dezembro 26, 2011

A vida num sopro

Após a fantástica FÓRMULA DE DEUS, Portugal regressa aos anos 30. Salazar acaba de ascender ao poder, e com mãos de ferro vai impondo ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equílibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição. Luis é estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois, vai porém, ser duramente posto á prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha. Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o estado novo. Com A VIDA NUM SOPRO, José Rodrigues dos Santos confirma a sua mestria e o lugar que para mim já ocupa nas letras portuguesas.

dezembro 22, 2011

Liberdade sim


O sono dos sonos

Para que hoje ao adormecer, seja o sono dos sonos. Que haja o reboot e o reset do dia. Sim, porque há dias que a água deixa de lavar, e apenas gera ferrugem.

dezembro 19, 2011

O poder

Assombroso. O Pinto da Costa espirra, e os árbitros constipam-se. Vêm a correr pedir desculpa no facebook. Tenho medo, sim. Tenham muito medo.

dezembro 04, 2011

Oscar...

"Hoje em dia só tenho algum respeito pelas opiniões das pessoas muito mais novas do que eu. Parecem-me estar à minha frente. A vida revelou-lhes a sua última maravilha. Quanto aos velhos, contradigo-os sempre. É uma questão de princípio. Se lhe pedirmos opinião sobre uma coisa que aconteceu ontem, eles dão-nos solenemente as opiniões correntes em 1820, quando as pessoas usavam golas altas, acreditavam em tudo e não sabiam absolutamente nada." Oscar Wilde

