dezembro 07, 2010

Ridículo quem diz «Rediculo»

«Rediculo»; «Deficil», entre os demais disparates que se ouve, é hoje primeira palavra na boca de qualquer pseudo-intelectual. A realidade é que padece de um erro. Foi em tempos em acordo com os responsáveis da pedagogia educacional, que surgiu a proposta de que a escrita se iria desta vez assemelhar um pouco com a pronúncia (má, diga-se) que se pratica. (Contudo, todavia, porém, ainda assim, mas), esse, tal como todos os diplomas legais, percorrem um período desde a sua declaração até á sua eficácia. Chama-se a esse periodo compreendido entre a aprovação entre os órgãos competentes (AR, Conc. Pedag. Minst. Educação, Etc) até ao culminar na publicação em DR (Diário da República), o período de 'vacatio legis'. Acontece que o dito diploma nunca ultrapassou esse período, e em termos de eficácia legal, nunca se materializou.
Portugal perde tradição, perde hábitos, dá valor ao que vem de fora, e desvaloriza o que temos. Exemplo crasso de tal facto, são os estudantes, quem em tanto valorizam o curriculum pelos simples facto de reterem uma pós-graduação na vizinha Espanha ou mesmo nos EUA. (Onde as médias são significativamente inferiores á nossa)
Actualmente, julgo que é mais grave que isso, este crescimento sem memória, esta desenvoltura que constantemente larga costumes só nossos, é mais que uma perca de cultura, é uma perda de soberania de um país. Um país é mais que as fronteiras, um país deveria ter alma.
Aposta-se em tanto, e desvaloriza-se um factor essencial para um traço genético de um país que é a «Língua». Vamos todos preocupar-nos um pouco mais connosco, em vista a que quem deveria fazê-lo por nós, preocupa-se em assinar acordos «Redículos».

novembro 29, 2010

Os anos passam

É de certo uma manifesta evidência de que os anos não poupam alguém. Hoje, não só próximo do meu aniversário, mas principalmente, de acordo com práticas estranhas á minha conduta jovial.
É a gota de água chegar ás nova horas da manhã, pronto a entrar no escritório, e ver a minha imagem reflectida nos espelhos, de uma forma assustadora. Ele tinha um metro e noventa, e pior, trazia um chapéu de chuva, e casaco bem quente.
Relembro com formas e cheiros, os dias em que por imposição da natureza me era completamente impossível coexistir com um chapéu de chuva só meu. Separávamo-nos na primeira esquina, ou no primeiro lugar que avistava uma bola de futebol. E lá ficava, a dar jus ao nome e função para a qual foi concebido, no chão, portanto á chuva.
A casa chegava o Ivo, sem chapéu, ou mais tarde com um outro, que não o meu.
Hoje, alterando anos de responsabilidade, corajoso, mas quase instintivo, saí á rua com um chapéu de chuva.
Olhei mais fundo no reflexo, e vi tantos outros irmãos, sobre a cabeça dos Dr.'s, e dando 'corpo á luta' protegendo o seu dono.
Hoje, mais que o reflexo muda, hoje, o Ivo não ia para a escola, e não deu pontapés numa bola de rua.
Hoje no reflexo, ele ia para o trabalho, e com um chapéu de chuva, para o abrigar das gotas frias.

novembro 26, 2010

Mensagem de Natal

Todas as pessoas de peso na sociedade têm de elaborar uma mensagem de Natal e publicá-la.
Ora, sem desprimor dos demais, eu optei por elaborar já a minha, de forma a despachar desde já, mais uma árdua tarefa, desta digna condição de ser o IVO ALMEIDA
Sem mais assunto, a mensagem:

'Venho por este pequeno meio informar, que já me encontro apto e disponível para aceitar os presentes de aniversário, (04.12) assim como os de Natal, ambos referentes ao ano de 2010.
Em matéria prática mais informo que se mantenha a calma nesta altura de azáfama,, e que se evite principalmente correrias e mesmo algumas filas no acto das entregas.
Como ser condescêndente que procuro ser, abro mais uma vez o meu coração, e sem pudor informo que aceito dinheiro vivo, cheques, passagens aéreas, perfume (Valentino), roupas de marca, telemóveis topo de gama, entre muitas outras ofertas de valor. Não esquecer como factor importante, tudo da melhor qualidade.
Muito Obrigado e feliz NATAL.
Do tímido amigo;

Dr. Ivo Almeida'

novembro 08, 2010

BENFICA

Sempre se passou assim, mas eu hoje falo, pode ser?
Hoje o BENFICA perdeu por 5-0 com o Porto.
Eu, sou do BENFICA, e por essa mesma razão, fico triste, sempre que o BENFICA perde. Por uma lógica de ideias relativamente fácil, é de calcular que fico bastante feliz, sempre que o BENFICA ganha.
Isto porque eu sou do BENFICA.
Mal acabou o jogo, choveram sms's, comentários, email's, aquele FACEBOOK, mais parecia um fórum de apedrejamento.
Todos os portistas que hoje falaram comigo, mostraram-se eufóricos... Com a derrota do BENFICA.
Bem parabéns porto, hoje foram melhores, mas eu hoje estou mesmo triste, é porque o BENFICA perdeu.
Parecendo que não, eu gosto mesmo é do BENFICA.
Não vou tocar em todas aquelas outras pessoas que me contactaram, e nem são do BENFICA, nem do Porto, porque já entendemos todos esta mensagem, e na verdade, a triste condição de ridículos está a acentar tão bem, que eu vou dizer baixinho:
'Pouco barulho que se está a ver fanáticos'...
Mais uma vez, Parabéns Porto.

novembro 05, 2010

Ordem dos Advogados

'É do provérbios populares que mais temo. É deles que fujo, porque naquela cultura já ancestral vive o bafio, e muitos espelhos retrovisores, vive o fado, e talvez D.Sebastião que por lá ficou.
E lá salta mais uma avó no tom de Eça, de tão intemporal se tornar tal sapiência, e grita «No melhor pano cai a nódoa». Hoje sou eu, que o digo.
Ao contrário do Dr. Marinho Pinto, todos estamos contentes ao viver num estado democrático. Onde existem regras, para controlar uma sociedade que teima em se auto-destruir.
Podemos sempre atear esse cataclismo, zurpando todas as limitações e julgando-nos omnipotentes, alterando condições, regimes e sentidos, baseados num discurso de Messias, que culmina numa masturbação colectiva a todos os revoltosos, somos nós.
Dessas regras, salientam-se, condutas, imposições, garantias, liberdades, e numa vertente não tão directa como a legislação aplicável, existe a ferramenta sobre a qual se subordinam as aplicações das leis. Vêm revestidos em capas que intitulam 'Processos'.
Só quem não nutre uma preocupação urgente sobre a justiça é que ousa modificar o regime de admissibilidade á OA, sem competência para o fazer.
Só uma carência assolapada de conhecimento sobre a CRP, é que se permite desconhecer as competências da Assembleia da Républica, e que para o caso em concreto, é na mesma que se retêm o direito de decretar leis, inclusive (Ou especialmente) leis em matérias de acesso a área laboral.
Um bastonário que desconhece a CRP, um bastonário que oralmente tanta deontologia juridíca, no que concerne aos Advogados aborda, mas que na realidade, lhe escapa as «Relações entre fontes de regulação» no artº 3º do Cod. Trabalho, onde facilmente se identifica [quais as matérias que poderiam ser afastadas por 'Instrumentos de regulação colectiva de trabalho', sempre que estas sejam mais favoráveis ao trabalhador], e no entanto, contribui para a injustiça, e descrédito aos olhos de um povo, e á pele dos prejudicados.
É da exclusiva competência da AR, decretar alterações ao regime de acesso laboral, e não são permissões de um bastonário, por muito jornalista que seja.
Compreende-se o sentimento de quem levou 10 anos, para se licenciar em Direito, e seja de sua vontade que em menos de 7 não existam bons advogados, mas é uma falácia. Bons advogados serão, não por estarem prontos para o ser, mas por haver vontade de se prepararem para o ser. Bons advogados serão, se forem bons profissionais, e aprenderem todos os dias, é disso que vive a labora da advocacia.
Por sua vez, bons profissionais serão, se aprenderem com os melhores, e não num temporal de injustiça organizada, chefiada por quem insiste em ter o ego acima da lei.'

Ivo Almeida in:
Ubis societas ibi jus


novembro 04, 2010

Elogios, há quem precise

Sempre fui um sonhador de uma dimensão a roçar o parvo. Cresci assim, e ninguém me ensinou. Talvez o maus hábitos se entranhem só por eles, sem luta nem permissão do requerido.
Sou um saco de maus costumes, torno a repetir. Cresci e habituei-me a ouvir dizer que sou diferente, mesmo sem ser homossexual. É uma vitória. Gosto que o digam, e gosto que reparem, vezes sem conta, aqui e ali, vários aspectos, e das mais variadas maneiras. Reparem-me.
Não gosto de ser igual, nem de 'alinhar pelos outros'. Preciso de me salientar, de me evidenciar, e esperamos todos que não venha catástrofe daí. Pelo menos eu vou esperando.
Prefiro que notem em mim, sempre que eu não repare, mas que no fim de contas eu venha a saber que repararam.
Não sou exibicionista garantido, pelo simples facto que a subtileza me agrada mais, contudo, sofro de diferenciação crónica com alguma certeza.
Entendo ainda passado alguns anos, que sonhar é óptimo, e que a presistência deve ser a grande aptidão do mundo.
Hoje, senti-me diferente, hoje garantiste-me ter sido o único, ter sido novo, ter sido mágico. Hoje senti-me mais eu, senti-me menos fraco, menos feio.

