28/11/2013

Desculpa

Há dias que a minha troika privada se patenteia.

Lá vem ela com um prejuízo que como só ela sabe, sabota a posteridade breve, austeriza a dignidade, decência e o bom-nome.

A violência verbal é um comprimido muito forte, que se arremessa ao alvo, sem lembrar que os efeitos subalternos são muito mais nefastos que os primeiros.
Não somente por isto, embora também, é extraordinariamente incipiente travar uma discórdia onde empregamos todos as inferiores, vis e mais funestos recursos.
Incipiente porque a partir daí, não mais há triunfo.

Ambos os lados sofrem, ambos os lados retiram-se derrotados de mil e uma formas, ainda que não saibam.

Pratiquem o desarmamento interno. Significa este, absolvermo-nos de inúmeras comoções negativas, que exclusivamente redundam em impetuosidade na violência.

Para não se tatuar espinhos incessantes na alma, faço-o, e apelo a todos, que se desengatilhem internamente, e sejam um pouco mais felizes e fraternos.

22/11/2013

Aforismos

Deixem-se disso gente!

Imploro diariamente que uma luz desça á terra e subtraía ás infindas aptidões humanas, aquela capacidade que desponta em cada uma, quando ao não saber o que verbalizar, então refugiam-se em aforismos obtusos.

- “Às vezes é no meio da escuridão, que se vê melhor a luz”.
- “Às vezes é quando estamos no meio da multidão, que estamos realmente sozinhos”.

E a humanidade diz de urgente, “olha, bem visto!”.
Vamos lá tentar. Se alguém profere;

- “Às vezes é quando uma coisa mais parece uma coisa, que é o contrário dessa coisa!”

Não é uma grandiosa ajuda, nem mesmo um discurso brilhante. Às vezes é só parvo.
Só para que conste.

21/11/2013

Verdade Material Vs Verdade Processual



Os tribunais, assim como todo o sistema judicial deve operar no sentido da descoberta da verdade material, respeitando por sua vez a verdade processual.

Não sei até que ponto conjunturas análogas a esta, podem ser reflexo de uma amplificação da Verdade Formal em prejuízo da Material no sentido em que, porventura, possa não verter uma justiça social efectiva.

19/11/2013

Portugal vs Angola

"Arquiva-se o processo na tentativa de desanuviar a tensão última entre o estado Português e Angolano".

Deste modo, é com este desventurado e desgostoso dedo, que aponto o corolário factual de uma indigente Magistratura, que se deixa invadir num presumível equilíbrio político, abandonando a sua idoneidade e função, na descoberta da verdade material, conforme os ditames jurídicos.

18/11/2013

A feira Popular de Lisboa



Ainda me recordo da mescla de cheiros vindo dos incontáveis restaurantes castiços e de preços despretensiosos.

Aparecia o clamor do palhaço que esguichava água, e os dedos pegajosos de surripiar o algodão-doce do primo. Em seguida, lá voava eu para a lua como o maior dos astronautas, enquanto preservava o mundo vinte vezes ao lado do super-homem.

Não bastante, tinha ainda tempo de entrar em saloon de faroeste, e salvar a donzela mais formosa, das cordas que a amarravam.

Na dimensão dos sonhos, de universos encantados com majestades, dragões e princesas, tudo se tornava possível.
Os mais pequeninos, defrontavam os seus desassossegos entre gargalhadas, sorrisos e animação.

Era isto e muito mais, que impelia milhares de pessoas a divertirem-se neste espaço no centro de Lisboa.

Hoje com um frio depressivo, jazem inúmeras exultações dentro de quatro muros débeis de acabados. No centro de Lisboa, vive o Adamastor das memórias distantes, o antídoto da esperança.

Senhores governantes acreditem, nem só de números vive o homem.

14/11/2013

Tufão nas Filipinas


São absolutamente tormentosos os cenários que o tufão Haiyan debelou na sua passagem pela cidade de Tacloban. Avança-se com mais de 100.000 mortos, e 600 deslocados que não têm acesso a água ou alimento.

Fica na narrativa incompreendida litros de lágrimas por secar, milhares de corpos por honrar, e sofrimento do tamanho do mundo por parte dos desafortunados que já só vivem fisicamente.

É especialmente a estes últimos, que deixo o meu pesar e enternecido testemunho.

Nem tudo o que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado, até que seja enfrentado.
Com esta máxima, creio na intelectualidade dos líderes mundiais, para o amparo premente a estes nossos, e dignos irmãos.

A todos eles, um abraço fraterno.

13/11/2013

Acordar assim

O vulgar, é muitas pessoas acordarem ao toque. Outras com o timbre de quem as chama, ou então até mesmo com ruídos que lhes varrem o sonho e desabotoam os olhos.

Acordar ao teu lado, é nada menos que ser acordado pela tenuidade do aroma. Afinal, a fragrância pode acordar-me.

Acordar ao teu lado é o aconchego inigualável das torradas quentes, um dia que se estreou num sábado, e os relógios param só para mim.
Só. Porque o restante é acordar sozinho.

08/11/2013

Um pé na sarjeta

«Se um dia for vedeta, quero sempre manter um pé na sarjeta».

Há vários intuitos que tornam imprescindível saber conservar distâncias. Seja por reserva pessoal, por conservação intelectual ou até por amor. Sim, o amor pode distanciar duas ou mais pessoas.

No entanto, a superior e mais difícil distância de todas, é aquela que nos afasta de nós próprios. Suspeito dizer que seja conjuntamente a mais proveitosa de se desenvolver.
É sobretudo em ápices de palmas, abraços, glórias e sucessos, que a distâncias de nós próprios faz ainda mais sentido.

A vizinhança de nós connosco, faz com que andemos constantemente a auto elogiarmo-nos, enaltecendo em arco de luzes pomposas. No seu extremo, não mais andamos; levitamos.

É o distanciamento entre cada um de nós e o produto dos nossos feitos, que consentem o lugar para a crítica essencial.

«Se um dia eu for vedeta, quero sempre manter um pé na sarjeta».