11/05/2010

Balançar

Pedes-me um tempo, para balanço de vida,
Mas eu sou de letras, e não me sei dividir
Para mim, um balanço, é mesmo balançar,
Balançar até dar balanço, e sair...
Pedes-me um sonho, para fazer de chão,
Mas eu desses não tenho, só os de voar...
E agarras a minha mão, com a tua mão,
E prendes-me a dizer que me estás a salvar...
De quê?
De viver o perigo, de quê?
De rasgar o peito, com o quê?
De morrer, mas de que? ... paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver,
O que a noite esconde, e não ter...
Nem sentir o vento ardente, a soprar...
No teu, coração...
Tens o mundo, dentro das mãos fechadas
O que cabe é pouco, mas é tudo o que tens...
Esqueces que ás vezes, quando falha o chão,
O salto é sem rede e tens de abrir as mãos...
Pedes-me um sonho, para juntar os pedaços,
Mas nem tudo o que parte, se volta a colar...

02/05/2010

Para sempre, Amei-te

Amei-te mil vezes.
Amei-te antes de te conhecer,
antes do tempo, da vida, de tudo.
Amei-te quando ainda não sabia quem eras,
quando ainda não tinhas voz, nem nome, nem idade.
E disse-to por mil vezes.
Por mil vezes to escrevi,
em bilhetes, cartas, paredes e postais.
Mesmo quando não sabia como to fazer chegar, escrevi-to.
Em esplanadas, aeroportos,
países com estranhos costumes, lugares sem nome.
Por todo esse mundo
te proclamei um amor informe, inominável, incompreensível.
Passaste mil vezes na minha vida.
Dei-te todos os nomes, todas as moradas e aparências.
Ou nem te dei nada porque não sabia como.
Cruzaste-me em dias sem sol,
em nevoeiros sem memória, em roupas desalinhadas,
ruas, becos, praças vazias,
linhas cruzadas e semáforos fechados.
Momentos houve em que me atropelaste as mãos,
cravaste unhas, chamaste-me pelo nome
e atiraste-me de encontro ao desespero.
Foste tudo sem nunca seres nada.
Acreditando em ti, vivi só mas nunca sozinho.
Fui a inquietação,
o desassossego amargo dos quartos de hotel por onde passei,
as lágrimas que aprendi a conter,
as malas que nunca desfiz,
o passaporte em dia e o bilhete para lado nenhum.
Fizeste de mim tudo isso e muito mais.
E de todas as mil vezes em que te amei
jurei a mim próprio que seria a última,
que depois dessa vez o amor secaria
como um pedaço de pele arrancada à vida
que mirra até se tornar sudário,
mortalha de ninguém.
E de todas essas mil vezes,
fracassei por completo...
Hoje...