14/11/2012

Manifestação na Assembleia da República

Quando dizemos que actualmente temos um país diferente, infelizmente, é em atitudes como estas que chegamos á conclusão que essas conclusões não passam de uma grande vontade que assim fosse, nada mais do que vontade. A cegueira e raiva deliberada, como se viu hoje em frente á Assembleia da República, demonstra que inúmeros energúmenos não entendem sequer o que significa vida e valor humano, quanto mais Democracia. Infelizmente não se pode esperar que esta gentinha saiba a diferença entre o direito de greve e manifestação (consagrado especialmente para se fazer sentir um desacordo com as visões politicas de um governo), com a figura de desacatos em via pública, vandalismo, ou mesmo atitudes criminosas contra agentes de segurança. A nossa lei fundamental, explica que a todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação, mas é tão explícito quanto o frisado, que no mesmo diploma se entende por manifestação, o direito de se reunir pacificamente e sem armas. Sento-me e reparo na assolapada impossibilidade de explicar a vândalos revoltados que o caminho não é a agressão, especialmente contra quem em nada tem haver com todos os pontos que reivindicam. Sejam eles, austeridade, acordos internacionais, dívidas públicas, visões políticas de esquerda, de direita, até horizontais se conhecerem alguma. Não são os órgãos de polícia que são responsáveis por tais danos na sociedade portuguesa. Primeiro, o ordenado deles é pago com os impostos de todos nós, segundo e mais importante, mesmo que fossem eles os responsáveis, a luta faz-se nas ELEIÇÕES, e não atirando pedras e demais objectos, que nem selvagens se demonstram. É que no fundo, não deixa de ser irónico as inúmeras manifestações, as várias demonstrações de incompreensão com o governo, quando nas últimas eleições o partido que as ganhou foi a ‘ABSTENÇÃO’, com cerca de 70% dos votos eleitorais. É esta mentalidade que me faz alguma espécie. Em massa, são omissos quando se devem fazer notar e utilizar a maior arma que o povo tem, o voto no sufrágio. Por outro lado, extravasam todo e qualquer limite de respeito, justiça, princípios, valores, e dignidade com atitudes que julgam nobres na defesa de direitos! A sério? Eu não defendo cores, mas antes pessoas. Eu não sou de esquerda, ou de direita, ou do centro. Sou Português. Essa cor, não tem sido defendida tão veementemente como as partidárias. É uma pena, quase vergonha. É com distância político-partidária que faço o seguinte comentário. É com clara ousadia que o Secretário-Geral da CGTP, o senhor Arménio Carlos, em declarações posteriores ao levantamento de calçada portuguesa, diz que ‘Lamenta profundamente’, o sucedido. Folgo em dizer que partilhamos o sentimento de lamento profundo, até vergonha, relativamente ao cenário que se viu. A diferença não é bem essa. Essa diferença acontece porque o Ivo Filipe Almeida, não esteve no Terreiro do Paço, com um discurso bélico, disfarçado de diplomático, a atiçar os cidadãos que têm tendência especial para a influência, e o nosso Arménio Carlos esteve. As manifestações, devem ter um fundamento, e as greves argumentadas com um motivo coerente, é certo. O discurso do Secretário Geral da Organização Intersindical Nacional que promoveu a mesma, faz todo o sentido, numa prespectiva de esclarecimento, e de agradecimento aos que a esta aderiram; no entanto, perde toda a sua causa nobre, quando é feito num ambiente de revolta contagiosa, de quem coloca pólvora e dá tiros para o ar, potenciando o confronto com palavras que motivam ao próximo motim. Isto sem estar a criticar negativamente o teor ideológico da CGTP enquanto organização, mas por outro lado, reprovo acima de tudo, que na pessoa de Secretário-Geral da maior Organização Sindical em Portugal, que certamente está munido de flexibilidade e astucia suficiente, deveria então colocar as cores nacionais em primeiro lugar, alegando as suas ideias e criticas, mas sem nunca em detrimento ou prejuízo da estabilidade e equilíbrio do país. O que se viu hoje, foi um país desequilibrado não só em ideias políticas, como principalmente em mentalidade cívica. A mentalidade que existe hoje em algumas pessoas é medíocre, e urge alteração. Essa alteração não se fará por ela própria e todas as ajudas nesse sentido serão fulcrais. Desse modo, que comece por quem está á frente de grupos de pessoas, pois esses sim, têm forma muito mais eficiente de difundir uma mentalidade politica mais racional e pacifica.