apenas a detenção permita acautelar;
C. Se tal se mostrar imprescindível para a protecção da vítima.

Articulando-se com o art. 204º do mesmo diploma;


A. Fuga ou perigo de fuga;
B. Perigo de perturbação do decurso do inquérito ou da instrução do processo e, nomeadamente, perigo para a aquisição, conservação ou veracidade da prova;
C. Perigo, em razão da natureza e das circunstâncias do crime ou da personalidade do arguido, de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade públicas.

2. Assim exposto, torna-se extremamente dedáleo convir a detenção do arguido, nas matrizes em que a mesma ocorreu. Para já, é sensato esclarecer que a forma como a detenção adveio, vai irreversivelmente para além da regra das formalidades judiciais.


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Prisão Preventiva

Do mesmo modo que se torna improdutivo desenredar a culpabilidade do Eng.º José Sócrates, presumindo-se a sua inocência por não provado até ao seu trânsito, a aplicação da medida de coacção de prevenção de Prisão Preventiva, torna-se consequência do que foi tomado em conhecimento pelo Exmo. Sr. Dr. Juiz Carlos Alexandre, em sede de interrogatório judicial.

3. Contudo, faltando fundamentos notórios para a sua aplicação nos termos do art. 204º e 202º do Código de Processo Penal, pode aceitar-se a aplicação da mesma, muito embora, ainda que sem caracter obrigatório, mas pelo peculiar agente que se expõe, deveria o Exmo. Sr. Dr. Juiz Carlos Alexandre, ter junto à aplicação da medida, o(s) fundamento(s) que lhe deram motivo, o que não sobreveio.


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Fizemos um acordo, hoje eu falava de justiça e não de política. Quem disser o contrário, está provavelmente, atestado de razão.

No mais, que seja feita, e aplicada e costume justiça.




27/11/2014

Casamentos forçados na etnia cigana.

A diferença entre a estupidez e a inteligência, é que a segunda tem limites.

Hoje, na Grande Reportagem 'Vergonha & Honra' da Sic, é por demais notória essa evidência.
Em visões de casamentos forçados, tradições e culturas, assistiu-se ao pináculo da ignorância humana.


Desgosto.

19/11/2014

Vistos Gold

Censurar a existência de Vistos Dourados de Portugal, é nada mais que atacar o problema pelo lado da liberdade, e não o da corrupção.
O sector imobiliário é, e deve ser explorado como factor de incremento de capital económico no estado. Para o efeito, a par da empregabilidade.
A consciência tem de ser outra, e passar por uma construção de uma consciência social e colectiva de co-responsabilidade social.
As nossas elites têm manifestamente perguntado ao país o que ele pode fazer por nós, quando a pergunta assertiva seria, ‘pergunta-te a ti, o que podes fazer pelo teu país.’
E no fim a culpa é dos Vistos?

13/11/2014

Com ternura

Terás sempre a inocência no olhar de quem me quer saborear?


Ao teu lado apetece a eternidade.
Apetece ganhar-te o secreto amor,
abençoado esse modo delicado de ser
como se o desejo em ti fosse beber...


Contigo apetece o espanto do despertar.
Dando-te a o céu e a lua,
pois se te olho, a riqueza do mundo
é minha, e muito mais tua!

12/11/2014

Assaltaram a casa de Artur Moraes

Nós somos da margem do deserto. Pertinho da praia, sol, e onde ‘jamé’ haverá um aeroporto, o que é bom.
Tudo bem que somos hospitaleiros, gostamos de receber com afabilidade, boa música, boa comida e festa rija, mas a vizinhança anda aqui com visitas a meio da noite, para as quais não surgiu convocação para o festim. ( http://www.cmjornal.xl.pt/…/veja_o_assalto_a_casa_de_artur_… )
Parece que não, mas fica chato. Especialmente o pijama do Artur.
Mas não é de agora. ( http://www.dn.pt/desporto/benfica/interior.aspx… )
Bem pertinho, vive o Sálvio, o Gaitan ou o Maxi, mas como têm estatura de matraquilhos, os invasores não querem espancar os candeeiros com a cabeça, e então escolhem as casas dos crescidos.
Está claro que o Peter Crouch ou o Jan Koller nunca lograriam jogar no Maior do mundo, ou então os salários não lhes chegavam para os banquetes surpresa.


Assim capitalizada a situação, quero deixar bem claro que não jogo no Benfica. Sim, aparenta-se óbvio a todos, mas para escumalha que se confunde, e assalta a casa com o Artur a dormir só por não saber que o Benfica foi para a Madeira no próprio dia do jogo e não antes, também me podem muito bem confundir com o Luís Filipe em grande. (Sim, o Luís Filipe não é jogador do Benfica, mas eles são confusos, recordam-se? Bom!)


Como dizia, fica maçador viver numa zona onde seleccionaram para assaltar casas, todavia, um verdadeiro residente da margem sul, mantém-se estoicamente fiel às suas origens, e não é por meia dúzia pertencente à plebe ralé, que se abandona a margem certa!
Por outro lado, e mais calmo, se o Artur insiste em dormir com um pijama daquela cor, eu vendo esta casa.
E anseio que lhe assaltem o guarda-roupa! Inaceitável!



11/11/2014

Paz mundial

Para se poder alcançar a paz mundial genuína, duradoura e baseada na compaixão fraterna, é necessário que haja um sentido de responsabilidade universal. Em primeiro lugar, temos de tentar o desarmamento interior - reduzirmos a nossa raiva e o nosso ódio ao mesmo tempo que aumentamos a nossa confiança mútua e o nosso carinho humano.

07/11/2014

Ajuda externa - A vergonha

A ideia de enviar centenas de jovens pré-delinquentes para casas de correcção, é na realidade, tentar capacitar o menor/jovem, daquilo que os pais não foram capazes. É dar-lhe uma oportunidade de reintegração. Não deixo de abordar estas situações, como uma transferência de 'legitimidade educativa' dos pais, (incapazes) para o Estado.
Aparece então uma entidade de nome comprido que nada é ao jovem, e tenta fornecer-lhe os valores, princípios, a educação, porque os seus progenitores foram incompetentes nessa matéria.
À porta do tribunal contemplo mães que incitaram os filhos a extorquir, por ora, choram por se responsabilizar da conduta amarga dos seus descendentes.


É neste âmbito que relaciono o acima descrito, com a ajuda externa ao país. É que também nós, somos filhos desacertados de um pai incompetente
A sociedade que vota num o governo irresponsável demais para governar, incapaz de o fazer, e então, obriga-se a uma transferência de legitimidade governamental para uma ‘Entidade’, por sinal externa, que nada é ao governo, e vem tentar ensinar-nos(lhes) a governar um país.


A diferença é que não tive a aptidão de observar o pranto da auto-responsabilização governamental, a vergonha da incapacidade a que nos obrigaram, e por sua vez, Ministros da Economia fazem shows de Stand-up na Assembleia da República, em torno de risos e galhofa.
A educação, a justiça, a economia, a saúde. São colunas primárias para o progresso de um Estado.

Porém, pior está a política. A governamentação.