novembro 24, 2011

Deus da bíblia


Talvez este nem seja muito comprido. Isto porque resta saber se realmente eu tenho muito para dizer. Talvez eu seja uma espécie de amputado espiritual. Não tenho propriamente um testemunho para dar, eu poderia falar de uma revelação que tive, no entanto uma «não-revelação», não existe. É o mesmo que eu falar do movimento de um braço que não tenho. A inexistência do braço, quase implica que eu nada tenha a dizer sobre ele. Não teria muita lógica, e seriam terrenos profundos para alguém como eu amputado. Eu tenho acompanhado com algum interesse, uma espécie de ressurgimento de movimento ateísta em Londres, e falo mesmo de algumas contribuições financeiras, por parte de um senhor chamado Richard Dawkins, que é um autor de best-sellers científicos, e todos juntos, elaboraram algo curioso, que diria profundamente secular; Um anúncio publicitário. Compraram espaços publicitários em autocarros da cidade inglesa, onde colaram a mensagem «Very likely there is on God, so stop worry and enjoy your life». Ora, de acordo com a larga maioria da publicidade, esta é claramente enganosa. Se Deus não existe, não nos preocuparmos e desfrutar da vida, torna-se uma opção difícil. Pessoalmente não tenho um código de valores que eu possa aderir, mais ou menos criticamente, está claro. Viver a vida sem preocupações é mais ou menos complicado, porque eu acredito que existe claramente a hipótese de que quando morrer; e julgo que isso vai acontecer um dia, ir precisamente para o mesmo sitio onde estava antes de ter nascido. Na verdade, isso é um assunto que me transtorna, como calculam.
Eu fui educado segundo uma católica praticante, indo á missa e mesmo as aulas de religião, e sou baptizado. Por onde passei, nunca notei grande força na tentativa de me converter, excepto claro, a tia da aldeia que só já falava em latim. Tenho dois pontos de vista distintos sobre a questão de não me tentarem converter. Ou porque eram pessoas sensíveis e tolerantes, respeitadoras da diferença; ou então, porque ao fim de tantos anos de convívio tiveram a ideia clara que eu não tinha salvação possível. Há uma possibilidade muito forte de ser a segunda.
Eu não tenho de ganhar o céu, e nessa perspectiva há comportamentos meus, que serei eu a ditá-los. Apesar de eu não ter um quadro de valores que me foi imposto, eu não acredito em Deus. Eu já escrevi sobre isto anteriormente, por exemplo, eu não acredito em Cristo mas acredito nos Cristãos. Isso já não é mau, certo? Eu acredito nas pessoas, e a minha relação com as pessoas é certamente próxima daquela que 'vocês' protocolaram como praticar o bem. Este 'vocês', parece que estou a falar com estrangeiros; mas bem vistas as situações até se pode entender que tempos pátrias diferentes.
Em resumo, e o que tentava passar maioritariamente, é que eu não sou um selvagem. Eu também tenho valores, podem não ser exactamente os que estão na Bíblia, mas eles estão cá. Por exemplo, um Ateu como eu, ter tão presente o valor do «Perdão». Como Ateu, onde irei eu buscar solução para o problema da «Morte»? Julgo que é essa a questão vital. Há um poema do Philiph Larkin que diz «A religião é uma estratégia para fingir que a morte não existe'. É mesmo isso que está em causa para mim, a questão da morte. Como disse há pouco, acredito que após a minha morte, eu volte precisamente para o local onde estava, antes de estar vivo. É curiosa esta diga-se «definição», porque ao longo da história, o Platão, na Apologia de Socrátes, quase que dá vontade de morrer com ele. Ele está a beber a Cicuta, e está a dizer aos companheiro, demonstrando algum regozijo, e a questionar, 'Há quanto tempo é que não dormem uma boa noite de sono?' O que Socrátes diz no fundo, é que a idade á avançada, e está mais que preparado para um grande sono. É ainda curioso constatar que uns séculos mais tarde, o Hamlet, no seu solilóquio mais conhecido de todos, «A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca», que começa com «to be or not to be, that is the question, Whether 'tis nobler in the mind to suffer», é para quem sabe uma altura em que ele está a ponderar matar o tio, por causa da suposta maldade que ele lhe fez, e a peça é praticamente toda de Hamlet a ponderar o homicídio do tio, até que uma altura que ele quer matá-lo mas o tio está a rezar. Segundo Hamlet, matar alguém que está a rezar, é garantir-lhe o céu, e isso nunca poderia ser um castigo. Referente ao «ser ou não ser», Hamlet diz, que 'não ser', começa a ser uma questão apelativa, derivado então do famoso «Sono sem sonhos».
Ainda uns séculos mais tarde, há um livro também bastante conhecido, de Philip Roth nome «Everyman». Nesse livro, há também um homem que está a ponderar na questão da morte, e tal como Hamlet no cemitério, este homem também fala com o coveiro, e manifesta mais uma vez a definição do sono sem sonhos, mas ao contrário de Socrátes que se mostrava ansioso para a morte, este, séculos mais tarde, achou tudo bastante desinteressante. Isto significa que estamos nós ateus, novamente no mesmo ponto, que a morte é manifestamente um sono sem sonhos, e continuamos com um assolapado mau-perder em relação a isso.
Ainda assim há onde ir buscar algum conforto. Há um livro, chamado a Bíblia, e um livro especifico de nome «Eclesiastes». Isto agora vai ser muito polémico, e deveras absurdo, mas estou notoriamente convencido que quem escreveu o eclesiastes é um não-crente. A voz que fala no livro do eclesiastes é um senhor de nome Kruella, que é o pregador. E este pregador vai dizendo basicamente tudo aquilo em que eu acredito, tudo aquilo a que partilho a opinião. Num ponto, do livro, o Pregador diz-nos que tudo é vão. Não há justiça no sentido em que os bons e os maus, os ricos e os pobres. Diz-nos ainda que a toda a humanidade, acontece o tempo e o acaso. Ou seja, era uma óptima pessoa, morreu. Era uma péssima pessoa, morreu também. É basicamente isso que ele diz, embora que de uma outra forma. Está em original algo do género «Vapor of vapors, and futilitys of futilities, all is vanity and emptyness». Entende-se por tudo ser vão. Eu juntei uma enorme fortuna, morri. Ganhei muito conhecimento, morri. Fui bom para o meu semelhante, morri. Fui mau, morri também. A questão passa agora por, se Deus existir, não pode ser vão. Se Deus existir, isto não pode ser o vapor dos vapores, e isto tem um sentido, há uma repercussão para isso e um significado para a nossa existência aqui. No final, é também muito curioso, o Pregador diz, «por isso nada mais resta ao homem, que comer, beber e divertir-se».
Julgo conhecer relativamente bem, tanto o antigo testamento, como o novo, e a realidade é que existem situações que fogem á minha interpretação lógica. Sem querer identificar um 'Deus cruel', o episódio de Abraão, em consegue convencer Deus que em Sodoma há inocentes. Deus, acordou com a descoberta, dizendo que se houvesse dez inocentes, não queimaria Sodoma, que poupava Sodoma. É certo que só em Sodoma existiam centenas de crianças, logo inimputavéis de pecados contra-natura. Nada serviu, pois todas elas acabaram assim como inteira Sodoma num auto de fé em chamas devoradoras. Deixo ainda suspenso o episódio do castigo de Deus a Jóh, ás mãos de Satã.
Novas teorias, e praticamente ondas doutrinais colocam-se um pouco afastadas da bíblia, quando confrontadas com a ideia de que poucos são os crentes que a conhecem. No entanto, não quero deixar de relembrar, que o antigo e o novo testamento, são considerados os livros «Sacros», e nunca podem ser apenas vistos como um manual de interpretação simbólica, quando tanto da leitura que lá está é literalista. Existe sim, como uma força suprema e inteligente, não como descrito num livro que me atreveria a chamá-lo de 'quase-bélico', por razões obvias.
Eu não consigo acreditar no Deus da bíblia, mas não nego a existência de um ser superior, inteligente que á altura do nascimento do universo se emergiu. Embora não tenha sido logo identificado.

Mas ainda te lembras?

