julho 20, 2012

És tu.

Desde o dia em que me abraçaste, o mesmo pesadelo tem surgido vezes sem conta. Sempre diferente, mas no conteúdo, sempre o mesmo, tão repetitivo no tema que se tornava recorrente.
É desde então que me coloco a pensar na importância dos nossos sonhos. Talvez estes ocultem um desejo e um sentimento de culpa. O desejo de te ter a meu lado, e o sentimento de remorços de não ter sabido proteger, não ter sabido agarrar para nunca mais fugires.
A minha mente é assaltada constantemente por mundos alternativos, por hipóteses diferentes. A palavra ‘se’, vem a atormentar-me a todo o instante, pois penso sempre que ‘se’ eu tivesse feito algo diferente, se tivesse agido de outra forma. Tantos pormenores surgem em mim, tantas pedrinhas, tantos pequenos nadas que não foram alterados, e transformam-se nesta dolorosa avalancha de culpa que me consome todos os dias, cruel e implacável, obsessiva e incansável.
A vontade é de ficar em casa, derradeiramente isolado do mundo, enterrar-me no quarto com todos os meus demónios, atormentados por todos os fantasmas que me assombram a alma.
Apetece-me conversar calado, calado de olhares, e de pensamentos até. Em silêncio, deprimido, mergulhado nas minhas memórias e em tantos planos e sonhos destroçados. Ataques de ansiedade e acessos de culpa.
Tantas vezes receio estar permanentemente acordado, tais são os pesadelos que medo tenho de cair no sono que teima em aparecer.
Sinto-me fraco, sem energia. Até mesmo para fazer a barba e mudar de roupa. Apático e metido comigo, calado e impensavelmente mais solitário do que sempre fui. Não consigo passar cinco minutos sem pensar em ti, sem pensar que sinto dó desta desgraça.
Todos os meus sonhos agora, todos os pensamentos concentram-se obcecadamente no mesmo tema, como que a todo o tempo tente reorganizar o passado, como que procure um desenlace diferente, mais feliz.
Custa-me acreditar, e aceitar a realidade. Alimenta-me por vezes a secreta esperança de que algo divino altere tudo, e acordo por vezes de manhã com a fugaz ilusão de que tudo não foi mais que um pesadelo, mas invariavelmente, é sempre e apenas por um breve instante de traiçoeira fantasia. Logo de seguida caio em mim, caio de novo no que não quero acreditar, e apercebo-me que o guião já foi escrito, e é tão difícil aguentar a dor de não poder mudar o passado, dá pavor imaginar que tudo o que dói, é uma estrada percorrida, sem retorno, uma opera triste que já foi cantada.
Pequenas coisas, palavras, sons, melodias, aromas, minúsculos nadas lembram-me de ti. Dói tanto, mas tanto a forma abrupta como tudo aconteceu, a impossibilidade quase parva de me despedir, pois nem nunca soube que o estava a fazer na realidade. Agonizo em todos os momentos, mergulho num abismo sem cor, sem ar, sem fundo, sem ti
Sem ti…
Preciso-te, porque finalmente Amo.
Finalmente encontrei-te.
Entende, és Tu.

julho 13, 2012

Um grito

Na vida, concluiria um dia, que todos têm o direito a conhecer o seu verdadeiro amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho. Teimosos e a abnegados, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. 
O medo não é da decisão para a vida. O medo é antes 'daqueles' fadados para a tragédia, os amores que se encontravam sem nada desconfiar que era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão. 
É a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia outro percurso, uma outra existência, uma passagem para o mundo dos sonhos que lhe foi vedada.
São esses os verdadeiros infelizes, os dilacerados pela revolta, até serem abatidos pela resignação.
São daqueles que percorrem a estrada da vida, vergados pela saudade do que poderia estar a ser, do futuro que não chega, do trilho a dois que tanto demora.
Quem por isso passa, por isso fica marcado. Marcado pela amarga e profunda nostalgia de um amor por viver.
Pobre 'eles'...