Estes, vêm a receber aulas de um ‘professor fraudulento’, que ao contrário destes alunos não é totalmente órfão do seu encéfalo, contudo, não os vejo instruir-se minimamente com a lição.


05/11/2014

Centros comerciais

Neste fim-de-semana participei na ‘maratona e meia de Carnide’. Em pista coberta dizem-me. Certo; mas a adversária era temerosamente resistente!
De uma preparação inextinguível. Em 3 horas da minha vida, a missão foi correr em perseguição da Patricia, na tentativa, inútil diga-se, de a amover das lojas de roupa.
Mas façam atenção gente. O Colombo tem o quê? 36589 lojas? Muito bem, multipliquem por sete sem medo, porque fi-lo em circuitos repetidos. Apercebi-me que já era a 59.ª vez que passava pelo corredor da Ana Sousa, quando os manequins que há uma hora atrás faziam pouco de mim, agora examinavam-me com lamúria de tal condenação.
Ir ao Colombo é equipolência de um curso intensivo de ‘Casa dos Segredos in loco’, porém encaminhar-se ao Colombo com a namorada, é a certeza que no fim da vida terrena temos o paraíso nos espera. Sim, porque se aquilo não valer como redenção, libertação, resgate, então tragam-me o Belzebu! Acho que o vi na Tiffosi!


A revelação é minha. ‘Sou racista de superfícies comerciais!’.


A proposta é austera, socorram aqueles casais, porque os esposos, maridos, namorados, ali, não se safam!

Prosseguia a narrativa, mas tenho a carência de estacionar de robe no meu sofá da sala, nutrir-me com 2 kg de gelado com marshmallows, pensar na vida, e ver o Diário de Bridget Jones com lenços de papel nos bolsos.
Destruído.



Portugal com licenciados a mais

Podia passar a vida a interpretar comunicados da Merkel, que daí, só eram claras duas asseverações. 

1. O Ivo é imbecil.
2. Discordaria da descomunal generalidade deles.


Assim colocado, parece-vos claro que estou a escrever para revelar que discordo da verborreia do peso pesado germânico, e bem podia estar sossegado, e comer uma maçã. Mas não.
É preferentemente para manifestar o ‘Quanto’ discordo.


Quando a Chanceler Alemã afirma que “Portugal tem demasiados licenciados", faltou-lhe a segunda premissa. Seria então;


Portugal tem demasiados licenciados, em licenciaturas absurdas, de 3 anos, repletas de um facilitismo assustador, que nada brindam à empregabilidade e cultura do país, transformando-nos em números, que infinito savoir-faire vai dando para os ostentar numa bandeja de estatísticas luxuosas”.

Já que é para se admitir a ingerência profunda de uma alemã que se despia com as amigas na universidade, na gestão e soberania nacional, ao menos que lhe transmitam o que afirmar, não vá repetidamente dar um tiro no pé, como sucedeu com o número de feriados.

02/11/2014

José Mourinho

José Mourinho, o nosso Special one, disse, e cito;

“Julgo que o regulamento proíbe que estejam treinadores que foram eliminados da Champions League na fase de grupos”.

 Ele é o melhor do mundo a treinar equipas de futebol, e eu como melhor em escaldões à meia-noite, ou dos melhores, também tenho algo que me apetece achar.

 Acho que, ainda que ironicamente, quando se fala de regras, leis, ou normas, deve-se no mínimo conhecê-las.

Daqui, do melhor do mundo em escaldões à meia-noite, para o melhor do mundo a treinar equipas de futebol, fica a réplica da explicação que regulamento é esse que ele tanto julga.

 Por outro lado, Recordo-me que, entre os nomeados, contam nomes como Antonio Conte, treinador da Juventus, que também foi eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões (e posteriormente eliminado pelo Benfica na Liga Europa). Alejandro Sabella, Joachim Löw, Louis Van Gaal e Jurgen Klinsmann são (ou eram) selecionadores, pelo que nem disputaram a prova.
Sinto-me inesperadamente alheio destas leis que nascem para fazer nascer a ironia.

 E sim, são 04:54 da manhã. Cheguei de um jantar de halloween, e não sou saudável.

31/10/2014

A modernidade arranca-me anos de magia.

Sinto-me saudosista de um tempo que não vivi. Nostálgico do ‘respeitinho é bonito’, eu gosto, e não só. Também fica bem. Melancólico da vergonha de cortejar, da ansiedade do soneto perdido, da apresentação com três nomes, do cumprimento em osculação da mão direita da Senhora. Porque das meninas não se fala. O levantar do chapéu liso do senhor na chegada, a ligeira oscilação de joelhos da Senhora na partida.
Hoje saio à noite, e a modernidade arranca-me anos de magia.

25/10/2014

Mudança da hora

Não sei se sabem mas a hora muda esta noite!
Uma para trás assim como quem não quer. Muda e diz que quando for uma da manhã, volta a ser meia-noite. Impecável. Assim vai bem com tudo, e não envelhecemos tão depressa.


Eu sei Lili, uma hora não substitui o 'peelling', mas o certo é que também nunca que pagou impostos para a hora mudar. Por outro lado mergulhar a frontal numa banheira de ácido tricloroacéptico, ainda tem os seus custos. É de aproveitar, e agradecer amanhã na missa. Mas uma hora antes, atenção, ou já só vão a tempo de papar a hóstia, e cumprimentar a irmã cheia de barba na ‘paz de Cristo’.

Só há aqui uma questão quem e faz espécie. Isto de à uma da manhã voltar a ser meia-noite, significa que há risco de aturar mais uma hora do ‘extra da casa dos segredos’?

Bem, façam lá atenção a isso que o país não está para aventuras.

Despedimento pelo facebook

A lei tem obrigatoriamente de se flexibilizar, cobrindo a modernidade e transformações que a sociedade impõe.
Já há algum tempo que era por mim aguardado uma causa neste sentido, e vejo agora um acórdão que improcede um recurso de despedimento ilícito, estando em causa um ‘post’ no Facebook.


A questão levantada ao julgamento, passou por saber se o ‘post’ que o Autor publicou no mural da sua página pessoal do Facebook se insere na chamada esfera pessoal, ou se, por outro lado, o seu conteúdo assumiu natureza pública.


Leitura fascinante para os interessados, onde os desembargadores se mostraram à altura dos conceitos cibernéticos que todos os dias utilizamos.


Acórdão na íntegra em: 
http://www.dgsi.pt/jtrl.nsf/33182fc732316039802565fa00497eec/ecca98e591fa824780257d66004b4283?OpenDocument


Ps: Evitava-se a prolação de despacho de aperfeiçoamento do recurso, e já agora, NÃO PARTILHEM ESTE TEXTO AMIGOS!

21/10/2014

Autos de fé em 2014

Em meados de 1475 realizavam-se em Portugal os aclamados ‘autos de fé’, que como se conhece, expunham situações de tortuosidade a pessoas inocentes, queimando-as em praça pública, onde o que era a inquisição da justiça do momento, tornava-se por sua vez, no evento atractivo da época.