E depois tem a maneira como ele a abraça, nunca vira nada assim. 'Vira' de ver, mesmo. De como os ombros dele se encurvam, contemplando-a toda, primeiro com uma aparência devoradora, como uma piton escancarando as mandíbulas e preparando-se para a deglutir inteira, anestesiando-a primeiro, hipnotizando-a, açambarcando-lhe a pele, crescendo perante ela, tapando-lhe o sol. Há uma falta de ar que se insinua nela, como se pressentisse o fim e nada mais valesse a pena, respirar para quê?; mas depressa cede ao calor daqueles braços que crescem e descem sobre ela, redondos, um cordame que se enrola e aperta, o tronco dele a acompanhar o movimento, a ajeitar-se de lado, descaindo um pouco por forma a fechar sobre ela o círculo, comprimindo-a com uma suavidade determinada de ressuscitar corações. Ele é alto, e por mais que se ajeite e se entorte e a circunde, ela esparrama-lhe sempre a cara no peito, expirando tanto receio como alívio, escondendo o nariz entupido de emoção naquele torso largo, que carrega lá dentro um compasso cardíaco acelerado, o compasso de quem quer guardar o outro para sempre dentro de si, carregá-lo em modo marsupial, levá-lo ao médico, às compras e para a cama, porque senão morre. Depois ele embala-a, como se faz a um bebé, numa cadência fina que transmite a certeza de ainda ali estar no dia seguinte, de pé embrulhado nela, porque não, os cavalos nem sempre se abatem, e ela não sabe se aquilo é amor ou se ele um corta-vento, só sabe que adormece e tudo o que ele podia fazer dela, se quisesse.

setembro 28, 2011

Chanceler alemã II

Já eu tinha manifestado a minha opinião sobre a Chanceler Merkel, (leia-se Chanceler Merkel), e o melhor estava ainda para vir. Não foi preciso aguardar muito tempo para a daquela cabecinha sair mais uns rasgos dessa personalidade já tão evidente. Chanceler Merkel, disse enquanto a Europa e o mundo se preocupa em resolver a situação da Grécia, e tem atenções viradas para uma eminente bancarrota deste nosso condomínio de 50 países. A chanceler alemã fez, no último domingo, o reflexo final das suas intenções. «os países que não cumprirem os rácios de défice e de dívida pública definidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento devem perder parte da sua soberania».
Tal como tinha frisado, as prioridades de preocupação estão sempre bem catalogadas para a Alemanha.
Quando em tempo se viu o mundo a lutar contra uma Alemanha bélica a querer domina-lo, hoje damos de barato a mais uma investida desta moderna Alemanha a tentar controlar tudo. Desta vez acabou-se a Alemanha bélica, hoje é a Alemanha financeira/económica, que no entanto ainda vou tentar olhar para estes dois desenho e tentar descobrir as oito diferenças.

setembro 26, 2011

Objectivo: 150% de bem com a vida

Mais que ateu, sou antí-agnóstico (se é que a expressão existe). Senão é metafisico então o meu quociente de inteligência ficou sempre aquém de tal fenómeno. Invariavelmente, algo vai tentando equilibrar os devaneios impetuosos e alucinantes que diariamente me forçam entrada no cérebro, já que os ouvidos tanto se negam a aceitar. Sempre tento ver o lado positivo nas pessoas, ainda que o lado mais positivo, seja apenas esta minha ideia de existir um. Contudo, de felicidade vivem os ignorantes. Na realidade, a demonstração de urgência parva e preocupação aflitiva, de um medo constante de poder vir a vencer este duelo só teu, emergente de forma tudo menos subtil, que pode sempre a meu ver, ser uma estupidez, mas não revela definitivamente o teu mau génio. Isto sou só eu a pensar, mas cada dia é mais difícil acreditar em mim. Que nem bálsamo pacificador desta angustia, surge-te então, diante dos teus olhos aflitos, ao estilo de génio da lâmpada, o dito equilíbrio. Equilíbrio, esse justiceiro tão mais frio que a mais apurada ironia, e te faz ver só mais uma vez, que travaste uma luta contra ti próprio. Não rapaz, essa não é a minha luta. A minha luta é outra, a minha luta é dar o melhor, é crescer e dar valor aos princípios. Na minha luta, não te inscreveste, já desclassificado há muito tempo. Lamento por ti, mas o retrovisor, embaciou.

setembro 22, 2011

Vida em mim


Há presentes que me fazem os olhos brilhar. Por norma, livros sempre foram uma perdição, no entanto, depois de 'Sinto muito' do Dr. Nuno Lobo Antunes, só mesmo este, para continuação de noites em claro sem conseguir retirar os olhos desta PEQUENA maravilha da literatura. Quem será mesmo o autor?