Ainda há diferenças

Estava eu a ver um dos meus programas favoritos, o "No Reservations" do Anthony Bourdain, quando me apercebi de que, a cada cinco minutos, aparecia um aviso para que os pais tivessem cautela com o visionamento do programa por parte das crianças, não me recordo agora da exacta expressão em inglês. Fiquei intrigado, uma vez que se trata de um inofensivo programa de viagens e de culinária, em que ele anda pelo mundo fora, com a mulher e a filha (pelo que percebi), de casa em casa, de quinta em quinta, e de festa local em festa local, a provar as especialidades de cada zona. Neste caso estava em Itália, a deliciar-se com umas comidas divinais, numa paisagem de sonho. Depois percebi porquê. Sendo um programa inicialmente dirigido à sociedade norte-americana (presumo), na qual as crianças pensam que os animais saem das fábricas directamente para os seus pratos, higiénica e inocuamente, o acto de esfolar um coelho ou de cortar um borrego em pedaços pode ser uma verdade maior do que aquela que eles conseguem suportar. O princípio pode ser chocante: uma das miúdas da quinta onde eles estavam, acariciava um coelho amoroso no colo enquanto todos comiam coelho guisado. E a conversa evoluiu naturalmente para o facto de só cozinharem animais que eles próprios haviam criado, e que aquele coelhinho também iria eventualmente parar à panela. A "promiscuidade" entre animais e as pessoas que os vão comer é ali inevitável. Isto, para uma criança norte-americana (excepto, imagino, as criadas no campo), impressiona: a ideia de se comer o animal de estimação, e a consciência de que afinal a comida não aparece como que por magia enlatada e empacotada nos supermercados, coberta de gravy para que nem se perceba o que é, mas que, quando comemos um animal, este já passou por um processo violento e ancestral (mais ou menos mecanizado) em que algo ou alguém teve de o matar, esfolar, eviscerar, etc. Às vezes, é nestas pequenas coisas como um aviso a cada cinco minutos, que nos apercebemos de que, apesar de tudo, e da tendência que existe para uma uniformização cultural a nível global que passa também pelo que se come, ainda existem algumas diferenças entre os EUA e velha Europa.

Um ser mais cínico?

Não sou de todo um livro aberto. Quem julga que sim, está enganado. Aliás, eu estive durante muito tempo, até a incontestável altura em que denotei que os meus exemplos nunca são meros exemplos, quando os meus 'nadas' de «tanto» vêm recheados, e afinal, até sorriu sem gostar.
Serei então um ser mais cínico, ou mais medroso por tudo isso?

novembro 03, 2010

Ubis societas ibi jus

Com espanto de quem descobre o sabor a Donut's pela primeira vez, apresso-me a testemunhar o nascimento de um novo e grande espaço oculto:

Ubis societas ibi jus

Tratem diso, gentinha leitora.

outubro 31, 2010

Esta balada que te dou


Saudade

There are many reasons "Portuguese" is one of my favourite languages, but this one is the most predominant.
There is one word in the Portuguese dictionary that no other language in the world has a translation or synonym for! This word is "Saudades".
I may attempt to define this word but before I do, please remember it will never be as accurate and as beautiful as its true meaning.
Many definitions online are trying to make it come across as a very melancholic and sorrowful feeling. Don't be misguided. The feeling can also be harmonious and pleasant to feel as it sometimes awakens you to feelings you didn't know you had for someone or something.
Saudade is a feeling of longing. Its like saying to someone who is far away "I have a lot of "missings" for you. It's missing someone who isn't there and you're trying to transmit to them exactly how much of you is missing them.
Through this passionate word you can tell a lot about yourself, your loved ones, how you feel about places, things etc.. It is a truly powerful word which without it, I could never really convey my inner feelings about missing my family, friends and loved ones.
This post goes out to anyone you're missing right now....

Mia Rose

outubro 12, 2010

Portugal, o caminho é outro

Os portugueses ainda não entenderam que a crise actual, vai muito para além da área financeira. É óbvio que o que nos toca mais directamente é a vertente financeira, mas a verdadeira situação que realmente deverá mudar, ainda não tocou na sociedade portuguesa. A crise, e a destabilização, é muito mais profunda e muito mais ampla do que o nível financeiro.
Despertar essa sociedade para a crise, na sua face dura e real, seria papel para os nossos lideres, que não temos, seria o papel das nossas forças sociais, que estão mais interessados e metidos em jogos de poder, do que na atitude de serviço. Tal como Camões dizia, que «Fraco rei faz fraco a forte gente»; nós temos uma falta desesperante de lideres, e temos uma sociedade montada numa espécie de Sebastianismo. O Português sempre foi messiânico, neste sentido, pois sempre esperamos a salvação que vem de fora, a salvação que há-de vir de algum lugar. Realidade é que os nossos últimos Sebastiões, não têm resolvido nada. É uma pena que a Islândia não faça escola (Islândia que acaba de citar o Primeiro-Ministro a tribunal), pois por cá, não há responsabilização política, e o que existe nos nossos lideres políticos, são apenas jogos de poder, jogos de influência. E aí, funciona uma atracção maior, pois em nome da defesa, em nome o povo, nome da defesa do direitos do trabalhadores, lá vamos nós ouvindo grandes discursos inflamados, são os que chamo 'Jogos de poder', que não vão resolver a vida dos pobres, nem vão sobretudo criar aquilo que é urgente, e urgente criar, um sentido de solidariedade, um sentido de coesão nacional. O que se apela é sempre á fractura, é sempre e só a explosão social, na busca de votos e credibilidade.
A palavra crise, que vem do grego, explica-nos isso mesmo, momento de ruptura, e necessidade de criar espaços e visões novas. Nós, andamos a enfrentar desafios novos com soluções velhas.
Estamos a enfrentar problemas muito sérios para tantos de nós, com os mesmos profissionais da politica que nos trouxeram até aqui.
Seria este o tempo de despedir-mos os políticos profissionais, para colocarmos profissionais na política.
Há por agora uma des-educaçao, que assenta num tipo de cultura que é muito nossa. Temos a faceta do 'fado', sempre que alguém morre, «era o destino», e existem em paralelo o «podia ser pior». Vivemos de um fado ligado ao Sebastianismo.
Nós temos tantos denunciadores, e não vejo anunciadores, e os poucos que temos, mentem.
A consciência tem de ser outra, por mim enquanto leigo, passa por uma construção de uma consciência social e uma consciência colectiva de co-responsabilidade social. Os nossos lideres perguntam ao país o que ele pode fazer por nós, quando a pergunta seria, pergunta-te a ti, o que podes fazer pelo teu país.
Andamos outra vez com esta ilusão estatística, mas a verdade é que temos um nível cultural baixíssímo. Governar para estatística, tal qual jogo de interesse. Não podemos esperar por um Messias, temos é de fazer de todos nós a pessoa que aponta o dedo e grita «O Rei vai nú», por muito engravatado que esteja.
Houve por parte dos nossos lideres, excesso de garantismo, de facilitísmo, e esse facilitísmo começa desde o jardim de infância. Nós estamos a montar uma escola, que teoricamente, e por ironia da estupidez, é possível entrar na universidade, sem saber ler nem escrever quase. Estamos a mentir ás pessoas, não estamos a dar um futuro aos nossos jovens.
Estamos a construir uma sociedade montada na fachada. Estamos a deformar gerações, que vão ser o futuro desta terra. Estão a crescer sem bases estão a crescer sem valores, estão a crescer numa sociedade que está montada no ter, e esqueceu o ser. Vou mais longe, pois estamos a criar gerações de jovens sem memória, estamos a criar gente sem história. Quando a memória e a história não se encontram, encontram-se os cataclismos sociais.
Vou mais longe na ideia de que as crianças não têm pais. Estes trabalham com 2 ou mais empregos, desesperadamente na procura de sobreviver.
A mudança não é pelo tecto, é pela a base. É a partir da educação que temos de mudar.
Estamos a crescer colectivamente sem memória.

outubro 05, 2010

You


You don´t have a body, nor a country, nor a familly, you don´t bow before the tirans; you don´t have a price in the land of the humans, neighter the time affects you.
You are the essense of the years you have, what comes, and what have been. You are the meat of Gods, the smile of the rocks and the purety of the instinct.
You are that nourishment that is tired of bread is hungry of, you are the grace of life everywhere or in art, or in simply truth. You are the red carnation, or the boy in the mirror who after seeing you tries to get prettier.
You are a perfect verse who brings the power of what it says.
You are the way witch has art of the master and the aprendice. It's a miracle, a light, an harmony, a line without trace, you are the beauty...
Well, you are your name.

outubro 04, 2010

Direita

A posição que a França vem tendo relativamente aos ciganos, não é de facto a mais correcta, convenhamos.
Se os ciganos se isolam, se não cumprem com a legislação do País onde estão, devem ser punidos, severamente, não por serem ciganos mas por serem cidadãos com direitos e com deveres, evidentemente. E todos e cada um, em qualquer País dito civilizado tem que se exigir os nossos direitos, mas temos que respeitar os nossos deveres, isto parece ser basilar.
Sendo que todos temos uma sumária percepção, que não pode nem deve ser generalizada que em dados momentos os ciganos tendem a viver num mundo à parte, mesmo quando deveriam ser os primeiros a pedirem para serem integrados. Por outro lado, esta sua posição gera da parte das maiorias um certo afastamento. Sendo evidente que se não houver cedências de ambas as partes o distanciamento se vai manter ou até alargar, e sobretudo o clima de tensão, evidentemente que aumenta.
Em tempo de crise, de falta de trabalho, de falta de visão de futuro, tudo pode ser pretexto para se agradar a quem deve ser agradado. E numa Europa sem rumo e com muito pouca União, em que tendencialmente se está a virar à direita, extrema em alguns casos, onde a Suécia fica no Parlamento com 20 deputados da extrema-direita, algo totalmente impensável quando em 200 na Áustria houve um voto significativo na dita extrema-direita e a Áustria quase foi banida da Europa! Hoje, a Suécia segue o seu caminho!
Actualmente, vários governos, de vários países da Europa, piscam o olho às extremas-direitas para ganhar popularidade. Casos evidentes de Itália e França, mas mais se seguirão.
Como é evidente trata-se de um mau prenúncio, e de modo algum deveria ser seguido, este caminho. Agora na União Europeia é muito pouco crível – até ver - que se criem barreiras intransponíveis raciais, e não podemos sequer imaginar que um belo dia na Europa existam barreiras físicas, tais como muros, como hoje existem entre Israel e a Faixa de Gaza ou entre os EUA e o México para delimitar a livre circulação de pessoas
Mas cabe à Europa, a Bruxelas nas instâncias próprias, e no momento próprio tomar consensualmente as medidas necessárias para que a legislação europeia, para estes casos e quaisquer outros seja devidamente cumprida. Não compete isoladamente a países que “ainda” são parte da União Europeia e até da União Monetária como é o nosso caso, estarem a vetar ou ajuizar nos seus Parlamentos Nacionais, o que a França fez ou deixou de fazer.
Primeiro, é uma incumbência das instâncias europeias, logo nunca das locais, segundo, cria pequenos conflitos entre países membros, que mais prejudicam os pequenos, terceiro, desviam até dentro dos pequenos as atenções para assuntos muito mais pertinentes a serem localmente resolvidos. Temos que cessar de inventar o acessório para deixaremos sempre de tratar do essencial. E rapidamente, enquanto é tempo!

setembro 08, 2010

Mas ainda te lembras?

