03/03/2012

Acordo Ortográfico


Quando se aborda o já fustigado tema do Acordo ortográfico, é de extrema importância ressalvar as duas perspectivas no qual o mesmo deve ser interpelado. A perspectiva legal, e a perspectiva do carácter e dos princípios, da honra e da cultura.
No que toca ao carácter legal, o AO não pode de forma alguma ser aplicado em Portugal, e mais grave que isso, agregado ao ensino básico, formatando assim os estudantes ao erro, e provocando uma enorme descompensação no critério de escrita. E não pode porquê? Que nem Aristóteles frisou, «Uma lei é uma ordem, e uma boa lei, é uma boa ordem», e desta forma a aplicação do AO, remete-nos de imediato para o plano legal, no qual para o mesmo vigorar em Portugal, teria o acordo de ser assinado por todos os estados de língua oficial portuguesa, para permitir assim a sua ratificação, o que actualmente ainda não aconteceu.
Na realidade existem dois estados de língua oficial portuguesa, que se mantêm resistentes relativamente á aceitação do AO. Até posição em contrário, a aplicação do AO, fica então em suspensão, aguardando porventura uma aceitação totalista dos PALOP.
Entretanto, de tudo fazem para materializar a aplicação deste AO, esquecendo o plano legal. Esta aplicação forçada e ilegal, tem e continuará a ter impacto na cultura, nas mentalidades e ideologias. Impacto esse no âmbito laboral e económico, quando grupos como a GALP ENERGIA, consultorias e contact centers como a CUSTUMER CONTACT CENTER, «obrigam» os seus trabalhadores e representantes a aplicarem o AO.
Estas mesmas medidas forçadas têm também enorme impacto na educação. Na educação, quando um aluno é prejudicado num teste de Português, e tem assim uma nota inferior, porque não aplicou numa ou outra palavra o dito AO. No entanto, este aluno apenas aplicou o que aprendeu, fruto de uma formação, que no caso foi paga a sacrifício pelos seu encarregados de educação.
No âmbito do carácter, dos princípios, da honra e da cultura, já se torna «obrigatoriamente aceitável» que tenhamos de viver no nosso Portugal de governos cobardes, onde os chineses ficam com a electricidade, e nós continuamos a pagar as facturas a preços de concorrência monopolista, pondo em causa grande parte do nosso desenvolvimento económico, como sendo um dos principais factores impeditivos do mesmo.
Que os espanhóis controlem maioritariamente o espaço aéreo português, e que a TAP seja oferecida aos brasileiros, eu ainda me vou sentido com sorte de ter o aeroporto em Portugal, agora, senhores, estamos a falar de alterações a uma língua. Alterações essas que por ironia, foram os meus antepassados que há 500 anos levaram o Português enquanto língua a terras de Vera Cruz.
Assim feito, entendo que todas estes movimentos têm uma realidade conceptual bastante perceptível ao mais leigo dos cidadãos, e chama-se Crime contra o património! Estamos a falar de um país, do nosso país! O nosso Portugal. Aquele nosso país que arrasta multidões e por ignorância de alguns, só se faz sentir orgulhoso de o ser quando o Cristiano Ronaldo corre para uma bola. Mas é errado. Deveríamos ser todos muito mais que isso. Muito mais portugueses. Devia ser de conhecimento público que um país é mais que as suas fronteiras, um país é uma bandeira e uma língua, é uma alma.
Esta camuflagem sem nexo, não passa de uma perca daquilo que melhor defende um país. A sua soberania.
Diz-nos a nossa lei fundamental, a Constituição da República Portuguesa, no art. 3º, que «a soberania é una e indivisível, RESIDE NO POVO, que a exerce...». Mas que povo?
É, e será sempre um povo a gerar a sua língua, e nunca, jamais uma língua a criar um povo. Não pode existir AO algum que despreze a língua falada, pois é símbolo nacional o que nos referimos.
Revoltem-se os estadistas, e constitucionalistas. Revolto-me eu em sonhos, e nesses mesmos sonhos lá estou eu como Comandante Supremo das Forças Armadas, onde me dirijo ao povo para dizer «“Os senhores assinem o que quiserem, até podem dar de volta o Algarve aos mouros. Mas eu jurei defender Portugal e entendo que a língua que falamos e escrevemos é património de Portugal.»
Sim, porque enquanto eu puder, continuarei a escrever o Português que o Professor Manuel me ensinou, na escolinha primária verde.