Em 2014, há um programa chamado ‘Prós&Contras’, que tem duas bancadas, e uma plateia. Na bancada da ‘direita’ lá estão as marionetas com os cordéis escondidos. No fundo, é uma atracção na busca do share, e a cremação exposta a quem deveria ser Nuno Crato, Teixeira da Cruz, Maria Luis Albuquerque, Miguel Macedo, mas no fundo nunca chega a ser. Marionetas.

17/10/2014

Idade limite de relações sexuais

Sempre que há uma decisão, naturalmente surgem apreciações criticamente opostas a esta. Ter capacidade de decidir, é, ou deve ser, ao mesmo tempo, ter consciência das inúmeras possíveis discordâncias de propósitos.
Não estou, nem vou debruçar-me relativamente à descoberta do ‘quantum indemnizatório’ do art. 564º do CC, porém, não me revejo numa especial e infeliz fundamentação do STA, servindo-se ainda desta para proceder o recurso interposto, respeitando o Art. 566º do mesmo diploma:

“Por outro lado, importa não esquecer que a Autora na data da operação já tinha 50 anos e dois filhos, isto é, uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança.”

Para consulta

08/10/2014

Sondagens

Já não me rememorava o porquê de não atender chamadas em números privados, quando senão;


- «Dr. estamos a ligar-lhe para realização de um inquérito, relativo à intensão de voto nas próximas eleições autárquicas»


- «Bom dia. Disse Autárquicas?»


- «Sim. Só um momento. (…) Não, desculpe não são autárquicas, são as… outras.»


- «As outras, estou a ver».


- «Desse modo gostaríamos de saber a sua intensão de voto, sendo que é totalmente anónimo. As alternativas são entre o CDS –PP, PPD-PDS, PS, MPT, PEV, CDU e BE».


- «Frisou anónimo, mas chamou-me Dr.?»


- « Sim.»


- « Exacto. Disse MPT?»


- «Sim, é um partido… Daquele senhor que fala muito alto (…)».


- « (…) E que não tem representação parlamentar.»


- « (…) Então, qual é a sua escolha?»


- «Olhe, peço imensa desculpa, poderia repetir as opções?»


E é isto.

05/10/2014

Avozinha, mulher da minha vida

Partiu. Partiu uma das mulheres da minha vida.

Abandona-me no local onde ocupa uma dor superior a cinco continentes unidos, no cerco onde as palavras não mais têm vivacidade e o riso é um luxo do passado.


Gritam todas as noites as memórias da ‘ida ás molas’, dos smarties em sofisticados calmantes de descanso soalheiro, e o aconchego do amor. Não do amor dito, comentado ou escrito. Gritam as nostalgias do amor exprimido, das mil e uma maneiras possíveis que alguém possui de gritar que nos ama.


Foi embora fragmento de mim, fracção da minha história, retalho do meu passado. Foi embora a professora, retirou-se a anciã, afastou-se a amiga, alienou-se a pequena mãe, transferiu-se a Avó, a minha Avozinha.


Com esta saída, fico cerceado de liberdade, por não haver eco do amor que te tenho.


Fica agora o sobressalto dos dias sem pé, a claustrofobia do metro e noventa dentro do frasco de formol. Só algo supera. O Orgulho incomensurável de te ter vivido.


Amo-te, e amar-te-ei até ao último suspiro de força que tenha para o libertar.


Partiu. Partiu uma das mulheres da minha vida.




20/09/2014

António Marinho e Pinto, o Político

Não tenho peculiar apreço por desaprovar o comportamento de quem quer que seja, se o faço, que faço, é no preciso espaço assegurado à minha livre opinião, nunca acerando os limites do respeito e urbanidade.
Neste pequeno mundo, por vezes torna-se ingrato anotar relativamente ao desaplauso de uma pessoa de maior proximidade, seja ela social, pessoal, ou de outra natureza relacional, o que vai sucedendo.

O Dr. António Marinho e Pinto, Ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, após a sua saída da Ordem dos Advogados, pautou por um discurso de apelação ao não voto, com uma greve à democracia. SIC. «Não sei se o povo Português não fazia melhor em fazer greve à democracia por um dia, e fazê-lo no dia das eleições (…)», e ainda SIC. «Não vou votar no dia das eleições porque o meu voto não adianta nada, só a abstenção envergonharia a classe política que destruiu o país», e não muito tempo passou para se tornar Eurodeputado, eleito através dos votos do Movimento do Partido da Terra. 


Desde então, de característico discurso acutilante, não o tenho visto fazer muito mais, senão colocar em causa a utilidade do Parlamento Europeu, no que cinge ao seu proveito, e ainda aos salários escandalosos que os Eurodeputados auferem.
No entanto, e entretanto, de uma só assentada impugna o que até à data tinha protegido. 


1. Ameaça a demissão de Eurodeputado, (Desrespeitando todos aqueles que em Marinho e Pinto votaram, creditando-o, e ‘oferecendo-lhe’ a possibilidade de auferir um dos tais salários escandalosos tão criticados, para exercer o seu cargo como Eurodeputado), porém, não abdica do seu salário.


2. Apontou bravuras a uma candidatura à Assembleia da República, e para o efeito, vai criar um novo partido político para concorrer às próximas legislativas. (Contrariando desta vez a inicial narrativa da responsabilização partidária, e do apelo ao não voto, da greve à democracia, onde aparentemente o voto afinal, já se calcula a sua utilidade).


3. Na senda das suas várias e últimas decisões, coincidentemente após esta manifestação de candidatar-se à Assembleia da República, manifestou-se relativamente ao paupérrimo salário dos deputados da Assembleia da República, apontando desde logo que abaixo de €4.800.00 não é um salário condigno para o cargo. (Sendo este, teoricamente superior ao do Primeiro-Ministro, não fosse ele esquecer-se do que vem recebendo).

Existe uma facilidade enorme para os portugueses escutarem discursos populistas, inflamados de retóricas apolitizadas de conteúdos, porém cheias de formas astuciosas. Mas uma coisa é certa, esse espírito de inocência messiânica do povo Português, que em sufrágio se pratica, não confere o titulo de vitima, tornando-se em cota parte cúmplice.



17/09/2014

Justiça em Portugal

Hoje no Palácio de Justiça de Almada, aguardei 1 hora e 30 minutos para uma abertura de instrução, com debate instrutório. Aquando de pernas dormentes e formigueiro nos pés, ergui-me em dificuldade, arrastando-me à secção central, onde solicitei amavelmente à funcionária, pois tendo em conta o adiantar da hora, se ainda se iria efectivar a audiência. Após os 30 segundos de silêncio entre a questão e sem erigir os olhos acima dos papéis, retorquiu rispidamente;
- «Aqui tem de se esperar, as testemunhas só entram quando são chamadas!»
Observei em redor a autenticar que não tinha sonhado aquela resposta, sorri timidamente para o chão, e redargui;


- «Excelentíssima Senhora funcionária, eu compreendo a azáfama que a reforma judicial tem causado, contudo eu não sou testemunha de processo algum».


Desta vez, lá se lhe ergueram os olhos negros pequenos por cima dos óculos fundos, a voz falhou à primeira, porém de seguida, aflita;

- «Ah.. É o Senhor Dr., e eu pensei que fosse uma testemunha. Eu vou já verificar. Não pensei que fosse o Senhor Dr. Ivo Almeida».