E depois tem a maneira como ele a abraça, nunca vira nada assim. 'Vira' de ver, mesmo. De como os ombros dele se encurvam, contemplando-a toda, primeiro com uma aparência devoradora, como uma piton escancarando as mandíbulas e preparando-se para a deglutir inteira, anestesiando-a primeiro, hipnotizando-a, açambarcando-lhe a pele, crescendo perante ela, tapando-lhe o sol. Há uma falta de ar que se insinua nela, como se pressentisse o fim e nada mais valesse a pena, respirar para quê?; mas depressa cede ao calor daqueles braços que crescem e descem sobre ela, redondos, um cordame que se enrola e aperta, o tronco dele a acompanhar o movimento, a ajeitar-se de lado, descaindo um pouco por forma a fechar sobre ela o círculo, comprimindo-a com uma suavidade determinada de ressuscitar corações. Ele é alto, e por mais que se ajeite e se entorte e a circunde, ela esparrama-lhe sempre a cara no peito, expirando tanto receio como alívio, escondendo o nariz entupido de emoção naquele torso largo, que carrega lá dentro um compasso cardíaco acelerado, o compasso de quem quer guardar o outro para sempre dentro de si, carregá-lo em modo marsupial, levá-lo ao médico, às compras e para a cama, porque senão morre. Depois ele embala-a, como se faz a um bebé, numa cadência fina que transmite a certeza de ainda ali estar no dia seguinte, de pé embrulhado nela, porque não, os cavalos nem sempre se abatem, e ela não sabe se aquilo é amor ou se ele um corta-vento, só sabe que adormece e tudo o que ele podia fazer dela, se quisesse.

setembro 07, 2010

Marinho Pinto

«Não li o processo, mas as penas parecem-me exageradas.»

(Mas o momento mais assustador do infeliz bastonário foi a sua gaguez súbita - ele que é um homem de palavra fácil - quando ouviu a palavra «vítimas». Como é possível uma das classes profissionais mais importantes do país (Cof cof) estar representada por alguém que perdeu totalmente o contacto com aquilo que é o essencial na justiça?)

Burro sou

Passei a manhã a matutar nisto e não ia conseguir acordar a sério sem vomitar a treta da reflexão e da pergunta.

Parece-me a mim que metade das pessoas andam à procura de uma mãe, e a outra metade à procura de quem controlar facilmente.

O que há de errado em se ter ao lado alguém que seja um igual, em vez de alguém que se considera de uma forma ou de outra superior ou inferior ?

A cegueira (Numa chamada até as 5 da manhã)

É tão mais fácil escondermos-nos das imagens que os nossos comportamentos possam transmitir aos outros do que olhar para o espelho e reconhecer que errámos, mas eu errei, desculpem-me. De repente, num belo dia, percebemos que alguém pensa que somos assim ou de outra forma pior e, essa imagem, afinal não era a que queríamos que alguém guardasse, que nos pintassem, assim de rosto desvairado, cabelo desgrenhado e cara esborratada, mas foi essa a imagem que ficou, naquele momento em que dissemos o que não queríamos, não cegos de ódio, nem espumando da boca como cães enraivecidos, nem mesmo dissemos barbaridades ou mordemos em quem nos levou àquele estado de loucura temporária, absortos que estávamos em deitar cá para fora toda a frustração que nos corroía os ossos e nos esmagava as entranhas, nunca nos passando pela cabeça a imagem que os outros gravavam. Quando olhamos finalmente para nós, através dos olhos de quem nos viu naqueles preparos, [Que não conhecem] não imaginamos, sequer, o quão ínfimo é o que vemos. Os outros, os que assistiram, guardam-nos ampliadas, com a voz amplificada a níveis de histeria de um verdadeiro alucinado antes da medicação diária. A vergonha da nossa própria figura deveria ser a linha que nos separa de repetições constantes da mesma figurinha, mas não, é mais fácil tentar enganar[mos-nos] os outros com a velha desculpa de que te fizeram a cabeça. Depois descobri que não éramos os únicos em que havia frustração e um medo incondicional, de quem não soube ser no passado. Corrigir erros á força? Não, eu amei, mas isso é linha ténue de quem tem medo de perder, e fracos demais para debitar todas as responsabilidades em quem é mais fácil. O Ivo implicava 300 km de saudade, o Ivo tem um nome para isso. Afinal aqueles episódios de recriação futura de que provavelmente os tais requisitos de quem te iria agredir um dia foi fruto de uma imagem de quem não acompanha, e aterrou á pressa, com a ânsia de dizer algo de útil, fruto da tua imaginação e de uma alucinação colectiva de quem soube dele sem nada saber. Todo o teu mundo sabe tanto sem nada saber, sabe de exageros e fábulas horríveis, mas de nada sabem. Não sabem quem fomos, nem o que fizemos, não sabem quem nos somos, nem o que precisamos, não sabem. Não sabem que ainda hoje gostas de histórias. Vivem a tua vida, só para não haver mais uma fuga, para não haver mais distância e mais 'maus bons presentes'. Não ralhem mais, arranjem-me forma de voltar atrás no tempo, eu não roubo ninguém de ninguém, e a pessoa que deveria saber disso, já está mais que formatada.
Não se entende por igualdade, tratar todos de forma igual, mas antes tratar casos semelhantes de forma semelhante, e situações diferentes, de uma forma diferenciada.
Desculpem-me todos.
Depois alisamos ao espelho os cabelos desgrenhados, limpamos a espuma do canto da boca e achamos que estamos com olheiras, tudo o resto um pesadelo que sacudimos para debaixo do tapete e esperamos que ninguém o levante e veja a merda que andamos a esconder, principalmente de nós próprios.

setembro 06, 2010

A lua

É impressionante o quanto inesperado é o acaso. Escondida no fim, mesmo no meio de tudo, se encontra alguém com a capacidade de se dar. Com um levitar jocoso, se parte para a viagem sem passe nem bilhete, deixando para trás duzentos conceitos filosóficos que por tão correctos estarem, nunca me ajudaram em nada. Vive-se o momento, vive-se a areia, vive-se a lua, vive-se o mar e a música de discoteca ao fundo. Tudo numa velocidade tão rápida que assusta o espírito, e que só a experiência vai sabendo fazer-nos passar por tudo, e não que tudo passe por nós.
Com a marcha imperial de um perfume que invade, tudo se torna tão privado, mesmo que aos olhos do mundo.
A lua, enorme, cheia, tão perto e acusatória, que se arrasta em reflexo pelo mar, tocando-nos a pele, enviando, sorrisos e impulsos.
Regredimos á natureza humana, e já se sabe tudo de olhos fechados, de trás para a frente.
Por essa altura, já tudo cativa, tudo indicia, vai surgindo a melodia mais bonita, espaçada, aleatória, perfeita.
Feras presas em fios de pesca, que a própria lua vai soltando...
Oh Lua, mas que mais segredos sabes tu?...

Que língua para esta narcísica pátria em palavras?

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.

setembro 05, 2010

Portugal vs Chile ???

Criticavam Scolari, mas eu tenho tantas saudades desse tempo na nossa selecção, em que o país parava para ver qualquer jogo, fosse amigavel ou oficial, E seja qual fosse o adversário sentiamos sempre que podiamos vencer.... Agora, hoje? Bem os dias de hoje... acho que já todos percebemos que ...o Prof. Queirós não tem estofo para ser Seleccionador Nacional... não há gosto em ver jogar esta selecção... jogadores que por serem quem são, jamais os via abalados na sua ânsia de vencer, a desistirem antes do previsto, imprevistos atrás de imprevistos... membros do staff técnico a baterem com a porta.

Obrigado Queirós por teres desfeito o que mais difícil foi conquistar, a alegria de um POVO em torno da Selecção...a UNIÃO do POVO português.

Está na altura de saberes o teu lugar, assim como Madaíl.


agosto 19, 2010

Falta de intelegência não nos ouvirmos

Passaram meses e meses, a marcha imperial do tempo que cavalgou sobre aquele ultimo instante em que te tive nos braços, mas o que são todos estes dias comparados com a intensidade daqueles em que estiveste perto? Cada segundo desses dias tornou-te parte de mim, em cada segundo, em pequenos e enormes gestos, ficaste bem dentro daquilo que sou. O tempo que passa cada vez me dá mais a consciência disso, paro para pensar e percebo que não tenho medo nenhum dessa mudança que foi tão subtil e ao mesmo tempo tão avassaladora. Não tenho medo daquilo que deixaste em mim, respeito-o, sinto-o momento a momento, sorrio com a malandrice de quem pensa controlar toda a situação. Essa doce ilusão que me tem guiado na vida em tantos momentos, ingenuidade tanta vez mal disfarçada e uma muralha que sempre caiu como um castelo de cartas. A intensidade dos dias que passámos habita uma mansão dourada das minhas emoções, que este tempo ajudou a perceber que nem sempre foi a mais correcta, subjugada a um desejo enorme, um descontrolo tremendo de uma alma perante tanta coisa nova. Sim, foi um exagero que naturalmente sucumbiu aos factos ainda e sempre mais fortes. Hoje sei que faria muita coisa diferente, sem no entanto retirar uma única dose de magia, daquela força que dava toda a ideia de ser inquebrável, mesmo quando parecia ser toda feita de vidro finíssimo. Era assim o que nos uniu, uma muralha da China intensa e poderosa que percorremos com sorrisos mil, que terminou sem se saber bem até onde nos poderia levar. Tudo ruiu, com lágrimas que pensei que nunca iriam parar, com um vazio ruidosamente profundo, que deu lugar a uma paz, uma alegria consciente de poder sorrir imenso com os gestos, atitudes e pensamentos que ao longo do tempo fui capaz de tomar. Hoje e sempre fiel ao que disse desde o inicio e a olhar o futuro com o peito aconchegado naquele luar cúmplice de um sonho de uma vida inteira. Hoje as palavras outrora guerreiras custam a sair e partem já sob o efeito de uma derrota antecipada, numa mistura de perda de crença nesses sentimentos e na indiferença que o tempo torna assustadora. Não sei por onde anda esse meu espírito utópico capaz de tocar novamente o impossível, sinto que o perdi, que o estou a perder aos poucos, concentrado em alcançar outros patamares bem dentro de mim para depois sim estar novamente preparado para lutar por esse, ou por outro impossível, aquele que vai dar novamente sentido a tudo. Sim, porque tudo um dia vai fazer outra vez sentido. Vemo-nos por ai ….

