setembro 06, 2010

A lua

É impressionante o quanto inesperado é o acaso. Escondida no fim, mesmo no meio de tudo, se encontra alguém com a capacidade de se dar. Com um levitar jocoso, se parte para a viagem sem passe nem bilhete, deixando para trás duzentos conceitos filosóficos que por tão correctos estarem, nunca me ajudaram em nada. Vive-se o momento, vive-se a areia, vive-se a lua, vive-se o mar e a música de discoteca ao fundo. Tudo numa velocidade tão rápida que assusta o espírito, e que só a experiência vai sabendo fazer-nos passar por tudo, e não que tudo passe por nós.
Com a marcha imperial de um perfume que invade, tudo se torna tão privado, mesmo que aos olhos do mundo.
A lua, enorme, cheia, tão perto e acusatória, que se arrasta em reflexo pelo mar, tocando-nos a pele, enviando, sorrisos e impulsos.
Regredimos á natureza humana, e já se sabe tudo de olhos fechados, de trás para a frente.
Por essa altura, já tudo cativa, tudo indicia, vai surgindo a melodia mais bonita, espaçada, aleatória, perfeita.
Feras presas em fios de pesca, que a própria lua vai soltando...
Oh Lua, mas que mais segredos sabes tu?...