- «Sabe, com o devido respeito, eu não sou Senhor porque a idade é tenra, Dr., isso não consta no meu cartão de cidadão. Sou apenas, Ivo de Almeida. Contudo, se tudo o resto tornar mais célere o processo de me arranjar uma sala de audiência, tudo bem. Porém lamento».

Vivemos num país de concepções arrevesadas. Multiplicam-se as críticas às inúmeras distinções de pessoas por títulos académicos, porque acolhem que é daí que surge o mal ao mundo. Não especialmente.
Pessoalmente, hierarquicamente superior a qualquer título, partido, filiação, sociedade, estão as ideias, estão as acções.
Tenho o cândido hábito, ortodoxo porventura, de desacreditar na caracterização pessoal através do rótulo, da legenda, ou dístico, sustentando então que são as ideias de cada um, que me dizem como podem vir a ser, e as acções que me dizem como são.
Contudo, lamentável é que este cândido hábito não me deve empurrar para a inocência de humanitário samaritano, neste país onde a oportunidade é oportunamente selectiva. Oportunamente, lá se chegam à frente os oportunistas.


09/09/2014

Face Oculta

Isto de ser português tem que se lhe diga. Somos os piores do mundo em tudo na boca de cada um. Terminou umas das etapas do mega processo «Face Oculta» no Tribunal de Aveiro. Após «Casa Pia», foi este o mais mediático processo judicial em Portugal, repleto de condimentos apreciados. Acusados influentes na sociedade, dinheiro como chuva em Dezembro, e em resultado de tal brado, parte do país parou em ansia de ‘ver sangue’. E desta vez, viu mesmo.


Surgiu um «acórdão a pedido». Se fosse referendado, não teria desfecho distinto. “A justiça, finalmente, apontou os canhões aos poderosos”. “Verguem-se os tubarões”.


Se há outro facto inesperado, é o rol de pesadas molduras penais. Aliás, “se há deliberação que Portugal está habituado é à impunidade”.
Dos 36 arguidos, nenhum seduziu com encanto, e todos acabaram condenados. Nenhuma pena suspensa. Mélico na boca dos revoltados!
Será? Nem tanto.

De imediato voltaram as sombras do mega sistema tenebroso e implacável. “Foram condenados mas de recurso em recurso, prescreve-se o processo”. “Condenados foram, não acredito é que cheguem a ser presos”.

Certo é que vai agora avançar a saga para nova temporada. A matéria que vai saltar dos recursos será animalesca, lei da sobrevivência, e surgirão nomes. Muitos nomes. Qualquer das formas, o calcanhar de Aquiles deste mega processo já foi adoptado pelos ilustres advogados de defensa, e certamente gravitará numas quaisquer escutas telefónicas, de um qualquer Primeiro-Ministro.


Vão chover recursos e porventura passar anos, com a certeza que não mais prescreve o processo, ou crime, respeitando-se a última reforma de processo penal.


Mas há algo que não deveria expirar. A congratulação que o Ministério Público merece desde já. Para existir um desfecho desta índole em primeira instância, existiu uma preparação absoluta dos procuradores. A investigação foi absolutamente letal, e desta vez, deveríamos nós portugueses sentir algum brio, alarde e vanglória. Mas não.
“Foram condenados mas de recurso em recurso, prescreve-se o processo”. “Condenados foram, não acredito é que cheguem a ser presos”.


Isto de ser português tem que se lhe diga.




02/09/2014

Paula Teixeira - Ministra da Justiça

Se outrora já eu tinha ficado estupefacto com a verborreia desconexa da Dra. Paula Teixeira nas infelizes intervenções que não conseguia fugir, ontem na entrevista com Clara de Sousa, perdoei-lhe todos os erros. Com a oligofrenia bárbara não se brinca.

1. «A reforma foi feita de forma tranquila»,
2. «A distância maior face ao que existia é de 59 quilómetros. Foi tudo equacionado em termos de transportes e até medido o tempo para percorrer a distância»,
3. «Os contentores não são contentores, são módulos, devidamente apetrechados, que até têm celas».
4. «Há juízes que até dizem que têm mais condições nestes módulos».
5. «A plataforma não bloqueia».

Se a reforma, ocorreu de forma tranquila, conjecturava-se alguma organização, planeamento, disposição. Tenho para mim que organização não culmina certamente em ver um par de juízes que jornadeando de olhos esgazeados, observam com assombro uns quantos corredores do novo ‘tribunal’ de Loures ao estilo de quem avalia casa para comprar, mas no final, a sorte dita que ficarão entre quatro tabiques metálicas de 2.40m por 4m. As celas, lá está.

Certamente que a ideia de «pena efectiva» ganha agora novos contornos na convicção destes magistrados, após esta experiência tranquila, mas claustrofóbica.

Interrogo se de forma tranquila é dezenas de processos remansearem no chão do átrio principal, e na secção central do Tribunal de Loures, acervados pois acabaram de chegar sem alfabetização de lugar, estes rebeldes. Forma tranquila, é isso? Arrisco que sucede, quando uma advogada chega ao tribunal, estuda a pilha de processos no chão, e expõe que tem um prazo a terminar hoje, e outro amanhã. Não quer sair do tribunal nem consultar o processo. O resultado passa por dezenas de risadas vindas dos funcionários, onde entre folgo e folgo lhe explicam, «Dra. aqui não há telefone ainda, quanto mais plataforma de acesso a processos».

Público que se patenteou em tribunal hoje, foi mandado embora.

Passado uns minutos, os juízes cansados do pouco ar que a sua nova sala de trabalho presenteia, voltam a ficar surpresos. «Eh lá, mas que é isto?». Era uma sala de audiência, mas para o espanto destes, não possui a configuração correcta. E não é que foi desenhada para julgamentos de processos-crime, quando por lá são varas cíveis? «Isto resolve-se. Difícil vai ser conseguir espaço para sentar a testemunha». A inspecção continua, mas tudo de forma muito tranquila, como quem faz reformas.

No que concerne aos «59 km de maior distância face ao que existia», tudo seria desmistificado se Clara de Sousa, desocupada de coerções, coloca-se as discussões necessárias, anexando documentos, como é da situação da senhora que em Outubro terá de percorrer 180 km numa viagem de 4 horas de autocarro de Montalegre a Vila Real, como testemunha num julgamento. Clara não me acatou, ou outra voz assomou mais alta.

Por fim, tenho de coincidir de opinião com a última das estiradas, compenetrada aliás, da nossa Exma. Ministra da Justiça. «A plataforma não bloqueia!».
Desta vez confere. Articulou-se bem.
Desde as férias judiciais até então, que o CITIUS não funciona, portanto, certo é que não bloqueia.
Vamos a méritos. Inabilitada porventura, mas ao menos, tranquilamente verdadeira. 


Aplausos!