setembro 11, 2011

O teu beijo


As crianças têm uma magia e criatividade impressionante. Eu não fugi á regra, e hoje sei que são esses dos melhores momentos que podemos passar. Vivemos para fazer o que nos dá prazer, e todas as outras crianças nos compreendem. Desde pequenino sempre dei valor aos bons momentos que vivia, e pedia para que durassem «só mais um pouco». Sem fazer psicanálise, surgia assim a primeira grande teoria capaz de devastar a cronologia natural.
Quando iniciamos a actividade que mais prazer nos dá, deveria abrir-se aí uma outra dimensão, em que o espaço temporal fosse tão mais extenso e lento. Poderíamos acabar de jantar ás vinte horas, e estar a jogar playstation sete horas seguidas, para no fim nos conseguirmos deitar ás vinte e uma.
Mas, uma das características mais arrepiantes de uma vida adulta é o realismo, os pés na terra, a responsabilidade; e por isso, todos nós sabemos hoje que é impossível viajar para outra dimensão, reduzir o período de trabalho ou prolongar o de férias. Os dias têm 24 horas e nós trabalhamos oito, quer se goste ou não. Todos nós já conhecemos o Pai Natal, e até o papão já saiu do armário para se transformar na crise do milénio.
Mas a realidade, é que por agora, que nem regressão á infância, o tempo pára, o som diminui, e só o coração se ouve. Afinal, tornou-se possível de há um ano para cá, moldar o tempo, inventar sorrisos, e arrendar dimensões onde um minuto equivale a uma vida. Foi ao fim de tanto tempo, que descobri a chave de desbloqueio ou o pin de acesso ao mundo dos sonhos, como as crianças têm. Foi assim que descobri, porque hoje conheço o teu beijo.

julho 18, 2011

Ridículo quem diz «Rediculo»


«Rediculo»; «Deficil», entre os demais disparates que se ouve, é hoje primeira palavra na boca de qualquer pseudo-intelectual. A realidade é que padece de um erro. Foi em tempos em acordo com os responsáveis da pedagogia educacional, que surgiu a proposta de que a escrita se iria desta vez assemelhar um pouco com a pronúncia (má, diga-se) que se pratica. (Contudo, todavia, porém, ainda assim, mas), esse, tal como todos os diplomas legais, percorrem um período desde a sua declaração até á sua eficácia. Chama-se a esse período compreendido entre a aprovação entre os órgãos competentes (AR, Conc. Pedag. Minst. Educação, Etc) até ao culminar na publicação em DR (Diário da República), o período de 'vacatio legis'. Acontece que o dito diploma nunca ultrapassou esse período, e em termos de eficácia legal, nunca se materializou.
Portugal perde tradição, perde hábitos, dá valor ao que vem de fora, e desvaloriza o que temos. Exemplo crasso de tal facto, são os estudantes, quem em tanto valorizam o curriculum pelos simples facto de reterem uma pós-graduação na vizinha Espanha ou mesmo nos EUA. (Onde as médias são significativamente inferiores á nossa)
Actualmente, julgo que é mais grave que isso, este crescimento sem memória, esta desenvoltura que constantemente larga costumes só nossos, é mais que uma perca de cultura, é uma perda de soberania de um país. Um país é mais que as fronteiras, um país deveria ter alma.
Aposta-se em tanto, e desvaloriza-se um factor essencial para um traço genético de um país que é a «Língua». Vamos todos preocupar-nos um pouco mais connosco, em vista a que quem deveria fazê-lo por nós, preocupa-se em assinar acordos «Redículos».

julho 11, 2011

Bodas de prata


25 anos é realmente muito tempo. Passa-se por acidentes, operações, e até filhos. Há quem viva tão menos que isso. Na realidade, 25 anos são uma vida, e uma vida repleta de uma causa nobre quando é passado ao lado de quem se ama, quando é passado para quem se ama. Uma entrega definitiva, uma tatuagem na alma, bem cravada até ás veias. 25 anos de união, é mais que uma história linda de amor, pois nos dias que correm é mesmo uma rara linda história de amor. 25 anos, são a fiável cooperativa de ensino, reconhecida universalmente, que torna as partes em sofisticados auto-psicólogos, hetero-psicólogos, capacitados de medir tudo, apenas olhando. Não existem 25 anos porque sim, ou porque parece bem, ou porque tem de ser.
De 25 anos, retira-se ilações, lições e teses complexas, capazes de cilindrar o mais sábio dos filósofos. 25 anos de co-habitação, implica sacrifícios, provas e dilemas. Dilemas esses que normalmente acabam em mais sacrifícios. Simbiose de almas, simbiose de espíritos, sorrindo camufladamente com a certeza de serem um.



Podia ter sido uma noite qualquer, mas foi mesmo uma noite especial num dia qualquer. Não houve lugar a efeitos especiais nem a recosto de extrema confortabilidade. Foi apenas uma aparelhagem velha, um hall a fazer de pista de dança apurada com meias para melhor escorregar, e tu.


julho 07, 2011

Se um dia não houver luar


Se um dia não houver luar,
vou à tua porta pedir a razão
Perguntar num beijo, pela luz que já não vejo,
pelos olhos a falar do coração

E se me disseres que o olhar
nunca foi o espelho da tua paixão,
Agradeço à lua, por trazer verdade tua,
fecho olhos, vou p’ra lá do teu clarão.

Seguirei no chão, pegadas já marcadas pela dor.
Sofrimento de alguém que provou do teu amor.
Ardo no caminho em saudades de te amar.
Faço dela um novo luar.

Assim, volto de novo aqui
Aos braços de um olhar
que enfrenta um enredo num desprezo par.
Ai, como me doí esse abraçar.

