julho 18, 2011

Ridículo quem diz «Rediculo»


«Rediculo»; «Deficil», entre os demais disparates que se ouve, é hoje primeira palavra na boca de qualquer pseudo-intelectual. A realidade é que padece de um erro. Foi em tempos em acordo com os responsáveis da pedagogia educacional, que surgiu a proposta de que a escrita se iria desta vez assemelhar um pouco com a pronúncia (má, diga-se) que se pratica. (Contudo, todavia, porém, ainda assim, mas), esse, tal como todos os diplomas legais, percorrem um período desde a sua declaração até á sua eficácia. Chama-se a esse período compreendido entre a aprovação entre os órgãos competentes (AR, Conc. Pedag. Minst. Educação, Etc) até ao culminar na publicação em DR (Diário da República), o período de 'vacatio legis'. Acontece que o dito diploma nunca ultrapassou esse período, e em termos de eficácia legal, nunca se materializou.
Portugal perde tradição, perde hábitos, dá valor ao que vem de fora, e desvaloriza o que temos. Exemplo crasso de tal facto, são os estudantes, quem em tanto valorizam o curriculum pelos simples facto de reterem uma pós-graduação na vizinha Espanha ou mesmo nos EUA. (Onde as médias são significativamente inferiores á nossa)
Actualmente, julgo que é mais grave que isso, este crescimento sem memória, esta desenvoltura que constantemente larga costumes só nossos, é mais que uma perca de cultura, é uma perda de soberania de um país. Um país é mais que as fronteiras, um país deveria ter alma.
Aposta-se em tanto, e desvaloriza-se um factor essencial para um traço genético de um país que é a «Língua». Vamos todos preocupar-nos um pouco mais connosco, em vista a que quem deveria fazê-lo por nós, preocupa-se em assinar acordos «Redículos».

julho 11, 2011

Bodas de prata


25 anos é realmente muito tempo. Passa-se por acidentes, operações, e até filhos. Há quem viva tão menos que isso. Na realidade, 25 anos são uma vida, e uma vida repleta de uma causa nobre quando é passado ao lado de quem se ama, quando é passado para quem se ama. Uma entrega definitiva, uma tatuagem na alma, bem cravada até ás veias. 25 anos de união, é mais que uma história linda de amor, pois nos dias que correm é mesmo uma rara linda história de amor. 25 anos, são a fiável cooperativa de ensino, reconhecida universalmente, que torna as partes em sofisticados auto-psicólogos, hetero-psicólogos, capacitados de medir tudo, apenas olhando. Não existem 25 anos porque sim, ou porque parece bem, ou porque tem de ser.
De 25 anos, retira-se ilações, lições e teses complexas, capazes de cilindrar o mais sábio dos filósofos. 25 anos de co-habitação, implica sacrifícios, provas e dilemas. Dilemas esses que normalmente acabam em mais sacrifícios. Simbiose de almas, simbiose de espíritos, sorrindo camufladamente com a certeza de serem um.



Podia ter sido uma noite qualquer, mas foi mesmo uma noite especial num dia qualquer. Não houve lugar a efeitos especiais nem a recosto de extrema confortabilidade. Foi apenas uma aparelhagem velha, um hall a fazer de pista de dança apurada com meias para melhor escorregar, e tu.


julho 07, 2011

Se um dia não houver luar


Se um dia não houver luar,
vou à tua porta pedir a razão
Perguntar num beijo, pela luz que já não vejo,
pelos olhos a falar do coração

E se me disseres que o olhar
nunca foi o espelho da tua paixão,
Agradeço à lua, por trazer verdade tua,
fecho olhos, vou p’ra lá do teu clarão.

Seguirei no chão, pegadas já marcadas pela dor.
Sofrimento de alguém que provou do teu amor.
Ardo no caminho em saudades de te amar.
Faço dela um novo luar.

Assim, volto de novo aqui
Aos braços de um olhar
que enfrenta um enredo num desprezo par.
Ai, como me doí esse abraçar.

E mesmo assim, eu estou de novo aqui,
pronto a recomeçar.
Pronto p’ra partir e depois voltar,
Se um dia não houver luar.

Entenda-se por se encontrar na etiqueta 'Partilhas', todo e qualquer conteúdo ao qual estou a partilhar, proveniente de uma outra qualquer fonte. Contudo, é certo que a identificação dessa mesma origem seria o mais correcto para os autores receosos de um plágio.
Ora, este poema, estou certo que não é de quem mo fez chegar, contudo foi uma bela forma de me presentear com literatura muito agradável. Assim sendo, Valter, muito obrigado. Ao autor do poema, belo momento de inspiração, mas não sei quem seja.
Obrigado.

julho 06, 2011

Solidão


Em viagem pela avenida da Liberdade, e somos pequeninos de novo. Mesmo os meus 190cm cabem dentro de um frasquinho, daqueles com tampa de metal. Milhares de sem-abrigo, cogitam em sonhos profundos, ou outros nem tanto, espalhados em assentos raivosos de tal uso por Lisboa. Com toda a gente a aterrar nas cidades, com cada um a ter a sua vida, feita de núcleos familiares ínfimos a quilómetros uns dos outros, com o egoísmo da vida própria e as amizades virtuais que raras vezes se traduzem em abraços verdadeiros, caímos facilmente na esparrilha da solidão, quando o amor passa a correr longe. A solidão é como naqueles filmes de terror: uma menina de totós que nos espera silenciosamente ao fundo do corredor, que nos dá sem sabermos porquê uma sensação esquisita, um arremedo de pânico mas que ao mesmo tempo nos atrai; uma estátua inocente que, quando se aproxima de nós, abre uma bocarra de dentes afiados que nos quer devorar inteira. Esta menina pode aparecer em qualquer idade, de repente, devagarinho, ao longe, agora mais perto, em cima de nós, agora. O problema é que não é um monstrinho zombie que se limita a refastelar-se com um dos nossos apêndices, como um braço sugado em modo de festim sanguinário numa cidade morta. Não, é um monstro que nos suga o cérebro por uma palhinha. Que nos suga a auto-estima, a alegria, a vontade, devagarinho, implacável e determinada. Que nos faz esquecer que um dia houve cumplicidade, um riso simultâneo por algo ridículo que mais ninguém viu, um fluído alheio do qual apenas nós não tivemos nojo. À solidão assiste uma precisão cirúrgica: como uma lobotomia, apaga-nos a memória e cola-se aos corpos sozinhos como cem por cento de humidade, como poeira nuclear ou o sal amargo depois de um dia de mar a mais. Talvez olhando-a de frente se aprenda qualquer coisa, não sei.