19/08/2014

Opus Dei proíbe 79 livros

Opus Dei proíbe 79 livros

Liberdade. Passados tantos anos, este equilíbrio será espinhoso de ser mantido ainda hoje, em pleno Séc. XXI. Há na igreja católica uma organização, que age sob a nobre ideia de trocar ar armas pelos cravos, os explosivos pelas palavras, a agressão pelo amor. Questiono-me, tal ignorante, se é realmente este o ideal (nobre) que os move.


Organização essa, que é então caracterizada pela ‘Comunhão e Liberdade’, ou os ‘Legionários de Cristo’, são a facção mais radical no que diz respeito à catolicidade, e a também a financeiramente mais poderosa. Salvo melhor opinião, a essa radicalidade, se devem os santos e as figuras que hoje se assinalam em igrejas, e que em tanto hostilizam o descrito na Bíblia. 


O exemplo da falência dos empórios Rumasa e Matesa, assim como o Banco Ambrosiano, mancharam onde a água benta não purificou, porém, a nódoa não foi suficientemente profunda de forma a impedir a canonização do fundador.


Este tipo de mentalidade elitista, radicalista, são sem dúvida o tapete de despedida, para muitos que ao se identificarem na nobreza dos conceitos, se prendem na limitação de arquétipo antiquado, quando estes se mostram impulsionadores das beatificações e canonizações, e dilataram a indústria dos milagres, industrializando a santidade.


A par do julgamento perfeito, onde teoricamente deveria ser criado na sémita do ‘véu da imparcialidade’, necessitariam também, as sociedades de culto, realizar uma introspecção de fundo, de forma a acompanhar um raciocínio moderno, de acordo com uma sociedade em mutação.


Deveriam por sua vez, ser caracterizadas por uma pluralidade, reconduzindo-se antes, aos bons costumes, livre pensamento e de ideias. Especialmente carente de concorrência ou competição entre religiões, mas antes ideias. Liberdade.

15/08/2014

António Guterres

Sem o Dr. Rui Rio no caminho das Presidenciais, Dr. António Costa , teve a inteligência de evitar o confronto com o Engº António Guterres. O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, igualmente perspicaz, soube arranjar o ‘amuo’ certo (com Dr. Passos Coelho) e para por sua vez, retirar-se do caminho de uma batalha de hipóteses diminutas para este.

Ao contrário de Rui Rio, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, o Dr. Pedro Santana Lopes, não foi capaz de segurar a sua vontade de contornar a ausência política, e abriu portas à sua candidatura a Belém.
Santana Lopes, certamente respondendo à sua emergente necessidade de intervenção no país, voltará a ser inoportuno na sua materialização política, que inegavelmente a tem.

António Guterres, tem várias valências a seu favor. Não é um arrivista, político educado, conduziu ao longo da sua vida, um perfil académico que deixa pouca susceptibilidade de ser discutido ou confrontado em páginas frontais de jornais, tem perfil político de responsabilidade extrema a nível internacional, tem uma carreira na ONU à frente de um cargo particularmente difícil e exigente como é o ACNUR, e especialmente não usa fatos castanhos na televisão, o que é, no mínimo importante.

Não quero com isto dizer, e se por mero entendimento se compreende desde já se revoga, que Santana Lopes não possui estas, com demais capacidades e predicados necessários ao cargo que por agora se disponibiliza.

Contudo, expresso antes uma opinião de que infelizmente ou não, nesta nossa curta sociedade de eleitores, à mulher de «César não basta ser, terá igualmente de parecer», e contra si, pesará a imagem gerada da infeliz traição que Durão Barroso lhe imprimiu, levando-o a aceitar o cargo de Primeiro-ministro, e depois disso, já cada um sabe como terminou a feitiçaria.



08/08/2014

Facebook decadente

Tão estranha como esta política de conteúdos do Facebook, são algumas das pessoas que por aqui andam.
Se por um lado se bloqueiam pessoas por convidarem outras, desvirtuando o conceito de ‘Rede Social’, por outro, só em dois dias tive a infelicidade de:


- Ver um cão ser morto a tiro,
- Um gato incendiado,
- Um recém-nascido ser espancado,
- Atropelamento sádico a uma criança chinesa,
- Inúmeras crianças de crânio aberto por agressões na faixa de Gaza.


Entre tantas outras pandemias, aos meus contactos que presumem ser necessária a informação/exposição a qualquer custo moral, desejo-vos uma brilhante dor de barriga, e dois litros de bom senso.

07/08/2014

Correspondência violada

A postura dos EUA para com Edward Snowden representou para mim desde cedo, tudo aquilo que me repugna na democracia disfarçada dos EUA, no reiterado democratismo de ostentação, como queiram apelidar.


A polícia do Texas anunciou a semana passada que deteve um homem de 41 anos por guardar na sua caixa de email imagens pornográficas de uma menina de oito anos. Certo é, que ninguém lamentará que ele tenha sido apanhado, mas o caso, faz-me novamente pensar no grau de segurança que a nossa correspondência possui.

31/07/2014

Amigos imaginários

Não critiquem quem teve amigos imaginários na infância. Há quem ainda os tenha em adulto.
Pensam que são amigos, mas afinal, era imaginação.

30/07/2014

Um por todos, TODOS pelo BES

Não sei se é geral, mas na minha televisão o BES, de pés juntos, disparou o valor de 3.577 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre de 2014, o que faz com que este necessite de um aumento de capital, pois o défice está abaixo do legalmente permitido pelo banco de Portugal.
Certamente que já repararam que o BES é um banco totalmente privado, contudo a injecção de capital, será deferida com dinheiro público, dos contribuintes, de todos nós.
Estou tão orgulhoso do meu país, que só me vem à memória ‘Governar’ do brilhante Carlos Drummond de Andrade.


“Os garotos da rua resolveram brincar de governo, escolheram o presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
– Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança.
Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.
– Com que dinheiro? – atalhou Januário.
– Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do governo.
– E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.
– Lucram a certeza de que têm um bom presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
– Assim não vale. O presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.
– Eu sou o presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser presidente é moleza? Já estou sentindo como esse cargo é cheio de espinhos.
Foi deposto, e dissolvida a República”.

29/07/2014

Amizade

Já o vi 10 para 15 vezes, e ao longo de anos nunca aprovei da história, só do filme. Porquê? Facto desconhecido.

Ontem, acelerei em zapping de pesquisa rápida, e apareceu-me o Danny e o Rafe do Pear Harbor em casa. Recorri à fibra, e o AXN concedeu-me o filme do início. De tempos a tempos, recorro a filmes que já vi. Tenho para mim que jamais são o mesmo, e que mudam na pertinaz proporcional do meu estado de alma.

Porém no fim, mais do mesmo. Não aprovei da história, só do filme.
Acatava o “Tennessee” de Hans Zimmer, quando me apercebi que o filme brinda aquilo que a sociedade já não concebe. A amizade.

