agosto 21, 2013

Luís Filipe Menezes

Luís Filipe Menezes, candidato do PSD á Câmara do Porto, assegurou agora um espectáculo musical com o artista Tony Carreira a encerrar a sua campanha.

Tony Carreira, aufere por cada espectáculo 45 mil euros. (como se pode verificar http://fama.sapo.pt/fotogaleria/tony-carreira-cobra-45-mil-euros )
O orçamento (que é público) de Luís Filipe Menezes, fixa 10 mil euros para espectáculos e actividades lúdicas.

É este um absoluto e fiel retrato da classe politica a mais no nosso país.
Enquanto existir flagrantemente politica de executivo, e politica para campanha, jamais o nome do país consistirá em primeiro lugar de considerações.

Com este cenário de gerência, é caso para comunicar que se era um «sonho de menino», este nosso Luís que ponha os pés na terra, seja íntegro em detrimento de político de campanha.

Com Luís Filipe Menezes no Porto, «Depois de ti mais nada».



Liga Zon Sagres 2013/2014

Principiou a liga Portuguesa de futebol 2013/2014. E principiou mal. Começou infortúnia a época no campo das arbitragens, e não apenas com equipas «grandes». 

Quem viu certas passagens do Guimarães – Olhanense não pode deixar de ficar eriçado com o que se possa passar entre pretendentes a lugares europeus, e candidatos à descida de divisão. 


O jogo mais notório desta berra que retira paixão ao futebol, foi entre o Vitória de Setúbal e o FCP. Paulo Fonseca, directamente arrolado (e bem) das juventudes desportivas por Pinto da Costa, ainda não compreendeu que cada penalti mal marcado a favor do FCP, cada golo ambíguo que o favoreça, só o acanha como treinador aos olhos de todos. O seu ataque a José Mota foi de quem não sabe ainda o seu papel. Com tempo vai lá. Ele é bom, e certamente de célere aprendizagem. 


O meu receio é que estes talentosos jovens treinadores, jogadores, e mesmo árbitros, gostem mesmo de futebol. Se assim for, estamos em actual condição de lhes anunciar um desgosto;


É que o futebol em Portugal está ligado ao negócio em série, descaracterizando-se (ou não). 


E em resultado de tudo este zoo, a paixão de cada um de nós em cuidados paliativos pouco eficazes.




agosto 18, 2013

Já não é suficiente!

Já não é bastante preocuparmo-nos com o que se diz, devemos ter (também) em conta a ordem com que se faz.

É que se em primeira instância, além de se aportarem a temas distintos do que discorremos, ainda existe a limitação daqueles que somente retêm a parte final do que se ouviu.
Resultado, longa viagem para direcção divagada.

Limitação foi o que eu disse? Exacto, limitação.

Bilhete para o salão do comuns (JUDITE DE SOUSA)

Todos os utilizadores opinaram relativamente á entrevista de Judite de Sousa (JDS), e eu nada. Para adversar, nesta luta desigual de milhões contra um(a), eu vou falar da parte mais indefesa.

Vou falar de nós. Acima de tudo, de falta de bom senso. 


Quanto á entrevista precisamente, não me vou expor sobre as palavras menos afortunadas, o deplorável conceito de oportunidade, ou mesmo á muita subjectividade que JDS se serviu na conversa.


Não impeditivo a todo esse tema, que não ouso debruçar-me tal a panóplia de verborreia por esse Facebook fora, é particularmente isto que me conferiu interesse;
https://www.facebook.com/juditedesousavergonha 


Do mais gracioso que por lá pude decifrar, foi (subtraio a linguagem mais vernácula) “Vaca”, “Demissão”, “Despedimento”, “Pior jornalista de sempre”, “A vergonha do jornalismo”, e por aí avante.
Tenho para mim que se fosse tudo em #‘hashtags’, JDS abria o telejornal em Santiago do Chile.


Existe nos dias de hoje um ódio amordaçado em grande parte dos Portugueses, ensopados numa pujança e cólera demolidora na constante reacção de apontar os erros de alguém.


Provavelmente a situação do país, quiçá consequência de uma impotência generalizada que se vem sentindo, debilidade, fraqueza, mas o certo é que estes ‘tumultos virtuais’, são de um efeito funesto para o/a visada.
Mas do dano, quer-se lá saber.
Temos vindo a ficar de dia para dia sofisticados julgadores de outros que não nós, aprimorados justiceiros de sentença na ponta da língua, polidos donos de uma justiça viral. Sim, nasceu uma nova justiça, a viral.
Nasceu uma nova sentença, a social. Bem mais nefasta que a judicial, diga-se.


Em diversas situações, comportamo-nos como uns opressores, em que a revolta possível por sermos oprimidos por alguém maior, é oprimir aqueles que erram. 


