julho 13, 2012

Um grito

Na vida, concluiria um dia, que todos têm o direito a conhecer o seu verdadeiro amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho. Teimosos e a abnegados, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. 
O medo não é da decisão para a vida. O medo é antes 'daqueles' fadados para a tragédia, os amores que se encontravam sem nada desconfiar que era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão. 
É a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia outro percurso, uma outra existência, uma passagem para o mundo dos sonhos que lhe foi vedada.
São esses os verdadeiros infelizes, os dilacerados pela revolta, até serem abatidos pela resignação.
São daqueles que percorrem a estrada da vida, vergados pela saudade do que poderia estar a ser, do futuro que não chega, do trilho a dois que tanto demora.
Quem por isso passa, por isso fica marcado. Marcado pela amarga e profunda nostalgia de um amor por viver.
Pobre 'eles'...