Faz brotar em mim um assolapado elogio á amizade pura, amizade de histórias e amizade de vida. Reivindico os valores ancestrais e fora de moda, apresento o meu rol para a defesa impiedosa desta minha condição de revoltado. Sim, hoje sou o carrasco da vossa modernidade, dessas vossas amizades do futuro e digo-vos já, vão perder. Não sei quantos são, mas juntos são débeis, modernos são fracos. Amizade de contrato, de arrendamento, de compra e venda e de palmadinhas nas costas. Contrato crime ou criminosamente de oportunidade. Oportunistas dos sentimentos, cumprimentam-se hoje com troca de olhares, choram uns por outros sem nunca amar. A vossa amizade foi vendida á era dos pantufinhas, daqueles que fazem pouco barulho, e o ruído, esse fica guardado para a ostentação dos conhecidos amigos ocos, de agora, de hoje, de pouco mais que isso. Acabou-se ou perdeu-se em lugar incerto os 'escolas' da luta, dos amigos irmãos, dos irmãos amigos, dos irmãos irmãos. Os velhos do Restelo, dos onde o nojo não pega e o riso aparece só depois da lágrima. Procurem-nos de novo, façam-no por mim, façam-no para não serem tão miseráveis. Façam para o tempo voltar a perder contra a amizade, para num jogo de postura, não ter a mínima hipótese de voltar a falar. Todos sabem explicar a amizade, todos em fugaz estupidez quanto mais falarem, mais estão engrenados no zoo dos leais, no jogo das ilusões. Amizade nada tem a ver com ilusões, ou tanto quanto o amor com o clima de amanhã que chove. Amizade falada, amizade explicada? Calem-se e baixem olhos de vergonha, amizade tal como amor, não é para entender, como falar? Sentir! É sinal de amizade não perceber, querer sem guardar qualquer esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado do que quem vive feliz. Nada menos que isto, e agora, profissionais da amizade moderna, técnicos da piscadela de olho, discutam e expliquem a amizade, Imbecis.

Afinal descobri o meu porquê. Enfim, existe um motivo. Existe sempre um motivo.



25/07/2014

Incorruptíveis

Muitos políticos são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a praticar a honestidade.

18/07/2014

Maria Vieira em hiperactividade critica

Li 3 dos 4 livros que Maria Vieira lançou, e certo é que não revejo nas suas obras importância, conhecimento, mestria na escrita, pensamento astuto, ou qualquer outra virtude passível de se mencionar como virtude. Afinal, lançar livros onde se narram férias com o marido e um cão, não é de todo a minha saga de eleição. Contudo, não é por isso que antipatizo a nossa ilustre Maria Vieira. Apreciando ou não a sua obra, resisto-me de opinar pejorativamente a algo atinente à sua autora, salvaguardando o respeito que todo e cada um de nós, merece. No máximo, reprovo a obra.

Apreciei por horas a fio o trabalho de Diego Maradona. E com isto, não significa que aprove todas as suas condutas e opiniões na sua vida pública e pessoal. Parece-me simples.

Mas no que aos factos concerne, encetou pelo Diogo Morgado, passando agora para a Mãe do Cristiano Ronaldo, Dolores Aveiro. Maria Vieira, bem ao estilo do Dr. Mario Soares, perde todos os dias incalculáveis oportunidades de se retirar de cena nas boas estimas, como alguém de respeito na sociedade portuguesa, e afinal, agora com a adiantar da idade, deixa-se levar pela frustração cobiçosa de quem observa do sofá, os que fazem sucesso através de um mérito e valor, que não mais lhe é atribuído. Há pessoas que não lidam bem quando os aplausos terminam.

Infelizmente são poucos os Portugueses que levam o nome do nosso retângulo aos quatro cantos do mundo por bons motivos, e Maria Vieira inicialmente, debruçou-se a criticar Diogo Morgado, e desta vez, a Mãe de Cristiano Ronaldo. Daniela Ruah, José Mourinho, entre outros, tomem cuidado, porque pézinho em ramo verde, e ganham ingresso VIP e directo para o perfil do Facebook da nossa Maria.

Certo é, que Maria Vieira enquanto cidadã livre, de bons costumes, e num país democrático, tem ao seu alcance, a crónica, o comentário, o parecer ou a apreciação, que lhe permitem, como a qualquer um de nós, tecer opiniões relativamente a alguma situação, estado as figuras públicas como é natural, numa condição de maior escrutínio.

Contudo, a liberdade de expressão, convém ser musculadamente diferenciada de ‘Liberdade de excreção’. Excreção Ivo? No comentário da amiga Maria Vieira encontramos :

Esta mulher vale o seu peso em ouro e, pesada como ela é, calcula-se que o seu peso dê para alimentar muitas famílias...

Quando assim é, entramos por sua vez, no âmbito da deselegância no trato, de instrumentalização de princípios, valores, banalizando o facto de também Maria Vieira ser uma figura pública, acarinhada por muitos Portugueses, que neste momento, não se revêm nesta hiperactividade, porventura resultante de uma crise de idade avançada.

Ajudem a nossa ‘Parrachita’ por favor.




Mundial 2014

'Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que p…ra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar!
Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado!
O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!
A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade!
Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!!
O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha!
Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol'.

Jô Soares

15/07/2014

Contestar a justiça

Em sede de consciência social há um grande declive em Portugal, quando em comparação com outros países de Europa. Confunde-se constantemente a Justiça com a violência. Tanto é, que é vulgar não haver reacção contra o crime, mas inúmeras contra a pena.

11/07/2014

Os velhos 'Doutores do restelo'

São as atitudes que ratificam as teorias, e muitas vezes comprovam ou não um curriculum extenso. As segundas sem as primeiras, não aproveitam de mérito.

Se essa [mudança mundial/social] é corolário de carência de humildade, esquecimento da educação, e banalização do respeito, saltando princípios e valores, errou. Não é forte mudança, é 'triste decadência'.

08/07/2014

Brazil - 1 Alemanha - 7

O Brasil tem reivindicações diárias que ajuízam o Mundial de Futebol carrasco de inúmeras injustiças económicas ao país.

A dar força a essas reclamações, aparece Scolari, Júlio César, Maicon, Ramirez, Dante, Hulk, Fred, Oscar, Marcelo, que vão ao jogo e não pagam sequer bilhete.

Assim, não há economia que relute, nem boca que se omita.

Querem ver o jogo, pagam bilhete como os outros, ora!



02/07/2014

Sophia de Mello Breyner Andresen

Merecidamente as portas do Panteão se abrem, para que agora se brote aquela índole de recordação, como uma pertença ou partilha, que não se esfuma com os sinais desagregadores da morte.

"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

Obrigado.

Portugália

Quando era mais novinho adorava ir com os meus pais à Portugália. Ir à Portugália significava à data, uma parafernália de sensações e prazeres, especialmente ao nível da degustação. Isto tudo porque não estava ao alcance de qualquer outra casa de pasto, oferecer aquele molho amarelo, de mistura de leite com mostarda. Era a ‘chicha’ de uma vazia sagrada, certamente proveniente de príncipe bovino, que tinha crescido só para me agradar em Algés, precisamente antes do passeio a Belém.

Hoje de passagem pelo Campo Pequeno, os olhinhos piscaram no placard luminoso da ‘Portugália ao balcão’ – ao balcão? Mas que conversa é esta? – e atentaram-se a lançar-me aos sabores de infância.

