fevereiro 03, 2013

Constituição da República de Relvas

Eu ainda sou do tempo, em que uma notícia como esta do Público, era uma vergonha para uma sociedade dita de justa.
Pode isto ser verborreia do adiantar da hora, contudo, faz-me confusão esta medida de premiar um aluno, por este apenas ter feito o que é exigível. Pasme-se alma esta, que entende os prémios somente para os alunos com atitudes ou resultados extraordinários.
Mas mais grave que este estranho critério, torna-se todas estas elaboradas tácticas que têm como resultado a desigualdade e injustiça.
Se fui um aluno do ensino superior, o de um politécnico também foi. Se fiz questão de entrar numa universidade de referência, foi porque mereci e/ou tive médias para tal. Paguei as minhas propinas, e penso que um aluno de um politécnico também o faça. Se eu estudei para terminar o curso, penso que nos politécnicos faz-se o mesmo. Tenho a minha média ponderada, conforme os ECTS, porque assim mereci, e o aluno do politécnico é majorado porquê? Igualdade na Constituição da República de Relvas?
Partindo do principio da justificação dada pelos Presidentes dos Politécnicos de Lisboa e de Leiria, Vicente Ferreira e Nuno Manga, onde se entende que, um aluno que entra, acaba o curso, e sai do Politécnico, vai gerar menos encargos financeiros para o Estado, do que um outro que termina o curso ao fim de 10 anos, por razões óbvias de morosidade na inclusão no mercado de trabalho, e tantas outras.
Quem nem mente funesta esta que me habita, dá-me de imediato uma prespectiva bastante libertina.
Se os encargos do Estado são menores com esta senda de impulsos, encaro sem surpresa que um politécnico aufere mais rendimento se tiver constantemente alunos a saldar propinas de um ano inteiro de cadeiras, do que quinhentos ou mais alunos que andam a pagar uma ou duas cadeiras durante anos. Curiosamente, o Ministro da Educação e da Ciência Nuno Crato, coloca-se numa posição de praticamente não ingerência do estado (relativamente ao carácter injusto da mesma, entenda-se), quando nos passa a ideia de que este tipo de decisões é da responsabilidade de cada instituição, que têm a possibilidade de adoptar medidas como esta, no âmbito da autonomia que lhes é legalmente reconhecida.
Está certo que após o caso académico do Dr. Miguel Relvas, posso estar eu a cair no erro de efeméride passiva. Mas que mania a minha.