16/08/2012

O direito de súfrágio

Sempre fui acérrimo defensor do dever de sufrágio. O artigo 49º da Constituição da República Portuguesa, sempre me pareceu aprumadinho e janota. É um dever cívico, e acima de todas as classificações, é a única forma de exercer o maior dos poderes que enquanto povo retemos; o de escolher e delimitar o nosso futuro. Ainda que as opções de escolha sejam entre o meu e o péssimo, é de ressalvar que entre votos em branco, e estratégias de nos fazer ouvir enquanto cidadãos, o importante é fazer um voto activo. Um não-voto, será sempre uma não actividade cívica, e de certa forma quase deveria ser um conhecido atalho directo a um não-direito. O da indignação. De todas as pessoas, aquelas que não votam, pouco me diz a sua indignação, a sua revolta pelo rumo do país, mais a sua resistência ao sistema que o governo implementa, tudo isso. Criticam onde a sua parte activa deveria ter sido ouvida no dia das eleições, e agora, por entre manifestações, gritos e insultos, já de pouco vale. Como tal, nunca encontrei lógica inteligente para que o partido que mais ganha as eleições no meu país, seja o da abstenção, que é precisamente o qual, que os seus militantes mais se fazem ouvir em revoltas eternas. Desta minha e de sempre, difícil digestão do não-voto, encontro agora este meu valor fragilizado, porque temo que das opções de voto que encontramos no boletim no dia das eleições, já nada se relaciona com o real governo do país. Faria agora sentido passar a exercer o direito de sufrágio nas eleições Alemãs, pois dessa forma, talvez todos nós conseguisse-mos uma real participação na vida pública, com o direito de tomar parte na vida politica assim como na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.