Dói

Custam-me as noites. Mais que o resto.

agosto 18, 2010

Mimos

Mas eis que chega o mimo. Ah... o mimo. Os diminutivos sussurrados, as blandícias, os gestos escondidos, as palavras inventadas porque nenhuma chega para definir na perfeição os trilhos que a alma segue e as encruzilhadas onde se esgota. Os afagos pelos cotovelos, o amor que respinga e que ambos apanham em concha com as mãos, os dedos dos pés em flor. Ela, que o agarra por trás tentando abarcar-lhe a cintura quando se deitam e moendo-lhe as costas de beijos, traçando-lhe mapas húmidos na pele e às cegas, enquanto o sono hesita. O ambos se permitirem o ressono do outro, ele que não a manda calar quando a sinusite dela assobia na noite, e ela, que ligeiramente o abana no contratempo de um rouco profundo, apneico e aflitivo. Trocam-se juras enquanto se dorme, promessas esquecidas no dia seguinte, mas que nem por isso perdem a validade do primeiro dia, do primeiro olhar, das primeiras mãos: suadas e nervosas a desbravarem caminho no corredor de um quarto de hotel, numa cidade estranha. Ele, que às tantas ataca o frigorífico e que a ataca na cozinha, e que não sabe o que comer primeiro, e ela, que o arrasta quando as luzes cuscas da rua se acendem, a maionese aberta na bancada, a coca-cola a perder o gás, e pelo caminho até ao quarto um trilho de roupa interior onde a gata se enrosca e adormece, indiferente ao bulício carnal e ao perigo iminente do desmembramento do estrado esquerdo da cama king size, comprovando-se assim que o material sueco nem sempre é de primeira qualidade.

agosto 17, 2010

Arrumar a OA

Nos ultimos três anos o orçamento e as contas da Ordem os Advogados (OA) transformaram-se num instrumento político. Internamente ergueram-se entraves financeiros que imobilizaram a OA, debaixo duma algazarra que degenerou numa luta de poder. Externamente, este caos descredibilizou a Ordem, expondo-a a ataques violentos, uns dirigidos á auto-regulação, e outros exigindo a cassação do interesse público.
A polémica em redor da renumeração do Bastonário foi bem espelho desta balcanização. O bastonário sequestrou o cargo á exclusividade e criou para si um subsidio de reintegração (mais de quarenta mil euros, a receber inclusive quando cessar funções).
No campo oposto estiveram aqueles que apedrejam a remuneração deste bastonário, para depois nomearem um candidato que exige ser remunerado.
Sempre me bati pela remuneração do Bastonário, porém o próximo Bastonário tem de sarar este ferida. Tem de criar condições para que este remuneração possa voltar a ser consensual.

agosto 12, 2010

Frase

"É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música."

agosto 11, 2010

Já não há para onde fugir



O homem já havia enchido o depósito do meu carro e verificado a pressão dos pneus. Tinha um daqueles olhares de quem viu mundos e voltou para contar.

‘Se quiser, tiro-lhe esta mosquitada do vidro! ’
O homem que proferira esta frase naquela tarde abrasadora de Setembro já havia enchido o depósito do meu carro e verificado a pressão pneus. Tudo com uma ligeireza que dificilmente poderia atribuir a alguém na casa dos sessenta. A pele tisnada e um corpo vigoroso eram apenas desmentidos por um olhar fundo e meigo. Daqueles olhares de quem viu mundos e voltou para contar. Disse-lhe que sim, que me fizesse o favor de dar uma limpadela no para brisas. Seria um pretexto para lhe dar algo mais quando pagasse sem que se sentisse humilhado. A nobreza da alma vê-se por fora, e os seus gestos eram pragmáticos e lestos de alguém habituado aos trabalhos duros que a vida vai impondo.
Perguntei-lhe se era dali, daquele remoto lugar no Alentejo, sabendo eu que fosse qual fosse a resposta, o que é relevante num percurso não é o local de nascença mas onde se foi encostando o corpo ao longo do caminho. «Sim», respondeu, «mas fugi para Lisboa porque desde os 5 anos aqui verguei na lida desta terra que devolve pouco e exige tanto.» A tatuagem fundida no braço esquerdo, e que poderia ser uma serpente ou uma frase ilegível, pareceu contrair-se. Sem ter ido sequer à escola porque a não havia, tinha escapado aos 12 aos rigores do chão alentejano e ao afecto paterno, se este tivesse existido. Deambulara pela capital onde conseguira trabalho numa adega ali para os lados de Santa Apolónia. Aí conheceu prostitutas, perdidos, bêbados e viajantes sem destino e de origem duvidosa. Tornou-se um deles quando se juntou a uma trupe de circo que parara para se refrescar em tinto de pipa. Fugira uma vez mais. Foi aprendiz, malabarista, acrobata, ajudante de cena, cavaleiro, mimo, mágico, porteiro, vendedor de pipocas e finalmente, a profissão que lhe ficaria colada na pele melhor do que qualquer uma das muitas tatuagens, Palhaço. Correra o País e até a Espanha tinha ido.
E quando fazia de Palhaço rico usava o sotaque daquele país para sublinhar piadas às quais a miudagem retribuía num alarido que lhe alimentava o corpo e o sonho. Palhaço foi toda a vida, mesmo quando na Guiné evitava premir o gatilho da sua G-3 no receio de matar o inimigo oculto. Embora soldado, soldado nunca foi. E de lá fugiu, pouco antes do 25 de Abril, que o havia de indultar da pesada carga da deserção, para ir viver no Senegal. «Nenhum Palhaço pode odiar», repetia para justificar mais esta fuga. E em Dakar fez uma vez mais de tudo para que a fraqueza o não levasse. Embarcadiço num pequeno veleiro, transportava café, cabras e contrabando entre as pequenas ilhas vizinhas. Numa delas teve finalmente a oportunidade de regressar a Portugal.
O barco Amor de Mãe andava na pesca do atum e voltaria a casa nesse mês. Embarcou e foi pescador, marinheiro e estivador. Na década de oitenta, já o país não era o mesmo, e nem as suas tiradas de Palhaço rico num espanhol de fronteira surtiam efeito junto de plateias que agora preferiam a nudez das trapezistas. Agora limitava-se a levantar e a recolher a tenda, espetar ferros e esticar cordas dando-lhes nós que aprendera no mar. Voltou à arena, mas para limpar o recinto dos dejectos de cavalos magros e tigres adormecidos. Sem mais que fazer, decidira tornar a casa. Chegou à sua vila de noite e adormeceu à porta da que tinha sido a sua casa. O posto de gasolina estava em construção e foi onde o barulho da azáfama que despertou. E aí arranjou trabalho.
Agora que acabou de limpar o último mosquito com minúcia de artesão, acabou de limpar o último mosquito com minúcia de artesão, acabou também de me contar a sua história. «Aqui estou vai para 20 anos, saiba o senhor.» E antes que eu cometesse a imprudência de dar gorjeta a este Palhaço que só buscava dignidade, olhou em redor, abriu os braços queimados e exibiu uma vez mais tatuagens indistintas. Apontou a imensidão em volta e atirou: «Já não há para onde Fugir.»

Um contra o outro!


agosto 04, 2010

Dóis-me

Dói-me. Dói-me muito. E não sei onde. Dói-me quando olho para ti, quando te vejo já ao longe, de anel encarcerado entre os teus dedos tão monstruosamente pequeninos. Dói-me saber que só te volto a ver quando já for tarde, e quando a dor se cansar de tanto me cansar. Tenho as mãos suadas e o coração a transpirar de tanto dar voltas e revira-voltas.
Dava tudo para saber estancar o palmo e meio de rasgo que me fazes na carne, não para o fazer, mas só para saber como actuar em caso de extrema urgência, que de urgência já eu vivo.
Dói-me muito, mas não sei onde. Se agora mesmo entrasse nas portas cansadas de um qualquer hospital, ficaria dia e meio para explicar onde e o que me dói. E ainda assim, dia e meio depois, estaria exactamente no mesmo ponto da conversa. Estaria de frente para uma bata branca, curvado de dores, de soro a violar-me o braço e o sangue, e de coração semi-risonho, como uma criança que faz das suas e olha para o lado para que ninguém a veja. "Juro que me dói senhor doutor, juro-lhe." De que vale explicar uma dor a quem nunca a sentiu?
A dor que me causas passa os limites de cinco países juntos.
Apetece-me beber-te a conta-gotas.
Dói-me. Dói-me muito. E quando me disseres onde, vai doer-me muito mais.

julho 24, 2010

Pois...

Quando somos crianças fazemos coisas estúpidas, inconscientemente. Quando crescemos fazemos ainda mais coisas estúpidas. A diferença ? Fazêmo-las conscientemente e só mais tarde nos apercebemos das consequências. Daí ter surgido a palavra "arrependimento".

julho 16, 2010

julho 14, 2010

Longe do mundo...

Perdona mis manías, no doy para más
No se aparentar, soy como soy...

'Bonita a menina'...

Días que se van y no han de volver
Puede ser que la voz de tu paz
Y el amor me ayuden a cambiar
Y me hagan ser mejor...


Usted no tiene la culpa ... es que yo todavía no se puede no mas mirar, yo todavía no puede te aceptar distanciadad e. .. Disponibledad con esso ...
Me Excusa.