Esta improficiência de lutar, redunda em reacções onde não mais interessa que impacto terá, exclusivamente sacia este ímpeto exacerbado de nos sentirmos “socialmente activos”. Impulso pobre.


Somos apressados, não muito mas demais. Excessivamente bruscos.
Rápidos a condenar, a estigmatizar, desaprovar, castigar. Somos punho fácil para bater.
Mestres do olvido, sábios na negligência.


Aboliu-se dos tribunais a pena capital por não se considerar adequada, justa, assertiva e democrática. Nas praças da nossa sociedade inquisitória praticam-se estas sanções calamitosas. Com o amigo, com o vizinho, com o conhecido, tantas vezes com a família.


A mim não me importa especificamente com quem, mas proporcionalmente são amplificadas e por sua vez exageradas.
Opiniões, pareceres e juízos são bons e recomenda-se, mas andemos com prudência e senso.

agosto 15, 2013

O dia em que morri

Ainda sinto o cheiro a bafio e setin. O dia da minha morte era esperado com o desassossego de quem almejava e muito, os dias sequentes.

Morreriam comigo naquele dia todos os defeitos, imperfeições, vícios e passados inúteis. Era sucumbir agrilhoado aos preconceitos e ás superstições, aniquilando os laivos de uma sociedade infamante que se dissipavam.

Morri numa qualquer cidade da Europa, uma cidade antiga, daquelas com largos e praças apinhadas de narrativas históricas e reminiscências virtuosas.

Quando me conduziram pela mão, á minha última morada enquanto impuro, nem mais a venda me fazia não adivinhar os degraus comedidos. Em sua vez, quando me indagaram se estava atemorizado ou receoso, sorri como demente e redargui; “jamais convosco irmãos”.

Cessei depressa, feito obeso no gélido do xadrez. Desprezei-me e corri freneticamente para mim mesmo. Ao chegar, renasci. Ressurgi brotando pela primeira vez, contemplando pela primeira vez, cheirando pela primeira vez, sentindo pela primeira vez, e sendo, sim existindo finalmente.

Contemplar outras cores, renovado mundo. Adivinhar enxofre de aroma primário, água, sal e vida. Auscultar sabres que cortavam o ar, juntando-se no aço com centelhas, fagulhas e faíscas de ipiranga.

Quando nasci, o mundo acreditava por mim, com nova parentela, com novo afecto.

Afinal, livre.:.

agosto 13, 2013

Radicalismos á parte

A palavra radicalismo é insana. Fogem dela, e ninguém aceita ter uma postura radical relativo a qualquer que seja o tema, embora muitas vezes a tenha. Ser radical soa a agir sem pensar, quiçá a reagir em detrimento de agir. Atitude pouco pensada, insensata, infantil. O que queiram chamar.

A nível político, chamam radicais aqueles cuja sua ideologia politico-partidária se coloca nos extremos quer da esquerda ou direita. Ficam lá nos píncaros, e de tão longe se colocarem talvez careçam de toque e sensibilidade para reconhecer os problemas reais. São opiniões.


Quanto a mim, o mais radical dos extremistas que pode dar á costa (ou o mais extremista dos radicais, escolham), não é aquele classificado em virtude do seu afastamento dos partidos centrais, mas antes o resultado da sua postura filantrópica enquanto cidadão.
Radicalista é para mim, aquele que independentemente de ideologia ou partido, não aceita democraticamente uma opinião contrária. Uma opinião diferente, uma visão antagónica.


É aquele que senão antes, ao aperceber-se que não move alguém para a sua causa, opta por “catalogar, rotular e empacotar" pejorativamente aquele que não partilhou da mesma opinião.
Obstar a essa diferente opinião classificando-a como menor, é directamente cercear a liberdade de cada um. Até que seja mesmo a liberdade de errar. É o maior radicalismo existente.

E são esses tantas vezes os maiores defensores da Democracia. Chamo-lhes então os democratas radicalistas (ou os radicalistas democratas. Também aceito).

agosto 12, 2013

Código de Processo Civil

Quando existe uma alteração de fundo na lei, deve esta ter o seu tempo de adaptação necessário, para suprir ao máximo o impacto da mudança.

A ministra da Justiça, achou então sensato que uma alteração de fundo ao Código de processo civil, tenha somente dois meses de Vacatio Legis, quando mais de metade dele são em férias judiciais.

Mas não ficamos por aqui.

Hoje, a duas semanas da sua entrada em vigor, somos então presenteados com mais de 10 alterações ao Código de Processo Civil. ( https://dre.pt/pdf1sdip/2013/08/15400/0480204803.pdf )

Estes legisladores são absolutamente fenomenais.
Palmas.

agosto 08, 2013

Reformas

Andam a reduzir reformas como se elas fossem um previlégio do cidadão. Dinheiro ganho ao longo de anos de trabalho não pode ser um privilégio. É um direito.

agosto 06, 2013

Os sedutores

É absolutamente surreal as experiências que se vive na mais dissimulada das situações. Não é preciso procurar sequer.
Numa simples ida ao mecânico mudar dois pneus ao carro, não fazia ideia de assistir a uma primitiva dança de acasalamento, em primeira pessoa, e desta vez por humanos.