E mesmo assim, eu estou de novo aqui,
pronto a recomeçar.
Pronto p’ra partir e depois voltar,
Se um dia não houver luar.

Entenda-se por se encontrar na etiqueta 'Partilhas', todo e qualquer conteúdo ao qual estou a partilhar, proveniente de uma outra qualquer fonte. Contudo, é certo que a identificação dessa mesma origem seria o mais correcto para os autores receosos de um plágio.
Ora, este poema, estou certo que não é de quem mo fez chegar, contudo foi uma bela forma de me presentear com literatura muito agradável. Assim sendo, Valter, muito obrigado. Ao autor do poema, belo momento de inspiração, mas não sei quem seja.
Obrigado.

julho 06, 2011

Solidão


Em viagem pela avenida da Liberdade, e somos pequeninos de novo. Mesmo os meus 190cm cabem dentro de um frasquinho, daqueles com tampa de metal. Milhares de sem-abrigo, cogitam em sonhos profundos, ou outros nem tanto, espalhados em assentos raivosos de tal uso por Lisboa. Com toda a gente a aterrar nas cidades, com cada um a ter a sua vida, feita de núcleos familiares ínfimos a quilómetros uns dos outros, com o egoísmo da vida própria e as amizades virtuais que raras vezes se traduzem em abraços verdadeiros, caímos facilmente na esparrilha da solidão, quando o amor passa a correr longe. A solidão é como naqueles filmes de terror: uma menina de totós que nos espera silenciosamente ao fundo do corredor, que nos dá sem sabermos porquê uma sensação esquisita, um arremedo de pânico mas que ao mesmo tempo nos atrai; uma estátua inocente que, quando se aproxima de nós, abre uma bocarra de dentes afiados que nos quer devorar inteira. Esta menina pode aparecer em qualquer idade, de repente, devagarinho, ao longe, agora mais perto, em cima de nós, agora. O problema é que não é um monstrinho zombie que se limita a refastelar-se com um dos nossos apêndices, como um braço sugado em modo de festim sanguinário numa cidade morta. Não, é um monstro que nos suga o cérebro por uma palhinha. Que nos suga a auto-estima, a alegria, a vontade, devagarinho, implacável e determinada. Que nos faz esquecer que um dia houve cumplicidade, um riso simultâneo por algo ridículo que mais ninguém viu, um fluído alheio do qual apenas nós não tivemos nojo. À solidão assiste uma precisão cirúrgica: como uma lobotomia, apaga-nos a memória e cola-se aos corpos sozinhos como cem por cento de humidade, como poeira nuclear ou o sal amargo depois de um dia de mar a mais. Talvez olhando-a de frente se aprenda qualquer coisa, não sei.

maio 19, 2011

Chanceler Merkel



Portugal foi um dos paises criticados pela chanceler alemã, começando pela idade da reforma, e ganhando maior força com a uniformização dos periodos de férias. Ainda que se entenda que tal reforma poderia diminuir o custo unitario do trabalho e aumentar a competitividade laboral, não deixa de me parecer quase poético que Merkel em comício partidário, tenha fervorosamente comparado a idade da reforma em Portugal e na Alemanha, apelando a um sentido de paridade, e igualdade (onde ganhou aplausos), sem porventura ter referido de comparar também os salários dos trabalhadores alemães e portugueses, os primeiros, quatro ou cinco vezes mais elevados. É a meu ver, um ciclo que todo o mundo ja conhece, vindo de um passado tantas vezes falado históricamente, onde em tempos um senhor tentou de forma bélica, o que hoje MERKEL se atenta de forma económica. É uma postura de colonialismo puro, á mesma velocidade que as novas instalações do banco Europeu ganham forma, curiosamente, na Alemanha. A chanceler alemã da RFA, terá dito que «em países como a Grécia, a Espanha e Portugal, as pessoas não podem ir para a Reforma mais cedo do que na Alemanha» e ainda que «não podemos ter a mesma moeda e uns terem muitas férias e outros poucas». É para mim, uma afirmação inaceitável sobretudo para o europeístas convicto, entre os quais me conto. Nada dá direito á chanceler Merkel autoridade legal, moral ou política para tentar fazer da Alemanha o critério de referência europeu e para equilibrar os outros vinte e seis estados SOBERANOS aos 'lander' alemães. Não há, portanto, quaisquer tipo de razões para ouvir calado afirmações deste jaez. Acresce que as afirmações atribuídas á chanceler Merkel não têm fundamento. Quanto á duração do trabalho, feitas as contas á duração semanal, ás férias e aos feriados, verifica-se que em 2009, os gregos trabalhavam 1.816 horas por ano, os irlandeses 1.771, os Portugueses 1.719, e os alemães 1.655 horas anuais, o terceiro valor mais BAIXO da UE. Quanto ás reformas, também não é sustentavel, já que a idade média é identica em Portugal e na Alemanha. Bem, mais? Viva o perconceito chauvinista.

