Somos todos nós, dentro de cada um. Diferentes.

by - outubro 31, 2013

É estupenda esta habilidade de se admirar um livro por tudo, menos o que lá vem escrito. Faz-me rejubilar esta capacidade que o Homem tem de se apaixonar por um quadro, do qual nunca viu as cores. Mas a paixão está lá!

Hoje enquanto eu almoçava de figura especialmente desentendida; - (não fosse a repulsa pelo que ouvia exteriorizar-se pelos olhos) - ostentava-se um cliente, dizendo que era o «José Mourinho a colocar azulejos nas paredes».

Alguém perdia tempo a dizer, “Não te deves gabar oh Zé!”; senão quando «o Zé» contrapõe lá do pináculo da sua sapiência;
- “Não me devo gabar? Olha o Mourinho! Ele gaba-se e todo o mundo se cala porque sabe que ele é bom! Mau é quem se gaba sem ser nada de jeito!”

Por mais que se estude áreas diversas, para mim o Homem continua a ser o objecto de estudo mais complexo e cativante.

Neste caso do José Mourinho por exemplo, há pessoas que são autênticos embaixadores de Portugal no estrangeiro, mas nem por isso devidamente agraciadas.

Parte das que gostam, admiram, apreciam, apoiam e protegem; existe ainda parcela que «Gosta do livro sem saber ler».

Concebam só o que sucedia, se fosse exequível trazer o Sr. Padre António Vieira, para dissecar o seu “Sermão de Santo António aos peixes”, sobre o qual este nos chamava de «criativos», pois a alegoria se dirigia realmente aos peixes e nunca aos homens.

Era o escarcéu! Mas admiração por tão bela escrita, certamente que se mantinha em cada um de nós, ainda que por razões quase adversas.

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