16/10/2009

Obama e o Prémio Nobel da Paz

Em duas ou três semanas, Obama teve uma acção suficientemente meritória para ganhar o Nobel da Paz. Que fez ele? A resposta é clara: nada. Não ordenou retiradas, mas também não ordenou ataques. Não ordenou nada, o que já é bem bom. Um estadista que não faça nada tem, hoje, um valor inestimável
A atribuição do prémio Nobel da Paz a Barack Obama é, evidentemente, absurda. É inconcebível que o recém-eleito presidente dos Estados Unidos tenha recebido o prémio Nobel. Especialmente, é inconcebível que o tenha recebido antes de vencer um Oscar, de ganhar a Bota de Ouro e de ser coroado Miss Portugal. Que se passa com a academia de Hollywood, a Liga de Futebol Profissional e o júri do popular concurso de beleza para não terem ainda premiado Barack Obama? Como é possível que Obama esteja há quase um ano na Casa Branca e tenha vencido apenas um prémio Nobel? E logo o da Paz, que não exige qualquer mérito da parte do premiado - nem sequer o mérito de promover a paz, conforme se constata pelo facto de Henry Kissinger ter recebido o galardão em 1973. Porque não o da Literatura, se as suas autobiografias (as 23) estão escritas num estilo tão elegante e enxuto? Porque não o da Economia, o da Química ou da Medicina? Pode perguntar-se: que fez ele para vencer o Nobel da Economia, da Química ou da Medicina? E pode responder-se: o mesmo que fez para ganhar o da Paz.
As candidaturas para o prémio Nobel da Paz são entregues em Fevereiro. Barack Obama tomou posse como presidente dos Estados Unidos no final de Janeiro. Em duas ou três semanas, Obama teve uma acção suficientemente meritória para ganhar o Nobel da Paz. Que fez ele? A resposta é clara: nada. Não ordenou retiradas, mas também não ordenou ataques. Não ordenou nada, o que já é bem bom. Um estadista que não faça nada tem, hoje, um valor inestimável. Há quem diga que o prémio foi atribuído a Obama como sinal de esperança no que o presidente americano poderá fazer no futuro. Sinceramente, não creio. Julgo que o comité norueguês atribuiu o prémio agora por uma questão de oportunidade: há que aproveitar enquanto é tempo. Normalmente, é uma questão de meses até o presidente dos Estados Unidos lançar o país numa guerra qualquer. É preciso premiá-lo enquanto não começa a rebentar com coisas no Médio Oriente.
Por outro lado, é muito curioso que a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama tenha desencadeado uma série de comentários extremamente beligerantes. Raras vezes terá havido tanta discórdia a propósito da Paz. É mais um mérito de Obama: recebe prémios, promove discussões, agita o mundo. E tudo sem se mexer. Minto: há uns meses comprou um cão. Mas imaginem o que acontecerá quando ele começar mesmo a fazer coisas.

O voto nulo

Mais uma vez, o principal aspecto das eleições legislativas passa sem o comentário dos analistas políticos. Como é possível que a generalidade dos comentadores passe a noite eleitoral a dizer banalidades sobre os votos nos grandes partidos e não diga uma única banalidade sobre os votos brancos e, sobretudo, os votos nulos? Os eleitores mais empenhados e que levam mais a sério o seu voto voltaram a ser ignorados em todos os comentários. No entanto, e como é evidente, não há nenhum eleitor mais abnegado do que aquele que deposita na urna um voto nulo. Trata-se de um cidadão que se desloca à secção de voto com o objectivo de inutilizar o seu boletim, muitas vezes escrevendo nele uma frase indecente, ou espirituosa, ou ambas - uma obra que será contemplada apenas pelos dois ou três desgraçados que despejam a urna e fazem a contagem dos votos. Normalmente, a mensagem escrita no boletim é dirigida a um candidato, ou a vários, ou a todos - no entanto, na melhor das hipóteses fará corar apenas a presidente da mesa eleitoral. Há nisto tanto de poético, de quixotesco e de belo (e é tão curioso que toda essa beleza seja produzida, na maior parte das vezes, pelo desenho de partes seleccionadas do corpo humano) que me dá vontade de chorar. Mais ainda do que os próprios resultados eleitorais.
Os votos brancos caíram 4544 votos, enquanto os nulos subiram de 65 515 votos para 74 274, o que significa um importante aumento de 8759 votos. Sem fazer campanha, sem dinheiro do Estado para propaganda, sem tempos de antena, a obscenidade democrática vai trilhando o seu caminho, subindo paulatinamente, sufrágio após sufrágio. O mais triste, e até injusto, é o facto de este tipo de voto continuar a ser designado por nulo. Quem tem a suprema lata antidemocrática de dizer que um voto com um dito ou um desenho indecoroso é menos válido do que uma cruzinha num dos partidos listados no boletim? Quando é que a Comissão Nacional de Eleições percebe que este sistema de denominação discrimina precisamente os votos mais livres, mais requintados, mais artísticos? Nulo, um pirete? Válida, uma cruzinha? Não faz sentido. O pirete agregador, porque desenhado democraticamente sobre todos os partidos, com a sua pujança fecundadora, é um voto que promete futuro. A cruzinha, encarcerada num só quadrado, é exclusiva, porquanto elege um e repele todos os outros. Uma cruz é uma cruz. Um pirete tem diversos matizes, tamanhos, guarnições. Há, evidentemente, muito mais num pirete que numa triste cruz.