abril 15, 2011

Um anjo quase demónio



'Um anjo quase demónio'... Uma expressão ouvida sem mesmo saber do que se tratava, num programa de rádio ou num anúncio de televisão.
Não importa.
Pensei em ti, mesmo mesmo instante! Não pelo mau sentido da expressão, mas pela mistura de sentimentos, de emoções...
Tu és isso mesmo, um anjo quase demónio.
Um anjo que me protege, que me guia, que me ilumina, um anjo que me acompanha e me segue para todo o lado, que está presente em cada movimento, cada passo dado.
Por outro lado, sinto que me rasgas a pele, que me corrompes a alma e roubas meu coração.
Levas o meu coração para um mundo que poderá parecer irreal aos olhos de muitos, mas verdadeiro e perfeito para nós.
És um anjo pelo que és, por todo o teu ser, por toda a tua pureza, sinceridade, bondade.
És um anjo com um coração do tamanho do mundo!
Depois, tornas-te como um ´anjo mau'... Quando te aproximas, me agarras, me puxas para ti... Controlas o meu corpo e cada movimento.
Propositado ou não, só tu sabes e consegues fazê-lo, só tu tens o dom, o poder de me fazer ser e querer ser ainda mais tua!
Possuis todo o meu ser com o teu amor...

Meu coração pertence-te...
Minha alma é tua...

Cátia Antunes

abril 08, 2011

FC Porto campeão 2010/2011


Acabou o jogo do Benfica com o FC Porto, e o FC Porto, além de vencer o jogo justamente, foi campeão nacional 2010/2011. Findo o ultimo apito do árbitro, recebi 3 sms's jocosas, referentes ao jogo do Benfica. Mas a curiosidade das curiosidades, foi nenhuma das sms's recebidas, ser de um adepto do FC Porto, mas sim do Sporting. Ainda pen...sei replicar a dizer que estávamos a ver um jogo de equipas que jogam para o título, mas não me atrevi, e deixo apenas, uma pérola (que não aprovo), e que se identifica com a pouca ou nenhuma lógica desta felicidade Sportinguista. "É uma sensação única festejar o título por que tanto esperei" - João Moutinho

Bloguista?

Escrever com cuidado. Medir as palavras, antever as tensões. Pegar nas sílabas e sopesá-las, a nossa cabeça dois fiéis de balança. Estar atento à ficção desbragada, para que não possa nalgum canto aparentar verdade. Fazer bem a distinção, exigem-nos. Portarmo-nos bem, andar na linha, mostrá-lo ostensivamente. Perder a piada quando na... mentira, deixarmo-nos de confusões, de equívocos propositados, de mundos de cabeça para baixo. Não fantasiar, não vá a fantasia ser confundida com um desejo insatisfeito, um estaria bem melhor noutro lado. Com outro qualquer. Atentar nos parágrafos, que tenham pouco de passado, se possível nada de nada, algo de presente e muito de futuro. Um radioso e em comum, para que a confiança não se perca e a dúvida não se instale. Coisas tristes se discutimos, alegres se nos reconciliamos. Os sentimentos no devido lugar, em perfeita coordenação com o momento e o local, como se de cortinados. Não deixar fugir dos dedos desinquietações nem tremuras, muito menos indecisões. Nunca o credo na boca ou o sangue à cabeça, ainda sai algo que não queremos. Que não pretendêramos. Pior: no qual nem sequer acreditamos. Escrever de mansinho e à cautela, sem subtilezas nem palavras dúbias, muitos significantes, nada de significados, e parágrafos seguros, com a assertividade de um telex quando ainda os havia. Poucos sentimentos, não vá «o Diabo tecê-las». Sentir é dualidade, é errância, é instinto - e nós não queremos nada disso, não não, que se começamos a puxar a alma para fora (a nossa ou a dos outros) sabe-se lá onde vamos parar. Falar de política, do tempo. Se do sexo oposto, só generalidades e, mesmo assim, há que não deixar ninguém mal na fotografia. Senão pessoaliza. Amua. Esgravata o texto, à procura de si nas palavras. E garanto-vos que se encontra. Sexo propriamente dito, então, nem pensar, muito menos em modo de memória descritiva. De qualquer modo, para o outro, todo o sexo é em modo de memória descritiva, mesmo o que nunca aconteceu, mesmo o que nem teríamos tido vontade de experimentar. Melhor é política, mesmo. Ou televisão. Ou política em televisão. Parece que isto é Amor, dizem.

Frustrado é teu nome

A não-atitude, a reserva, a apatia, a inércia, são todos «quase-sinónimos» de um dos piores dos defeitos possíveis e imaginários existentes ao cimo da terra; a falta de CORAGEM. As discussões nos filmes não custam, e os murros nos actores nem nos doem! São pesares limitações que urgem de soluções, e manobras apressadas para uma ultrapa...ssagem dessa condição básica, e tão pequena como o 'H' no «Homem» que o BI vem intitulando desde então. Porque na terra dos homens, há os que se sentam para ouvir e abrem peito á vida, e outros; que atrás de um monitor, simulam a vida, escondidos em frustrações, incapazes de se sentar, olhar, discutir, apresentar, encarar, jogar, competir, e dizer o que realmente precisam. (Oh sociedade...) É que o princípio do contraditório não é apenas uma defesa daquele que é acusado, é acima de tudo um conceito de justiça, por sinal, imperativo na busca de soluções, e nunca de um «ego». Homens.

março 23, 2011

Portugal!


