13/05/2012

Os meus chapéus de chuva

É de certo uma manifesta evidência de que os anos não poupam alguém. Hoje, não só próximo do meu aniversário, mas principalmente, de acordo com práticas estranhas á minha conduta jovial.
É a gota de água chegar ás nova horas da manhã, pronto a entrar no escritório, e ver a minha imagem reflectida nos espelhos do hotel TIVOLI, de uma forma assustadora. Ele tinha um metro e noventa, e pior, trazia um chapéu de chuva, e casaco bem quente.
Relembro com formas e cheiros, os dias em que por imposição da natureza me era completamente impossível coexistir com um chapéu de chuva só meu. Separávamo-nos na primeira esquina, ou no primeiro lugar que avistava uma bola de futebol. E lá ficava, a dar jus ao nome e função para a qual foi concebido, no chão, portanto á chuva.
A casa chegava o Ivo, sem chapéu, ou mais tarde com um outro, que não o meu.
Hoje, alterando anos de responsabilidade, corajoso, mas quase instintivo, saí á rua com um chapéu de chuva.
Olhei mais fundo no reflexo, e vi tantos outros irmãos, sobre a cabeça dos Dr.'s, e dando 'corpo á luta' protegendo o seu dono.
Hoje, mais que o reflexo muda, hoje, o Ivo não ia para a escola, e não deu pontapés numa bola de rua.
Hoje no reflexo, ele ia para o trabalho, e com um chapéu de chuva, para o abrigar das gotas frias.