Quando ela surgiu no carro cinza metalizado, de imediato o mecânico a denotou, negligenciando o que fazia, fixou-a em todos os pontos excepto nos olhos. A moça de nome quase monarca, apercebendo-se, ignorou tal postura.

Carente de percepção mínima com tal figura, ao estilo de jurisprudência nacional, macho lusitano arisca que certamente seria, passou do olhar simples para o sorriso, com olhar malandro e galanteante proporcionava das melhores estiradas que ouvi, ao ritmo de “tu não tens um pingo de vergonha/como um homem sonha/ter alguém assim”.
Abruptamente crente de uma fé maior, “Ai meu Deus” ou mesmo qualificado de uma engenharia requintada com “Até a barraca abana”. No fundo, uma experiência que em duas palavras sensatas eu diria, «espalhou charme».

Era ele artista de uma película que me tornava ignorante a cada momento. As pipocas não eram doces, nem o filme o mesmo.
Pelo menos, a julgar por aquele andar gingão e olhar confiante de quem tinha conquistado o que a meus olhos, nunca tinha estado tão longe de acontecer.

Levanta-se o tema da procura e da oferta. Isto porque temo concluir que a julgar pela conduta de excessivo apuro de maneiras cativantes, já deve outrora ter tido os seus resultado (o que me assusta), caso não teria mudado a estratégia.

Zé-zé Camarinha, Ivo Almeida, e demais inadaptados dos tempos modernos, temos tanto a aprender.

Quanto a mim, começarei com aqueles calendários suspensos nas paredes da oficina, a lá «almanaque de bons costumes».

agosto 02, 2013

Apontamento

Quando digo que o povo Português foi enganado por este governo em altura de eleições, exaltam-se as hostes, e respondem-me que neste sentido, todos os governos enganam o seu povo quando fazem uma campanha eleitoral diferenciada das atitudes que tomam quando no poder.
Não é disto que falo.

- Uma situação, é um grupo partidário não cumprir aquilo que prometeu em campanha eleitoral, que é infelizmente um Capitis deminutio de todos eles.
- Outra é tomar medidas que se prometeram especificamente não fazer. Foi o que este Governo fez, e isso já é burla, isso é enganar.

É desta pequena diferença que eu falo.

Gastrites linguísticas

Um com tempo habituo-me ao Pretérito perfeito composto, mas entretanto "aceitado", "juntado" e "matado", continua a fazer-me tamanha comichão no céu da boca.

Zeca Afonso

Zeca, afinal parece que ainda não há praças de gente madura.

agosto 01, 2013

RELATIVAMENTE AO ACORDÃO DO TRIBUNAL DA RELAÇÃO DO PORTO

Entendo que uma decisão judicial, tem de salvaguardar o seu núcleo primordial que é decidir a questão jurídica que para o caso, saber se é ou não justificado o despedimento, em razão do trabalhador estar alcoolizado em serviço.

No entanto, é absolutamente compreensível que o Magistrado, além do núcleo essencial de questões que se levantam, entenda deixar algum comentário ou nota pessoal, mesmo que este não se prenda directamente á matéria do trabalho. É compreensível visto que cada Juiz ao escrever uma decisão, está a fazê-lo incorporando o seu próprio pensamento. Um comentário ou nota, não me parece desajustado, ser for ele adequado ou oportuno.
Muito embora, neste caso é notório que as afirmações foram infelizes, e desadequadas. ("Vamos convir que o trabalho não é agradável”(...)"Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos”)

As afirmações terem sido infelizes e desadequadas não podem ou não devem ser, motivo de esquecimento relativamente ao primordial objectivo de uma questão judicial, que embora pouco sonante, foi cumprido.

1. Existiram no caso em apreço, meios de obtenção de prova nulos. A relação ao confirmar a sentença da primeira instância, reiterou por este acordada, que os resultados das análises ao sangue nunca poderiam ter sido usados pela entidade patronal sem autorização do trabalhador.

2. Ao contrário do que foi alegado pela entidade patronal, alegam ainda os juízes, que não existe na Greendays nenhuma norma que proíba o consumo de álcool em serviço. Por isso, no seu acórdão, os magistrados deixam um conselho à firma: que emita uma norma interna fixando o limite de álcool em 0,50 gramas por litro, “para evitar que os trabalhadores se despeçam todos em caso de tolerância zero”. Por muito absurdo que pareça, e sendo o processo civil um processo de partes, cabe ao Juiz(s) julgar de acordo com a (somente) matérias que as partes fazem chegar a tribunal.