E pronto, é o nosso país. Orientações partidárias aparte de qualquer comentário, denota-se que continuamos a procurar «o que queremos» sempre primeiro do que «o que devemos».
Hoje não foi aprovado na AR o IV Programa de Estabilidade e Crescimento, e o governo caiu, como anteriormente acordado.
Por esta altura, mais que nunca, pedia-se tudo menos uma demissão do governo a arrastar a crise política para o país e agravar a situação com o auxílio ao Fundo monetário Internacional (Que será necessário no prazo de uma semana aprox.)
Infelizmente para nós Portugueses, temos nas bancadas da AR, políticos que simplesmente colocaram os interesses pessoais, á frente dos interesses do país.
Por esta altura, partidos políticos aparte,(INDEPENDENTEMENTE DA BOA OU MÁ POLITICA QUE DO GOVERNO, porque a mim a cores não me ofuscam), urgia a necessidade de braços, pernas, forças, todas, a puxar na mesma direcção... Na direcção do nosso país. Queriam ser úteis? Pois tiverem hoje oportunidade, mas não foram.
Preferiram abrir a porta directa para a cadeira mais procurada.
Ora, eu como português, sinto que o mais procurado, deveria ser os interesses de todo o qualquer cidadão Português.
LAMENTO...
Bem-vindos, tempos mais que difíceis.

março 08, 2011

Os deolindos


Ouve-se uma música, e já somos uma geração activa... Desassombradamente decadente.

março 07, 2011

(I)maturidade

Se há máximas que a imaturidade ainda não me deixa respeitar, será sem dúvida: «Prefiro o teu sorriso longe dos meus braços, do que as tuas lágrimas a molhar o meu ombro»
Se um dia chegar a esse dilema, espero-me mais maduro, pois por agora, só imaginar me faz confusão...

fevereiro 22, 2011

Benfica 2 - Sporting 0


Eles tentarem que se fartarem, mas mais uma vez, não conseguirem que se lixarem!

fevereiro 16, 2011

GUNNERS!!


Demais! Sabem aqueles assuntos que por mais sérios que nos esforçamos ser, invariavelmente acabamos a rir com ar de sacaninhas? Pronto, é desses!

fevereiro 15, 2011

Ronaldo «O Fenómeno»


Aos 34 anos de idade, Ronaldo Luís Nazário de Lima, retira-se do futebol profissional. Ronaldo, «o fenómeno», teve ontem a sua primeira 'morte'. Este astro, anunciou o fim da carreira, derrotado pela doença, hipotiroidismo, um distúrbio que o impede de controlar o peso.
Foi, este Ronaldo, um homem dos maiores dentro de campo, - e incentivo a todos aqueles que não sabem, que procurem por uma biografia do próprio. - Uma vida de atleta que ficará para sempre marcada pelo sacrifício, pelo maior amor ao futebol que se pode calcular.
Em minha opinião, e apenas vale por isso mesmo, Ronaldo, seria porventura, uma estrela sem precedentes, um marco, provavelmente intitulado como 'o melhor dos melhores', mas a vida foi traiçoeira, e em 1999, depressa tratou de lhe ir mostrando isso.
Que nem enamorado do futebol, lutou como não vi alguém lutar por um sonho, e se existiram jogadores que mereciam, Ronaldo será sempre uma forte história de injustiça no futebol, mais que isso, será uma foste história de injustiça no amor.
O melhor marcador das copas do mundo, campeão do mundo quatro vezes com a camisa da selecção do seu país, três vezes eleito o melhor jogador do mundo, e este sai de cena como um derrotado, e humildemente pede desculpas por ter fracassado no projecto a que se propôs. Um exemplo.

'Ás vezes temos de admitir algumas derrotas, e eu, perdi para o meu corpo'...'Foi difícil demais, mas foi também tudo lindo demais, e faria tudo novamente' ...
Só quem ama desta forma, tem vontade de responder, relativamente ao expoente máximo da sua carreira que; «Foi ter visto esse bando de loucos, apaixonados, ter convivido com eles, tornar-me um deles...», é verdade, tornaste-te um dos inesquecíveis, e contigo partilhei gargalhadas, e sonhos. Pessoalmente, é destroçado que vejo o abandono de um jogador quem e ensinou a amar um pouco mais o futebol.
Obrigado!