A infância esgotou-se na memória. De salto da inovação para a modernidade, lá aparece também a Portugália a oferecer menus, bebidas pequenas, médias e grandes, e no fim, juro que tive receio que me perguntassem se ia desejar brinquedo e uma caixinha de cartão para montar em casa.

Portugália virou um fast food – not so fast, not so food – para fazer frente à restauração de centro comercial.



Jorge Jesus

Foi durante um Sushi de esmero que me coloquei em posição de vos dizer a todos:

- Jorge Jesus não continua no Benfica!

Por ser verdade, já conta com alguns trabalhos desta vez ligados à sétima arte.
Assombroso.


27/06/2014

PSD Madeira?




Quando o Governo critica os Juízes do Tribunal Constitucional, parece-me claro que, ainda que não saibam, as recensões são dirigidas à Constituição da República Portuguesa, e não ao Juízes propriamente.

Ao que parece, este executivo, acompanhado de diversos comentadores ‘sociais-democratas imparciais’, apontam uma Constituição impreparada para o Euro, visto esta ter sido criada na sémita do escudo. É um argumento interessante de facto, não fosse outro, um pormenor de importância ‘mínima’.

Acontece que os vários OE e medidas avulsas que foram chumbadas pelo TC, incidem com especial nodosidade no Art. 13º, ou seja, o nosso já cógnito ‘Princípio da Igualdade’. Neste sentido, ainda que aceitando sem de modo conceder, temos hoje uma Constituição preparada para o Escudo, e certo é que foi corolário de um Principio de Protecção Constitucional, desta vez consagrado nos Direitos e Deveres Fundamentais, que justamente, não deu provimento as propostas apresentadas.
Em primeira instância, não se atende a que o princípio da igualdade seja então consequência de uma Lei Fundamental preparada para uma moeda actualmente inexistente, e desse modo, para o caso em apreço, exclui-se a deformação da lei fundamental para julgar moções de unidades monetárias diferenciadas das existentes em 1976.

Ainda que se afigure suplementar qualquer apropriação da Constituição no sentido de assistir uma alomorfia social e económica, não revejo que essa apatia, tenha sido então, conclusão das inconstitucionalidades promulgadas.
Por outro lado e assim sendo, aos legisladores hiperactivos, relembrem-me por favor, da existência de uma Constituição de algum país, democrático, ou dito como tal, que careça deste Principio da igualdade. É que não me recordo de alguma que não conserve este, ou preceito de núcleo idêntico.

Salvo casos expressamente consignados na lei, as decisões políticas devem ser subservientes à Constituição da República, nunca conservando esta o ónus de se flexibilizar às resoluções do executivo.

Para qualquer inversão, pasme-se, nós temos políticos profissionais, e poucos ou nenhuns, Profissionais na política.


24/06/2014

Já faz um ano.


Um ano é uma data que muito embora seja razão de celebração, eu prefiro contar os dias passados, festejando a história do dia em que desligamos a máquina ao medo. As histórias bonitas começam sempre assim, com pequenos nadas insuspeitos, e afinal vêm a transformar-se no que para mim se revela no quebrar de amarras, cadeados e eu, que nem prisioneiro de Shawshank, por tua permissão me solto ao vento num sonho sem trela, onde posso voar, correr, e no fim descansar no teu colo.

O teu colo, é verdade. Não sei se já te contei, mas esse meu colo, é o tálamo da serenidade, harmonia das músicas que só tocam com notas perfeitas, o meu Debussy privativo criado só por nós, que sem Cd’s nem Ipod’s, construo assim as viagens onde somente está sintonizada a delicadeza da carícia, onde permite à lua descer e balançar, no típico som do teu abraço, na singular sentença do teu beijo. De sentença em sentença, não há acórdão recorrível para quando brincar com as palavras se torna extemporâneo sempre que os meus olhos cruzam os teus. E por lá permaneço, linda falua que lá vem lá vem, de algodão doce e fadas pequeninas, volto de novo a ser menino de chupa-chupa e calções, de ingenuidade primitiva de quem vive a sorrir. Assim sou eu, em ti.

Ao longo de um ano, libertaste-me eternamente sem saber. Revogaste á minha condenação sempre que os meus dedos agentes infiltrados nos teus cabelos procuravam revelar o que de vocabulário não possuo, sempre que a minha pele se ria ao teu toque, sem saber em que rota disparar toda a força procriada numa brusca escolha de enlaçar o teu rosto no meu peito. Ar para quê.

Por todo esse trilho, ensinaste-me que a dor é soalho imperfeito com farpas de sentido único, que todo e cada um de nós deve atravessar tantas vezes descalço. Conheci mais. Instrui-me que não é só a robustez, a resiliência ou mesmo a pertinácia que nos faz marchar. É a esperança. Esperança de um fim com grandeza, esperança do fim contigo. Obrigado por teres esperado por mim, obrigado.

E hoje, nesta minha circunstância de livre, és mélica dádiva corrompida de embriaguez, porquanto, mais asas me brindas, mais amarrado estou. Tendo a ser em anos, o encarcerado mais antigo do mundo, e se assim for, equitativamente o homem mais feliz de todas as ocasiões.

Obrigado

03/06/2014

Touradas, uma vergonha.



Há um dia atrás coloquei no meu mural a imagem do massacre sangrento que é infligido aos touros, com o simples objectivo da diversão do homem, onde por sua vez, e com a mesma, se retirava correntemente a minha posição quanto ao tema.

Depressa e bem, surgiram comentários de pessoas que se reviam na revolta por mim encetada, e outros, também sempre bem recebidos, de pessoas que defendem a tourada como uma tradição, arte, e tudo o que de benéfico para o país daí poderá advir.

De facto, porventura limitação minha, mas não consigo observar as touradas como uma forma de cultura. Se alguma cultura e tradição é provocar dor a qualquer que seja o animal, que gosto ou agrade poderá ter essa arte? Não vale a pena frisar para se colocarem na pelo dos animais, porque quem o faz, certamente não o concebeu sequer. Aparentemente, não é sozinho que penso desta forma. As pessoas lutam pelos seus direitos diariamente, e eu, sou da opinião que os animais também têm os seus direitos. São então os grupos de defesa dos direitos dos animais que lutam para que as touradas acabem, pois estes acham, assim como eu, este acto, um acto de crueldade e insensibilidade. Em Portugal, já foram proibidas as touradas por quatro autarquias. Dever-se-ia seguir o exemplo.
Uma sociedade justa não deve admitir procedimentos eticamente reprováveis (mesmo que se sustenham na suposta tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais. É horrível ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional. A sustentar a tourada no argumento da tradição, andaríamos hoje a lutar com leões em arenas de gladiadores.

