janeiro 22, 2012

Brincar com coisas sérias

Ela inclinou ligeiramente a cabeça para trás, e fitou-o nos olhos e o sorriso maroto evaporou-se-lhe da boca e o rosto perfeito tornou-se meigo e doce, tão langoroso e suave como a resposta que soprou num murmúrio ardente. "Olá".
Pela primeira vez tão perto um do outro, pôde ele cheirar-lhe o perfume de rosas e ela sentiu-lhe o cheiro a rapaz que já era homem. Os olhos de mel, fundiram-se com os castanhos dele, as respirações enlaçadas num único fôlego, os corações inflamados de ardor, ambos perscrutando o rosto do outro com a intensidade de quem sabe que encontrou o amor.
Incapaz de resistir, ele inclina-se devagar sobre ela. Foi apenas um movimento ligeiro, mas o suficiente para lhe tocar os lábios aveludados, primeiro ao de leve, como quem prova um doce, depois com sofreguidão, a gula tornada fome; eram pétalas açucaradas, gomos deliciosos que se abriam como uma flor diante do Sol. O dia fez ambos perderem-se para lá do horizonte, num paraíso de sensações e sentimentos, afogados um no outro, derretendo-se num amor incandescente. Era como se nada mais existisse no mundo; apenas havia o outro e aquele instante em que os lábios se colaram e os dois se fundiram num só.
O primeiro beijo.