04/05/2012

Profissionais

A minha vida ganha toda uma nova luz, quando ao estar presente para assistir solenemente a um encerramento do inquérito de um processo crime, ao fim de uma hora de audiência, todos chegam á conclusão que ao proferir despacho de arquivamento/acusação, se está a falar de um processo completamente diferente do qual estava agendado. Bom trabalho de casa. Épico!
Grandes decisões são munidas de grandes responsabilidades. Este erro não é um erro de opinião, ou de doutrina, nem mesmo um erro segundo o qual todos o poderiam compreender. Não. É um erro de princípios. Assim como nem todo o mundo tem acesso a determinadas áreas laborais, pois compreendem-se com uma digna formação específica, é também essa formação, exaustiva parcela fundamental no moldar da própria pessoa. No preparar a pessoa para a função que desempenha. Não apenas a formação do conhecimento impirico da matéria que se utiliza, mas tão ou mais importante, uma formação intelectual de acordo com o lugar de responsabilidade que se ocupa. Quando o objecto são pessoas, são a vida das pessoas, não estamos a falar do vendedor de sabonetes. Estamos a falar de agentes que deviam e devem ter sempre presente o factor social, que lhe permita avaliar a sua responsabilidade, não permitindo que um 'erro destes' seja possível. Não é um erro, é uma falta de respeito não só pela pessoa que representa, mas ainda, uma falta de respeito pela função e trabalho que desempenha. Recuso-me a aceitar isto como «ossos do ofício». São «Ossos de um ofício banalizado», isso sim.