Aunque es muy triste, decepcionado ... No puedo negar que te amo, y no voy a hacer nada para cambiar eso ... Aunque ya no mas vivas en mí, vives en mis sueños, y esos son sólo mios ... No, ni a nadie ...
En mis sueños no hay fotografías o ligereza, en mis sueños son perfectos, y no me quiero más despertar ...
El tiempo ...
Me excusa... Porque quiero ser mejor.
...-.. .......

julho 12, 2010

Eu

Quero dançar em cima do Mundo que é só meu. Guiar-me por paixões animalescas. Respirar e gritar fundo ao mundo teu... Girar e Rir para as atitudes mais grotescas. Quero ensaiar palavras e frases perfeitas. Ou então fazer um monólogo duro. Para depois dizer com Impulsividade! Arranhar paredes com ansias de futuro! Deixar-me fluir na Criatividade...

Bruna Diogo Santos

Fábio na piscina com os grandes

Então, o meu onze:

Casillas; Coentrão, Piqué, Mertesacker e Sérgio Ramos; Xavi e Schweinsteiger; Iniesta, Mesut Özil e Mueller; Villa.

London



julho 07, 2010

Cape town


Ao final da tarde de um dia muito ameno era esta a vista junto ao farol do Cabo da Boa Esperança.

julho 05, 2010

Crescer

Tu aprendes a diferença. Depois de algum tempo aprendes a diferença, entre dar a mão e acorrentar um alma. E aprendemos que amar não significa apoiar-mo-nos, e que companhia, nem sempre significa segurança. Aprendemos também que beijos não são contactos, e presentes, muito menos são promessas. Começamos a aceitar as nossas derrotas com cabeça erguida e os olhos mais á frente, com a graça de um adulto, e não mais com a tristeza de uma criança. Aprendemos a construir todas as nossas estradas hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e piora, pois o futuro tem o costume de cair em meio nano-problema.
Depois de alguém, aprendemos que o sol queima se ficarmos expostos por muito tempo, e aprendes que não importa mais o quanto tu te importes, porque algumas pessoas simplesmente não se importam. Não se importam de aceitar o quanto tão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando, e nós vamos precisar de a perdoar por isso.
Vais aprender que falar pode aliviar dores emocionais, aprendemos que 'demora-se anos para construir confiança, e apenas segundos para destruí-la', e ainda saberás que podes fazer coisas num único segundo, ás quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendo que verdadeiras amizades, verdadeiros amores, continuam a crescer, mesmo a longas distâncias, e aprendes que o que importa não é que te tu tens na vida, mas sim quem tu tens na vida. Os bons amigos, são a família que nos permitiram escolher. Aprende-se que não temos de mudar de amigos, se compreendemos que os amigos mudam, e entendes que o teu melhor amigo e tu, podem fazer qualquer coisa, ou mesmo nada, mas terem óptimos momentos, juntos.
Descobres depois mais tarde, e noutro nível, que as pessoas que mais te importas na vida, são aquelas a que te uniste muito depressa, por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos, com palavras de amor, afinal, pode ser a ultima vez que as vemos. Vais analisar que as circuntâncias e os ambientes, têm influência sobre ti, mas infelizmente para o mundo, nós somos responsáveis por nós.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas antes com o melhor que podes ser, descobres ainda que se leva muito tempo, para te tornares a pessoa que queres ser, e que o tempo é curto. Não importa sequer onde tu chegas, mas sim para onde estás a ir.
Aprendes que ou tu controlas os teus actos, ou eles vão controlar-te a ti. Aprendes que ser flexível, não significa ser fraco, ou não ter personalidade. Aprendes depois ainda, que heróis, são apenas pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Tal como eu, aprendes que a paciência requer muita prática, e reparas no impossível... reparas que ás vezes, a pessoa que esperas que te dê pontapés quando caíres, é das pouco que até te ajudam a levantar. Aprendes que maturidade tem mais haver com o tipo de experiências que tiveste e o que aprendeste com elas, do que quantos aniversários já celebraste. Aprendes ainda, que há muito mais dos teus pais em ti, do que tu suponhas. Aprendemos que nunca se deve dizer a uma criança que os sonhos são disparates, porque afinal, poucas coisas são tão importantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Depois aprendemos ainda que quando se está com raiva, tem-se o direito de se estar com raiva, mas não te dá o direito de ser cruel.
Mais tarde ainda, aprendemos que só porque alguém não ama da mesma forma que nós, não significa que não está a amar com tudo o que pode, pois na verdade existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente seres perdoado por alguém, pois maior parte das vezes, temos de aprender a perdoar-nos a nós próprios.
Aprendemos que a mesma severidade com que se julga, nós seremos em momento algum, condenados.
Lembra-te sempre, que não importa na realidade em quantos pedaços o teu coração foi partido, porque o mundo não pára que o concertes.
Porque o tempo não é algo que volta para trás, devemos plantar o nosso jardim, e regar a nossa alma, envez de esperar que alguém nos traga flores.
Aí, aí sim, aprendes que afinal podes suportar, aí entendes que afinal, és forte... Afinal posso ir muito mais longe, depois de pensar que já nem se podia mais... Aprendemos então que a vida tem valor, e nós temos valor á frente da vida.
As nossas dádivas são traidoras, e fazem-nos perder o bem e conquistar, senão fosse o medo de tentar!

No more Gruppies

Há coisas espantosas sabiam? O mundo da internet, é feio de segredos, truques e questões que á primeira vista uma simples resposta fica aquém do que desejamos. As redes sociais, estão cada vez mais em voga, e por agora até já se fazem declarações consideradas socialmente importantes. O hi5, sucumbiu ao enorme poder de manipulação do facebook. E mesmo no facebook, existem alguns segredos, ou pormenores que a maioria da população desconhece. É o exemplo de contactos pendentes de aceitação durante meses, e mesmo anos. Ora, eu tenho facebook, há uns 2 ou 3 anos, embora nunca o tenha explorado sem ser os ultimos 2 meses. Como me apareceram contactos adicionados aos quais eu nunca aceitei, nem convidei sequer para 'amigos', ás vezes essas situações podem gerar as mais parvas discussões, nas mais infantis cabeças. Andei á procura de informação, claro, e até falei com a pessoa adicionada em questão, que me disse, 'mal abri o face, tinha lá o teu convite no email, mas atenção que isso tem a ver com listas de contactos do msn' ... Boa, isso em nada melhora a minha situação. Percorri todos os passos possíveis, e nada de explicação para o sucedido. Até que por pura das sortes em casa de um amigo meu, ele disse-me 'Ivo, quero abrir um facebook, todo o mundo tem um, e eu também gostava, ajudas-me nisso?' e eu... 'Claro'. Pedi-lhe o email, e registei-o. Mal abro, ou tento a primeira página dele, aparece-me a opção 'Ainda não tens amigos, o Facebook vai usar os teus contactos do Hotmail, para ver quem podes adicionar'. Ora, carreguei ok, e foram automaticamente enviados 114 convites de amizade. Ora, começei a rir-me e entendi a pessoa com quem tinha falado, que se motrou super simpática na tentativa de me explicar o que também não sabia... apenas disse 'isso tem a ver com listas de contactos do msn' ...
Mistério resolvido, quando criei o meu Facebook, sem amigos, o facebook verificou a existência de contactos no hotmail com face, e os que não, fez aquele convite parvo, e enviou para o email. Isto há com cada uma...
Não pensem que este é um post sem importância! Mas isto é tudo muito importante, vejam só as atrocidades que se cometem por causa de algo significante como isto.
Oh, weel, importante é saber que fizemos sempre o correcto. Ufffa... que susto! =) Abraços!

WTF???

I'd do anything to stay with you[6/=9] <3 diz: Scott? Is this Scott?
Ivo Filipe Almeida diz: no!
I'd do anything to stay with you[6/=9] <3 diz: Who is it?
Ivo Filipe Almeida diz: Ivo and u?
I'd do anything to stay with you[6/=9] <3 diz: Oh I'm Kate
Ivo Filipe Almeida diz: Kate?... hum.. hello kate
I'd do anything to stay with you[6/=9] <3 diz: Want to talk dirty?
Ivo Filipe Almeida diz: no tks... bye.

julho 01, 2010

Amei-te

Amei-te mil vezes.
Amei-te antes de te conhecer,
antes do tempo, da vida, de tudo.
Amei-te quando ainda não sabia quem eras,
quando ainda não tinhas voz, nem nome, nem idade.
E disse-to por mil vezes.
Por mil vezes to escrevi,
em bilhetes, cartas, paredes e postais.
Mesmo quando não sabia como to fazer chegar, escrevi-to.
Em esplanadas, aeroportos,
países com estranhos costumes, lugares sem nome.
Por todo esse mundo
te proclamei um amor informe, inominável, incompreensível.
Passaste mil vezes na minha vida.
Dei-te todos os nomes, todas as moradas e aparências.
Ou nem te dei nada porque não sabia como.
Cruzaste-me em dias sem sol,
em nevoeiros sem memória, em roupas desalinhadas,
ruas, becos, praças vazias,
linhas cruzadas e semáforos fechados.
Momentos houve em que me atropelaste as mãos,
cravaste unhas, chamaste-me pelo nome
e atiraste-me de encontro ao desespero.
Foste tudo sem nunca seres nada.
Acreditando em ti, vivi só mas nunca sozinho.
Fui a inquietação,
o desassossego amargo dos quartos de hotel por onde passei,
as lágrimas que aprendi a conter,
as malas que nunca desfiz,
o passaporte em dia e o bilhete para lado nenhum.
Fizeste de mim tudo isso e muito mais.
E de todas as mil vezes em que te amei
jurei a mim próprio que seria a última,
que depois dessa vez o amor secaria
como um pedaço de pele arrancada à vida
que mirra até se tornar sudário,
mortalha de ninguém.
E de todas essas mil vezes,
fracassei por completo...
Hoje...