Neste ponto, gostaria agora, responder naturalmente a todo a cada comentário válido que por aqui foi deixado.
Primeiro, pareceu-me absolutamente claro que abordando a minha posição relativamente às touradas, mais especificamente à actividade de maltratar um animal, não estava com ela a dizer ao mundo, que tudo o resto era perfeito, e que porque há fome em África, então já não fez sentido prestar a minha posição. Nada disso. Apesar de ser contra as touradas, pelo menos na forma como são, não significa que seja a favor do aborto, contra o casamento homossexual ou a favor da eutanásia. Nada. Isto porque quando nos predispomos a abordar um tema, devemos fazê-lo com a certeza da capacidade de não nos perder-mos em temas que para o momento, nada têm a ver com ele. É o caso do abordo. É um não-argumento contra ou a favor das touradas.
De seguida, vou de alguma forma defender-me da ‘demagogia’ do meu post, na certeza porém que não faz parte do meu estilo, a pessoalização dos assuntos, muito menos tudo o que seja para lá da justa medida da elegância no trato. Desse modo, aproveito para dizer que sou Português, vivo em Portugal, e a única coisa que ainda não entendi, é como algumas pessoas alegam a lei como proibição dos touros de morte, ignorando que a prática reiterada passa precisamente por violação desse mesmo normativo, em várias zonas do país. Ignorar esse facto, utilizando-o como ‘atenuante’ para o que se inflige aos animais, é no mínimo preocupante. Eu se um dia não cumprir a lei, os tribunais punem-me. As touradas quando não cumprem a lei, diz-nos o passado recente que o tribunal cria exepções, onde a mesma não se aplica em determinadas terras. Para não falar que não é só a morte que dói. Estou até convencido que a morte do touro, à altura que acontece, acaba por ser o que melhor lhe podia sobrevir, tal não são as atrocidades que lhe vem a promover. Vamos então ser sérios.
É também tema de importância os argumento de que os touros não são massacrados, em virtude de que espetar o ferro numa zona em específico, não se reflecte em dor para o animal. É de facto difícil afirmar o que é que um Touro sente numa tourada. No entanto, os estudos científicos feitos até agora apontam no sentido de que as agressões sofridas antes e durante as corridas sejam não só dolorosas mas incapacitantes, e desse resultado, solicito desde já qualquer pessoa a demonstrar-me um único artigo científico, que caminhe no sentido de que o animal não sente dor nos seus ferimentos. Até lá, é tão mais fácil assinalar que não dói nos outros, não custa naquele, deixai-me divertir.

Não consigo concordar que são então os toureiros e todos os que trabalham para a materialização deste auto de fé, os únicos que realmente valorizam e promovem o touro enquanto animal. Senão vejamos. ‘O touro que só existe porque há hábitos como este?’ Os Pandas e outros animais que correm risco de extinção nunca serviram para as touradas e continuam a existir. Porquê? Porque humanos se preocupam com eles. Para não falar, serem hoje criados animais de raça específica para a tourada, o que assim sendo, faz cair por terra o argumento da prevenção à extinção do touro. Ainda que não, e de qualquer forma com certeza de que os aficionados que tanto dizem “amar” os Touros, se esforçariam para que estes sobrevivessem mesmo que não servissem para nada. Afinal, amam-nos. Agora, é o massacre do animal, disfarçado de ‘arte’ que soluciona esse problema? Não creio. Arte e cultura de facto, é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado arte ou cultura.

Não devo pedir desculpa por ter uma opinião diferente das demais, mas se assim facilitar, eu faço-o.

Peço desculpa por achar a tauromaquia uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais.

Desculpa por sentir que só os motivos económicos ganham na luta de ódio que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.

Desculpa igualmente por verificar que em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis, mas não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.

Finalmente desculpa, porque tenho para mim, que a violência é a negação da inteligência.

27/05/2014

António Costa



É com alguma satisfação que vejo finalmente o grande amigo, António Costa, dar um passo para o que era inevitável. Não obstante a cores partidárias, António José Seguro consegue não ser fantástico em nada. É apático na política, do mesmo modo que impassível em momentos que se exigia uma vitória mais folgada. Não agrada nem aos socialistas, pelo que o seu possível afastamento causa compreensível temor a uma direita que vê a susceptibilidade de sair um elo mais fraco, dando lugar a um político de peso.
Chamem a ‘facada de Costa’, o ‘beijo de judas’. Mas a realidade é esta, um partido como o Socialista, terá sempre de ter um S.G muito mais activo, e credível.

23/05/2014

Manuel Baltazar. 'Palito'.


Preciso urgentemente que me indiciem ao meu país. O Presidente da República que se chegue a mim, e nos apresente por exemplo. Ivo, este é Portugal. Portugal, este é o Ivo.

Não é que eu já não o saiba, mas por esquecimento ou distracção, não tenho acompanhado estas novas vagas desta sapiência desmesurada.

Dou por mim a ligar a televisão, ver um homem andar fugido durante 34 dias por ter tentado matar quatro pessoas. A idade já não era a melhor, e ‘só’ assassinou duas. Problemas de vista, mira torta, o que seja. Problemas.

É finalmente capturado e à saída do carro para o tribunal é ovacionado(?) por largo número de pessoas.

Podem dizer [os cautos] que os aplausos foram para a Polícia que o capturou. Certo, alguns aplausos com certeza, mas notório foi, que a maior ovação, acontece quando o Sr. Baltazar sai da viatura. Dirigem-se irrefutavelmente a ele. Porém, é só a minha opinião, e o relato que o CM conseguiu do local.

Tenho para mim, que a população, incorporou naquele procedimento um recalcamento notório que tem vindo a existir, contra o ‘sistema’. De alguma forma, aquele ‘Palito’, fez-lhes frente. Não tanto à polícia, mas ao sistema.

É esse o sentimento por detrás dos aplausos. Esse e parvoíce aguda.

Estou incomodado, mas não surpreso. Relembro-me que não há muito tempo, se montou um cordão humano, de solidariedade, para com um rapaz Português que assassinou um Carlos Castro em Nova Iorque. Nobre, não foi? Quase chorei.

É impressionante a veia novelesca, romântica, quase trôpega, que faz com que este nosso povo tenha uma incompabilidade absoluta de se colocar ‘do outro lado da barricada’.

Porque do outro lado do Herói, e nas costas do bom Renato, vive a dor de uma família e amigos que perderam duas pessoas que amam. Que irrecuperavelmente não ultrapassarão a dor da morte injusta de quem, no fim de contas, é aplaudido e/ou homenageado.

Peço um minuto de barulho, para estas mentalidades.

06/04/2014

José Sócrates e José Rodrigues dos Santos



Estava aprontado para comentar sobre a recente disposição do Primeiro Ministro para abordar a proposta, anteriormente lançada, relativa ao aumento do salário mínimo.
Ora, se verdade é que da esquerda à direita todos estão finalmente de acordo com a medida, ia eu, que nem ‘Advogado do Diabo’, versar sobre os problemas que esse aumento de salário levanta, no que diz respeito, por exemplo, à taxa de desemprego. Mas nada feito!
A meio do meu jantar, oiço José Sócrates, apelidar arguciosamente José Rodrigues dos Santos de ‘Burro’, e ‘Papagaio’. Procurei de imediato o botão vermelho na esperança que a minha cadeira rodasse para a Televisão. [vide, The Voice]
Hoje fica em suspenso mas não extinto, o comentário acerca do salário mínimo, tal não é o regozijo que nutro, com este espaço que a RTP criou na tentativa de tramar António José Seguro. Muito bom.
Nunca mais é domingo à noite. Bolas!