15/10/2009

Um homem diferente


Agora sim, eu cubro a rua
Num manto apaixonado, só por ti
Eu fico só, na multidão, remendas-me, reparas-me
E descubro o homem que há em mim.
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...
Faz mau tempo lá pelo passado,
Faz sol no meu presente
Só me faltavas tu,
E agora sou diferente...
Não há mais por do sol
Em Sunset Boulevard,
Agora estás aqui,
já nem me podem encontrar...

E foi assim,
No parque as nações,
Alguém aparece e oferece um cigarrinho
«Muito obrigado amiga não, não vou fumar»
No coração já deixei esse caminho...
Deixei para trás, a vida cheia de defeitos,
Fechei a porta, onde não mais quero entrar
E ao acaso pelas ruas da cidade,
Assobiando o meu amor, por ti a sonhar...

07/10/2009

Autarquicas em Almada


É certo e sabido que Almada pertence a Maria Emília. É certo e sabido que Almada, em termos de autárquicas, é dominada pelo CDU. O espanto passa mesmo por esta noite em debate da RTP N, o deputado socialista Paulo Pedroso, numa constante coerência e classe, assassinou um discurso comunista, repleto de vícios e mentiras bem sonantes.
Foi que nem tiro em cheio no alvo comunista, quando em abordagem ao assunto relativo ao tremendo disparate que consistiu em fechar a principal avenida de Almada ao transito, deixando a revolta e o medo dos comerciantes, pelo pouco dinheiro, insuficiente para a própria renda da loja.
Ainda em sede do Metro de superfície, houve um deslize no valor do dobro do valor de toda a obra. Foi o tanto falado de «Politica arranjadinha», que o Dr. Francisco Louça, tanto falou. O porquê é simples; Maria Emília, com irmã e sobrinha a fazer parte da administração da ECALMA. Fica agora esclarecido o porquê da tremenda dificuldade de encontrar um lugar para estacionar em Almada, em lugar que não seja pago.
Agora querem saber o porquê do Metro de Superfície?
Tendo em conta que o próximo, se trata do ultimo mandato possível de Maria Emília, e só para repararem na dita «Politica arranjadinha», esta senhora já têm assegurado um lugar na administração do MTS.
Está agora respondido o porquê do Metro de superfície? E o deslize do dinheiro nas suas infraestruturas? Por outro lado a explicação do escândalo quando ao prazo das obras, que se atrasou em 3 meses, não há nada de criminoso. Foi só mesmo falta de respeito e desorganização.
Falta de respeito e desorganização, não são ainda contra-ordenações ou crimes que constem na lei, de forma a que se deva punir a quem os comete. Ainda assim, todos concordamos que são situações que não deviam acontecer. Chegou a hora, de fazer um pouco de justiça, a todas essas lacunas. Hora de fazer ver que não se pode exigir um voto, quando não se cumpre com o respeito.
Hora de fazer sentir, que nós Almadenses, o pouco poder que nos deixam, ao menos quando o usamos, é para trazer justiça a Almada.

03/10/2009

Evidência

O golo do Falcão é o chamado golo do caraças. Gosto quando uma ave de rapina reina no Dragão.

02/10/2009

Os olhos tocam-se

Passou-se em Faro, mas podia passar-se noutro local qualquer. Mesmo antes de uma falta sofucante, lá estávamos nós, juntos e unos. Peguei-te na mão como se fosse um remo, acariciei-a como se fossem penas. Olhámo-nos como se fossemos gémeos, e debaixo de água dos olhos e coração, cavamos um túnel que ligava penínsulas, ilhas e continentes, ligava Faro a Lisboa, com infâncias comuns e jogos de rodas. «Lindas faluas, que lá vão, lá vão...» e um lenço branco como todos os lençóis em que dormimos.
Sobre meu coração, pousava uma mão de mulher, sobre essa mão descansava a minha. Carícias lentas, ao ritmo de brisas, trigo e lezírias do Alentejo, da mesma cor. Olhos nos olhos, sorrisos que se cuidavam. Ruínas de pedras sobrepostas, e um entendimento de olhares. A minha mão que cobria a tua. Devagarinho, dedos entrelaçados. Nesse momento, ensinaste-me algo que não houve professor, nem faculdade que mo tivesse dito antes. Afinal é possível que os olhos se toquem.