junho 30, 2010

Portugal vs Espanha

De um certo ponto de vista, é comovente ver a selecção do nosso país ir de uma forma tão empenhada de encontro aos nossos desejos: isto correu de uma forma tão perfeitamente previsível que até parece que foi por acaso. Não foi. Nós já sabíamos que depois de ganhar e de não perder, Queiroz tem como terceiro objectivo no futebol o perder por poucos. Esse espírito foi passado de uma forma admiravelmente eficaz para os jogadores que foi sem esforço que estes cumpriram aquilo que deles se esperava: darem-nos razão. Antes da partida para a África do Sul já toda a gente avisava: o Pepe está sem ritmo, o Deco, para além de velho, nunca teve respeito pela selecção, o Ricardo Costa não serve nem para titular do Sporting, o Ronaldo não vai fazer nada sozinho; é, pois, com alguma satisfação que constatamos que o Pepe estava sem ritmo, que o Deco, para além de velho, não teve respeito pela selecção, que o Ricardo Costa nem para titular do Sporting serve, e que o Ronaldo não fez nada sozinho (nem, a bem dizer, acompanhado). Por isso, e em vez de nos atirarmos ao Queiroz e à sua cobardia táctica, aplaudamos o facto de, pela primeira vez, e sublinho, pela primeira vez, Portugal ter feito um campeonato do mundo normal - 1966 foi a glória, 1986 foi a vergonha, 2002 foi a vergonha, 2006 foi a glória. Claro que poderíamos ter tentado ganhar este jogo à Espanha, mas isso só aumentaria o nosso sentimento de frustração: ai se aquela bola tivesse entrado. Assim, não há ais nenhuns e podemos seguir com as nossa vidas. Mas quem precisa de um consolo - mais do que um alvo - fica a nota que perdemos com a mais do que provável campeã do mundo. Teríamos perdido com o segundo classificado (o Brasil), o terceiro classificado (a Alemanha), ou o quarto classificado (o, err, Uruguai), mas eu confio no poder de acreditarmos nos nossos sonhos. Bem, e uma vez por todas, silenciem-se agora todos aqueles que me diziam, que a Espanha não tem equipa para nós. Ora, eu não sei se me entendem, mas o que se passou hoje depois do golo, quando eu estou no balneário tem um nome... Chama-se 'chocolate'.
Ps: Xavi, Iniesta, David Villa... Que sonho que foi hoje! Obrigado.

junho 25, 2010

A carta

Recebi uma carta de amor manuscrita. Um sobrescrito branco, com um selo verdadeiro carimbado pelos Correios de Portugal, o remetente (tu) no canto superior esquerdo, as palavras a descaírem ligeiramente para a direita. E em baixo o meu nome completo (poucos, os que têm o privilégio do meu nome completo), a minha morada, o código postal certinho. Acho que a última vez que recebi uma carta, destas que vêm por carteiro, foi há quase um ano ou mais, e era de uma amiga (eu e as meus colegas enxotávamos assim a distância: com cartas virulentas e demolidoras sobre os raparigas, mesmo aquelas de quem gostávamos). Pouco tempo depois, receberia um telegrama de uma namorada desesperada, que a minha prima recebeu à porta, leu alto entre stops e eu quase morri de vergonha. A partir daí, foi tudo entregue em mãos, bilhetinhos, promessas de amor eterno, uma mulher deslumbrada com os filhos que iam saindo de dentro de mim, sonhos transformados em poemas, desenhos rabiscados em guardanapos de restaurante, ah e o futuro todo pela frente, até um dia. Hoje, agarrados ao computador para todas as tarefas, incluindo as que nos divertem, nem nos lembramos que cada um de nós tem uma letra. Assertiva, suave, indecisa, torta, hesitante, difícil, de médico, maiúscula, cursiva, divertida, redonda, severa, poética. Uma letra que, segundo alguns, diz muito sobre o que somos. Eu não sei o que diz sobre ti a tua letra; ao contrário da minha, que é cheia de arabescos (um dia mostro-ta), pareceu-me normal, pouco esforçada, um bocadinho arrastada, a letra de alguém que nunca cresceu verdadeiramente. Mas sei o que diz sobre ti a carta que me escreveste, embora, é claro, não o vá dizer aqui (elas que se escrevam uns aos outros).

Credits (1)

Hoje apetece-me desaparecer. Mas não é um desaparecer qualquer, é um daqueles que implica umas quantas anestesias gerais, e dois parezinhos de comas induzidos. Apetece-me desistir, mas não posso, porque amanhã ainda dói mais, e depois já nem eu me lembro do quanto desistente estou por hoje.

junho 24, 2010

Mundial 2010

Lamento profundamente a morte de Saramago: é que já vamos no terceiro dia em que o Mundial não ocupa totalmente os espaços noticiosos.

Lamento também profundamente que a França não passe da fase de grupos: não consigo evitar um sentimento nostálgico sempre que o circo abandona a cidade.

Lamento ainda mais profundamente as arbitragens que têm acontecido no campeonato do mundo de futebol, porque houve aqui uma mudança de paradigma e ninguém nos avisou: o espectador já se habitou a más arbitragens que beneficiam a equipa da casa, não estava portanto preparado para esta aleatoriedade selvagem, que tanto permite que um jogo de futebol se transforme num jogo de andebol (Fabiano), como permite que um jogo de futebol se transforme numa palhaçada (a expulsão de Kaká) sem a França presente, o que é muito desarmante.

Agora, o que eu não lamento nada é o empate entre a Itália e a Nova Zelândia: ah ah ah ah ah ah ah.

junho 22, 2010

Atenção, sem generalizar

"A ralé não é uma espécie em franca expansão. Já existe há algum tempo, já convivem na sociedade de elite. Queres entrar, conhece-las. Pessoas (?) que se mostram em público como detentoras de um carácter sem pingo de mancha, de uma índole digna de anjo acabadinho de cair na terra. Dentro de portas, quando a cortina se fecha são da pior escória. Mentem, inventam, roubam até. Depois voltam a pôr a cabeça fora da cortina e fazem um sorriso inocente à espera de mais aplausos, um ar cândido, ou pior, de coitadinhos à espera da simpatia alheia. Usam todos os truques para tirar do sério os outros, os que não pararam no tempo, no caminho. Despertam nos outros os piores sentimentos, sentimentos iguais a si próprios, vingativos. Espalham dor e mágoa, semeiam ódios de sangue. Às vezes cai-se no engano de achar que talvez se lhes dissessem na cara a merda que são elas acordavam e tornavam-se finalmente em pessoas em vez dos animais que na realidade são, mas não, é puro engano, a ralé não tem consciência, não tem sentimentos nobres por ninguém e triste mesmo é saber que nem dela própria, senão não seria ralé.
As artimanhas dignas de uma novela espantam quem não conhece o poder de alguém ralé, afinal a ficção é ficção e a realidade é a realidade. Puro engano. As artimanhas são as mesmas, apenas as vemos de um dos lados e não de todos os lados como na TV. Capazes de criar armadilhas ardilosas para quem não tem no olhar o alcance da maldade humana. Passa-se rapidamente do estado de filha pródiga, de menino acólito, mãe de família ou pai extremoso ao estado de cabra da pior espécie, dignos de acabar a novela a levar um enfardamento à medida. Brincam com a vida das pessoas, com o ganha pão de quem dele precisa para alimentar a prole, difamam sem dó nem piedade apenas com o intuito de se continuarem a ver pelos olhos dos outros, porque ao espelho nem vão, com medo da imagem decadente que sabem que têm. No fundo sabem.
Mas importante que identificar todos estes 'mágicos', passa mesmo por (olha para mim a mudar de assunto) saber dividir e encontrar uma boa amizade no meio dos destroços de uma elite afogada no seu próprio ego.

Já dizem muitos autores, em muitas obras, que O maior inimigo da amizade é o amor.

mas, por outro lado,

O maior inimigo do amor é a vida. São os dias. As noites. Os amigos. Os filhos. As casas. Os carros. O trânsito. Os dias de sol. A chuva. Os dias bons. A doença. A tristeza. O dinheiro.

O amor já tem tudo contra ele à partida! Portanto se a amizade tiver apenas um inimigo, terá grandes hipóteses de sobreviver. ;)"

Ivo Almeida in http://andredgarmartins.blogspot.com/

junho 20, 2010

In love way of life (1)

Remar até ti, é a mais sinuosa viagem de todas, que me enche de certezas de ter o mundo como recompensa. Dá-me o paraíso, levando este teu coração@ Amo-te.

I.A

Amizades


Voltei! Tanta ausência, tantos comentários por aceitar e o dobro das desculpas por pedir. Voltei, apenas mais velho. Amizades.
Todos os amigos de alguém usufruem do direito ao avanço insensato de uma guarda pretoriana, que são os amigos que têm. A todos os amigos de alguém é devido o gozo mutual da fidelidade canina, para o bem e para o mal, para o certo ou o errado. Virados uns para os outros, na absoluta concentração da linguagem simbólica e simbiótica que os une, os amigos (para o serem deveras) têm que estar em pé de igualdade: a mesma fragilidade desnudada e o orgulho em idêntico plano de remoção. Amigos não existem, nem por baixo, nem por cima (caso em que falamos de outra coisa). Dizer-se que se gosta muito dos amigos, como um miúdo que descobriu a pólvora numa redacção infantil, hesitante por isso nos pontos finais, não passa de redundância desconfiável. Embora o amor pelos amigos possa ser redondo, porque por vezes acaba onde um dia começou, depois de cumprida a circunvalação de todos os segredos. A amizade deposita-se nos outros como na relva: há que andar com cuidado para não a pisar e contornar-lhe os melindres, como se de vidros partidos.

junho 14, 2010

Pessoas ao telemóvel

Olha eles! Ainda bem que vieram, por se fosse escrever para aquele senhor de hoje de manhã no punto amarelo, com o bigode cheio de caldo verde, eu não fazia. Acho que tem de haver o mínimo de respeito. Hoje queria dirigir-me a todas aquelas pessoas que gritam ao telemóvel consoante a distância da pessoa que está a telefonar. O fenómeno nem é novo, mas quando acontece numa viagem de alfa pendular durante 3 horas, ganha toda uma nova dimensão.
Começa logo pelo toque do telemóvel, sendo certo que hoje em dia, já é raro encontrar um toque normal, portanto, o toque é sempre uma mistura de ritmos latinos e o camião do lixo. É uma mistura de sons de umas colunas roubadas do festival sudoeste, por isso mesmo, de 10 em 10 segundos uma pessoa tem de levar com 10 de concerto.
Depois a besta atende. Mas a besta não atende como atende um ser humano com ouvidos; a besta atende como que se uma zebra lhe estivesse a mastigar os testículos. Portanto, passa logo de um normal «estou», para um «ESTOUUUUUUUUUUUUU». Isto é só para o menino avisar a carruagem numero 2 que tem um telemóvel, e que não está ali para brincadeiras. Se o mundo acabasse a atender chamadas, aquele menino era o ultimo a lerpar. E depois lá conversa com o outro mono que está do outro lado da linha, mas tudo muito alto porque esta gente acho que sussurrar é p'ra princesas, e homem que é homem tem é de gritar. Bom, isto passa-se e chega a fase em que surge a pergunta fatal, 'tou, estás-me a ouvir?', e logo de seguida surge um outro fenómeno da natureza que é a pessoa responder «não». Ou seja, a besta dois, que é a besta do outro lado do telefone, ouve a pergunta «estás-me a ouvir» e responde «não». O que faz a besta um? Sendo arraçado de calçada portuguesa, não entende que o problema é haver pouca rede, e pensa que é por estar a falar baixo. Começa então a falar no volume que falaria se recebesse uma chamada de Angola. Mas não é uma Angola qualquer, é aquela Angola mais do interior onde ainda tem que se falar mais alto.
Ao meu lado ia um boi que lia livros assim (sussuraros). Para quê? A história vai do papel para os olhos, e dos olhos para o cérebro! Qual a necessidade de os levar até á boca? Enfim!

