23/05/2012

Falar da crise?


Quando se fala da crise, urge a importância de a caracterizar, e identificar com um legítimo propósito. Já foi palavra de ordem e defesa do anterior PM, e mantêm-se o espirito desta desresponsabilização sistemática por parte dos governantes, ministros e sujeitos activos de postos de execução do nosso país. 
A desresponsabilização surge sempre sob forma de argumento em que independentemente da situação sócio-económica que o país atravessa, o importante é e foi, explicar que são exclusivamente os factores externos os responsáveis por tal lamentável situação a que hoje subsistimos.
Em tom de réplica aos demais, coloca-se então a questão se realmente o patamar em que hoje nos encontramos, é única e exclusivamente resultado de uma crise externa, e assolou todos os estados europeus, á parte da Alemanha. Será?
Hoje sinto-me especialmente inflamável, e nesta medida, acredito que todo o panorama aflitivo que hoje se vive no país, não passa exclusivamente por uma crise externa, mas também, e quiçá, principalmente, por uma lendária crise interna, levada a cabo a partir de 1991, quando sem lei nem ordem, e na pessoa do actual PR; na altura PM, se denotou uma gestão mais que danosa, relativamente aos fundos europeus que entraram no país.
Por sua vez, e em claro coadjuvar com tal dano misericordioso e irresponsável, como todos sabemos, perdemos a capacidade de produzir do que é nosso, ou porque de nosso já nada tem, ou simplesmente porque a destruição da industria das pescas, agricultura, metalomecânica, entre outras, veio sentenciar e transitar em julgado a imperatividade de equilibrarmos as nossas necessidades nos mercados externos, sob os quais não temos nem o engenho nem a competitividade suficiente.

Temo um beco sem saída mais que evidente. Um país que não produz, por razões supracitadas, enquanto a outra solução, seria, tal, estilo USA, a emissão de moeda (Ainda que impossível, pois é actualmente exclusiva competência do BCE), e que provocaria uma desvalorização da mesma, não relevante a nível interno, mas catastrófico ao nível da competitividade (Se é que ainda há alguma), relativamente aos mercados externos, que tanto necessitamos.

A juntar a tudo isto, aparecem os 'bons samaritanos', salvadores da pátria, como o nosso PR e demais.

E julgar que ainda ontem ouvi numa rádio conhecida em entrevista ao Dr. Mário Alberto Soares, que começa pelo próprio em declarações que passo a citar:
'Considero-me dos poucos Portugueses patriotas actualmente, que pensa que Portugal não deve de forma nenhuma vender-se, nem vender o que é seu, pois isso é perder a nossa riqueza para a Alemanha'.
Quando assim é, e pela pessoa que é, torna-se num sofisticado insulto á história e aos Portugueses, vir tal figura emblemática do país, que mais que como ninguém vendeu Portugal e a sua soberania, «Limpar a água do seu capote», quando é quem mais o passado contra ele se impõe.

Para mim, falar de crise, da crise, é falar da responsabilização  da mesma.

A agravar tais irresponsabilidades, apareceu então a não fundadora, mas antes em forma de golpe final, «crise europeia», fruto de uma tentativa de dominação (desta vez) não bélica, por parte de uma Alemanha, nunca antes tão estável economicamente. 

Identificaram-se as partes? Óptimo, agora já só falta a fase de julgamento e execução das penas.