04/10/2010

Direita

A posição que a França vem tendo relativamente aos ciganos, não é de facto a mais correcta, convenhamos.
Se os ciganos se isolam, se não cumprem com a legislação do País onde estão, devem ser punidos, severamente, não por serem ciganos mas por serem cidadãos com direitos e com deveres, evidentemente. E todos e cada um, em qualquer País dito civilizado tem que se exigir os nossos direitos, mas temos que respeitar os nossos deveres, isto parece ser basilar.
Sendo que todos temos uma sumária percepção, que não pode nem deve ser generalizada que em dados momentos os ciganos tendem a viver num mundo à parte, mesmo quando deveriam ser os primeiros a pedirem para serem integrados. Por outro lado, esta sua posição gera da parte das maiorias um certo afastamento. Sendo evidente que se não houver cedências de ambas as partes o distanciamento se vai manter ou até alargar, e sobretudo o clima de tensão, evidentemente que aumenta.
Em tempo de crise, de falta de trabalho, de falta de visão de futuro, tudo pode ser pretexto para se agradar a quem deve ser agradado. E numa Europa sem rumo e com muito pouca União, em que tendencialmente se está a virar à direita, extrema em alguns casos, onde a Suécia fica no Parlamento com 20 deputados da extrema-direita, algo totalmente impensável quando em 200 na Áustria houve um voto significativo na dita extrema-direita e a Áustria quase foi banida da Europa! Hoje, a Suécia segue o seu caminho!
Actualmente, vários governos, de vários países da Europa, piscam o olho às extremas-direitas para ganhar popularidade. Casos evidentes de Itália e França, mas mais se seguirão.
Como é evidente trata-se de um mau prenúncio, e de modo algum deveria ser seguido, este caminho. Agora na União Europeia é muito pouco crível – até ver - que se criem barreiras intransponíveis raciais, e não podemos sequer imaginar que um belo dia na Europa existam barreiras físicas, tais como muros, como hoje existem entre Israel e a Faixa de Gaza ou entre os EUA e o México para delimitar a livre circulação de pessoas
Mas cabe à Europa, a Bruxelas nas instâncias próprias, e no momento próprio tomar consensualmente as medidas necessárias para que a legislação europeia, para estes casos e quaisquer outros seja devidamente cumprida. Não compete isoladamente a países que “ainda” são parte da União Europeia e até da União Monetária como é o nosso caso, estarem a vetar ou ajuizar nos seus Parlamentos Nacionais, o que a França fez ou deixou de fazer.
Primeiro, é uma incumbência das instâncias europeias, logo nunca das locais, segundo, cria pequenos conflitos entre países membros, que mais prejudicam os pequenos, terceiro, desviam até dentro dos pequenos as atenções para assuntos muito mais pertinentes a serem localmente resolvidos. Temos que cessar de inventar o acessório para deixaremos sempre de tratar do essencial. E rapidamente, enquanto é tempo!