29/11/2010

Os anos passam

É de certo uma manifesta evidência de que os anos não poupam alguém. Hoje, não só próximo do meu aniversário, mas principalmente, de acordo com práticas estranhas á minha conduta jovial.
É a gota de água chegar ás nova horas da manhã, pronto a entrar no escritório, e ver a minha imagem reflectida nos espelhos, de uma forma assustadora. Ele tinha um metro e noventa, e pior, trazia um chapéu de chuva, e casaco bem quente.
Relembro com formas e cheiros, os dias em que por imposição da natureza me era completamente impossível coexistir com um chapéu de chuva só meu. Separávamo-nos na primeira esquina, ou no primeiro lugar que avistava uma bola de futebol. E lá ficava, a dar jus ao nome e função para a qual foi concebido, no chão, portanto á chuva.
A casa chegava o Ivo, sem chapéu, ou mais tarde com um outro, que não o meu.
Hoje, alterando anos de responsabilidade, corajoso, mas quase instintivo, saí á rua com um chapéu de chuva.
Olhei mais fundo no reflexo, e vi tantos outros irmãos, sobre a cabeça dos Dr.'s, e dando 'corpo á luta' protegendo o seu dono.
Hoje, mais que o reflexo muda, hoje, o Ivo não ia para a escola, e não deu pontapés numa bola de rua.
Hoje no reflexo, ele ia para o trabalho, e com um chapéu de chuva, para o abrigar das gotas frias.

26/11/2010

Mensagem de Natal

Todas as pessoas de peso na sociedade têm de elaborar uma mensagem de Natal e publicá-la.
Ora, sem desprimor dos demais, eu optei por elaborar já a minha, de forma a despachar desde já, mais uma árdua tarefa, desta digna condição de ser o IVO ALMEIDA
Sem mais assunto, a mensagem:

'Venho por este pequeno meio informar, que já me encontro apto e disponível para aceitar os presentes de aniversário, (04.12) assim como os de Natal, ambos referentes ao ano de 2010.
Em matéria prática mais informo que se mantenha a calma nesta altura de azáfama,, e que se evite principalmente correrias e mesmo algumas filas no acto das entregas.
Como ser condescêndente que procuro ser, abro mais uma vez o meu coração, e sem pudor informo que aceito dinheiro vivo, cheques, passagens aéreas, perfume (Valentino), roupas de marca, telemóveis topo de gama, entre muitas outras ofertas de valor. Não esquecer como factor importante, tudo da melhor qualidade.
Muito Obrigado e feliz NATAL.
Do tímido amigo;

Dr. Ivo Almeida'

08/11/2010

BENFICA

Sempre se passou assim, mas eu hoje falo, pode ser?
Hoje o BENFICA perdeu por 5-0 com o Porto.
Eu, sou do BENFICA, e por essa mesma razão, fico triste, sempre que o BENFICA perde. Por uma lógica de ideias relativamente fácil, é de calcular que fico bastante feliz, sempre que o BENFICA ganha.
Isto porque eu sou do BENFICA.
Mal acabou o jogo, choveram sms's, comentários, email's, aquele FACEBOOK, mais parecia um fórum de apedrejamento.
Todos os portistas que hoje falaram comigo, mostraram-se eufóricos... Com a derrota do BENFICA.
Bem parabéns porto, hoje foram melhores, mas eu hoje estou mesmo triste, é porque o BENFICA perdeu.
Parecendo que não, eu gosto mesmo é do BENFICA.
Não vou tocar em todas aquelas outras pessoas que me contactaram, e nem são do BENFICA, nem do Porto, porque já entendemos todos esta mensagem, e na verdade, a triste condição de ridículos está a acentar tão bem, que eu vou dizer baixinho:
'Pouco barulho que se está a ver fanáticos'...
Mais uma vez, Parabéns Porto.

05/11/2010

Ordem dos Advogados

'É do provérbios populares que mais temo. É deles que fujo, porque naquela cultura já ancestral vive o bafio, e muitos espelhos retrovisores, vive o fado, e talvez D.Sebastião que por lá ficou.
E lá salta mais uma avó no tom de Eça, de tão intemporal se tornar tal sapiência, e grita «No melhor pano cai a nódoa». Hoje sou eu, que o digo.
Ao contrário do Dr. Marinho Pinto, todos estamos contentes ao viver num estado democrático. Onde existem regras, para controlar uma sociedade que teima em se auto-destruir.
Podemos sempre atear esse cataclismo, zurpando todas as limitações e julgando-nos omnipotentes, alterando condições, regimes e sentidos, baseados num discurso de Messias, que culmina numa masturbação colectiva a todos os revoltosos, somos nós.
Dessas regras, salientam-se, condutas, imposições, garantias, liberdades, e numa vertente não tão directa como a legislação aplicável, existe a ferramenta sobre a qual se subordinam as aplicações das leis. Vêm revestidos em capas que intitulam 'Processos'.
Só quem não nutre uma preocupação urgente sobre a justiça é que ousa modificar o regime de admissibilidade á OA, sem competência para o fazer.
Só uma carência assolapada de conhecimento sobre a CRP, é que se permite desconhecer as competências da Assembleia da Républica, e que para o caso em concreto, é na mesma que se retêm o direito de decretar leis, inclusive (Ou especialmente) leis em matérias de acesso a área laboral.
Um bastonário que desconhece a CRP, um bastonário que oralmente tanta deontologia juridíca, no que concerne aos Advogados aborda, mas que na realidade, lhe escapa as «Relações entre fontes de regulação» no artº 3º do Cod. Trabalho, onde facilmente se identifica [quais as matérias que poderiam ser afastadas por 'Instrumentos de regulação colectiva de trabalho', sempre que estas sejam mais favoráveis ao trabalhador], e no entanto, contribui para a injustiça, e descrédito aos olhos de um povo, e á pele dos prejudicados.
É da exclusiva competência da AR, decretar alterações ao regime de acesso laboral, e não são permissões de um bastonário, por muito jornalista que seja.
Compreende-se o sentimento de quem levou 10 anos, para se licenciar em Direito, e seja de sua vontade que em menos de 7 não existam bons advogados, mas é uma falácia. Bons advogados serão, não por estarem prontos para o ser, mas por haver vontade de se prepararem para o ser. Bons advogados serão, se forem bons profissionais, e aprenderem todos os dias, é disso que vive a labora da advocacia.
Por sua vez, bons profissionais serão, se aprenderem com os melhores, e não num temporal de injustiça organizada, chefiada por quem insiste em ter o ego acima da lei.'

