11/09/2011

O teu beijo


As crianças têm uma magia e criatividade impressionante. Eu não fugi á regra, e hoje sei que são esses dos melhores momentos que podemos passar. Vivemos para fazer o que nos dá prazer, e todas as outras crianças nos compreendem. Desde pequenino sempre dei valor aos bons momentos que vivia, e pedia para que durassem «só mais um pouco». Sem fazer psicanálise, surgia assim a primeira grande teoria capaz de devastar a cronologia natural.
Quando iniciamos a actividade que mais prazer nos dá, deveria abrir-se aí uma outra dimensão, em que o espaço temporal fosse tão mais extenso e lento. Poderíamos acabar de jantar ás vinte horas, e estar a jogar playstation sete horas seguidas, para no fim nos conseguirmos deitar ás vinte e uma.
Mas, uma das características mais arrepiantes de uma vida adulta é o realismo, os pés na terra, a responsabilidade; e por isso, todos nós sabemos hoje que é impossível viajar para outra dimensão, reduzir o período de trabalho ou prolongar o de férias. Os dias têm 24 horas e nós trabalhamos oito, quer se goste ou não. Todos nós já conhecemos o Pai Natal, e até o papão já saiu do armário para se transformar na crise do milénio.
Mas a realidade, é que por agora, que nem regressão á infância, o tempo pára, o som diminui, e só o coração se ouve. Afinal, tornou-se possível de há um ano para cá, moldar o tempo, inventar sorrisos, e arrendar dimensões onde um minuto equivale a uma vida. Foi ao fim de tanto tempo, que descobri a chave de desbloqueio ou o pin de acesso ao mundo dos sonhos, como as crianças têm. Foi assim que descobri, porque hoje conheço o teu beijo.