*And for now, check this out*


fevereiro 14, 2011

Felicidade



Happiness is like the old man told me
Look for it, but you’ll never find it all
But let it go, live your life and leave it
Then one day, wake up and she’ll be your home

fevereiro 13, 2011

Relações

A pensar em como me entristece que algumas pessoas inscrevam as suas relações no caderno do «deve», «haver» e «o que há-de vir», e não no da amizade e afinidade. Esquecem-se que há outras que fazem o mesmo, pelo que acabando-se o interesse, abre-se a porta para a sua saída. Ou seja, são «amigos» a termo!

janeiro 28, 2011

Rascunho

Qual bonito? Bonito era eu adolescente curvado sobre o candeeiro a intentar um romance com a caneta obrigada a sulcos curva contra-curva naqueles papéis que a minha mãe trazia do serviço.
Bonito era eu ficar com o anelar amolgado (sim, pego a caneta como nenhum outro trôpego) por aquelas BIC de que me vingava quando roía as tampas até sangrar a gengiva.
Quando não calhava os lábios borrados de tinta por fazer pastilha da carga.
E trincar o plástico já agora, até se partir.
Bonito era eu querer dedicar poemas e não ter quem me pudesse desprezar com a verosimilhança de ensejo falhado, tão falhado era o ensejo de tentar.
Bonito é também o cansaço, o tornear os poemas para não ter como ser dedicado, não ter como se iniciar artes de quem tudo sofre e suporta, falaciosas sem querer e mesmo querendo, já se sabe, tão acabado é o apelo da modorra, como resolução antecipada, como atalho narrativo, como restolho do que quis, como restolho do que não sabe merecer, como restolho de gente em modo de querer muito.
Vejam lá para o que eu estava guardado.

janeiro 20, 2011

Cátia

Foi condão do céu por certo, foi talvez aura celeste, que, ao nasceres, recebeste e em ti se difundiu. E, forte, desceste ao mundo, brilhando de luz divina, essa luz que me fascina, que nas trevas me sorriu...
Este ansiar incessante, esta esperança ainda tão vaga de gozos, que a mente afaga, mal lhe sabendo o valor, este ignoto sentimento...
Deus do céu, será o amor? Amor! Que palavra é esta, que ela só me sobressalta e mil sensações exalta desconhecidas para mim... Que poder mágico encerra para me agitar assim?
É o amor o sentimento que me faz arfar o seio?
Este gozo por que anseio e a que inspira o coração?
É pois amor este fogo, esta vaga inquietação?'

janeiro 09, 2011

Que receio

Estar casado uma eternidade e ser-se feliz a maior parte do tempo só resulta quando, por um raro acaso astral, duas almas gémeas se encontram, e essa é uma probabilidade que implica uma fila interminável de zeros à direita. A maior parte das vezes ao princípio ama-se, depois aguenta-se e vai-se indo, pelos filhos, pela economia comum, pela companhia, pelo status quo, pelo carinho, até pelo ódio (sim, o ódio pode unir duas pessoas). Mas o mundo dos divorciados, com aquela sua allure de sacanagem e de liberdade, com as suas infinitas possibilidades de escolha múltipla e de descarte fácil, pode ser igualmente merdoso, se não pior. Aos quarentas, conhecer outra pessoa com um propósito definido é algo constrangedor, mesmo que se pretenda uma mera amizade (o que quase nunca acontece). Porque nada é natural na aparente novidade que é o outro. Os separados (que acham sempre que não têm tempo a perder) precisam de saber de imediato aquilo com que contam para poderem agir de acordo com as suas necessidades. Para tanto, montam um personagem com que visam, de acordo com o fim que é a satisfação dessas mesmas necessidades, agradar ao outro. A carente quer tentar perceber se há hipótese de a companhia para jantar lhe pôr um dia um anel no dedo; o desapegado quer saber se pode sair da cama no dia seguinte sem deixar número de telefone nem marca no colchão; o solitário contra vontade procura uma família alternativa que substitua a que perdeu; a recém divorciada que se sente subitamente livre quer estudar todas as oportunidades que se lhe apresentam, sem necessariamente ter que as experimentar. Vão-se conhecendo, aqui e ali e vão-se medindo, de alto a baixo, tentando ultrapassar barreiras como se numa corrida de obstáculos. Transformam-se temporariamente naquilo que acham que o outro gostaria que eles fossem. Iludem e fingem, riem e olham-se de lado. E eu, que sempre tive a teoria de que no fundo vamos sempre procurando a mesma pessoa, uma e outra vez, ou seja: ou uma igualzinha à que foi a mais importante para nós ou o exacto oposto dela, não gosto desta duplicidade de sinais própria dos descasados, nem do esforço ensaiado da primeira impressão e, muito menos, do desespero da sedução empacotada para consumo imediato. Toda a bagagem afectiva que transportamos connosco (as memórias que nos mordiscam, os lados negros que enxotamos), empurramo-la com os pés para debaixo da mesa do restaurante cool e muito in onde, com ferocidade, nos tentamos impressionar mutuamente e brindamos ao futuro. Os chãos das mesas dos restaurantes cool e muito in onde homens e mulheres inventam alegres familiaridades, estão cheios de bagagem mútua que se amontoa como num daqueles carrinhos que serpenteiam pelos aeroportos, prontos a encherem o porão dos aviões. Depois acaba tudo de talão na mão nos perdidos e achados. Invariavelmente, mais perdidos do que achados.