Ivo Almeida in:
Ubis societas ibi jus


04/11/2010

Elogios, há quem precise

Sempre fui um sonhador de uma dimensão a roçar o parvo. Cresci assim, e ninguém me ensinou. Talvez o maus hábitos se entranhem só por eles, sem luta nem permissão do requerido.
Sou um saco de maus costumes, torno a repetir. Cresci e habituei-me a ouvir dizer que sou diferente, mesmo sem ser homossexual. É uma vitória. Gosto que o digam, e gosto que reparem, vezes sem conta, aqui e ali, vários aspectos, e das mais variadas maneiras. Reparem-me.
Não gosto de ser igual, nem de 'alinhar pelos outros'. Preciso de me salientar, de me evidenciar, e esperamos todos que não venha catástrofe daí. Pelo menos eu vou esperando.
Prefiro que notem em mim, sempre que eu não repare, mas que no fim de contas eu venha a saber que repararam.
Não sou exibicionista garantido, pelo simples facto que a subtileza me agrada mais, contudo, sofro de diferenciação crónica com alguma certeza.
Entendo ainda passado alguns anos, que sonhar é óptimo, e que a presistência deve ser a grande aptidão do mundo.
Hoje, senti-me diferente, hoje garantiste-me ter sido o único, ter sido novo, ter sido mágico. Hoje senti-me mais eu, senti-me menos fraco, menos feio.

Ainda há diferenças

Estava eu a ver um dos meus programas favoritos, o "No Reservations" do Anthony Bourdain, quando me apercebi de que, a cada cinco minutos, aparecia um aviso para que os pais tivessem cautela com o visionamento do programa por parte das crianças, não me recordo agora da exacta expressão em inglês. Fiquei intrigado, uma vez que se trata de um inofensivo programa de viagens e de culinária, em que ele anda pelo mundo fora, com a mulher e a filha (pelo que percebi), de casa em casa, de quinta em quinta, e de festa local em festa local, a provar as especialidades de cada zona. Neste caso estava em Itália, a deliciar-se com umas comidas divinais, numa paisagem de sonho. Depois percebi porquê. Sendo um programa inicialmente dirigido à sociedade norte-americana (presumo), na qual as crianças pensam que os animais saem das fábricas directamente para os seus pratos, higiénica e inocuamente, o acto de esfolar um coelho ou de cortar um borrego em pedaços pode ser uma verdade maior do que aquela que eles conseguem suportar. O princípio pode ser chocante: uma das miúdas da quinta onde eles estavam, acariciava um coelho amoroso no colo enquanto todos comiam coelho guisado. E a conversa evoluiu naturalmente para o facto de só cozinharem animais que eles próprios haviam criado, e que aquele coelhinho também iria eventualmente parar à panela. A "promiscuidade" entre animais e as pessoas que os vão comer é ali inevitável. Isto, para uma criança norte-americana (excepto, imagino, as criadas no campo), impressiona: a ideia de se comer o animal de estimação, e a consciência de que afinal a comida não aparece como que por magia enlatada e empacotada nos supermercados, coberta de gravy para que nem se perceba o que é, mas que, quando comemos um animal, este já passou por um processo violento e ancestral (mais ou menos mecanizado) em que algo ou alguém teve de o matar, esfolar, eviscerar, etc. Às vezes, é nestas pequenas coisas como um aviso a cada cinco minutos, que nos apercebemos de que, apesar de tudo, e da tendência que existe para uma uniformização cultural a nível global que passa também pelo que se come, ainda existem algumas diferenças entre os EUA e velha Europa.

Um ser mais cínico?

Não sou de todo um livro aberto. Quem julga que sim, está enganado. Aliás, eu estive durante muito tempo, até a incontestável altura em que denotei que os meus exemplos nunca são meros exemplos, quando os meus 'nadas' de «tanto» vêm recheados, e afinal, até sorriu sem gostar.
Serei então um ser mais cínico, ou mais medroso por tudo isso?

03/11/2010

Ubis societas ibi jus

Com espanto de quem descobre o sabor a Donut's pela primeira vez, apresso-me a testemunhar o nascimento de um novo e grande espaço oculto:

Ubis societas ibi jus

Tratem diso, gentinha leitora.