maio 11, 2010

Balançar

Pedes-me um tempo, para balanço de vida,
Mas eu sou de letras, e não me sei dividir
Para mim, um balanço, é mesmo balançar,
Balançar até dar balanço, e sair...
Pedes-me um sonho, para fazer de chão,
Mas eu desses não tenho, só os de voar...
E agarras a minha mão, com a tua mão,
E prendes-me a dizer que me estás a salvar...
De quê?
De viver o perigo, de quê?
De rasgar o peito, com o quê?
De morrer, mas de que? ... paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver,
O que a noite esconde, e não ter...
Nem sentir o vento ardente, a soprar...
No teu, coração...
Tens o mundo, dentro das mãos fechadas
O que cabe é pouco, mas é tudo o que tens...
Esqueces que ás vezes, quando falha o chão,
O salto é sem rede e tens de abrir as mãos...
Pedes-me um sonho, para juntar os pedaços,
Mas nem tudo o que parte, se volta a colar...

maio 02, 2010

Para sempre, Amei-te

Amei-te mil vezes.
Amei-te antes de te conhecer,
antes do tempo, da vida, de tudo.
Amei-te quando ainda não sabia quem eras,
quando ainda não tinhas voz, nem nome, nem idade.
E disse-to por mil vezes.
Por mil vezes to escrevi,
em bilhetes, cartas, paredes e postais.
Mesmo quando não sabia como to fazer chegar, escrevi-to.
Em esplanadas, aeroportos,
países com estranhos costumes, lugares sem nome.
Por todo esse mundo
te proclamei um amor informe, inominável, incompreensível.
Passaste mil vezes na minha vida.
Dei-te todos os nomes, todas as moradas e aparências.
Ou nem te dei nada porque não sabia como.
Cruzaste-me em dias sem sol,
em nevoeiros sem memória, em roupas desalinhadas,
ruas, becos, praças vazias,
linhas cruzadas e semáforos fechados.
Momentos houve em que me atropelaste as mãos,
cravaste unhas, chamaste-me pelo nome
e atiraste-me de encontro ao desespero.
Foste tudo sem nunca seres nada.
Acreditando em ti, vivi só mas nunca sozinho.
Fui a inquietação,
o desassossego amargo dos quartos de hotel por onde passei,
as lágrimas que aprendi a conter,
as malas que nunca desfiz,
o passaporte em dia e o bilhete para lado nenhum.
Fizeste de mim tudo isso e muito mais.
E de todas as mil vezes em que te amei
jurei a mim próprio que seria a última,
que depois dessa vez o amor secaria
como um pedaço de pele arrancada à vida
que mirra até se tornar sudário,
mortalha de ninguém.
E de todas essas mil vezes,
fracassei por completo...
Hoje...

abril 30, 2010

Do camarote

De vez em quando, espreito-os. Ela, ocasionalmente, a destapar o que a consome. Ele, jogador, compulsivo, procrastinador, vaidoso, precisa da atenção dela como de pão para a boca, precisa daquele desalento de quem rodopia no escuro, mas mantém a distância como um falso tímido, para não contaminar a doce benesse da ignorância em que ambos se mantêm. Já vi isto, antes: ela, coitada, de vez em quando derrama-se, entupida e frustrada, desasada, mal-amada, deprimida. E então escreve. Escreve sobre a verdade falsa que os une, a distância que os separa e sobre a etérea familiaridade que julga encontrar nas palavras dele (e que lhe são, as mais das vezes, efectivamente dirigidas). Acha que, na pior das hipóteses, ficarão amigos para sempre e trocarão presentes e mimos e palavras, cada um no seu canto do mundo, num lirismo sedutor que lhes adoça as margens. Contenta-se com uma pequena parte dele e mesmo essa não a conhece: no fundo, sabe que é adulada por um personagem fictício. Dá-lhe o nome de amizade, porque do amor arredou-a ele desde sempre, apesar de lhe falar muito no assunto, como quem não quer a coisa. Promete-lhe afectos sob a forma de fantasmas, mas daqueles que nunca foram vivos, sombras que não vêm de lado nenhum, que nasceram de dentro dele, por geração espontânea. Mas voltemos a ela. Já sabemos que anda desasada, contendo-se a esforço no registo impessoal, mas regurgitando de tempos a tempos aquela funesta paixão, que de imediato limpa e enxuga, com uma urgência doméstica. E ele a responder-lhe, gracejando, como se a confissão tivesse sido mero exercício de estilo. Já vi isto antes, eu (oh!, se vi). Ela, desconsertada, sem saber se leva ou não a sério o remoque, se retorque em público ou se se espraia em privado, telefonema, mail, mensagem privada, num chat? A ela, não lhe agrada o tom dele, pudera, o que escreveu saiu-lhe de um sopro, de uma insónia demente, é um desejo maior que ele agora conspurca, como se não soubesse da gravidade desse amor, que nunca meteu pele nem cheiro, que não é de lado nenhum, de ninguém, que ela apanhou na rua, orfão de pai e mãe, um sopro de amor (apenas). Ele usa-a como desvio, terapia de substituição, talvez; sabe que nunca ficará com ela, já lho disse, mas -lo de um modo reticente, como se ele próprio não acreditasse nisso, lançando nela uma breve semente, uma possibilidade de corpo. Não sei se ela sabe como são infundadas as esperanças que finge não ter. Claro que não se conhecem, mas de vez em quando, escrevem para os outros fingindo que algo aconteceu. Histórias, desculpam-se, ficção, podia ter sido mas não foi. Vegetam numa mentira, cada um na sua, mas são ambos patéticos: ele a fingir que um dia sabe-se lá, ela a fingir que acredita, e eu (e não só) a assistir, de camarote. Assisto à crueldade dele e à aparente ingenuidade dela, ao entusiasmo adolescente que tenta domar e ao negrume que de quando em vez lhe tolda a pose, quando a realidade a atinge em cheio. Vejo o que se passa, e tenho pena dela. Encontram-se ambos no exacto ponto fulcral, egocêntrico, egótico, de toda uma existência; estão no umbigo do mundo, no centro da mira, no cerne mais doentio da alma e têm, seguramente, pelo menos, um ponto em comum: ela sofre por ele; ele, também.

abril 22, 2010

Persuasão e o direito

Em conversa banal, que de banal tanto me abriu o apetite para falar um pouco sobre a persuasão empregue por quem melhor a sabe usar. Os advogados.
A capacidade de influenciar pessoas sempre foi um dos factores de sucesso no direito, e foi sem dúvida de tudo o que mais me cativou. Desde os mais remotos tempos, os juristas com grande capacidade retórica se sobressaíam nos tribunais apelando para o poder da oratória, ora vencendo causas difíceis, ora construindo relacionamentos e influenciando a sociedade. Grande parte dos advogados consagrados têm em comum uma grande capacidade de persuasão.
Dada a importância estratégica da persuasão para alcançar o sucesso no sector jurídico, cabe aos advogados conhecer melhor esta ciência e procurar aperfeiçoá-la, tornando-a uma ferramenta útil tanto no exercício da profissão quanto na conquista e fidelização de clientes. É totalmente impossível abdicar dessa mesma técnica na vida social, e deixa-la apenas na profissional.
Embora seja um termo pouco usado no dia a dia, e conceito raramente difundido na literatura, a persuasão tem um poder incalculável, e pode ser utilizada tanto para realizações nobres quanto para enganar as pessoas. Profissionais como médicos, advogados, engenheiros, sacerdotes e políticos podem praticá-la para influenciar positivamente seus clientes ou seguidores, assim como vigaristas, maus políticos e comerciantes escrupulosos utilizam-na para ludibriar pessoas de boa fé.
A origem da palavra persuasão vem do latim, “persuadere”, que significa aconselhar, ou numa tradução livre, “aconselhar alguém até que este concorde em fazer o que queremos”. Muitos confundem persuadir com convencer, mas é um engano, pois são conceitos bem diferentes. Enquanto convencer é derivado da palavra “vencer”, e significa que o convencido foi, antes de tudo, “vencido” pela argumentação oposta, persuadir, ao contrário, significa aconselhar, levando a pessoa a realizar alguma acção.
Tentar com um exemplo:
- Uma pessoa pode estar convencida da importância de realizar alguma actividade, e, no entanto, não fazer nada a respeito. O advogado pode tentar convencer o cliente de que o seu escritório tem as melhores condições para atender as necessidades dele, no entanto, de nada valerão todos os argumentos apresentados, pois o cliente só contratará o serviço se for persuadido a fazê-lo. -
Ao contrário do convencimento e da imposição pela autoridade ou força física, a persuasão lida com a vontade das pessoas. Ela estabelece-se através de uma comunicação suave e elegante. A pessoa persuadida age de acordo com a vontade do persuasor, mesmo que seu intelecto não esteja convencido da verdade ou da importância do assunto. Por isto, a persuasão é uma arma poderosa e ao mesmo tempo perigosa. Quem não conhece inúmeros exemplos de políticos que, mesmo sendo reconhecidamente corruptos e mal intencionados, ainda assim vencem eleições sobre candidatos íntegros e honestos?
A persuasão é uma técnica que pode ser aprendida por qualquer pessoa através de treino. Assim, podemos afirmar que a persuasão é uma ciência, pois os seus conceitos acompanham uma lógica, têm uma estrutura e, portanto, pode ser desenvolvida. Na verdade praticamente todas as pessoas pensam que têm alguma capacidade de persuasão, e utilizam-na diariamente para tentar conseguir algo daqueles com quem convivem. Claro que alguns têm esta habilidade inata bem mais desenvolvida que outros.
A mim fascina-me, e quero sempre mais. Posso dizer que a persuasão tem também um lado artístico, pois quando aprendemos a utilizá-la de maneira natural, graciosa e inconsciente, sem mesmo pensarmos que estamos a persuadir alguém, ela torna-se uma arte. (Muito venenosa). Todos nós conhecemos inúmeros exemplos de comerciantes, vendedores, líderes religiosos, políticos e, porque não dizer, vigaristas, que tem uma “lábia”, muito eficaz. São pessoas que possuem uma comunicação poderosa, que envolvem os interlocutores com seus “conselhos”, e acabam por conseguir exactamente o que querem.
O velho golpe do “bilhete premiado”, aplicado por vigaristas há décadas, é um exemplo clássico do poder nefasto da persuasão. Mas também podemos citar inúmeros casos de líderes que, com seu carisma e poder de persuasão, conseguem motivar as pessoas, mobilizando-as para realizarem feitos e superar dificuldades em momentos difíceis.
Dois exemplos clássicos são os lideres Martin Luther King e Mahatma Gandhi (ambos formados em direito) que operaram revoluções pacificas nos seus países, sem utilização de qualquer poder ou força, apenas usando a palavra falada.
Os maiores persuasores são, antes de tudo, grandes conhecedores da alma humana. Eles conseguem fazer uma “leitura” do pensamento e dos sentimentos das pessoas, descobrindo os seus desejos e necessidades, muitas vezes ocultos, e baseados neste entendimento utilizam argumentos que irão influenciá-los.
O presidente Getúlio Vargas, foi um mestre na arte de persuadir. Existem varias histórias a seu respeito, mostrando sua arte de influenciar as pessoas.
Getúlio conhecia profundamente a natureza humana. Ele sabia que era inútil criticar e contradizer os outros. Era hábito seu prestar atenção às pessoas, interessar-se pelos seus problemas, dar razão a todos e, no final, as pessoas fazerem o que ele queria. Quais são as principais técnicas para tornar-se persuasivo?
Não se pode contar tudo, nem mesmo que se consiga.
Acreditamos que desta forma, o desenvolvimento da capacidade persuasiva será um factor da maior importância para o sucesso dos operadores do Direito.