julho 10, 2012

Cheiros

Poder ler este texto, significa a imensa coragem que tive para o escrever, o que á primeira vista parece bastante simples, mas não é, não foi de todo. Bom para mim.
Podes mesmo pensar que não me conheces assim tão bem, quando a realidade é que não sei quem me conhece melhor, mas qualquer das formas, se me deixares, tenho a força e a genica do mundo para te mostrar o que sempre soubeste, quem sempre conheceste. Sempre cada vez mais, e mais. Porque eu tenho a certeza que é isto que é certo para mim. 
Foi, sem dúvida alguma, o texto mais difícil que alguma vez escrevi.
Não há forma nem fórmula que facilite a maneira de dizer isto, nem mesmo como, por isso, vou apenas dizer.
Eu conheci alguém, foi mesmo um acidente, não procurava nada nem ninguém. Foi uma trovoada perfeita. Ela disse uma coisa, e eu dizia outra, mas foi bastante, pois logo ali descobri que queria passar o resto da minha vida a meio daquela conversa.
O sentimento que em meu peito habita, por tão diferente ser, sei mais ainda que é o tal. Entendo que isto é mesmo de loucos, mas a forma como me faz sorrir, como me faz sonhar, não é mais um. É o.
O grande mistério, já só mesmo a ti pertence, porque essa pessoa és tu. Só tu, e sempre foste tu. Essas são as boas noticias.
Chegamos á realidade indubitável á cena imperativa, e a verdade é que este é um mundo enorme e mau demais, para perder tempo, nem que seja num piscar de olhos. É nessa fracção de tempo que é suficiente para perder o tal momento, onde se pode mudar tudo.
Não sei o que o futuro nos reserva, nem mesmo a fé que te posso inspirar, mas sabes, cheiras realmente bem, cheiras a lar.

Texto sem sono

O que se faz quando o sono não vem? Quando se acorda a meio da noite, como se todo o pouco sono sentido tenha sido passado dentro de um comboio. Daqueles com bancos pequenos demais para mim, onde são o ideal para uma pedrada de sono, mas horríveis para um acordar descansado. É assim que aprendemos que afinal temos mais ossos do que imaginávamos, porque agora sentimo-los a todos. Doem todos eles. Foi assim que acordei agora mesmo.
Algumas coisas têm de morrer; alguns sonhos de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Só o que é esquecível nos dá a capacidade de poder esquecer. É preciso saber sentir o que significa realmente para nós. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente de quem é inesquecível, a outra pode ficar-lhe para sempre. Fica mesmo. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar aquelas tatuadas na alma, aquelas que são 'a tal', e quanto a isso, nunca mudarão. Elas não saem de lá. Estúpidos! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é delimitar-mos com que doença estamos a lidar. Pode acontecer não ser apenas alguém, e ser já parte de nós. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se e sonhando de novo. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem de nós faz parte, é inseparável, como esquecer quem nunca terminaremos de lembrar? Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. O amor pode ser por vezes uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. Muitas vezes, durantes as relações verdadeiras é uma dor que é preciso aceitar, para depois aprender a não desistir. Aprender o que é realmente importante.
É preciso aceitar esta caríz de interface entre a metafisica e os humanos. Chama-se amor. Amor dos antigos, dos que são para valer, daqueles que olham de esguelha para os descartavéis e dizem aos seus botões "Miudos!" É preciso aceitar o amor e principalmente saber diferenciar das paixões da adolescência. Quantos problemas do mundo seriam menos dramáticos, se todos nós fossemos guerreiros dos nossos sonhos?

julho 06, 2012

Conspiradores

O desconhecimento e ignorância, agregado á grande vontade de aprovação, gera conspirações das mais infantis que se pode presenciar

julho 05, 2012

Tribunal Constitucional


O tribunal Constitucional pronunciou-se e deliberou não de forma pacífica, a inconstitucionalidade na medida que retira o subsídio de férias e de Natal, aos trabalhadores do sector público, fundamentando que esta viola o princípio da igualdade plasmado no Art.º13º da nossa lei fundamental, não respeitando assim, uma equidade democrática. Desta forma, e após a pressão causada pelo PCP, BE e PS, o TC pronunciou-se salvaguardando este ano, e obrigando imperativamente a sua eficácia decisória a partir de 2013.
Já se levantam vozes quase eufóricas, em tom de vitória de coisa nenhuma, apontando a uma enorme derrota do governo, e principalmente do PR, que após tanto ruído, decidiu promulgar a medida. Penso que neste caso, o lado de economista do nosso PR falou mais alto, aliado á calendarização urgente na promulgação na mesma. Não consigo discordar de quem entende que se trata de uma «humilhante» derrota, mas apraz-me ressalvar por outro lado, que gostaria que o dano final e nefasto que esta inconstitucionalidade emana, fosse apenas essa derrota, mas não é.
É um pouco mais importante.
Aguardo com paciência o desenrolar da situação, no que concerne á obrigatória explicação que Portugal terá de dar á Troika, pois torna-se agora muito mais complicado manter os requisitos por esta ordenados, de dois terços de despesa e dois terços de receita. É óbvio que por agora, o consumo se irá alterar, diminuindo.
Na realidade, penso que todo este ruído se esvai com a criação de equidade, e esta vai certamente passar pela criação de um imposto, que recaía sobre o sector privado, abrangendo-se assim os dois sectores com igual austeridade.
Logicamente que os tribunais são soberanos, mas faz-me alguma espécie, quiçá por desconhecimento, de que o TC tenha poupado o sector privado até ao fim do ano de 2012, quando eu pensava que na matéria em concreto, a decisão vem munida de aplicação e eficácia imediata. Bem, vamos esperar.