abril 13, 2010

Triste cama a minha

Ontem levei um soco no estômago. Não literal, mas daqueles que ainda doem mais ainda. Rebolei de abraço forte em mim, na tentativa que passa-se.
Agarro-me ao dia com unhas e dentes, e tento passar de raspão pela noite. A noite é um trapézio sem rede, um bocadinho de diabos à solta e, nela, os meus medos são ancestrais, gerados no princípio do mundo. Sei que as coisas não são as mesmas no escuro. Ensinam-nos de pequenos que são, mas não: esta cama não é apenas um colchão ortopédico assente num estrado encostado a uma cabeceira florida: a partir de hoje, é uma eira de mágoas e um amontoado de vigílias.

abril 12, 2010

Como é possível?

A professora pediu ao aluno que não deitasse as cascas da banana que estava a comer (o aluno, portanto, comia na sala de aula) para o chão. O aluno não gostou e atirou com um dossier e o mais que tinha à mão à cabeça da professora, que teve de receber tratamento médico. Os professores fecharam a escola, exigem medidas de segurança, polícia à porta, pedem psicólogos, que não aguentam a pressão. Inquiridos os paizinhos das outras crianças, dizem que, às vezes, os professores exageram e que as crianças têm de se defender, que elas é que sabem e não mentem e que, se os professores batem nos alunos, é natural que também levem. Ora eu, não duvido nem por um bocadinho que a algumas professoras do secundário lhes fizesse bem levarem com uns dossiers pontiagudos pelas cabecinhas abaixo e que a ajuda de um psicólogo ou mesmo de um psiquiatra (e, até, um eventual internamentozito temporário) também viesse a calhar, dadas algumas amostras de higiene mental menos que precária que têm chegado ao meu conhecimento (via blogues, então, nem vos conto). Mas, ouvir assim a aleivosia ignorante do povão a vomitar postas de pescada para os microfones da tevê desperta-me invariavelmente instintos oligárquicos, plutocráticos, aristocráticos, whatever: mas o voto desta gente vale tanto como o meu, porquê?

abril 10, 2010

Desculpem

À minha família, aos meus amigos, aos conhecidos, aos que apenas me lêem - e a todos um pedido de desculpa por não ter podido (ainda) responder pessoalmente a tantos mails, de pensamentos positivos.

Momento da verdade

Haverá algo mais ridículo do que o momento da verdade? Sim, as pessoas que lá vão. Têm a ajuda de os familiares carregarem no botão vermelho e alterar a pergunta. Nunca imaginei tamanha estupidez. Tendo em conta que as questões são de dilemas 'sim' ou 'não', decerto torna-se complicado de adivinhar a verdade, quando o botão é pressionado.

Fazes falta II

Ando a viver no mundo da lua, aliás meu território habitual. Por entre as mochilas novas dos miúdos, os horários, os furos, os cadernos, os dossiers de lombada grossa, os manuais, os fatos de ginástica e os professores novos, flutuo. Quase nunca cá estou, deambulo, distraio-me, perco tempo em contemplações, interiores e outras.Tenho um mundo só meu, dentro da minha cabeça, onde resolvo todas as coisas. Consigo ser de um idealismo risível, patético. Dentro de mim tudo se encaixa; não há desencontros nem gente perdida; há apenas momentos perfeitos, como nos filmes. Respondo assim, com sonhos em catadupa nos olhos, que nem me deixam ver a estrada quando atravesso, aos encontrões pouco semânticos que a vida entendeu dar-me por estes dias. Fazes falta.

Fazes-me falta...

Uma insónia como há muito não tinha. Os dedos, enferrujados e preguiçosos, a começarem a desenhar palavras no teclado, parece que já nem me lembro de como se faz. E era bom, não me lembrar de como se faz. Esta coisa da escrita é para gente solitária. Ou, ao menos, para gente sozinha dentro que vem aqui aquecer-se, no borralho das suas palavras ou no das palavras dos outros. Quando coisas boas nos preenchem os dias, nem nos lembramos de ficcionar as noites. Escusado será dizer que isto é quase de certeza o fim de um feliz interregno.

março 15, 2010

Fotojornalismo Pornográfico

Os desastres naturais em sítios com uma população (ou parte dela) pobre, são sempre um maná para os fotógrafos de ocasião - e para os outros. Há sempre algures uma criança orfã ou desalojada com olhos tristes e cara suja cujo desalento sobressai por entre os escombros. Sob a capa do "fotojornalismo" dito sério, na onda World Press Photo, o sofrimento humano extremo transforma-se, através da câmara, num evento triste mas delicodoce - tristezinho, vá -, que suscita por um lado a piedade alheia, mas, por outro lado, a admiração pela sensibilidade e sentido de oportunidade do fotógrafo em questão. Que, com um bocado de sorte, ganhará um prémio qualquer e o concomitante reconhecimento público. E, embora qualquer imagem comovente que se preste a metáforas lamechas seja de todo preferível à brutalidade frontal da última capa da Visão - Madeira (que mostra em grande plano um corpo enlameado em posição fetal - um pai, uma mãe, um filho de alguém - a ser retirado dos escombros), ambos os modos de "olhar" a tragédia debitam um exibicionismo pornográfico e um pressuposto venal que me repugnam. Ao invés de prazer, falamos de sofrimento, mas o princípio é o mesmo: descontextualizar, mostrar... e vender.

Porto vs Arsenal

Porto vs Arsenal? Cinco secos, foi o massacre. Mas nestes jogos temos de ser pelos portugueses, e parece que um dos roupeiros do Arsenal tem um tio português, por isso não estou assim tão triste.
Parece também que ontem as bombas de gasolina desde Londres até ao Porto fecharam, só por precaução. Vai-se lá saber!
Let´s go Gunners!!!

março 12, 2010

Good bye my fellows!

'Sorry, 'cause i'm readding from this piece of papper, i don't know all text yet, so i'm going read from this piece of papper, i know it's not very professional, but neither mine. Fellows, Thank you for letting me be myself. Some people don't like me being me... It seems that I make them feel uneasy about themselves. I've tried hard in the past to fit in with people. It doesn't work. It's the only me I do and I get offended when I'm not liked. I would also like to think that that's a natural human emotion! But it seems the position, I'm in means it's ok to hate me. Even if we've never met... Even. So thank you for letting me be me. I'm on the pitch, so people think i have no fellings, i do... so thank you for letting me be me.
I read stuff about me that I wouldn't wish on my worst enemy... You have never said or thought these things, so thank you for letting me be me... I have a life to spend and I live the life of a high roller, but you've never held this against me. Some people make me feel as though, I don't deserve to be where I am... Believe me, I too on many occasions have had these feelings, so they're not alone... But you have never thought these things. So thank you for allowing me to be me... If I'm ever abrasive or seem arrogant it's because I'm scared. But you know this and you let me be me...
Some people will watch this and tear it to pieces, But they're not like you ...
They won't let me be me! Thank you all for all these years with you all, you will be forever living right here, right in me heart! God bless you all!'

março 03, 2010

Deixa cair

Deixou cair uma lágrima, sobre o meu ombro,
Deixou-se dormir, num sono profundo,
Sem lhe tocar, disse 'Adeus'...
Deixou a porta do quarto um pouco aberta,
O frio que espreita, logo a desperta,
Sem avisar, tudo estremeceu...

A chuva lá fora que cai sobre mim,
O vento que sopra fala-me de ti, dizendo baixinho,
Deixa cair...
A chuva lá fora que cai sobre mim,
O vento que sopra não se acaba em ti, dizendo baixinho,
Deixa cair...

Deixou-me andar no extremo onde tudo tremia,
Deixei-me levar, por tudo o que sentia,
Sem crer ficar, estremeci...
Foi quando ouvi uma voz, vinda do fundo,
E esse olhar um tanto profundo,
que sem esperar, desapareceu...